Notas iniciais
Estamos cada vez mais perto do fim, pessoal e acho que farei um capítulo bônus de Suspian, o que vocês acham? Pov Pedro

Eu encarei a tela da televisão com raiva, ciente de que se estivesse presenciando esta cena, seria capaz de matar Ethan Lancaster com minhas próprias mãos. Ao meu lado, Arthur parecia ter a mesma opinião, enquanto assistíamos à reportagem sobre a festa, em um canal de fofocas. Luke havia nos avisado que estaria passando e disse para nos atentarmos à postura de Estela.

Isso porque, um dia antes, Alyssa tinha “visitado” James Lancaster, sob o pretexto de conversar coisas da máfia, mas na realidade a ida surpresa à casa onde ele estava foi para que a ruiva pudesse observar como estava a situação de Estela.

Alyssa tinha nos contado que minha noiva parecia bem fisicamente, mas que sua expressão demonstrava medo e insegurança, além de ela ter a postura rígida o tempo todo, como se estivesse temendo todos ao seu redor, principalmente James. A ruiva havia observado e comentado conosco que, a cada palavra de James, Estela se encolhia, embora o movimento fosse imperceptível. Mas segundo Alyssa, sua experiência em ler as pessoas lhe dizia que minha noiva estava sendo muito ameaçada.

Eu e Arthur estávamos aguardando um telefonema de Alyssa, que sinalizaria quando deveríamos ir ao ponto de encontro combinado. Todos tínhamos a mesma impressão: de que hoje era o dia decisivo para salvar Estela. Estávamos nesta pilha, prontos para sair há um bom tempo, desde que Alyssa havia ido para a festa. Os irmãos Rhodes prepararam uma operação para salvar minha noiva, com uma equipe de apoio e uma das amigas de Alyssa para auxiliar na fuga. Era a melhor oportunidade que teríamos e não poderíamos desperdiçá-la.

O telefone de Arthur finalmente tocou, sinalizando o aviso de Alyssa de que deveríamos ir ao encontro dela, em um galpão mais afastado da cidade. Meu sogro assentiu em minha direção e nós nos levantamos, vendo minha mãe nos observar na escada, preocupada. Ela veio andando em nossa direção e me deu um abraço apertado.

— Prometa que tomarão cuidado! – ela mandou – E que voltarão são e salvos.

— Tomaremos cuidado, meu amor. – respondeu Arthur – E eu prometo que seu filho estará protegido.

— Arhur... – ela protestou, mas abraçou meu sogro – Prometa que também irá ficar bem.

Ele encarou o chão e depois suspirou, assentindo, apenas. Depois colocou a mão no meu ombro.

— Precisamos ir. – disse e eu concordei.

Nós saímos do nosso apartamento e fomos para a garagem, entrando no carro de Arthur. Nele, colocamos os comunicadores e chamamos por Paul e Mikayla, que ficariam na retaguarda, pelo apartamento. Alyssa colocaria o próprio comunicador para falar conosco. Arthur estendeu a mão e abriu o porta luvas, tirando duas armas de lá e me estendendo uma. Nestes últimos dias, eu havia aprendido a atirar com Alyssa e Luke, e consegui aprender o básico para poder ajudar.

— Tudo pronto para saírem? – questionou Mikayla, por meio do comunicador.

— Saindo agora. – respondeu Arthur.

— Estamos acompanhando o trajeto de vocês. – informou Paul – Alyssa também já saiu da festa e disse que Estela e Elliot estão com Blair Maldonado, indo para o galpão.

— Certo. – disse Arthur, enquanto eu passava as instruções do GPS.

Nós seguimos pela rodovia por alguns minutos, até escutarmos a voz de Alyssa em nossos comunicadores.

— Estou quase lá. – falou – Blair avisou que eles já chegaram e que há cinco soldados nossos com eles. Estou indo com mais sete pessoas, três em meu carro e quatro em um outro. Já deixei nossa equipe apostos na sede, se precisar, falarei com eles. Luke teve um outro compromisso.

— Algum sinal de James e Ethan? – questionou Arthur.

— Nosso rastreador aponta que o carro deles ainda não saiu do local da festa. – ouvimos Paul – Alyssa?

Escutamos a voz da ruiva falando com alguém da sua equipe, discutindo algo e xingando alguém.

— Eles trocaram de carro. – ela falou e nós xingamos junto – Deixei Connor de guarda e ele acabou de nos avisar que James e Ethan saíram em disparada com uma equipe. Temos que nos apressar.

