Everything Can Change All The Time
24 Capítulo 24 – Chicago
- São dez da manhã agora, imagina quantas horas são até Chicago? – Edward perguntou dirigindo pelas ruas de Cambridge nos levando para rodovia I-80W.
- Sei que é bem longe – eu disse ligando o som e colocando um playlist de música pop pra tocar.
- Mais ou menos 15 horas, isso se não fizermos nenhuma parada, mas isso é impossível, pois precisaremos reabastecer pelo menos umas três vezes. – ele disse.
- Nossa amor isso é tempo demais, vamos revezar no volante, ok?!
- Claro, eu também não agüentaria dirigir essa distância toda, tenho me sentido tão cansado ultimamente, queria ter o ânimo de antes, o fôlego de antes, mas não consigo – ele disse e em nenhum momento desviou os olhos da estrada e falava comigo de um assunto que ele sempre tentava evitar.
- Amor, eu sei que não gosta de falar disso, mas tem sentido mais alguma coisa? – perguntei e assim como ele só fitava a estrada a nossa frente, porque não queria constrangê-lo e sim que ele ficasse a vontade para falar comigo.
- Além dos que você sabe que são sangramentos de vez em quando, aquele suor excessivo a noite, a febre e essa fraqueza – ele disse e pela minha visão periférica pude vê-lo apertando ainda mais o volante entre seus dedos – Eu tenho sentido dor no meu corpo, mais propriamente nas minhas articulações, mas isso acontece mais na parte da noite – ele disse e meu peito se apertou, mais sintomas, pra ele já estar sentindo dores como essas é porque realmente a doença havia progredido bastante, eu queria chorar, mas eu não podia, não devia, eu tinha ser forte por mim e principalmente por Edward.
- Quando fomos ao médico você já estava sentindo? Falou pra ele? – perguntei.
- Só um pouco, agora está bem pior. Eu comentei com ele, mas ele disse que é um dos sintomas e que não há nada a se fazer – ele respondeu. DROGA, DROGA, DROGA. PORQUE? Eu gritava pelo menos em minha mente, eu já não estava agüentando eu ia chorar, mas Edward não podia ver, isso só faria fazer ele se sentir pior.
- Estou aqui com você – eu estiquei meu braço e toquei seu rosto.
- Eu sei, por isso que eu ainda não desisti – ele disse e foi a primeira vez que olhou pra mim desde a que conversa começou, foi rápido, pois ele não era imprudente de tirar os olhos da estrada por muito tempo.
- Eu amo você mais que tudo – eu afaguei sua bochecha e ele pegou a minha mão e a beijou.
- Também te amo mais que tudo – ele disse e foi impossível não deixar que pelo menos uma lágrima teimosa escorresse pelo canto do meu olho.
...
Após há quase quatro horas dirigindo Edward parou em um posto para abastecer, e também iríamos almoçar, eu tinha preparado um almoço pra gente já estava pronto há algum tempo, mas aquele cabeção teimoso só parou agora às duas da tarde. Depois de abastecer ele encostou o trailer em um canto onde não atrapalhasse o fluxo de veículos no posto e finalmente veio almoçar, às vezes eu até podia parecer uma velha chata reclamando, mas eu só queria cuidar dele, porque eu queria seu bem.
- Estava tudo uma delícia meu amor – ele disse enquanto terminávamos de beber nosso suco – Desde a carne a salada, sua mãe vai se surpreender quando voltarmos pra casa e ver o quanto você se tornou uma boa cozinheira.
- Nem diz isso a ela, ou ela vai querer que eu cozinhe diariamente – eu disse – E uma coisa é eu cozinhar pra eu e você e outra bem diferente é cozinhar pra minha mãe, pra mim, pro Seth que come por 4 pessoas e pro meu pai que come quase o mesmo tanto que o pirralho que está em fase de desenvolvimento. Pelo menos essa é a desculpa que minha mãe da quando vê a montanha que ele coloca no prato – eu disse e Edward riu.
- Mas é assim mesmo, você lembra o quanto eu comia quando tinha a idade dele?
- Você comia parecendo que o mundo ia acabar, era uma tigela gigante de cereais, três waffles, duas panquecas, ovos mexidos, bacon, torrada, e quase 1 litro de iogurte todo dia no café da manhã. Eu sempre me perguntava como você não passava mal.
- Era uma fome incontrolável, lembra daquela vez que sua mãe e a minha resolveram fazer um festival de pizza?
- Sim, acho que estávamos com 14 anos, elas tinham feitos umas aulas de culinária e cismaram de fazer o festival de pizza que foi na sua casa.
- Eu comi sozinho 4 pizzas, cada uma com 6 pedaços. – ele disse rindo.
- Amor ainda bem que você sempre foi atleta ou estaria pesando uns 150 quilos hoje.
- Ainda bem – ele concordou rindo. Depois que almoçamos Edward deixou transparecer seu cansaço e eu insisti pra que ele fosse dormir que eu iria dirigir sem nenhum problema, como a cada dia sua saúde estava mais debilitada, ele acabou pegando no sono rapidamente, pois seu corpo andava mais cansado do que nunca.
Peguei a estrada e dirigi sem pressa, iríamos chegar lá de madrugada mesmo, não havia pra que se apressar, ficaríamos lá uns dois ou três dias e então voltaríamos pra casa, e eu sabia que quando voltássemos as coisas seriam ainda mais difíceis, por isso eu queria aproveitar ao máximo o fim da nossa viagem.
Tantas coisas rondavam minha mente ao mesmo tempo, questionamentos, indignações, busca de soluções, falta de fé, fé, esperança, medo, um amor maior que o mundo. Alguns dizem que o amor é capaz de vencer qualquer barreira, e Edward e eu nos amamos incondicionalmente, e apesar de todo esse amor que sinto por ele, eu não conseguia uma encontrar uma alternativa para derrubar essa barreira que insistia em querer nos afastar.
Outro pensamento é que o tempo traz todas as respostas, mas e quando não se pode contar com o tempo? Quando ele está se esvaindo rapidamente diante dos seus olhos, e você é incapaz de fazê-lo parar ou de pelo menos aumentá-lo um pouco. Nesse caso o tempo não me traria resposta, ele me traria dor.
...
- Ei anãzinha – até me assustei quando ouvi a voz de Edward, eu continuava dirigindo e pensando, eu já sentia um cansaço mental, que era muito pior que o físico. – Não cansou de dirigir?
- Ah nem reparei que já havia dirigido tanto, quantas horas são? – perguntei e ele se sentou na poltrona do passageiro e colocou o cinto de segurança.
