Everything Has Changed
46 Capítulo 46
Notas iniciais
Sexta feira não sei se acordo feliz ou com vontade de ficar deitada até o resto da vida. É, assim que eu to me sentindo. Não sei se é isso que acontece com todas as garotas que reencontram o pai depois de sete anos e descobre que ele tem uma mulher em outro país e é considerado pai de uma outra garota.
Tudo bem, eu disse pra mim mesma que ia aceitar isso. Mas eu estava com sono, muito sono, e agora eu vejo claramente as coisas.
A Claire não tem culpa de nada, mas sempre me sentirei um pouco estranha em relação a ela. Com ciúmes por ela ter ficado um tempo com o meu pai enquanto eu chorava de saudades dele.
Sobre o meu pai, foi muito errado o que ele fez. Ele podia ter vindo me visitar, até parece que era o trabalho que estava impedindo-o. Deve ser essa tal de Sophie, essa outra que ele arranjou lá na França. Só pode ser.
Eu cresci com a ideia que era por causa do trabalho que ele não podia vir, mas acredite só, levei mais um tombo, um choque de realidade. Ele não veio porque não quis, não porque não tinha tempo.
Agora, a minha mãe... Não sei nem o que dizer! Falo tanta coisa pra ela, trato-a como até uma amiga, conto coisa que nem pra Jane e pra Kriss contei, e ela esconde uma coisa séria dessas de mim? Sinceramente, eu também devia estar bem brava com ela, mas eu a perdoo, porque afinal ela é minha mãe e o meu pai que não deixou ela falar.
Voltando ao meu pai, não vou ficar brigando com ele também. Vai que ele não volta nunca mais? Não duvido nada.
Acho que vai ser meio estranho passar um tempo com ele, já que faz um tempo que não nos vemos, mas tudo bem. Vou cumprir o que disse: irei no cinema com ele e com a Claire, Amery, sei lá como chamar. Ela disse que é Claire, então vai ser Claire.
Respiro fundo e tomo coragem pra abrir os olhos. Estico a mão e pego o celular. Seis e meia. É, to acordando cedo, ótimo assim.
Tomo meu banho e me visto. Prendo meu cabelo em uma trança de lado e penso em desmanchá-la, mas daí vejo que já está meio tarde e tenho que tomar café da manhã. Fora que meu cabelo vai ficar marcado.
Tomo o meu toddynho e como umas torradas. Minha mãe já está a mil por hora. Não sei como ela consegue ser assim de manhã. Eu sou uma lesma de manhã. Lesma é até elogio pra mim.
–Mãe, arruma um pão aí pra mim! – grito do meu banheiro, com a escova nos dentes cheios de espuma de pasta.
Nem sei se ela conseguiu ouvir, mas a minha mãe me entende bem. Literalmente. Tem vez que eu só olho pro teto e ela já sabe o que quero dizer. Já cheguei a levar um tapa só porque olhei pro lado, no caso ignorando ela e segundo ela foi falta de educação. Por isso não me surpreenderia se ela conseguisse entender o que eu disse.
Ponho a mochila nas costas, são sete horas. Vai dar tempo, se não tiver transito, é claro.
–Aqui, Lydia. – diz ela me dando um potinho com um sanduiche de pão puma com presunto e queijo.
–Valeu. – falo colocando na bolsa. –Vamos?
Ela faz uma cara de “Só tava esperando você!” e saímos de casa. Como acontece algumas vezes, encontramos o Thomas saindo da garagem. Acho que esse prédio tá de mal comigo, não é possível. Por que eu sempre tenho que encontrar ele? Fora que as conversas do Thomas com a minha mãe são meio bizarras, na minha opinião.
Vou tentar fazer meu pai nem ouvir o nome do Thomas, mas acho difícil.
–Bom dia. – fala a minha mãe.
Só dou um pequeno aceno e olho sobre o ombro dele, não querendo olhar diretamente, porque nossa, os olhos dele...
–Bom dia. – diz ele com um sorriso.
Fico me perguntando como ele consegue ter um sorriso tão bonito a essa hora da manhã. Eu devo parecer um pastel amassado, mas ele não.
–Quer ir comigo? – pergunta ele acho que sem pensar, porque fica corado logo em seguida. –Ér, quer dizer... Esquece. Boiei.
Minha mãe alterna os olhares entre eu e ele. Minhas bochechas queimam.
E eu não sei mesmo o que responder.
Thomas olha pra baixo, envergonhado, e coça a nuca.
