Everything Is Changed

26 Muito trabalho pela frente


Notas iniciais
Oi galera! Chegando na reta final da fic, com várias emoções. Serão mais cinco capítulos, incluindo este, com a conclusão desta história que eu amo tanto de paixão. Aproveito para apresentar, aqui, dois personagens da minha nova história, que será publicada no Wattpad, apenas. São personagens originais, meus, com uma história que não será uma fic. Para quem ficar curioso, o link estará nas notas finais. Beijos e aproveitem o capítulo! Pov Pedro

Eu estava junto de dois seguranças e seus chefes dentro de um carro blindado, enquanto Arthur caminhava para dentro de um restaurante chique, o centro da cidade. Há dois dias ele havia aberto mão de todos os seus bens para que James devolvesse Estela, algo que o desgraçado prometeu. Mas meu sogro também procurou Rachel Carlson, para continuar uma encenação que nós criamos.

Há mais ou menos uma semana, eu havia contado a Arthur o que descobrimos sobre a esposa do meu pai. Ele e minha mãe reconheceram o nome da mulher e lembraram que Rachel foi uma antiga namorada de Arthur, que tinha uma obsessão por meu sogro na juventude. Era a melhor amiga de Marcela, na época do colégio, e passou a odiar a mãe de minha namorada quando descobriu sobre a gestação de Estela.

Ainda não sabíamos, exatamente, qual o nível de envolvimento de meu pai nesta história, mas eu esperava confrontá-lo o quanto antes. Não queria acreditar que o cara que me criou seria capaz de ser cumplice de algo deste tipo. Desde que descobrimos sobre Rachel, procuramos por maneiras de provar o envolvimento dela e de meu pai, para depois pegarmos James Lancaster e Ethan. E para isso, estávamos contando com uma ajuda especial, por assim dizer.

— Vejam como ela olha para o Arthur. – disse Alyssa Rhodes, no banco de trás do carro e seu irmão, Luke, riu.

Luke e Alyssa Rhodes eram, oficialmente, presidente e vice da WR Company, uma indústria de construção civil que possuía investimentos em diversas áreas e fazia alguns negócios com a empresa de Arthur. Eu já tinha ouvido falar deles antes, mas não imaginava que eram bem mais que isso. Na realidade, os dois eram integrantes da máfia, e comandavam a parte americana dela. Arthur havia procurado a ajuda dos irmãos Rhodes em nome da amizade que mantinha com a família deles, há anos. Além disso, os Rhodes tinham o próprio interesse em se livrar da família Lancaster, como eles mesmos disseram.

— Ela é uma louca obsessiva. – observou Luke – Arthur a está engando direitinho.

— Isso vai ser muito divertido. – comentou Alysse e eu a encarei, chocado – Não faça essa cara, Pevensie. Já disse que não iremos ferir seu pai e ninguém da sua família.

— Eu não disse nada. – respondi.

— Não precisa. – ela rebateu – Sua cara de choque fala por si. Mas não se preocupe, seu pai, assim como a vadia da Rachel Carlson foram meros peões no jogo dos Lancaster.

— Como assim?

— Querido, nós sabemos coisas sobre a família de Rachel Carlson. – disse Alyssa – Ela é apenas uma vadia interesseira, mas não é cruel a ponto de fazer mal a alguém. Eu posso apostar que ela foi seduzida por James com a proposta de terminar com Arthur, que é o que ela quer. Também poderia apostar que seu pai quer sua mãe de volta.

— Além disso, os Carlson são uma família menos importante da máfia, subordinados nossos.

Fiquei em silêncio. Por mais que Luke e Alyssa parecessem jovens normais e estivessem sendo legais até o momento, eu sabia que havia muito mais por trás daquela aparência da falsa tranquilidade. Se os dois eram os chefes da máfia no país, sabia, com certeza, que eram fatais e rezava para que meu pai não estivesse muito envolvido, pois, pelo olhar de Alyssa, Rachel Carlson já havia assinado sua sentença de morte.