- São 9 da noite amor, e o tanque já está na reserva, não viu? – ele perguntou e eu fitei o painel, realmente eu havia prestado atenção na estrada, mas meus pensamentos fervilhando me impediram que me ativesse a outros detalhes.
- Desculpa amor, não vi. Podemos parar no próximo posto, será que é muito longe?
- Hum... 3 km – ele respondeu apontando para uma placa na beira da estrada. – Paramos, fazemos um lanche e depois você deixa que eu dirijo, você toma um banho e descansa um pouco.
- Mas você descansou o suficiente? – perguntei realmente preocupada.
- Sim amor, dormi todo esse tempo, eu acordei há uns 20 minutos e tomei uma ducha pro meu corpo despertar.
- Quando você falou lanche, acho que até senti meu estômago protestar, estou com fome.
- Somos dois. – ele respondeu rindo.
...
Paramos no posto e abastecemos o trailer e aproveitamos pra comer na lanchonete que havia lá. Eu segui os conselhos de Edward e quando voltamos pro trailer fui direto pro banho, ele seguiu dirigindo. Quando sai do banho até me ofereci pra ficar de companhia com ele na frente, mas ele insistiu para que eu também descansasse e foi o que eu fiz, minha mente estava tão exausta que isso acabava refletindo no meu corpo, assim que deitei na cama, eu apaguei.
...
Acordei com o barulho do meu i-phone tocando.
- Por...
- Não fala palavrão assim que acorda – Edward disse e eu abri meus olhos.
- Eu ia dizer porcaria amor – eu apoiei em meus cotovelos e o vi deitado de lado me fitando.
- Sei – ele riu e passou o braço por minha cintura levando meu corpo pra perto do seu, até esqueci do meu i-phone tocando, quem quer que fosse podia esperar.
- Acordou há muito tempo? Já estamos em Chicago neh? Que horas são? – estava o enchendo de perguntas quando ele colocou o dedo sobre os meus lábios me silenciando.
- Vamos devagar – ele disse e tirou o dedo sobre meus lábios e me deu um selinho – Eu acordei há uns 20 minutos, e sim já estamos em Chicago – ele respondeu e depois fitou o relógio em seu pulso. – E agora são 11 da manhã.
- Nossa eu apaguei mesmo então.
- Sim, eu até tentei te chamar pra saber se você não queria algo, mas você só murmurou uns palavrões e virou pro outro lado.
- Ah desculpa pelos palavrões amor – eu lhe dei um beijo.
- Não vai atender o telefone? – me perguntou.
- Já parou de toc... – eu estava respondendo quando o bendito voltou a tocar, levantei da cama e fui atrás dele que estava jogado no sofá, vai que era algo importante.
Peguei o aparelho e vi o número da minha casa.
- Aposto que é a sua sogra – eu disse a Edward e voltei pra cama e me sentei entre suas pernas agora que ele já estava sentado na cama.
- Mande um beijo pra ela – ele disse e deu um beijo no meu pescoço e eu finalmente atendi a ligação.
- Alô.
- Bella, finalmente atendeu filha, já estava ficando preocupada – minha mãe disse com sua voz ansiosa de sempre.
- Você me acordou mãe, por isso a demora pra atender, você sabe como eu acordo.
- Hum... acordando tarde. Ficou se divertindo com Edward até tarde – ela riu debochada e Edward riu baixo, ele tinha ouvido. Minha mãe era maluca, que mãe fica fazendo piada com a vida sexual da filha.
- Mãe não começa – eu pedi e depois olhei feio pra Edward para que ele parasse de rir.
- Filha, mas isso é normal – ela disse, e eu a achei mais maluca ainda. Eu estava até com medo de voltar pra casa, porque ela ia querer saber de tudo, e quando eu digo tudo, é tudo mesmo, minha mãe era maluca a este ponto.
- Mãe eu acordei a essa hora porque Edward e eu passamos o dia todo na estrada, chegamos aqui em Chicago de madrugada.
- Ah Chicago é uma cidade linda filha, vocês vão adorar. Quando vocês vêm pra casa?
- Ah não sei espere aí – eu disse e afastei o telefone – Quando vamos embora amor?
- Hum... podemos ir depois de amanhã, daqui na Flórida será um longo trajeto, provavelmente serão dois dias de viagem.
- Depois de amanhã mãe, mas Edward disse que vamos gastar dois dias daqui até em casa – eu disse voltando a falar no telefone.
- Ah você chamou o Edward de amor, foi tão fofo – eu juro que a ouvi suspirar do outro lado da linha. Sério mesmo que minha mãe é pirada, não tem lógica.
- Mãe eu vou desligar se você não parar com isso – ameacei.
- Ok, eu só queria saber mesmo se vocês estavam bem e que dia chegariam em casa, estamos todos morrendo de saudades.
- Nós também estamos com muitas saudades – eu disse e Edward balançou a cabeça em afirmativa concordando com o que eu havia dito.
- Bem aproveitem a cidade, curtam bastante, amo vocês.
- Nós também.
- Até filha, beijos.
- Beijos e Edward pediu pra enviar um beijo pra sogra dele – eu disse e ela riu.
- Ah que fofo, da um beijo no meu genro, por favor.
- Ok mãe, beijos – eu disse e encerrei a chamada.
- Minha mãe te mandou um beijo cabeção.
- Eu ouvi, aliás, ouvi tudo e fiquei pensando que você não vai escapar quando voltarmos – ele disse rindo.
- Eu pensei na mesma coisa, minha mãe é maluca.
- Verdade – ele disse rindo e eu dei um tapa em seu ombro.
- Ei só eu posso chamá-la de maluca.
- Eu não chamei, só concordei – ele riu e me puxou para um beijo – logo uma de suas mãos estava dentro da minha camisetinha de pijama e a outra dentro do meu short, ele iria me deixar louca assim logo de manhã.
- Hum... amor assim eu não vou querer sair dessa cama – eu disse mordendo seu ombro.
- Uma horinha a mais não faz diferença – ele disse me apertando.
...
- Minha mãe tinha razão, Chicago é realmente linda – eu disse enquanto Edward e eu caminhávamos depois de termos almoçado em um ótimo restaurante.
- É mesmo.
- Então o que vamos conhecer agora?
- Estive pensando em irmos ao Millenium Park. Lá que tem aquela famosa escultura metálica gigantesca, já viu nos filmes, certo?!
- Sim, vamos então. É longe daqui?
- Me empresta seu i-phone pra eu saber a melhor maneira de chegarmos lá, eu deixei o meu lá no trailer – ele disse e eu peguei meu i-phone em meu bolso e lhe entreguei.