— Entendido. – concordou Arhur, acelerando ainda mais o seu carro.

Os minutos que se passaram até que avistássemos o galpão que Alyssa mencionou demoraram uma eternidade para passar. Em frente à construção, havia apenas dois carros, provavelmente da equipe que auxiliou Estela e Elliot na fuga, e nós paramos ao lado deles, assim que chegamos. No mesmo momento, ouvimos a instrução de Alyssa para que esperássemos ela chegar com sua equipe, para avisar à sua amiga que estavam seguros.

Quando o mustang de Alyssa parou ao nosso lado, ela desceu, acompanhada de soldados seus. Ela pegou o celular no bolso e discou um número.

— Blair, está tudo bem, somos nós aqui fora. – avisou.

Nós escutamos um som parecido com o de um alarme sendo destravado e entendemos porque nos mandaram esperar. A amiga de Alyssa havia instalado uma espécie de alarme, como medida de proteção.

Meu coração batia descompassado no peito enquanto Alyssa nos fazia sinal para entrarmos. O primeiro a passar pela porta foi Arthur e eu fui logo atrás dele. Nós passamos os olhos pelo local, até que avistamos a figura morena, vestida com uma roupa de garçonete, que nos encarou, emocionada.

Estela correu na direção de Arthur, que a abraçou forte, passando a mão por seus cabelos. Percebi que ambos choravam e eu estava feliz por este pesadelo estar chegando ao fim. Os dois permaneceram juntos por alguns instantes, até que Estela olhou na minha direção e isso foi tudo o que eu passei a ver.

Ela correu na minha direção, mas parou a poucos metros de mim, parecendo temerosa. Não entendi sua reação, de primeira, mas pela sua expressão, ela parecia arrependida de algo.

— Pedro...eu não queria...o Ethan... – ela se embaralhou nas palavras, e eu fui me aproximando – Eu não trairia você, meu amor...

Interrompi suas palavras com um beijo intenso. Eu sabia que ela estava fingindo e que jamais me trocaria por ele. E como eu senti falta desse beijo! Estela se agarrou a mim e eu sentia suas lágrimas escorrendo pela face, enquanto me beijava. Ela encostou a testa na minha e sorriu, enquanto eu acariciava sua bochecha.

— Calma. – sussurrei – Acabou agora.

Ela apenas assentiu e me abraçou novamente. Atrás dela, Arthur conversava com Elliot, que tinha uma expressão surpresa no rosto. Estela se virou para ver o que eu estava encarando e sorriu, indo em direção a Elliot. Ela abraçou o irmão com força e eu percebi o quanto ele se importava com ele, segurando-a como se fosse a sua vida em suas mãos.

— Obrigada por cuidar tão bem da minha filha, Elliot! – disse Arthur – Você foi fundamental para ela.

— É verdade, cara. – concordei – Desculpe por ter tido vontade de socar a sua cara quando a Estela sumiu.

— Ele fez isso porque eu pedi! – defendeu Estela, enquanto Elliot sorria minimante – Agora, nós temos que...

Seja lá o que Estela fosse falar, foi interrompida por sons de tiro, do lado de fora do galpão. Perto de nós, Alyssa praguejou, já com as armas em punho, assim como parte de seus homens e sua amiga, Blair.

— Conseguem ver quantos são? – questionou a ruiva, aos nossos amigos.

— Pelas câmeras são oito. – ouvimos Paul.

Alyssa sorriu, em escárnio. Puxei Estela para trás de mim e Arthur se colocou ao meu lado. Puxamos nossas armas e vi Elliot fazer o mesmo. Os homens de Alyssa também se posicionaram e foi uma questão de segundos até a porta do galpão ser arrombada. James passou por ela, seguido de Ethan e alguns outros soldados.

O loiro mais velho deu um sorriso irônico, enquanto Ethan me encarava com ódio. James abaixou a arma, andando em nossa direção. Seus olhos iam de Arthur para Alyssa, transbordando ódio pela cena.

— Senhorita Rhodes. – ele disse – Peço que me deixe resolver meus assuntos pessoais inacabados. Ou então morra com eles, de uma vez.

— O único a morrer hoje será você, James. – ela retrucou, a voz dura como aço. – Achou mesmo que aceitaríamos essa afronta de achar que pode nos roubar e ainda colocar em cheque nossas operações perto de Nova York?

