Encarei o pequeno palitinho na pia do banheiro e senti meu corpo gelar. Os dois pontinhos que apareceram ali fizeram meu mundo todo virar de cabeça pra baixo, eu sentia vontade de gritar e até mesmo correr.

Sai do banheiro e corri até meu carro, eu sentia que iria desmaiar a qualquer momento. Peguei meu celular e mandei uma mensagem para Alice, a única pessoa que poderia me ajudar nesse momento. Dirigi até a cafeteria mais próxima da escola e me joguei em um dos bancos, tirei o celular do bolso e meus dedos dançaram sobre o nome dele. Ele merecia saber, certo?

Encarei a rua na minha frente e senti que meu mundo estava caindo aos poucos. Dezessete anos não é uma idade fácil, não é fácil passar pelo ensino médio. Eu posso dizer que não passo por coisas ruins, sendo a líder das cheerleaders eu tinha meu posto na escola, uma das garotas mais populares. E até dois meses atrás tinha um namorado também popular.

Meu Deus. Dois meses. Eu estava grávida há dois meses e fui burra o suficiente para não perceber isso. Eu havia ficado com Edward Cullen por dois anos, e claro que nós fazíamos sexo como todo casal na nossa idade. E claro que as vezes as camisinhas eram esquecidas, e pelo jeito nós iríamos sofrer as consequências. Ou eu iria. Nós havíamos terminado a dois meses, exatos dois meses.

Vi Alice correndo na minha direção e senti meu coração um pouco mais calmo, ela saberia como me ajudar.

- Isabella Swan, me diga que isso não é verdade?

- Alice você não tem o poder me julgar agora, você é a única que pode me ajudar a colocar a cabeça no lugar, a única que posso contar de verdade.

- Eu sei — ela disse me abraçando — Desculpa, mas eu meio que surtei quando li isso, tive que deixar a aula do Sr. Hunter pra trás e você sabe como odeio isso.

- O que eu faço? — perguntei me sentando no banco novamente e colocando as mãos na cabeça — Eu nem estou mais com Edward.

- Isso não é um problema, ele vai ter que assumir o que fez — ela disse se sentando ao meu lado e me abraçando — Mas você sabe que ele agora tem Tanya…

Sim. Tanya. O motivo pelo nosso namoro ter acabado de forma conturbada. Edward havia resolvido provar novos sabores e me trocou pela garota mais rodada da escola. Completamente normal.

- Eu sei, não queria me meter entre eles assim… Mas Allie — eu disse me virando pra ela e senti as lágrimas finalmente caindo — Não posso fazer isso sozinha.

-- E você não vai — ela me abraçou novamente — Eu juro Bella, não vou te deixar sozinha nessa.

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Entrei em casa e ouvi a risada da minha mãe enchendo o ambiente. Tirei o pequeno palito da minha bolsa e segui até a cozinha onde ela ria de um programa que passava na pequena tv. Ela me viu parada ali e sorriu. Meu estômago afundou.

- Bella! Seu pai já está chegando e vai trazer pizza — ela disse rindo e colocando os pratos na mesa — Guarde suas coisas e venha comer.

- Mãe… Eu preciso conversar com você — eu disse finalmente na cozinha e chegando mais perto dela — Me desculpa mãe…

Mostrei o palito para ela e senti as lágrimas enchendo meus olhos. Renée me encarou por dois segundos e me puxou para um abraço, senti meu coração ficando um pouco mais leve mas ainda existia meu pai.

- Minha querida — ela disse limpando minhas lágrimas — Vamos esperar seu pai chegar, mas saiba que eu vou estar aqui por você. Sempre.

Minha mãe me sentou em uma das cadeiras da nossa pequena cozinha e me entregou um copo de água. O que veio em boa hora já que nesse momento ouvi meu pai entrando na sala, meus olhos se arregalaram para minha mãe que apenas sorriu. Eu iria morrer e ela estava sorrindo.

- Charlie, meu bem, venha até aqui — ela disse com a voz suave e eu tremi na cadeira — Querido sente-se, nós temos uma coisa muito séria para contar.

Meu pai gritou. Gritou e gritou mais um pouco. Porém no final da noite ele me puxou em um abraço e eu senti que estava quase tudo bem. Ele estaria ali. Depois de devorar uma pizza inteira eu subi para meu quarto. Tranquei a porta e tirei toda a roupa me encarando no espelho que tinha ali. Eu podia ver pequenas mudanças, meus seios estavam maiores e eu estava mesmo um pouco mais gordinha. Passei a mão pela minha barriga e vi que ela estava mais firme, não como barriga de chope e sim como barriga de grávida.

Nesse momento senti meu coração esquentar. Havia uma vida crescendo dentro de mim, um bebezinho que precisaria de mim para sobreviver. Não era a melhor idade para ter um filho e muito menos estava nos meus planos, mas eu não iria jogar meu pequeno fora, de forma alguma. Eu iria criar esse bebê com todo amor que meus pais me criaram.

Depois de tomar um banho e admirar um pouco mais minha barriga, eu me deitei na cama encarando o número de Edward. Eu poderia contar a verdade, contar que eu tinha metade dele em mim agora. Eu poderia fazê-lo entrar nessa confusão comigo, eu deveria o puxar nessa confusão. Porém algo em mim impediu a mensagem de sair, algo em mim disse para esperar o momento certo. Algo em mim dizia que seriamos apenas eu e meu bebezinho por um tempo.

Passei a mão em minha barriga mais uma vez e deixei o celular de lado.

-Eu já amo você bebezinho — eu disse acariciando o montinho me minha barriga — Desculpa por ser uma covarde, mas você vai entender.

E a ultima coisa que vi foi a chuva batendo na janela.