- De metrô, tem uma linha perto daqui – ele disse após verificar – Vamos – ele guardou meu i-phone em meu bolso e segurou a minha mão, hoje ele estava bem animado.
...
- Amor você já tirou umas 50 fotos – Edward estava reclamando enquanto eu tirava algumas fotos com a “The Cloud”, uma das mais famosas esculturas de Chicago, mas era tão incrível que eu tinha muito o que registrar.
- Você é muito chato, vem que agora eu vou tirar umas fotos suas – eu disse tomando a câmera de sua mão.
- Ah você sabe que eu não gosto muito disso.
- Não seja chato cabeção, você é o meu modelo, nem vou poder colocar essas suas fotos nas minhas redes sociais quando voltarmos, porque imagina o quanto aquela mulherada assanhada ia cair matando, e eu não suportaria ver ninguém cantando meu namorado, por mais que seja via internet.
- Adoro você ciumenta – ele me abraçou – Fica ainda mais linda – ele beijou minha bochecha e depois meu pescoço.
- Você não vai me distrair Edward, pode ir lá que eu vou tirar fotos sua agora – eu me desvencilhei de seus braços por mais tentadores que fossem.
...
Depois da sessão de fotos que fiz de Edward continuamos andando pelo Millenium Park, chegamos a Crown Fountain. Que é uma fonte que possui duas torres, cada uma de 15 metros de altura, que projetam imagens dos rostos de pessoas que moram em Chicago, em telas LED de alta resolução.
- Nossa aquele último que passou ali era muito gato – eu disse olhando as imagens.
- Não começa Bella – ele disse com um bico e eu pulei em cima dele e baguncei ainda mais seus cabelos desordenados.
- Você é o mais lindo de todos, não faz bico se não vou te agarrar.
- Me agarra então – ele disse e sem me dar a chance de responder estava com sua boca colada na minha e o beijo era tão intenso que devia estar constrangendo quem estava ao redor.
...
Continuamos passeando e conhecemos muitas coisas legais em Chicago, no fim do dia chegamos exaustos, mas mesmo cansados resolvemos sair pra conhecer um pouco da noite de Chicago.
Fomos a um restaurante que ficava no centro de Chicago e tinha um astral bem jovem, música ao vivo e uma galera que parecia estar se divertindo muito com o folk tocado.
- Eu quero um hieneken – Edward disse, mas tive que bancar a namorada super chata.
- Sem bebidas pra você hoje, traz duas limonadas pra gente, por favor – eu pedi e o garçom deu uma risadinha e se retirou.
- Bella porque fez isso? – Edward me olhava indignado.
- Tivemos exagerando muito no álcool nos últimos dias e isso não faz bem pra sua saúde.
- Será que você não entendeu que minha saúde já está ferrada?
- Edw... – eu ia dizer algo, mas ele se levantou da mesa bruscamente e vi que ele foi pro banheiro. Eu não estava nem ai se ele ia ficar com raiva, mas eu iria cuidar dele, no momento era tudo que estava ao meu alcance de fazer por ele, e eu iria fazer, mesmo que precise enfrentar sua ira.
Nossas limonadas chegaram, mas nada do meu namorado cabeção, do banheiro eu sabia que ele não havia saído porque eu não tinha parado de olhar pra lá um momento sequer.
- Algo mais? – o garçom perguntou.
- Sim, eu quero o número 5 – eu indiquei um dos pratos do cardápio.
- E pro seu namorado, não vai escolher? – ele perguntou com um tom debochado e eu fiquei com vontade de levantar e socá-lo. Ele não sabia nada sobre a nossa vida, e estava provavelmente julgando Edward como um homem frouxo que só segue ordens da namorada.
- Ele é totalmente capaz de escolher sozinho, e acho que não cabe a você julgar ou fazer qualquer tipo piada sobre um assunto do qual você desconhece – eu disse e não estava nem ai se estava sendo educada ou não.
- Me desculpe, eu realmente...
- Ok, sem problemas – eu disse pra ele se retirar logo porque minha paciência estava se esvaindo. Se esvaindo por causa da pirraça de Edward ainda preso no banheiro, se esvaindo por causa do garçom machista e debochado, se esvaindo com minhas próprias incapacidades.
Quando o garçom acabou de entregar meu prato Edward apareceu.
- Não pediu pra mim também? – ele perguntou sarcástico. Vamos lá Bella, paciência, você o ama mais que tudo nessa vida, seja paciente com ele.
- Você sabe muito bem o porque de trocar o álcool pelo suco, você é quem sabe o que você vai comer – eu disse balançando meus ombros e comecei a me concentrar somente na comida do meu prato, pois eu não queria brigar mais.
Edward não disse mais nada e depois de uma olhada no cardápio chamou o garçom e fez seu pedido, garçom este que não fez nenhum tipo de piada dessa vez.
O jantar seguiu todo silencioso, tudo que eu não queria era brigar com ele, mas se pra cuidar dele isso ia acontecer, eu não poderia evitar, isso estava acima de tudo neste momento, era minha prioridade.
Pegamos um táxi e fomos de volta pro trailer no mesmo silêncio. Se ele não quebrasse isso, eu mesma iria fazer.
- Desculpa – eu disse me jogando no sofá quando chegamos no trailer, ele sentou na cama e ficou me encarando. Ah malditos olhos verdes enlouquecedores.
- Pelo que?
- Por ter feito você se sentir envergonhado pela sua namorada escolher o que você ia beber e ter feito você ouvir risinhos de um garçom otário.
- Esquece isso – ele disse tirando a camiseta. PQP, ele queria me distrair, tirando a camiseta e se esticando daquele jeito, até perdi o raciocínio acompanhando o movimento de cada músculo. – Perdeu alguma coisa aqui anãzinha? – ele perguntou com o maldito sorriso torto.
- Hã... claro que não — disse balançando os ombros e tentei olhar pra outro lugar, mas ele ficou em pé e tirou a calça jeans ficando só com uma cueca boxer branca. Abençoada seja a intimidade, era ótimo Edward fazer isso na minha frente agora, bem diferente de quando nós éramos só amigos e eu tinha que ficar espionando pela gretinha da porta.
- Você com certeza perdeu algo aqui – Edward disse rindo.
- Idiota – eu tirei minha jaqueta e joguei em cima dele.
- Fui mesmo – ele se sentou ao meu lado no sofá e depois me puxou pro seu colo me fazendo sentar de frente pra ele, com uma perna de cada lado do seu corpo. Se ele queria me deixar maluca, ele estava conseguindo, porque eu estava ficando louca de sentar ali, com ele com tão pouca roupa.