Fui tirado dos meus pensamentos quando Arthur entrou no carro. Ao mesmo tempo, o motorista de Luke e Alyssa deu a partida no carro. Meu sogro suspirou, antes de começar a falar sobre a conversa no restaurante.

— Rachel está acreditando. – ele começou – Eu disse a ela que estava feliz por vê-la de novo e que queria uma chance. Fingi estar arrasado e ela caiu direitinho.

— Isso é bom, Arthur. – respondeu Luke – Ela disse algo sobre os planos?

— Sim. Ela disse que tinha uma dívida com James, depois de ele lhe ajudar quando ela se meteu em problemas com vocês no ano passado. Disse também que seu pai, Pedro, não sabia do sequestro e nem que Lúcia estava na casa que ela alugou. Ele só concordou com a parte de Estela e em tentar me tirar do sério.

— Maldita vadia traidora! – exclamou Alyssa.

— Ela contou também que James tem um plano maior e que podemos esperar novidades. E como a dívida dela já estava paga, está livre dos esquemas.

— Ela que pensa. – murmurou a mafiosa.

— Seja lá o que for esse plano maior, precisamos estar prontos. – decretou Luke – James está muito quieto e já vivi coisas o suficiente para saber que não é um bom sinal.

— E ele ainda não disse nada sobre nos devolver Estela. – acrescentou Arthur.

— Esse é o ponto, Arthur. – respondeu – James não manteria ela em cativeiro por mais tempo do que o necessário se não estivesse inclusa em seus planos.

Arthur empalideceu e eu fiquei tenso. Alyssa tinha razão nisso. James não se arriscaria mais desta forma se não estivesse planejando algo bem maior. Restava descobrir o que poderia ser isso. Enquanto pensávamos no que tudo aquilo significava, Alyssa passava instruções aos seus homens sobre o próximo passo e a ordem principal era clara: pegar Rachel Carlson e prendê-la, por traição à máfia.

Os irmãos Rhodes, depois disso, nos deixaram em nosso prédio e prometeram retornar mais tarde, com novidades. Não disseram o que iriam fazer e era melhor assim. Quanto menos soubéssemos de seus trabalhos, melhor seria para nós.

Em nosso apartamento, encontramos minha mãe na sala de estar, sozinha. Susana havia ido com Caspian para uma casa de campo que os pais dele tinham em Hamptons, longe dessa loucura, para que ela pudesse ficar em segurança. Todos nós havíamos trancado nossos cursos na faculdade, porque não havia a menor possibilidade de pensar nos estudos agora.

Ao nos ver entrado pela porta, dona Helena veio nos abraçar, primeiro Arthur, depois eu. Quando me soltou, ela me encarou, tensa.

— Pedro, tem visita para você no seu quarto. – disse.

— Quem é, mãe?

— É...o seu pai. – ela respondeu, temerosa. – Ele disse que precisava conversar com você, filho.

— Não tenho nada a dizer para ele.

— Só ouça o que ele tem a dizer. Por favor, Pedro. Raiva dele não vai nos ajudar, agora.

Eu suspirei, mas acabei assentindo e abraçando minha mãe novamente. Depois, subi as escadas, indo em direção ao meu quarto, para ouvir meu pai. Eu não tinha a menor vontade de escutar suas loucuras, mas faria, porque minha mãe pediu. Porém não poderia prometer que iria perdoá-lo pela forma como vinha agindo, ainda mais por ter concordado em fazer mal a uma pessoa inocente, apenas por um capricho pessoal, de querer minha mãe de volta.

Entrei no quarto e encontrei Phillip observando o painel de fotos que eu havia feito em uma das paredes do quarto. A maioria das fotos eram minhas com meus irmãos e uma delas era com Estela, a única que eu havia guardado após o nosso término, há mais de um ano.

— Estou aqui. – pronunciei-me.

Philip se virou para mim e sua feição demonstrava arrependimento. Ele andou na minha direção e parou a poucos metros de mim.

