Everything changed then
3 Profecia
Notas iniciais
E lá ficou deitada naquele colchão duro do quarto cheio de símbolos, nos mais profundos devaneios. Observou novamente as paredes... Sim, Valentine sabia o que cada símbolo significava, para que serviam, as informações foram a atingindo como um tiro, levantou-se para ver melhor, mas foi forçada a deitar novamente pela tontura. Olhou para o símbolo do teu colar, e as palavras " A Protegida " saltaram na tua mente.
Queria contar logo a novidade a Sam, Dean ou Bob, ser útil em alguma coisa, não um fardo. Esperou que tudo parasse de rodar e se levantou, se apoiando nas paredes foi até a porta, e gritou. Não demorou para que os três aparecessem ali apavorados, Dean estava espantado com a boca cheia de comida. Ela os acalmou, chamou-os para dentro do quarto e contou tudo. Tentou descrever de maneira mais fiel a maneira que as imagens a atingiram.
– Que tipo de pessoa é você? — Dean falou, sem entender, desde quando estava neste ramo, nunca tinha visto nada igual.
– A protegida... Isso não me é estranho — Bob pensou alto, e saiu, sem dizer mais nada, todos ficaram olhando ele sair, sem entender. Velhos!
– Não vai dizer nada, Sam?
– Eu realmente não tenho o que dizer, é tudo muito...
– É isso! — Bob volta com o livro mais antigo que Valentine ja havia visto, suas folhas parecem ser tão frágeis que só respirar em cima delas as destruiria, e a capa é de um couro gasto, muito gasto, um símbolo parecido, não igual ao que ela tinha no colar foi costurado na capa. — Aqui diz: E se apaixonou por aquele que mais tinha ciúme, assim se fez um novo fruto, capaz unificar ou destruir o céu e a terra. A profecia da protegida. E depois a profecia é escrita em uma língua que não entendo.
– Posso ver, Bob? — ela ergueu a mão, tentou disfarçar que estava tremendo, mas foi meio inevitável. Era ótimo descobrir uma pista sobre quem ela era, porém a verdade dói, é normal sentir medo nessas horas? Talvez. Pegou o livro das mãos deles e logo avistou a parte que não Bob não conseguiu ler, cerrou os olhos e então não entendeu nada — Desculpe Bob, mas, isso aqui está escrito em português, tudo está, como você não entendeu?
Dean tomou o livro da mão dela, e o olhou do livro para ela repetidas vezes.
– Eu também não entendo nada do que está escrito aqui.
– Nem eu. — Sam observou por cima do ombro do irmão.
– Então dê o livro a ela, e a deixem ler.
Valentine primeiro leu para ela, rapidamente passando os olhos, e realmente não acreditou em no que ali dizia,sentiu o sangue sumir do rosto e a boca ficar seca, se preparou rapidamente para conseguir ler o que ali dizia de forma clara.
– Aqui diz: Deus criou as coisas visíveis e invisíveis da terra, seus preferidos eram os seres humanos, criaturas que ele se baseou em si próprio. Os anjos, seres etéreos, muito menos vulneráveis e mais poderosos que os humanos, porém foram feitos para protegê-los, o que por obediência ao Pai aceitaram, mas no fundo de todos, uma magoa se acumulava por aqueles seres frágeis, e a magoa dos arcanjos eram maiores. — então parou para respirar profundamente, e viu a expressão de cada um ali, as atenções de todos estavam nela, mas dos três, buscou conforto nos olhares de Sam. — O justo do céu, aquele que expulsou o mal, terá todo seu orgulho vencido quando vir a terra, em uma de suas viagens conhecerá uma humana e por ela ficará apaixonado a ponto de criar um símbolo que o represente, A protegida.
"O destino do céu ficará na mão do fruto dessa união, que quando crescer se apaixonará por uma vertente do mal, e a escolha só será dela, pois se decidir ficar com o amante, todo o céu entrará no caos eterno, se decidir se unir aos anjos, se sentará ao lado do Pai, como filha das tuas melhores criações."
Todos ficaram quietos, durante um longo tempo. Valentine esperava que após aquele silêncio, pudesse vir uma luz em torno de toda aquela escuridão. Sabiam agora o que ela era... Filha do Arcanjo Miguel, não que fosse descrente, mas não sabia que anjos eram de carne e osso e ainda se deitavam com mulheres, assim como os deuses da mitologia grega. Mas a parte que mais a intrigava era a responsabilidade imposta a ela. Ela, com apenas 23 anos teria que decidir o futuro do céu, e ontem mesmo não saberia se o céu realmente existia, e tudo isso derivaria de uma paixão que teria, uma "vertente do mal", que ela não fazia ideia de quem seria. Talvez fizesse.
–Então, Valentine destruirá o céu se ficar com Sam? Essa é pergunta que vale um milhão.
–Acho que é isso. — Bob concordou.
– Eu não estou apaixonada por Sam! — sua voz até falhou quando tentou se explicar.
– Por que eu tenho que ser a vertente do mal? — Sam perguntou sem se exaltar.
– Valentine, você contou tudo isso só olhando para o Sam, nem tirou o olho dele desde quando nos conhecemos, mesmo eu sendo o irmão mais bonito. E Sammy, teu passado te condena... Sangue de demônio te lembra de algo?
Ambos bufaram para Dean.
– Vamos, levantem essas suas bundas daí, temos um caso para resolver. — Bob se levantou e saiu seguido por Dean, mas Sam não ele continuou sentado lá.
Na porta Dean hesitou um pouco, jogou as mãos para o ar e murmurou algo como "eu tinha razão" ou "sempre tenho razão", e saiu.
– O Dean age assim em tempo integral, ele acha que está sempre certo.
– O que Dean quis dizer com "Sangue de Demônio"? — ela perguntou num tom que não parecesse evasiva,
– História meio longa, depois eu te conto.
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