- Esquece isso – eu repeti suas palavras e coloquei minhas mãos em seu rosto e o acariciei com a ponta dos dedos.
- Você só está cuidando de mim, e eu estive pensando que no seu lugar eu faria o mesmo por você, porque eu te amo o tanto que você me ama ou até mais.
- Não, eu amo mais tenha a certeza – eu disse e nós dois rimos como dois bobos apaixonados.
- Não vamos discutir isso, se não será uma longa discussão. E bem esse é nosso último destino e não devemos perder tempo brigando – ele apertou minhas coxas – Temos que aproveitar.
- Sábias palavras – eu disse o beijando e deslizando minhas mãos pelos músculos de suas costas. Edward parou o beijo e me afastou um pouco de seu corpo e o encarei porque eu queria mais.
- Roupas demais – ele murmurou e puxou minha camiseta e a jogou longe. Desabotoei meu sutiã que tinha um fecho atrás, porque sabia que se fosse Edward a fazer isso ele podia demorar demais, e eu estava ansiosa pelo seu contato. Assim que ele viu meus seios nus eu vi que seus olhos brilharam, um dia ainda ia perguntar qual era a parte que ele mais gostava em mim, porque eu tinha certeza que ele tinha uma tara por essa parte especificadamente.
Ele não hesitou em trazer seus beijos para os meus seios, meu corpo se arrepiou todo quando ele mordiscou meus seios, sua mão afoita foi pra calça jeans e a desabotoou e abriu meu zíper.
- Muita roupa ainda amor – ele me tirou do seu colo me colocando de pé e começou a puxar minha calça pra baixo, ele estava tão afoito que quase me jogou no chão quando tentou tirar minha calça.
- Edward deixa que eu faço isso – eu tirei suas mãos da minha calça e eu mesma tirei a minha calça e em seguida a calcinha. Os olhos de Edward me varrerão de cima a baixo – ele me puxou pra perto dele e beijou a minha barriga e seus beijos começaram a descer na direção da minha virilha.
- Eu amo cada parte de você – ele disse e finalmente beijou a parte do meu corpo que estava queimando, apesar de nós dois sermos dois inexperientes eu podia dizer que Edward estava se saindo muito bem, porque ele e sua boca eram capazes de me levar na lua. Quando eu estava quase alcançando o ápice Edward parou e olhou pra cima fitando minha cara de frustração, minha respiração estava tão irregular que nem fui capaz de dizer nenhuma palavra. Quando eu finalmente ia conseguir reclamar ele retirou sua boxer e me puxou pra posição que eu estava antes sentada no seu colo de frente pra ele como uma perna de cada lado do seu corpo, a diferença é que agora eu estava sendo preenchida por ele, me sentindo completa.
...
- Foi perfeito meu amor – eu quebrei o silêncio que estava entre Edward e eu, após termos atingido o clímax, continuávamos na mesma posição e ele continuava em mim.
- Mais que perfeito – ele disse afagando meus cabelos.
- Te amo.
- Também te amo – ele disse e me deu um beijo romântico e apesar do modo em que estávamos ainda aquele beijo não tinha um apelo sexual, era só uma forma de dizer o quanto nos amávamos.
...
No outro dia apesar de eu brigar, atirar travesseiro nele, gritar, falar palavrão, Edward conseguiu me tirar da cama às 9 da manhã. Ele até tinha preparado um delicioso café, meu namorado era o mais perfeito do mundo mesmo.
- Nossa amor nem está com esse sol todo pra você estar com esse óculos escuro gigantesco – Edward disse enquanto caminhávamos rumo a nossa primeira parada no Museum Campus.
- Edward eu estava com preguiça de me maquiar e eu estou com umas olheiras gigantescas, como se eu tivesse levado um soco em cada olho.
- Meu Deus, você é muito exagerada anãzinha. – ele riu – Você está linda, está sempre linda – ele jogou o braço sobre meu ombro e deu um beijo estalado em minha bochecha.
Chegamos ao Museum Campus que era chamado assim por ser uma área onde se concentrava a maioria dos museus de Chicago. O primeiro que decidimos ir foi ao de História Natural, depois iríamos ao Aquário e depois ao Museu de Arte Moderna.
...
O dia entre os museus estava sendo incrível, apesar de muitos odiarem museus esse era um dos lugares do qual Edward e eu sempre gostamos de visitar.
No meio da tarde Edward parecia estar mais pálido do que o normal, eu perguntei se estava tudo bem, e ele assentiu que sim. Pegamos um water taxi para irmos até o Navy Pier que era um dos pontos turísticos mais famosos de Chicago.
- Toda vez que eu entrar em um barco eu vou me lembrar do barqueiro de Ades que você pediu para nos guiar por um passeio no pântano. – eu disse a Edward enquanto o nosso “barco táxi” estava quase chegando em Navy Pier.
- Você morreu de medo e até pulou no meu colo, eu gostei dessa parte, porque naquela época eu ainda não podia te puxar e te botar no meu colo, eu tinha que me controlar. – ele disse rindo.
- Me esnobar neh? Porque era isso que você fazia.
- Ah não vamos falar disso já te expliquei o motivo, o importante é que estamos juntos agora. – ele ergueu meu queixo e me beijou.
...
Eu desci do barco e estava esperando por Edward que após descer havia desaparecido já há quase 20 minutos dizendo que só ia ver algo rapidamente, mas até agora nada dele voltar. Eu já até tinha ligado no celular dele, mas quando caiu na caixa postal, eu lembrei que o aparelho havia ficado no trailer.
Mais 15 minutos e ele finalmente apareceu, ele vinha caminhando na minha direção com um sorriso enorme estampado no rosto.
- Posso saber onde você estava que demorou tanto? – perguntei.
- Estava vendo algo sobre nosso jantar.
- Como assim?
- Hoje vamos jantar em um cruzeiro, vai ser um jantar super romântico já que é nossa última noite aqui, eu queria que fosse especial.
- Nossa cabeção nunca imaginei que você fosse tão romântico – eu passei meus braços ao redor do seu pescoço – Amo isso em você.
- Nem eu nunca imaginei que eu agiria de uma forma tão romântica assim – ele me beijou – Mas agora vamos deixar esse romantismo todo para o jantar mais tarde, vamos conhecer o Navy Pier e dar uma volta na roda gigante poque dizem que a vista lá de cima é incrível.
- Ok, vamos logo, porque vamos ter que voltar pro trailer depois porque preciso me arrumar para estar a altura desse jantar. – eu disse segurando em sua mão e o puxando logo comigo.
...