Olho pra minha mãe que faz um sinal com a cabeça de “vai com ele”, mas eu só consigo pensar em como eu vou morrer de nervoso perto dele.
Respiro fundo.
–Hum, eu vou com você, porque a minha mãe vai chegar atrasada se me levar na escola. – falo tentando não fazer minha voz falhar.
Minha mãe concorda com a cabeça e ele abre um sorrisinho.
–Vão então, se não vão chegar atrasados. – fala minha mãe e sai de perto de nós dois.
Fico olhando pro chão por alguns segundos.
–Vamos? – pergunta ele, o rosto voltando à tonalidade normal.
Concordo com a cabeça e me sento na garupa da bicicleta, abraçando sua cintura, meu coração cada vez mais disparado. Ele abre o portão e começa a pedalar.
Nem o vento frio da manhã consegue me fazer ficar com frio, pelo contrário, minha pele está quente. Fecho os olhos quando ele passa de novo pelo sinal verde.
–Não vai gritar comigo? – diz ele rindo.
Abraço-o mais forte com medo de cair por conta da velocidade.
–Eu to assustada demais pra gritar com você. – retruco.
Ele ri.
–Não vou deixar nada acontecer com você, relaxa.
Abro um sorrisinho e trato logo de fechá-lo, como se tivesse alguma possibilidade dele ver. Chegamos na escola quando faltam cinco minutos pro sinal e espero ele guardar a bicicleta.
–Se for pra levar bronca pra chegar atrasada, não quero levar sozinha não. – resmungo.
Ele balança a cabeça sorrindo e coloca a tranca da bicicleta. Cruzo os braços, esperando-o e ele vem até mim. Tento andar, mas fico parada. Odeio quando isso acontece.
Sinto meu corpo todo ficar tenso quando ele passa uma mão levemente sobre a minha trança.
–Você fica bem bonita assim. – diz ele.
É só um elogio, mas vindo dele, me faz ficar vermelha dos pés até a cabeça.
–Obrigada...
E daí um silêncio se prossegue e caio na real. Ele tá mexendo no meu cabelo. Em situações normais, eu não deixaria isso acontecer.
–Tira a mão do meu cabelo. – falo tentando parecer grossa, mas minha voz não está nada alta e nada séria. Ele ri.
Por mais que na verdade eu tenha gostado, ele não precisa saber, então dou um tapa em sua mão e quando vou tirá-la, ele entrelaça nossos dedos e me puxa pra ele. Meu coração acelera ainda mais, se possível.
–Sabe o que eu mais gosto em você? – pergunta ele aproximando o rosto do meu.
Então começa aquela coisa de eu piscar fracamente, tentando por todo que é mais sagrado não fechar os olhos. Suspirar nem pensar.
–Não. – respondo tentando ser grossa, sem sucesso mais uma vez. –O que?
Os olhos dele encontram os meus e eu me sinto cada vez mais perdida.
–Gosto muito do seu jeito. – diz ele com a voz também baixa.
–E por que? – não consigo desviar meus olhos dos dele.
Essa imensidão castanha, parece chocolate e eu adoro chocolate.
–Não sei, é só você. – sussurra ele no meu ouvido me fazendo quase suspirar. Thomas volta a me encarar.
–O que tem eu? – pergunto me aproximando ainda mais, fazendo nossos narizes se encostarem.
O fato é que quando estamos tão perto, tem uma força que parece que quer que nos aproximemos mais.
Ele olha pros meus lábios e começo a ficar nervosa.
–Você é teimosinha. – sussurra ele quase fazendo nossas bocas se encostarem.
–Qual o problema disso? – pergunto sentindo a respiração dele no meu rosto.
–Não tem nenhum... – ele começa, mas o sinal toca e esse sinal é muito alto. Me afasto dele por conta do susto e também por estar com vergonha.
Solto a minha mão da dele e arrumo a alça da bolsa, totalmente desconcertada. Ele bufa como se tivesse xingando o sinal e logo fica vermelho.
Quem fica mais vermelha ainda sou eu, ao tomar nota que eu queria que esse sinal não tivesse batido.
Tenho vontade de me bater. Que droga de pensamentos são esses?
–Hum, eu vou entrar. – falo olhando pro chão.
–Eu também vou. – diz ele.
Assinto com a cabeça e entramos em silêncio na escola.
–Então... Como tá o seu pai? – pergunta ele pra mim, acho que pra quebrar esse silêncio.
Daí eu me lembro da Claire e de toda a enganação e bufo.