— Pedro, filho. – ele começou – Eu sinto muito por sua noiva.

— Como você sabe disso? – questionei.

— Sua mãe me contou. – ele respondeu – Não sabia que era tão sério e que ela era tão importante para você.

— EU AMO A ESTELA! – gritei – SEMPRE AMEI! Mas você nunca se importou em saber disso, não é? E também não se importou quando veio aqui e a ofendeu daquela forma. Graças a tudo isso, ela está passando por um inferno agora!

— EU ERREI, PEDRO. – ele rebateu – EU NUNCA ESQUECI SUA MÃE E FUI MESQUINHO CAINDO NESSE JOGO COM A RACHEL! EU ME DEIXEI LEVAR POR UMA PROMESSA DELA. Mas eu juro, que não concordei com violência nenhuma.

— Não me importa, Philip! Você foi desumano agindo assim, não deveria ter feito isso. Se amasse a minha mãe, para começo de conversa, iria querer vê-la feliz, pois ela não era com você. Aceite isso! Por causa destes caprichos, seu e da sua mulher, Lúcia e Estela sofreram nas mãos de um psicopata!

— Já disse que não sabia que Rachel estava envolvida no sequestro da Lúcia! Não sabia mesmo. Ela só me contou depois, quando me explicou sobre a ideia de pedir que Estela se entregasse. Eu fiquei furioso com ela por ter compactuado com o que aconteceu com a minha filha, por ela ter se machucado, por isso cheguei tão nervoso aqui aquele dia e disse todas aquelas merdas sobre sua noiva. Eu sabia que ela precisava se sentir intimidada para que liberassem a Lúcia. Fui um babaca. Mas eu peço seu perdão, meu filho, por favor!

Passei a mão pelos cabelos, nervoso. Meu pai havia sido a pior pessoa em meio a tudo isso, porque eu o amava, apesar de tudo, e ele me decepcionou muito com seu egoísmo. Agora era tarde para concertar a situação.

— Eu não consigo aceitar nenhuma das suas desculpas agora. – falei, buscando me acalmar – Não estou com psicológico para isso. Estou concentrado em resgatar minha noiva.

Ele abaixou a cabeça, parecendo ainda pior, mas eu não cedi. Não estava pronto para isso.

— Eu entendo, Pedro. Mas quero que saiba que podem contar comigo para ajudar, no que precisarem. Realmente quero ajudar, pois estou muito arrependido.

— Tudo bem, obrigada.

Ele assentiu e tentou se aproximar de mim, mas eu recuei e coloquei as mãos nos bolsos, mantendo distância. Não queria me aproximar ainda. Philip suspirou e saiu do quarto, fechando a porta em seguida. Eu me joguei na cama, cansado, tanto pelo trabalho em busca de Estela, quanto pela conversa com meu pai. Levantei-me logo depois e fui até o meu painel, pegando a foto em que eu estava com Estela.

Susana havia nos fotografado quando estávamos distraídos, em meu aniversário, ela abraçava meu pescoço e me olhava, apaixonada, enquanto eu sorria como um idiota. Ah, como eu sentia saudade dela. A cada dia que passava, a dor de não tê-la ao meu lado aumentava e eu só rezava para que ela continuasse segura.

Fui acordado dos meus pensamentos com a voz de minha mãe, na porta. Ela abriu uma fresta na porta, e colocou a cabeça para dentro, parecendo alarmada. Levantei-me na hora.

— O que foi, mãe?

— Luke e Alyssa Rhodes estão aqui. – respondeu – Pediram para você descer.

Corri para fora do quarto, passando por minha mãe e desci as escadas de dois em dois degraus. Chegando na sala, os irmãos Rhodes estavam parados no meio dela, em pé, ambos de braços cruzados. Na mão da ruiva, estava um envelope branco.

Sentei-me ao lado de Arthur, no sofá, e logo meu sogro se pronunciou:

— Vocês descobriram algo? – perguntou.