Andamos por Navy Pier, compramos algumas lembrancinhas e realmente a vista do alto da roda gigante era incrível. Depois de descermos Edward comprou pipoca e enquanto comíamos resolvemos caminhar ao redor do lago Michigan.
- Eu já disse isso, mas não custa nada repetir – eu disse e Edward me olhou enquanto caminhávamos – Essa foi a melhor viagem que eu já fiz na minha vida.
- A minha também, acho que realmente foi o melhor caminho que eu podia ter traçado para encerrar...
- Ah cala boca seu cabeção – eu joguei algumas pipocas em seu rosto porque eu já sabia o que ele ia dizer e eu realmente não estava afim de ouvir, estava um momento tão alegre pra nós dois, que seria injusto acabar com ele.
- Ah não acredito que você está desperdiçando a pipoca que comprei com todo carinho pra você.
- Ah não faz drama cabeção – eu disse e atirei mais pipocas no rosto dele.
- Ah anãzinha você vai me pagar – ele disse e eu saí correndo em direção ao gramado que havia ali próximo ao lago.
- TENTE – eu gritei e virei meu rosto pra olhar pra trás e vi que ele vinha correndo na minha direção e pela expressão do seu rosto eu vi que ele realmente estava disposto a isso.
- EU VOU TE PEGAR – o ouvi gritando e ri enquanto corria imaginando as pessoas nos achando dois malucos. – BELLA – olhei pra trás e vi que ele estava há poucos passos de me pegar.
- NÃO – eu gritei e tentei me esforçar pra correr ainda mais.
- BELLA – o seu grito dessa vez estava próximo de mais e eu sabia que eu ia ser pega, quando ia me dar por vencida e olhei pra trás e vi que Edward estava há uns três passos de mim totalmente pálido, parei de correr no mesmo instante. Eu ia me aproximar dele pra ver o que ele estava sentindo, mas o que aconteceu a seguir fez meu coração parar por uns segundos. Edward simplesmente desabou no chão.
Meus olhos já se encherão de lágrimas enquanto eu corria até ele, cai de joelhos ao seu lado e agora eu já estava chorando.
- Edward fala comigo amor, Edward – eu coloquei sua cabeça no meu colo – Edward, por favor.
- O que houve? – alguém perguntou mais alto olhei ao meu redor e vi que havia uma pequena multidão ao nosso redor e um burburinho de vozes.
- Eu não sei, ele estava correndo e simplesmente desmaiou – eu disse colocando a mão sobre seu peito e tentei que ele acordasse, mas nada – Chamem uma ambulância, por favor – eu pedi chorando, a dor que rasgava o meu peito era muito forte, eu não podia perdê-lo.
- Espere só um segundo garota que vou chamar – uma das pessoas ao meu redor disse e pegou seu telefone.
- Vamos verificar a pulsação dele – um outro senhor se ajoelhou ao nosso lado e pegou o pulso de Edward.
- Edward, por favor – eu pedi beijando sua testa – Eu não posso ficar sem você amor.
- Calma querida, deve ter sido só uma queda de pressão ou uma fraqueza – uma senhora colocou a mão sobre meu ombro. Antes fosse isso e eu tivesse a certeza que Edward ficaria bem.
- A pulsação está um pouco fraca – o senhor de antes respondeu.
- Amor acorda, fala comigo, por favor. – eu implorava baixinho no ouvido de Edward – Por favor, não me deixa amor. Eu não vou conseguir sem você.
- Abram espaço e se afastem, por favor – olhei e vi que três paramédicos se aproximavam segurando alguns equipamentos.
- Você também senhorita, deixe que vamos cuidar dele – um deles disse e senti alguém me puxando.
- Não, eu preciso ficar com ele – eu disse vendo os fazendo alguns testes em Edward e depois preparando pra lhe colocar em uma maca.
- Calma, você vai poder ir com ele – a senhora que tentou me confortar antes estava com os braços ao meu redor e eu nem tinha notado isso, meu foco estava totalmente em Edward que continuava sem esboçar nenhuma reação.
- Você quem vai acompanhá-lo? – um dos paramédicos me perguntou, e eu passei a mão por meu rosto secando as lágrimas e balancei a cabeça em afirmativa. – Então vamos, se quiser ligar pra alguém – ele disse e eu balancei a cabeça em negativa. No momento eu não queria falar com ninguém, só queria que Edward melhorasse.
Eles o levaram e o colocaram na ambulância, e eu fui na ambulância, segurei sua mão entre as minhas e ela estava gelada, isso só me deixou mais temerosa.
- Ele tem algum tipo de doença crônica ou está... – o paramédico começava a perguntar.
- Ele tem leucemia em um estágio bem avançado – eu respondi.
- Ok – ele disse anotando a informação em uma prancheta — O que ele estava fazendo quando ele desmaiou?
- Correndo, estávamos brincando um com o outro e ele estava correndo atrás de mim, quando olhei e vi que ele estava pálido e depois simplesmente caiu – eu respondia automaticamente sem soltar a mão de Edward e sem parar de olhar pra seu rosto que estava totalmente sem cor, até seus lábios estavam esbranquiçados.
- Ele reclamou de algo hoje com você? – ele perguntou e eu balancei a cabeça em negativa. Ele me fez mais algumas perguntas como nome e idade dele e eu respondi quase que no modo automático porque eu só queria me focar em Edward.
- Amor acorda lindo, por favor – eu disse em seu ouvido. Comecei a fazer uma prece baixinha sem soltar a mão de Edward pra que ele ficasse bem, ele não podia me deixar, eu não tinha condição nenhuma de continuar vivendo sem ele.
...
Chegamos ao hospital e o retiraram da ambulância e começaram a guiá-lo pelos corredores do hospital e eu continuava ao seu lado sem soltar a sua mão, eu tinha que estar ao seu lado.
- Senhorita a partir daqui você não pode entrar mais – um médico me fitou.
- Não, eu preciso entrar, eu não posso me separar dele – eu apertei ainda mais forte a mão de Edward na minha.
- Senhorita espere aqui.
- Não, me deixe entrar – eu estava dizendo quando senti braços segurando o meu e me puxando pra longe de Edward me fazendo soltar a sua mão – NÃO. POR FAVOR, ME DEIXE ENTRAR – eu tentava me desvencilhar dos braços e alcançar Edward, mas eu não conseguia, eles estavam o levando pra longe de mim. – POR FAVOR.
- A senhorita não pode, em breve algum médico virá falar com você – a pessoa que estava segurando finalmente me soltou e me olhou ameaçadoramente quando eu dei um passo em direção a porta que tinham levado Edward – Se entrar os seguranças vão lhe tirar do hospital.