–Que foi? – pergunta o Thomas com a sobrancelha levantada. –Achei que estivesse feliz pela volta dele.
–Estar eu estou, o problema é que ele e minha mãe esconderam que ele começou a ter um caso com uma mulher de lá. – meu sangue começa a ferver. –Acredita que eles vão até se casar? Pois é. E a mulher tem uma filha, e meu pai a trata como filha dele.
Thomas fica quieto e me olhando, só escutando. Gosto muito disso nele, ele é bom ouvinte.
Começamos a subir as escadas.
–E ela fala até português fluente! – falo estressada. –Ele não tinha tempo pra me telefonar, mas pra ensinar outro idioma ele tinha.
–Lydia, tenho certeza que seu pai te ama muito. – diz o Thomas. –Já parou pra pensar que talvez ele não quisesse vir porque tinha medo de você o odiar?
Olho pra ele como se ele fosse louco.
–Isso nunca passou pela minha cabeça!
–Tá, mas vai que pra ele passou?
Chegamos na sala de aula quando o professor está quase fechando a porta. Thomas corre até lá e não o deixa fechar.
–Bom dia. – diz o garoto com um sorriso cínico.
Reviro os olhos rindo e me apresso.
–Casalsinho, vocês não podem ficar chegando atrasados. – diz o professor e todo mundo ri.
–Nós não somos um casal. – falo na defensiva.
Ninguém parece acreditar e eu só os ignoro, sentando no meu lugar de sempre, o Thomas na minha frente.
Katherin me cutuca.
–Oi! – diz ela com um sorriso. –E o seu pai? Chegou bem?
–Depois te falo tudo. – asseguro a ela e me viro pra frente, não querendo levar xingo.
E a aula passa bem rápido. A coordenadora vem pra nos lembrar da competição, que vai ser segunda feira.
–Só lembrando que nós não queremos brigas.
Já to cansada de saber que não é pra ter briga.
–Tenham uma boa aula.
Boa aula mesmo eu não vou ter. Não consigo parar de pensar na mentira deslavada do meu pai. Que raiva. Eu queria ter o poder de perdoar as pessoas mais rápido, mas não temos tudo que queremos.
A aula passa rápido e logo é o primeiro intervalo. Katherin e eu nos levantamos, indo pra “floresta”. Começo a falar toda a história da ruiva francesa.
–Você deve estar odiando essa garota.
Faço que não com a cabeça.
–Ela é legal.
–Nossa, só você mesmo. Eu ia querer matá-la se estivesse no seu lugar.
Dou risada.
–E matar adianta? Fora que não é culpa dela, é culpa do meu pai, só dele.
Ela faz que entendeu.
–Mas Lydia, você tá brigada com o seu pai? Tipo, faz sete anos que vocês não se veem.
–Não to brigada, to tentando aceitar essa coisa dele ter outra filha.
–Não é outra filha, nem é de sangue. – lembra a Katherin.
Reviro os olhos.
–Mas ele a trata como filha. – falo. –Então dá na mesma.
Dou uma mordida no meu sanduíche.
–E hoje eu vou no cinema com ele.
–Ah, isso é bom! Vão ter bastante tempo pra por a conversa em dia.
Nego com a cabeça.
–Claro que não, a Claire vai.
Katherin faz uma careta.
–Não gostei dessa garota, sério.
Rio.
–A gente tem que sair um dia juntas, daí acho que você vai se dar bem com ela.
–Duvido. – diz a loira. –Mas enfim, que bom que vocês se viram de novo! E bom, eu quero muito conhecer seu pai.
Assinto e olho pra cima, vendo Thomas na quadra, jogando com um pessoal.
–Nossa, Lydia, você deve ter muito efeito sobre ele.
Olho pra Katherin sem entender.
–Que?
Ela ri.
–Mas é lerda mesmo. O Thomas não queria nem ver bola de basquete na frente dele, agora ele voltou a jogar.
–E daí? Não tenho efeito nenhum sobre ele, pode crer.
Ela revira os olhos.
–Como se eu acreditasse.
–É sério!
–Aham...
Decido não insistir no assunto e continuo comendo.
–O teatro tá chegando. – diz ela do nada.
Paro pra pensar. É verdade. Só 14 dias. Duas semanas. Começo a me desesperar e acabo engasgando com um pedaço de pão, porque como a Katherin mesmo diz, eu sou muito lerda.
Ela me dá tapinha nas costas e eu me recomponho.
–Se quer que o Thomas te beije não precisa fingir que tá engasgada. – fala ela séria e começa a rir que nem uma doida.
