Notas iniciais
Antes de tudo, queria agradecer as meninas que comentaram e todas as que leram a fic até agora, significa muito pra mim. Espero que gostem desse capítulo!

A sala estava tão silenciosa que eu podia ouvir minha própria respiração, assim como a respiração das outras três mulheres que estavam ali. Todas elas tinham os olhos em mim, era como se elas soubessem que eu havia feito algo errado. Como uma criança que rouba doce antes do jantar.

Era a minha primeira consulta com um obstetra e eu sentia que poderia sair correndo a qualquer minuto. Minha mãe estava ao meu lado rindo de alguma coisa que lia na revista, mas eu sentia todo meu corpo tenso como uma pedra. Eu iria me sentir assim todas as vezes? Eu não estou aguentando nem dois minutos nessa sala, imagina aguentar mais sete meses.

– Isabella Swan? — a mulher disse meu nome e eu praticamente pulei na cadeira — a Dra. Jhonson irá examina-la agora.

Ok Isabella, respire e conte até dez, não é como se você estivesse entrando numa sala de tortura. Ou eu posso estar entrando mesmo em uma sala de tortura. Minha mãe me seguia como um cachorrinho e ainda sorria, me deixando ainda mais nervosa.

– Isabella? Olá, sou Carmem!

Minha mãe apertou a mão da mulher como se fossem grandes amigas, e eu ainda me sentia como se estivesse indo para uma sala de tortura. O pequeno lugar que ela chamava de sala de consulta era tolamente branco, tirando um quadro enorme que mostrava uma vagina. Isso estava ficando cada vez mais perturbador.

– Isabella, me conte sobre você — Carmem disse e eu olhei para minha mãe sem jeito e com o rosto queimando — Renée, você poderia sair por um minuto? Essa parte da consulta eu gosto de focar apenas na paciente.

Minha mãe saiu da sala como se eu tivesse chutado seu cachorro.

– Então, me conte sobre você.

– Bom, eu tenho dezessete anos e estou no último ano da escola — eu disse enquanto tentava lembrar de algo — Gosto de comer pizza e ver filmes? E ah, eu estou grávida.

– Querida, eu sei dessa parte — ela riu e eu me senti um pouco melhor — De quanto tempo você que está?

– Minha ultima relação sexual foi há dois meses — eu disse — Então acho... Que são dois meses?

– E o pai? Eu não o vi na recepção.

Eu senti meu coração perder uma batida, era como enfiar uma faca em meu peito. Não queria admitir mas o jeito que Edward tratou o assunto me deixou com uma ferida aberta.

– Ele não faz parte dos planos — desviei os olhos de seu olhar — Eu vou fazer tudo por mim mesma.

– Tudo bem então, vamos aos exames.

Depois de ficar horas deitada na maca e esperar por todos os resultados, eu finalmente sai daquele lugar. Com uma pilha de vitaminas na bolsa e uma foto de um pontinho no bolso, eu me sentia como uma mãe coruja e meu bebê era apenas um pontinho. Minha mãe parou o carro na frente da casa dos Cullen e se virou para me encarar.

– Querida, eu sei que o pai… Bom, é Edward, certo? — eu concordei com a cabeça e ela respirou fundo — E ele sabe sobre isso? — concordei novamente com a cabeça — Se você quiser cancelar esse jantar e…

– Mãe, vai pro jantar eu vou ficar bem — eu disse tentando soar confiante — Alice vai estar ali e provavelmente eu nem irei ver Edward hoje.

– Tudo bem, mas qualquer coisa me ligue — ela me puxou para um abraço — Não esqueça de tomar as vitaminas.

Depois de ouvir mais uns cinco conselhos eu parei na frente da enorme porta e toquei a campainha. Meu coração estava batendo em todos os pontos possíveis e eu me sentia um pouco tonta. Esme abriu a porta sorrindo e me puxou para seus braços.

– Oh meu Deus, eu não te vejo há anos — ela disse ainda me abraçando e rindo — Vamos entre, Alice ainda não chegou da aula mas você pode ficar por aqui e esperar.