Me afastei e caminhei pra onde haviam algumas cadeiras de espera, eu não podia correr o risco de ser colocada pro fora do hospital e ficar ainda mais longe de Edward.
Coloquei minha cabeça entre os meus joelhos e chorei, se agora meu peito estava doendo tanto de uma maneira insuportável, o que seria de mim se eu o perdesse? Eu com certeza não sobreviveria.
Por favor, não tire o Edward de mim. Por favor.
Eu pedia, e nesse momento eu estava sendo egoísta o bastante e pensando apenas em mim. Eu queria que Edward ficasse bem porque eu não viveria sem ele, era impossível pra mim.
Droga, porque isso está acontecendo conosco? Edward não merece, e eu não mereço ficar sem ele.
...
Não sei quanto tempo se passou e fiquei ali naquela sala de espera sentada apenas deixando as lágrimas me dominarem.
Senti uma mão no meu ombro e levantei em um impulso.
- Calma, você é a senhorita que está acompanhando Edward Cullen? – um médico que aparentava ter uns quarenta e poucos anos, baixinho e de bigode me perguntou.
- Sim, eu sou a namorada dele.
- Já preencheu a ficha dele senhorita, como é o seu nome?
- Isabella, e eu ainda não preenchi nenhuma ficha, mas me diz como ele está, por favor. E me deixe vê-lo – eu segurei os braços do médico, eu não estava nem aí pra boa educação nesse momento, eu só queria ver Edward.
- Calma Isabella – ele se desvencilhou dos meus braços – Preencha a ficha, pois é importante, depois conversamos.
- Não me diz logo, ele acordou? Me deixe vê-lo, você não entende que eu preciso vê-lo? – meu tom de voz já estava alterado e eu estava desesperada.
- Isabella você relatou aos paramédicos que seu namorado tem leucemia, bem nos fizemos os exames e constatamos que as plaquetas dele caíram demais e os leucócitos também, e ele está muito fraco, por isso desmaiou. Nós vamos precisar fazer uma transfusão de plaquetas, já estamos aguardando vir as plaquetas pra fazermos a transfusão. Nós o colocamos no soro e ele acordou e chamou por você.
- Ele precisa de mim, me deixe vê-lo.
- Você vai vê-lo, primeiro preencha a ficha, nós vamos fazer a transfusão e quando a mesma estiver concluída você vai poder entrar – ele me explicou, mas eu não poderia esperar todo esse tempo, eu precisava ver Edward agora, e mostrar que eu estava ali com ele e que eu jamais sairia do seu lado, não importava o que acontecesse.
- Por favor me deixe entrar pelo menos por dois minutos, depois eu preencho a ficha, e espero a transfusão e faço o que for necessário – eu implorei – Por favor.
- Ok garota, mas só dois minutos. Vem comigo – o médico disse e antes que ele saísse andando eu lhe dei um abraço.
- Obrigada de verdade – eu disse e passei a mão por meu rosto para secar as lágrimas, eu não queria que Edward me visse muito mal, eu ainda tinha que ser forte por ele.
Segui o médico pelos corredores e ele parou em frente ao quarto 202.
- Dois minutos e eu venho lhe chamar – ele disse e abriu a porta pra mim e eu não respondi nada, apenas entrei ansiosa pra ver Edward, pra poder tocá-lo e ver que ele ainda estava comigo.
- Bella – a sua voz soou um pouco fraca quando ele me viu. Ele continuava ainda pálido e com um soro ligado a seu braço.
- Oi meu amor – eu corri até ele e o abracei forte, para garantir que ele estava comigo.
- Shiii, ei eu ainda estou aqui – ouvi a voz de Edward e ele acariciava meus cabelos, eu tinha tentado ser forte, mas não tinha conseguido, estava molhando a camisa de Edward com minhas lágrimas. – Calma meu amor.
- Não, não posso ficar sem você, de jeito nenhum – eu disse ainda com o rosto enterrado em seu peito.
- Estou aqui Bella, se acalme linda, se não eu é que não vou ficar bem de te ver assim – ele disse e eu me endireitei no mesmo momento e passei a manga da minha camiseta para secar as minhas lágrimas.
- Você tem que ficar bem, você me ouviu? Você tem que ficar bem – eu disse segurando seu rosto entre minhas mãos.
- Bella você sabe que isso não depende de...
- Shiii – eu lhe dei um selinho – Não fala isso, não agora, por favor.
- Senhorita Isabella já se passaram mais de dois minutos – o médico apareceu de repente.
- Ela não pode ficar aqui? – Edward perguntou.
- Não, ela precisa preencher seus dados e enquanto isso nós vamos fazer sua transfusão de plaquetas, depois ela volta.
- Amor você não avisou ninguém avisou? – Edward me perguntou.
- Ainda não, vou fazer isso agora.
- Não faça, espere a transfusão e depois nós resolvemos isso juntos.
- Mas Edward...
- Por mim amor, por favor – ele pediu com seu olhar de súplica.
- Ok – eu lhe dei um beijo.
- Hora de ir senhorita – o médico chamou de novo.
- Daqui a pouco eu volto – eu tentei dar um sorriso de ânimo pra Edward e nem sei se consegui.
Segui com o médico baixinho e ele me deixou na recepção onde eu devia preencher os dados de Edward. Preenchi um cadastro e coloquei os dados de seu plano de saúde porque por sorte sua carteira estava em minha bolsa, e todos seus documentos estavam lá.
- Esse plano dá direito a um apartamento de luxo, vai querer transferi-lo? – a mulher da recepção me perguntou.
- O que tiver de melhor pra ele, por favor. Eu quero que ele fique muito confortável – eu afirmei.
- Ok, vamos pedir a transferência dele – ela assentiu – Está tudo ok, agora. A senhorita pode aguardar na sala de espera que logo o Dr. Martin vai vir falar de novo com você – ela disse e eu assenti e me afastei indo de volta pras cadeiras.
Me sentei e peguei meu i-phone e fiquei pensando que era a minha obrigação avisar a Carlisle e a Esme o que estava acontecendo, mas ao mesmo tempo a minha primeira obrigação era ser fiel ao que eu havia dito a Edward. Ele tinha que melhorar, e nós voltaríamos pra casa, e a esperança de que um milagre ia acontecer não podia me deixar, não agora, não quando eu mais preciso me agarrar a ela.
...
- A transfusão já foi feita, e nesse momento ele está sendo transferido para o outro apartamento que foi solicitado – Dr. Matin me falava – Lhe levaremos o jantar e logo ele receberá um remédio para que ele possa conseguir dormir.