E eu não sei se eu fico com vergonha ou bato nela. Opto por fazer os dois e ela nem se abala com meus tapas.
–Ah, Lydia, cadê seu bom humor?
–Deixei em casa. – retruco e logo mudo de assunto. –Eu só to assustada porque falta muito pouco pro teatro.
Uma moça foi tirar nossa medida e amanhã vamos experimentar os figurinos. Eu to até que animada, mas nervosa ao mesmo tempo, claro. Muitas pessoas vão nos ver, inclusive meu pai.
E a Claire.
Bufo. Por que toda hora que me lembro dele acabo me lembrando da garota também?
–Suas amigas vão vir? – pergunta a Katherin.
–Nem tinha pensado nisso. – falo com sinceridade. –Mas não sei.
–Chama elas, eu quero conhecê-las. Elas podem ir até no meu aniversário.
Rio com a empolgação dela.
–Vou falar com as duas, mas não prometo nada.
Ela sorri.
–Certo. E eu já decidi o que vou fazer no meu aniversário. – começa ela. –Pensei de ir jantar fora com você e alguns outros meus amigos.
–Especifique esses seus outros amigos. – nem sou curiosa.
Daí ela fala dois que eu já esperava: Thomas e Peter. Penso em implicar que o Peter não é mesmo só amigo dela, mas não falo nada.
–Daí tem a Millie, a Amanda...
Arregalo os olhos.
–Como assim a Amanda!?
Ela começa a rir.
–Calma, to brincado. – assegura ela. –A Mary Ann...
Nem dou tempo dela terminar.
–A Mary Ann não!
Katherin franze a testa.
–Não mesmo, essa falsa não! – protesto.
–Como assim? O que você tá falando?
Pelo visto o Peter é bem inútil e não falou nada pra ela. Ele me paga!
Respiro fundo.
–Lembra quando a gente tava brigada? – ela faz que sim com a cabeça. –Então, a Mary Ann veio falar pra mim que você tinha muito mais pra oferecer do que eu, por isso ela ia ficar amiguinha sua.
–Você tá vendo muito filme, Lydia. – diz a Katherin sem parecer acreditar em nenhuma palavra minha.
Reviro os olhos.
–Não to nada, to falando sério! – luto pra não bufar. –Daí ela disse que ia usar você.
Katherin faz que não com a cabeça.
–Ela não faria isso. A Mary Ann é legal, sinto muito se não vê isso.
Por que é difícil pras pessoas encararem a verdade?
–Eu vejo que ela só tá usando você, coisa que você não. Katherin, nem todo mundo é legal. Nem todo mundo que você conhece por pouco tempo vai ser sua amiga.
–Mas você eu conheço a pouco tempo e te considero minha melhor amiga! – defende ela.
–Por isso mesmo, acredita em mim. Essa menina só vai te usar.
Ela me ignora.
O sinal toca e eu me levanto. Fecho o meu pote e nós duas vamos na direção da sala.
–Ultima aula é de educação física. – diz ela e faz uma careta.
Eu gosto de educação física dessa escola. A gente só corre e eu gosto.
–Espero que a Amanda fique perto de mim dessa vez também. – falo e solto uma risada maligna.
Katherin me olha como se eu fosse doida, mas depois começa a rir.
–Mas por que?
–Quero empurrá-la, daí ela vai engolir terra. – abro um sorrisinho.
Última aula finalmente. Quero ir pra casa.
A professora de educação física disse pra eu prender meu cabelo em um rabo de cavalo e eu quase xinguei ela. Minha trança tava legal, poxa.
Mas prendi o cabelo e agora estamos nas marcas.
–Um, dois, três. Já! – ela apita e saio correndo me sentindo o Barry Allen.
Ao invés da Amanda, quem aparece do meu lado é o Thomas. Tudo bem que eu gosto dele, mas nunca que eu deixo minha competitividade de lado.
–Tá devagar, hein. – ri ele.
Ignoro-o e continuo correndo, minha respiração já pesada.
Passo ele e olho pra trás rindo, até que vejo que o Thomas caiu no chão e paro. Não sei se continuo ou o ajudo.
Vejo ele se levantar e abrir um sorrisinho. Respiro fundo e volto a correr, chegando primeiro que todos como sempre.
Paro arfando e logo a professora chega e me dá parabéns.
–Menina, você é muito boa.
Abro um sorriso cansado.
–Valeu.
–Escuta, por que não participa da competição? – pergunta ela.