— Sim. – disse Luke e Alyssa entregou-lhe o envelope – Isso estava à nossa espera. É um convite.

Arthur abriu o envelope, desconfiado e eu me coloquei ao seu lado, para ler o que estava escrito.

“Meus respeitáveis irmãos Waldorf Rhodes,

é com imensa alegria que eu, James Lancaster, Capo da máfia em Chicago, convido vocês para um evento especial, a ser realizado em três dias, em Nova York. Nesta data, celebrarei meu aniversário e, também, um compromisso muito especial para mim, o noivado de meu amado filho, Ethan Lancaster, com a estimada Estela Spring, futura senhora Lancaster, que eu considero como uma segunda filha. O evento terá início às 19h. Contamos com a sua nobre presença.

Cordias cumprimentos, James Lancaster”

Arthur não tinha reação. Ele deixou seu corpo cair no sofá e encarava o outro lado da sala, estático. Eu demorei dois segundos para processar a informação, depois explodi.

— Que PORRA é essa? – gritei – Isso é falso, certo?

Apontei para o convite, e Luke e Alyssa se entreolharam. A ruiva negou com a cabeça e depois Luke também balançou a cabeça, em negação.

— Nós entramos em contato com uma fonte confiável, que faz parte do grupo de James, e ele nos confirmou que o evento vai acontecer e essa foi a descrição de James. – ela disse – Mas Pedro, não tire conclusões precipitadas.

— Como não? – questionei – Como ela está concordando com isso?

— Não seja estúpido, Pevensie! – brigou Alyssa, furiosa – A sua noiva provavelmente está sendo coagida a aceitar isso, talvez nem saiba. Embora eu acredite em uma terceira hipótese.

— Qual hipótese? – perguntei.

— Sua noiva não é burra, é? – ela provocou – Se fosse eu, estaria fingindo aceitar tudo isso. Regra de sobrevivência: quanto mais você resiste, mas irá sofrer. Se ela bancar a filha traída e fingir estar do lado de James, agora, poderá ter muito mais liberdade e tratamento melhor, o que aumenta suas chances de escapar.

— Acha que minha filha está se sentindo traída? – disse Arthur, em pânico – Traída por mim?

— Arthur – chamou Luke – Sua filha é esperta e sabe que você a ama. Por isso, nós dois acreditamos que ela esteja fingindo. Esta festa pode ser a melhor chance dela de escapar, então é mais fácil se ela não bancar a heroína, insistindo que acredita em você. Até porque, pela maneira como James escreveu, está bem claro que a intenção é atingir você, porque ele sequer usou o verdadeiro sobrenome dela e fez questão de deixar claro que ela estaria se tornando uma Lancaster. Quer vingança melhor do que tirar de você o que você mais ama?

Arthur assentiu, pois as palavras de Luke faziam sentido. Eu me surpreendi com a inteligência dos irmãos Rhodes, que não eram tão mais velhos do que eu. Mas uma dúvida ainda pairava na minha mente.

— Então ela não quer se casar com Ethan e ser uma Lancaster? – perguntei, novamente.

Alyssa bufou, irritada com a minha dúvida, e me deu um tapa forte no braço.

— Por Deus, como os homens são idiotas! – praguejou – Para mim está claro que não. Agora, vocês vão parar de agir como menininhas traídas e se mexer para ajudá-la a escapar de James?

— Farei de tudo por ela! – prometi.

— Assim como eu! – concordou Arthur.

— Ótimo! – elogiou Alyssa – Porque temos muito trabalho pela frente.

Notas finais
O próximo capítulo terá muita ação, pessoal! E como eu falei nas notas iniciais, vou colocar o capítulo da história no Wattpad, em que estarão Luke e Alyssa Rhodes, com ela como protagonista. https://www.wattpad.com/story/219516181-poder-e-paix%C3%A3o-livro-1-fam%C3%ADlia-di-m%C3%A9dici