- Dr. Martin quanto tempo ele vai ficar aqui? Porque dependendo eu vou pedir pra família dele pra transferi-lo para Flórida, nós só estamos aqui em Chicago a passeio.
- Edward me explicou toda a situação dele Isabella – Dr. Martin disse – E bem nós vamos mantê-lo em observação hoje e amanhã se ele estiver bem creio que podemos dar alta pra ele, não há realmente nada que possamos fazer pra ele aqui, o melhor é vocês voltarem pra casa. Com a transfusão de plaquetas e o soro, ele se fortalecerá um pouco. Mas como você sabe isso pode começar a ocorrer sempre agora, o organismo dele ficará cada vez mais debilitado e esses desmaios podem se tornar bem mais freqüentes.
- Entendi – eu disse sentindo a angústia em meu peito crescendo a cada palavra do médico.
- Ele está no quarto 516, pode ir. E você poderá passar a noite, se quiser.
- Ok, muito obrigada – eu disse e já fui pra perto do elevador, porque eu não queria me desgrudar de Edward.
Cheguei ao quarto que realmente era bem mais luxuoso que o primeiro, havia até um sofá cama para o acompanhante e não apenas só a poltrona como no quarto anterior, tinha também uma televisão até bem grande, frigobar e até a decoração ostentava luxo.
- Ei anãzinha – ele sorriu quando me viu, seu aspecto estava um pouco melhor, ele continuava com uma agulha em seu braço por onde ainda estava recebendo soro.
- Oi meu amor – eu fui até ele e afaguei seu rosto.
- Perdemos nossa jantar romântico – ele disse.
- Teremos outras oportunidades e nem ouse dizer o contrário – eu coloquei o dedo sobre seus lábios sem lhe dar a chance de protestar. – Precisamos ligar pra sua casa.
- Não.
- Edward, seus pais precisam saber o que houve.
- Bella você conversou com o Dr. Martin? Ele te explicou o que aconteceu?
- Sim, ele disse que vai até te dar alta amanhã mesmo.
- Então se ligarmos pros meus pais só vamos deixá-los loucos. Amanhã eu vou ter alta e a gente volta pra casa.
- Mas...
- Amor, por favor. – ele segurou minha mão e a beijou.
- Ok Edward, mas eu só vou ceder, porque eu conversei com o médico e sei que apesar de tudo, você está bem.
- Obrigado linda – ele beijou minha mão de novo – Bem eu não vou ser hipócrita e dizer que você deve voltar pro trailer, que vai ficar melhor lá do que aqui, porque eu não quero ficar sozinho.
- Como se eu fosse te deixar aqui sozinho, e dormir lá no trailer.
- Mas eu acho que você devia ir ao trailer, tomar um banho, aproveita e traz uma roupa pra mim também. – Edward disse.
- Amor com toda sinceridade não posso fazer isso, vai ter que aturar sua namorada sujinha. – eu disse e ele fez uma careta e depois riu – Eu nem sequer sei onde estamos, eu vim na ambulância e nem sei a localização do hospital, já é tarde da noite.
- Verdade, eu nem sequer tinha me tocado que já estava tão tarde. Amanhã de manhã você vai e traz uma roupa pra mim também.
- Amanhã vemos isso, não gosto da idéia de te deixar sozinho por muito tempo aqui. – eu disse – Edward você já estava se sentindo mal ou foi de repente que tudo se apagou pra você?
- Bem eu estava sentindo aquela fraqueza que já é normal, mas quando comecei a correr, eu fui sentindo uma dificuldade pra respirar, e a fraqueza foi aumentando e então tudo ficou escuro, e só lembro de acordar aqui.
- Se eu não tivesse te provocado e nós não tivéssemos feito essa brincadeirinha boba de correr você não teria passado mal – me lamentei.
- Bella o médico disse que isso pode acontecer com muita mais freqüência devido ao meu estado, não foi sua culpa, nem pense em se culpar por isso – ele afagou meu rosto – Desculpe pelo susto amor.
- Não tem que se desculpar, eu e você sempre – eu beijei levemente seus lábios.
- Hum... desculpem interromper – nem nos demos conta que uma enfermeira havia entrado no quarto. — Eu vim trazer o jantar do paciente.
- Oh fique a vontade – eu disse me afastando enquanto ela puxava uma mesa pra perto de Edward e colocava a bandeja sobre a mesa.
- Há como pedir algo para o acompanhante do paciente? – Edward perguntou.
- Amor não precisa se preocupar com isso, eu vou na lanchonete daqui do hospital depois e como algo.
- Bem a senhorita até poderia pedir na cozinha do hospital que eles lhe mandariam uma refeição, mas talvez não lhe agrade muito, há duas lanchonetes no hospital, uma no terceiro andar e outra no oitavo. A do oitavo tem uns preços mais elevados, mas com certeza é de melhor qualidade.
- Obrigado pela dica. – eu agradeci a enfermeira.
- Daqui a pouco eu venho recolher a bandeja e trazer um remédio pra você e trocar o soro – ela disse a Edward verificando alguns instrumentos que monitoravam Edward.
- Obrigado. – Edward disse.
- Bom jantar – ela disse e saiu.
- Então bebezão vamos comer? – eu ri da careta que ele fez enquanto eu abria as embalagens que estavam sua comida. – Olha que delicia peito de frango, salada e macarrão com algum molho desconhecido.
- Pode deixar ai que eu consigo comer sozinho – ele disse já mal humorado.
- Eu faço questão meu bebê, tem uma agulha presa no seu braço, ficar mexendo deve incomodar. – eu disse.
- Bella – ele resmungou.
- Ok, você come sozinho, mas se precisar de ajuda me fala – eu disse e me sentei no sofá cama e peguei o controle da TV.
Não demorou muito Edward terminou de comer, quer dizer ele deu umas três colheradas e disse que não agüentava mais porque a comida era horrível que não tinha gosto, que estava sem sal e fez um tanto de reclamações, até dei uma colherada pra ver se tinha fundamento toda sua reclamação e realmente a comida era insossa.
A enfermeira veio e recolheu a bandeja com a comida, e depois deu um remédio que segundo ela faria Edward dormir em menos de 30 minutos.
- Meu amor eu vou na lanchonete que a enfermeira recomendou, não vou demorar – eu disse afagando seu rosto, ele já estava bem sonolento.
- Não se preocupe, se alimente bem – ele disse e seus olhos já estavam piscando e eu sabia que ele estava lutando contra o sono.
- Ok, não demoro – eu lhe dei um selinho – Fica bem lindo, te amo.
- Também te amo – ele disse fechando os olhos de vez e logo ouvi seu ressonar baixinho.
