Quando chegamos a mansão Malfoy eu realmente me assustei com a quantidade de comensais da morte que estavam lá, mesmo ainda estando no jardim já consegui contar pelo menos quarenta comensais, e o pior de tudo é que alguns deles tinham a minha idade, até mesmo alguns que estudaram comigo.

A nossa volta, além de todos os comensais, ainda tinha alguns dementadores sobrevoando a mansão. A cada passo que eu dava o único pensamento que me assolava é que eu iria morrer.

–Belatrix.- Greyback gritou quando entramos na mansão, e para meu completo pavor, a mulher eu tanto odiava, tanto pelo que aconteceu com os pais do Neville, quanto pelo que aconteceu com o Sirius, e também pelo que aconteceu com as outras centenas de pessoas perseguidas por ela.

Ainda com seu olhar altivo e sorriso de escárnio ela apareceu sendo seguida por sua irmã Narcisa.

–Veja o que encontramos aqui.- Ela disse com animação e maldade obvias em sua voz.- A sangue-ruim e o traidor de sangue.

–Encontramos eles no meio de uma floresta qualquer, junto com o deformado ali.- Ele terminou apontando para o Harry.

–Vocês são mesmo... – Belatrix começou a falar mas parou abruptamente com os olhos vidrados atrás de nós.- O que vocês estão fazendo com isso?

Seu grito foi tão alto que provavelmente todos na casa foram capazes de ouvir, quando ela estava indo até o que chamara tanto a sua atenção acabou nos empurrando, e nesse momento eu fui capaz de ver o que era, instantaneamente senti todo o ar se esvaindo dos meus pulmões.

Na mão de um dos sequestradores estava a espada de Godric Gryffindor, e com toda certeza aquilo não acabaria bem.

–Aonde vocês encontraram ela?- Lestrange perguntou pausadamente e com a varinha em punho apontada para ele.

–Ela estava na bolsa da menina.- Ele respondeu rapidamente dando um passo para trás e deixando a espada cair no chão com um estalo alto.

– Levem os prisioneiros pro calabouço.- Ela disse com raiva evidente em sua voz, mas assim que um dos comensais começaram a me puxar em direção aos outros ela interrompeu.- A garota não, digamos que precisamos ter uma conversa entre mulheres.

Os garotos foram levados para uma outra sala, e a cada momento eu ficava mais nervosa imaginando o que aconteceria comigo, principalmente por eu estar completamente indefesa sem minha varinha.

–Você tem duas opções.- Ela começou calmamente.- Você pode me contar por bem aonde encontrou aquela espada , ou você vai falar por mal.

Ela ficou esperando por algum tempo que eu falasse, mas quando percebeu que eu não iria dizer nada não hesitou nem um pouco em me lançar uma maldição cruciatus.

Se eu achava que tinha doído quando fui atingida pelo feitiço do Greyback, não era nada comparado a maldição que Belatrix acabou de me lançar, era como se milhares de agulhas me perfurassem de dentro para fora, assim como no meu sonho, e o pior é que não foi apenas isso que se repetiu, eu não sei quanto tempo realmente se passou, mas para mim foram como dolorosas horas.

–Eu vou perguntar mais uma vez sangue-ruim imunda.- A comensal a minha frente disse aparentando já perder a paciência.- Como você conseguiu a espada?

Continuei em silêncio assim como das outras vezes, mas ao invés de sentir a horrível sensação de ser atingida pela maldição que foi dirigida pra mim tantas vezes até agora, eu senti um punhal perfurando minha pele.

Mesmo com tudo o que eu já tinha passado na mão dela, pela primeira vez eu realmente caí, meu único desejo era que ela me matasse de uma vez por todas, mas de uma coisa eu tinha certeza, eu em hipótese alguma iria trair meus amigos .

–Tem certeza que não vai mesmo me contar?- Enquanto ela falava me derrubava mais ainda no chão e comprimia o punhal no meu antebraço. Eu sentia ela fazendo cada traço na minha pele, e o pior é que ela não parou nisso, a cada instante ela lançava novos feitiços, mas ainda assim eu tentava resistir, até que veio o meu máximo, ela lançou em mim o feitiço sectusempra, eu não conseguia mais aguentar aquilo, então fiz a única coisa que me veio a mente.

–Não é a verdadeira espada.- Gritei não tendo mais forças nem mesmo para tentar conter o sangue que se esvaia pelos cortes que o feitiço me causou.- É apenas uma cópia.

Momentaneamente Belatrix pareceu pensar sobre o que eu falei.

–Tragam o duende aqui.- Ela falou com seu usual tom áspero.- Ele vai saber diferenciar se é uma espada real ou não.

Não demorou muito até trazerem o duende pra cá, e eu agradeci internamente por ele concordar com o que eu disse sobre a espada não ser a espada de Gryffindor.

Eu não estava mais conseguindo me manter muito consciente, mas ainda consegui ouvir com clareza as palavras que se seguiram.

–Ela não é mais útil, pode se divertir com ela gora.- Belatrix disse se dirigindo ao Fenrir Greyback, que estava encostado em uma parede próxima.

Quando ouvi aquelas palavras, eu entrei em pânico completo, eu sabia exatamente o que aquilo significava. Mas para minha sorte ele nunca teve a chance de chegar perto de mim. Eu não sei exatamente o que aconteceu, mas a minha volta vários flashes verdes e vermelhos, e de repente senti alguém me puxar pra cima e então senti a sensação desconfortável de aparatação, e depois disso não lembro de mais nada.