– Você vai sair? Eu posso ir encontrar Alice na escola…

– Edward está aqui, você não vai ficar sozinha — ela disse pegando a bolsa e me abraçando novamente — Carlisle precisa de mim no escritório, Alice já já está ai! Até mais querida.

Me sentei no sofá e tentei escutar algum barulho vindo do andar superior da casa, mas o silêncio era completo. Talvez Edward estivesse dormindo, o que seria uma maravilhosa. Subi as escadas e entrei no quarto de Alice e joguei minha mochila do lado da cama, tirei um dos potes de vitamina da bolsa e engoli uma. Era como engolir uma bala.

‘’Eu já estou chegando, tente não se meter em confusão’’

Sai do quarto e andei pelo corredor enquanto digitava a mensagem.

“Anda logo, não quero encontrar com seu irmão.’’

Cheguei na sala e me joguei no sofá novamente, tirei a foto do meu pontinho do bolso e sorri. Era quase impossível ver algo ali, mas Carmem havia me jurado que tinha mesmo um bebê em minha barriga e até fez um circulo em volta do que ela dizia ser ele. Era pequeno demais, mas, não impossível de ver.

– O que é isso?

– Não faça isso — eu berrei colocando as mãos no peito, meu coração estava pronto para sair pela boca — Você quase me matou.

– O que você está fazendo aqui? — ele perguntou me encarando.

Arrisquei um olhar em sua direção e prendi a respiração. Ele estava usando apenas uma calça de moletom e nada mais. Deus, queria ser sugada pelo chão agora mesmo.

– Estou esperando Alice — me sentei no sofá ignorando sua presença.

– O que é isso que você estava olhando? — ele se aproximou e parou na minha frente, ignorei ao máximo seu olhar — Bella…

– É meu bebê — eu disse enfiando a foto no bolso novamente — Eu vou esperar Alice lá em cima, licença.

Me escondi no quarto de Alice até a hora do jantar. Mesmo depois de Alice chegar eu insisti em ficar no quarto, claro que Alice não aceitou, mas, me deixou ficar ali por um tempo. Na hora de dormir, tomei um banho rápido e me troquei no banheiro, o liberando para Alice poder fazer sua rotina de sempre.

– Allie, vou descer pegar um copo de água, você precisa de algo?

– Não, obrigada!

Begin Again — Taylor Swift

Cheguei na cozinha e encontrei Edward sentado em um dos bancos, quase dei meia volta mas eu precisava da água. Não era fácil engolir a vitamina sem água.

– Desculpa — ele disse baixinho quando passei ao seu lado — Eu não deveria ter falado com você daquele jeito — me virei para ver seu rosto e senti minha garganta fechar — Eu não sabia como agir quando você contou, não estava e nem estou pronto pra isso, mas, nem você está — ele passou a mão pelo cabelo em um gesto nervoso — Posso não ser o mais maduro do mundo, mas acho que dessa vez vou ter que assumir os erros.

– Sim, você vai — eu disse me apoiando na bancada — Não vou pedir pra você ficar comigo ou coisa assim, eu sei que você e Tanya estão juntos — ele revirou os olhos — Mas queria que você fizesse parte das coisas, quero dizer, se você quiser, é claro — abaixei a cabeça respirando fundo — Hoje eu o vi pela primeira vez.

– É um menino? — ele perguntou e eu ri baixinho.

– Não sei, ainda não da pra ver direito — coloquei a mão em minha barriga — Mas ele ou ela passa bem, segundo a médica — revirei os olhos — Eu tenho uma cópia do ultrassom se você quiser...

– Não — ele respondeu rapidamente — Eu ainda não me acostumei com a ideia de ser pai, melhor esperar um pouco para jogar isso em mim.

Respirei fundo. Não iria ser fácil.

– Eu não estava pronta pra ser mãe aos dezessete anos e aqui estou eu — disse me virando e pegando meu copo de água — Boa noite, Edward.

Sai da cozinha e me enfurnei no quarto de Alice novamente. Me deitei ao seu lado na cama e me cobri sentindo as lágrimas finalmente saindo, tentei ficar em silêncio para não acordar Alice e passei a mão pela minha barriga. Edward tinha dado um passo hoje, mas ainda não era suficiente. Ainda não era o que eu precisava ouvir.

Não seria fácil.