O fato é que eu achei que nunca que eles iriam me querer. Se com natação e ping pong foi assim, por que não na corrida?
–Você tá falando sério?
A mulher assente.
–Nossas corredoras não estão muito fortes. Eu estava esperando que você aparecesse, mas nada.
–É que eu achei que não iriam me querer.
E achei mesmo.
Ela ri.
–Claro que queremos! Então, você topa?
Sinto alguém se apoiar em mim e vejo que é o Thomas. Todo suado.
Faço uma cara de nojo.
–Você tá parecendo um cachorro molhado.
Ele faz uma careta.
–Nem todo mundo consegue ficar bonito o tempo todo que nem você. – fala o Thomas e minhas bochechas queimam.
A professora olha pra mim e pra ele com um sorrisinho nos lábios e vai comentar algo a respeito, mas eu não deixo.
–Eu topo.
–Topa o que? – uma vez enxerido, sempre enxerido.
A professora sorri.
–Certo, vou anotar lá na secretaria. Segunda aparece propriamente vestida pra essa prova.
Faço que sim com a cabeça.
O resto dos alunos chega e ela fala que estamos liberados. Eu to morta.
Katherin tá lá na frente e acena, com preguiça de se juntar a nós dois. Ao talvez ela só queira nos deixar sozinhos mesmo, a cara dela isso.
–Então você vai participar da corrida?
–Aham.
Ficamos em silêncio e sinto o braço dele esbarrar levemente no meu, isso faz meu coração bater mais rápido.
–E você do basquete. – falo.
Ele sorri.
–Graças a você.
–É e graças a minha visão que é boa mesmo sem óculos, porque uma certa pessoa quebrou. – dou essa alfinetada.
Thomas se finge de ofendido.
–Não foi por querer.
Dou um tapa na cabeça dele.
–Opa, foi sem querer.
Ele revira os olhos rindo.
–Vai comprar quando um novo?
–Quando eu ganhar na mega sena, porque esses óculos de hoje em dia estão o olho da cara. É um absurdo!
Ele ri.
–Quer que eu compre pra você?
Olho pra ele como se ele fosse louco.
–Claro que não! É caro demais, eu que fui lerda de ir jogar basquete com óculos.
Thomas assente.
–Sim, mas eu que quebrei. E nem te agradeci por ter me ajudado.
Abro um sorrisinho.
–Não precisa agradecer.
Thomas coloca um braço ao redor do meu ombro, me puxando mais pra ele e prendo a respiração. Odeio que ele consiga fazer isso comigo. Me deixa toda tensa, com o coração batendo mais rápido que a velocidade de luz, e ainda sem palavras. Sério, não entendo como ele consegue.
–E quando vou conhecer sua irmãzinha?
Lanço um olhar mortal pra ele e Thomas ri.
–Thomas, a próxima vez que você falar isso...
Ele tira o braço de mim e para, ficando na minha frente me encarando. Thomas cruza os braços.
–Vai fazer o que?
–Te bater. – que lixo de resposta, sério.
Thomas ri e se aproxima de mim.
–To doido pra fazer uma coisa, mas acho que vou apanhar. – diz ele e dá um passo na minha direção.
–Problema seu. – resmungo ficando nervosa.
Ele morde o lábio inferior e continuo andando, se não vou perder a cabeça com esse menino. Quem manda ser bonito desse jeito?
Thomas logo me alcança e reviro os olhos.
–Para de me seguir.
–Não to te seguindo.
–Não, imagina.
Pego minha mochila, que a gente deixa na quadra já que depois da corrida ou seja lá o que fazemos na educação física, nós vamos embora.
Katherin está me esperando.
–Achei que não iam chegar nunca. – diz ela com um sorrisinho, me zoando que eu sei.
–Lydia tava brigando comigo, como sempre. – ele aperta minha bochecha pra fazer graça e dou um tapa na mão dele. –Tá vendo.
Reviro os olhos.
–Eu vou pra casa, já que de tarde vou sair com meu pai e tenho que ficar apresentável.
–Apresentável você já é. – solta o Thomas e pela milésima vez, fico vermelha.
–Cego é o que você é. – respondo sem graça pra caramba.
Thomas sorri e a Katherin fica alternando o olhar entre eu e ele.
–Bom, eu vou pra casa. Tchau.
Nem espero eles responderem e vou pra saída, encontrando o carro da minha mãe já na frente da escola.
–Seu pai disse que vai te buscar as duas e meia.
Faço que sim com a cabeça e jogo minha bolsa no chão, não sou obrigada a ficar carregando peso não.
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