Everything Is Possible
1 My Rotine
Notas iniciais
- Sally, acorda! Temos que ir pra escola! Estamos atrasadas! Levanta, anda!
Escutei minha irmã Sarah me chamando, quando abri os olhos eu me deparei com ela de frente para a minha cama, me observando. Droga, era hora de ir estudar. Sempre odiei acordar cedo.
Me levantei, com muito esforço, fui em direção ao banheiro, pus meu uniforme e lavei meu rosto. Tomei um café rápido, escovei meus dentes e peguei minha mochila.
Eu estava finalizando o terceiro ano do ensino médio, tinha acabado de completar dezessete anos e era fã da banda Big Time Rush. E sempre serei.
Eu não estava feliz. Afinal, minha escola tinha sempre os grupinhos que se separavam de mim, por motivos de ser fã deles. Eu recebia várias críticas, ficava isolada e era ofendida por ser rusher.
Odiava aquele lugar.
Minha irmã mais nova Sarah, era meio do tipo "popular", super diferente de mim e acabava sempre ficando com suas amigas que tinham os mesmos gostos que ela.
Mas isso nunca me impediria de amar eles.
Bom, eu entendia de amor. Apesar de ter namorado apenas uma vez na vida. O garoto também passou a me criticar por ser rusher, até mesmo porque eu falava muito de BTR para ele, e ele cansou de mim, eu cansei dele, e nós terminamos.
Enfim, desde então, comecei a caminhar de cabeça baixa para a escola, tendo que enfrentar mais um dia de desrespeito. Respeito por quem eu amava era a única coisa que eu pedia. Eu não pedia para gostar, nem pedia para serem fãs, eu só pedia respeito. Mas a sociedade anda um lixo, e foram certas pessoas que fizeram isso.
Minha rotina era assim. Estudar, estudar, estudar, ser ofendida. Porém, o Big Time Rush conseguia me fazer sorrir. Era só apertar play em qualquer música deles. Eu estava feliz porque o Big Time Rush se apresentaria pela segunda vez no Brasil aquele ano.
Quando voltei da escola naquele dia, já ia para o meu quarto me trancar e ficar lá. Porém meus pais me chamaram na sala.
— Sally, venha cá, agora. E traga Sarah também.
Nós duas nos sentamos no sofá de frente pra eles.
— O que foi? — perguntei. Minha mãe começou a falar.
— Sally, seu aniversário foi semana passada, e bem... ficamos de te dar um presente, certo?
Eu concordei balançando a cabeça.
— E é por isso que eu e seu pai compramos ingressos para o show do Big Time Rush!
Eu comecei a gritar e a pular. Aquilo iluminou meu dia. Levantei para abraçar meus pais, que faziam tudo para que eu ficasse feliz. Eu devia tudo à eles.
Sarah estava quieta no sofá. Depois questionou, zangada.
— Tá, mas o que eu tenho a ver com isso?
— Nós compramos dois ingressos. Você vai com a Sally!
Eu olhei para minha mãe indignada. Sarah nunca foi fã do BTR, e seu gosto musical era MUITO diferente do meu. E nem era aniversário dela. Mas meus pais sempre davam algo do mesmo valor para nós duas. Eles tinham a impressão de que se uma ganhasse algo e a outra não, ela sairia prejudicada. Então assim seria.
Mesmo não sendo fã e nunca ter ouvido sequer uma música deles, Sarah começou a pular, e sua expressão de brava se tranformou para feliz em questão de segundos.
Minha mãe me deu os ingressos. Eu tremia. Nunca estive tão ansiosa e feliz ao mesmo tempo.
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