— Você não sabe o quanto estou contente em poder me livrar de duas pedras no sapato de uma vez só. – ele rebateu – Vou primeiro me livrar de você, Rhodes, sua vadia prepotente. E depois vou acabar com você, Arthur, seu maldito traidor.

Antes que ele dissesse mais alguma coisa, Alyssa deu uma passo à frente, automaticamente atraindo a atenção de James, assim como a mira de sua arma. Agora o Lancaster revezava entre apontar seu revólver para Arthur e para a ruiva. Já eu estava na mira de Ethan, que me encarava de um jeito psicopata.

— Atire naquele círculo acima da porta, quando eu atrair a atenção deles. – Estela sussurrou atrás de mim – Tem algo que pode distraí-los e nos dar alguma vantagem.

Continuei olhando para Ethan, fazendo o que Estela mandou. Eu nem sabia de onde estava tirando tanta frieza, mas sentia a adrenalina do perigo correr por minhas veias. A minha noiva, então, saiu de trás de mim, chamando a atenção de todos para si. Eu tinha de admitir, Estela era a pessoa mais corajosa que já conheci na vida.

— Por que isso, James, Ethan? – ela questionou – Em voz alta? Você e meu pai eram amigos, James, e você errou tanto quanto meu pai. E você – ela olhou para Arthur – por que agir dessa forma com James, você podia ter conversado com ele tantas vezes! Tudo podia ter sido diferente!

— Filha... – tentou Arthur.

— Estela, você devia ter sido minha filha! – gritou James – Eu deveria ter tido a fortuna e a vida boa de Arthur! Junto com você e Marcela! Mas não, precisei me envolver na máfia para sobreviver e agora sou obrigado a ficar recebendo ordens de uma vagabunda como a Rhodes.

Era a distração que nós precisávamos. Ethan desviou o olhar de mim, encarando seu pai com frustração por não ter sido citado na fantasia de vida perfeita de James Lancaster. Eu aproveitei esse milésimo de segundo e ergui minha arma, mirando rapidamente no local apontado por Estela, e atirei, acertando o objeto.

Uma pequena explosão foi feita, atraindo a atenção de todos. Enquanto nossos inimigos tentavam se reorganizar em meio à fumaça, a amiga de Alyssa empurrou a mim e Estela para o lado, enquanto Elliot cobria seu movimento, com a arma em punhos, atirando em alguns soldados Lancaster.

Enquanto isso, Arthur partia para cima de Ethan, e Alyssa enfrentava James, ainda atordoado pela fumaça. Meu sogro atirou na perna de Ethan, fazendo com que ele largasse a arma e caísse no chão, gritando de dor. Arthur chutou a arma para longe e depois atirou em dois caras que se aproximavam de nós.

Eu peguei a minha arma e atirei em mais dois. Outro lutava no chão com Elliot, que parecia estar se saindo bem, mas um estava dificultando a vida de Blair, que estava apanhando. Alyssa conseguiu acertar um belo soco em James, deixando caído por um tempo, e depois correu para ajudar Blair a dar cabo do cara que batia nela.

Eu corri para ajudar o irmão de minha namorada e, em poucos segundos, acabamos com ele. Porém, acabamos deixando Estela sozinha por um instante, o suficiente para que Ethan alcançasse uma arma e apontasse para a morena.

Tudo ficou em câmera lenta. Eu tentei correr, mas alguém me deu uma rasteira. Um soldado Lancaster surgiu do nada, atrapalhando meu progresso. Eu precisei de dois segundos para me livrar dele, mas Ethan já estava perto de mais de Estela.

— ESTELA! – gritei quando vi ele perto de apertar o gatilho.

Eu tentei chegar a ela, mas não a tempo. Ethan atirou e meu coração parou por dois segundos. Porém um vulto passou a frente dela, levando o tiro. Ao mesmo tempo, atrás de mim, Blair acertou mais um tiro em Ethan, fazendo ele largar a arma e correr na direção da porta, sendo seguido por alguns homens de Alyssa.

A ruiva, quase que ao mesmo tempo, terminava uma luta final com James Lancaster, que ainda lançou um olhar de raiva na direção de Arthur, antes de morrer, tendo o pescoço quebrado por Alyssa, fazendo com que todos, menos Blair, a encarassem mortificados.

Eu voltei minha atenção à minha noiva, ajoelhada em frente a um corpo inerte, no chão. Imediatamente, senti a dor da perda.

Notas finais
Quem vocês acham que foi o grande salvador da Estela e que não fará parte do nosso grand finale?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.