Everything Has Changed
35 Capítulo XXXV
Notas iniciais
Senti minhas pernas fraquejarem, mas ainda consegui seguir até eles, as lágrimas que já encharcavam meu rosto vieram em um fluxo ainda maior.
Alcancei-os no momento que Neville repousou ela sobre uma das macas. Suas roupas estavam manchadas de sangue, e sua pele mais pálida do que o normal.
–Madame Pomfrey.- Neville chamou a senhora que estava a algumas macas de nós.
–Ai meu Merlin, o que aconteceu com essa menina, ela está muito ferida.- A medibruxa disse assim que se aproximou de nós.
–Ela estava lutando contra Lucius Malfoy, e ele a atingiu com algum feitiço que deixou ela desacordada.
– Vocês dois deem um pouco de espaço, independente do que for ela precisa respirar.- A senhora ralhou conosco e nos empurrou para trás.
Fazia quase dez minutos lançando feitiços de cura na Lucy, mas ainda assim ela não mostrava nenhum sinal de melhora.
–Vai ficar tudo bem Mione.- Neville disse tentando me acalmar, eu realmente queria acreditar nele mas depois de ver a morte do Fred e do professor Snape, pareia difícil acreditar que qualquer um fosse sair vivo dessa batalha.
–Ela vai ficar bem.- Fui tirada de meus pensamentos pelas palavras mais calmas da madame Pomfrey.- Provavelmente ela vai continuar desacordada por algum tempo, mas não corre tantos riscos.
Soltei um suspiro de alivio, ela ficaria bem, lágrimas continuaram a molhar o meu rosto, mas desta vez eram de felicidades.
Me aproximei dela, e segurei sua mão que já estava recuperando um pouco a cor. Senti Neville se aproximar de nós duas, ele parecia mais calmo também.
–Eu vou ver se precisam de minha ajuda tudo bem Mione?- Ele perguntou um pouco receoso em me deixar sozinha.
–Claro, claro.- Respondi secando um pouco o meu rosto e me virando pra ele.- Obrigada Nev, obrigada por ter salvo ela.
–Não foi nada Hermione.- Ele disse e me puxou para um abraço.
Quando Neville saiu, eu fiquei junto da Lucy, mas o tempo todo olhava para os Weasleys que não estavam muito longe, era de cortar o coração vê-los naquela condição, principalmente o George. Ele estava chorando incontrolavelmente sobre o corpo de seu irmão gêmeo, minha vontade era de ir lá consola-lo, mas eu não podia deixar minha amiga sozinha.
Depois de um tempo todos se afastaram, menos George que continuou ao lado de seu irmão.
–Se você quiser ir lá com o George eu posso ficar com a Lucy.- Fui tirada de meus pensamentos pelo Rony que tinha se ajoelhado ao meu lado.
–Obrigada, se ela acordar você me avisa?- Perguntei enquanto me levantava.
–Ela... ela está viva?- As palavras do Rony me lembraram que apenas eu e o Neville sabíamos sobre ela estar viva.
–Sim, apenas desacordada, o Nev à encontrou e trouxe ela pra cá.- Um fraco sorriso se formou em seu rosto e ele assentiu com a cabeça.
Me dirigi até onde George estava e me sentei ao seu lado, nunca tinha visto ele transtornado desse jeito, ficava murmurando pedidos de desculpas por não ter conseguido salvar Fred.
–Não é culpa sua, você não podia fazer nada.- Ele não tinha percebido minha presença ainda, então pareceu se assustar ao me ouvir tão próxima a ele.
–Você está certa, eu não podia fazer nada, eu não estava lá.- Ele começou calmamente e logo em seguida começou a gritar .- Mas você estava, você devia ter salvo ele, mas não, ele esta aqui agora, você deixou ele morrer.
Suas palavras foram avassaladoras, nem mesmo uma maldição cruciatus seria tão doloroso quanto ouvir essas palavras. Mesmo querendo me defender, eu não conseguia falar nada, e afinal de contas, eu realmente deveria tê-lo salvado.
–Você não tem o direito de falar isso George, ela não teve culpa de nada, e pra sua informação ela tentou ajudar.- Percy veio em meu auxilio e eu percebi que grande parte do salão estava nos olhando.
As lágrimas ameaçavam começar a cair, mas me segurei, não deixaria ninguém me ver chorar. Me levantei desajeitadamente e sai correndo para fora do salão, mesmo ouvindo eles me chamarem.
Eu não sabia para onde ir, e só parei quando esbarrei em um pessoa, o impacto fez com que eu caísse dolorosamente.
–Está tudo bem, você se machucou?- Ouvi a voz do Harry, até então não tinha percebido que era nele que eu tinha esbarrado.
–Não, está tudo bem.- Respondi aceitando a mão que ele tinha oferecido para me levantar.-Então, o que você conseguiu descobrir com a lágrima do Snape?
Ele me contou tudo o que tinha visto na penseira, a cada palavra dita por ele eu tinha mais vontade de chorar, por que eu sabia como essa conversa acabaria.
–Você não pode fazer isso Harry, precisamos que você lute conosco, precisamos da sua ajuda para vencer essa guerra.- Falei antes mesmo que ele dissesse que iria se entregar para Voldemort.
–Eu preciso fazer isso, é a única maneira de derrotarmos Você-Sabe-Quem.- Mesmo sabendo que ele estava certo eu não queria acreditar, não queria perder mais alguém que eu amo.
Com todas as minhas forças abracei meu amigo, essa provavelmente seria a última vez que eu o veria.
–Eu preciso ir, a hora esta quase acabando.- Harry falou depois de alguns minutos que estávamos abraçados. Eu não queria ter que deixa-lo ir, mas era preciso, já não segurava mais as lagrimas que rolavam livremente pela minha face.- Toma cuidado tudo bem?
–Vou tentar.- Respondi e novamente o abracei.
Caminhamos em silêncio até a porta de entrada do castelo, eu parei ali, mas ele continuou até a floresta proibida, e mesmo depois dele desaparecer no meio da mata continuei com o olhar vidrado, em pouco tempo ele seria mais um amigo que se sacrificou por causa da loucura de um monstro.
–Querida.- Ouvi a voz da senhora Weasley atrás de mim, quando me virei, vi que ela estava com os olhos inchados e vermelhos.
–Senhora Weasley.- Falei tentando secar as lágrimas do meu rosto, provavelmente eu não estava muito diferente.
–Eu queria te agradecer por ter tentado salvar o meu filho.- Nessas poucas palavras eu pude ver sinceridade e compreensão.
–Eu devia ter feito mais.- Respondi abaixando meu rosto e mordendo com força o meus lábios para me impedir de chorar.
–Está tudo bem.- Ela disse me puxando para um abraço apertado.
Um alvoroço a nossa volta fez com que nos separássemos, e olhássemos para fora do castelo. Uma grande plateia já se formava a nossa frente, mas ainda deu para ver o que estava acontecendo.
Uma legião de comensais estava vindo pela ponte, e na frente estava Voldemort, acompanhado por Hagrid que estava acorrentado, e o pior é que ele estava carregando algo em seus braços, ou melhor, alguém.
Eu poderia reconhecer quem era a quilômetros de distancia, não só eu, como todas as pessoas do mundo bruxo, aquele era Harry, ele tinha se sacrificado por nós.
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