...
Cheguei a lanchonete e pedi um sanduiche de frango grelhado com rúcula, tomate seco e queijo, pra beber pedi uma coca cola. Pedi pra embrulharem tudo, porque eu iria levar pra comer no quarto, eu não queria ficar muito tempo longe de Edward, ele podia acordar e precisar de mim. Sem contar que eu não me sentiria tranqüila sentando pra comer aqui enquanto ele estava sozinho no quarto.
Cheguei no quarto e ele continuava dormindo tranqüilo. Coloquei meu lanche sobre a mesa e fui até o banheiro lavar as minhas mãos.
...
Quando terminei de comer fui até o banheiro e lavei meu rosto, minha nuca e meus braços, não era um banho, mas ia fazer que eu me sentisse um pouco mais limpa. Fui até o lado da cama de Edward que continuava dormindo e afaguei seu rosto que continuava sereno.
- Você me deu um susto hoje – eu murmurei – Só me fez perceber o que eu já sabia, eu não sou capaz de viver sem você. Por isso temos que dar um jeito de achar uma saída, eu não vou te perder.
...
- Deixe a dormir mais um pouco – ouvi uma voz dizer, mas eu estava tão cansada que eu era incapaz de abrir meus olhos.
- Eu trouxe seu café, quer que tragam pra ela também? – outra voz perguntou.
- Não, ela vai odiar esse café. Muito obrigada – a primeira voz disse e o sono me venceu e eu voltei a dormir e nem me dei conta de mais nada.
...
Acordei com uma risada gostosa que eu conhecia muito bem, me espreguicei e me lembrei de onde estava e no mesmo momento senti minha cabeça latejar.
- Bom dia dorminhoca – Edward disse quando abri os olhos e o vi sentado na cama com um aspecto bem melhor que o de ontem.
- Hum... Bom dia – eu me espreguicei de novo – Do que estava rindo?
- Desse desenho idiota do Bob Esponja – ele respondeu e eu me sentei.
- Quantas horas? Já deve ser muito tarde.
- São 9:30 da manhã, não está tarde, não pra você que só acorda após o meio dia.
- Só isso, nossa eu pensei que tinha escutado alguém falar algo de café da manhã.
- Amor eles trouxeram meu café às 7 da manhã – ele disse.
- Nossa de madrugada, mas ok, isso é um hospital e não um hotel de luxo. – eu disse e me levantei e fui até o lado de seu leito – Dormiu bem? – perguntei afagando seu rosto – Se sente melhor?
- Eu apaguei, e me sinto melhor sim, doido pra sair daqui.
- O médico já veio?
- Ainda não, mas a enfermeira disse que até a hora do almoço ele passa, são muitos pacientes pra visitar. Acho que agora você podia ir no trailer tomar um banho pra relaxar, e trazer uma roupa limpa pra mim, escova de dentes.
- Eu não vou no trailer e te deixar aqui, provavelmente está muito longe. Vamos fazer o seguinte, eu desço e vejo se tem um supermercado e alguma loja aqui perto, compro roupas e escovas de dente, depois quando receber alta nós vamos juntos.
- Mas amor...
- Não me peça pra ficar longe de você por muito tempo porque eu não consigo – eu disse e ele segurou minha mão e entrelaçou nossos dedos.
- Ok, mas então faz logo isso, porque eu fico querendo te beijar, mas nós dois já estamos há um bom tempo sem escovar os dentes – ele disse rindo.
- O hálito realmente não deve estar o mais agradável – eu disse – Vou lavar meu rosto e vou descer e prometo não demorar.
- Fica tranqüila Bella, eu não vou fugir – ele riu – Tome seu café da manhã também.
- Ok – eu disse e me inclinei pra lhe dar um selinho e ele fez uma careta. – É assim?
- Brincadeira amor, vem aqui – ele puxou minha mão e me deu um longo selinho.
Lavei meu rosto e gargarejei mesmo que só com água pra que eu não desmaiasse ninguém que me atendesse nos lugares que eu iria.
Quando sai na rua me dei conta que o hospital ficava em um bairro bem movimentado, a primeira coisa a fazer era procurar um lugar onde eu pudesse comprar escovas de dentes.
Achei uma Target há dois quarteirões do hospital, comprei escovas de dente, creme dental e aproveitei pra comprar umas roupas bem baratinhas pra mim e pra Edward. Comprei lhe uma calça jeans e uma camiseta de manga cumprida e peguei uma cueca boxer do jeito que eu sabia que ele gostava. Peguei pra mim um jogo de calcinha e sutiã de algodão, uma camiseta e um jeans que não era como os que eu costumava usar, mas por hora estava bom. Assim que paguei tudo fui ao banheiro da própria Target e escovei meus dentes.
Sai de lá e agora o meu destino era uma cafeteria porque meu estômago já estava reclamando.
Encontrei uma pequena cafeteria que não estava muito movimentada, e o fato de já se passar das 10 manhã explicava isso. Pedi um chocolate quente e três donuts.
Sentei em uma mesa em frente a TV e enquanto eu comia muitas coisas passaram em minha mente, e apesar de todos os problemas a cada minuto eu só me dava conta que o meu amor por Edward aumentava. Lembrei de uma frase que falei pra ele quando me declarei:
Eu não sei se você também me ama, mas pra mim não importa se é uma hora, um dia, um mês, ou uma vida inteira, eu só quero ficar com você, independente do tempo.
Nesse tempo nada do que eu disse se alterou, eu queria ainda mais estar com Edward independente de qualquer coisa, eu queria continuar tendo uma vida ao seu lado, eu o amava incondicionalmente.
Lute pelo o que você quer, não deixe o tempo passar. Faça valer à pena! – eu ouvi essa frase em uma propaganda na TV e no mesmo momento olhei pra tela e vi que era uma propagando de algum reality show, mas a frase permaneceu em minha mente, ela começou a ecoar pela minha cabeça repetitivamente.
Lute pelo o que você quer, não deixe o tempo passar. Faça valer à pena!
Lute pelo o que você quer, não deixe o tempo passar. Faça valer à pena!
Lute pelo o que você quer, não deixe o tempo passar. Faça valer à pena!
Eu já havia saído da cafeteria, mas a frase continuava martelando em minha mente, eu tinha que fazer valer a pena e não ia deixar o tempo passar.
Esperei o semáforo fechar para que eu pudesse atravessar a rua e do outro lado eu vi algo me chamou atenção, assim que o semáforo ficou livre para os pedestres atravessei a rua rapidamente. Cheguei em frente ao que tinha visto ainda do outro lado da rua e algo me chamou atenção e fez meu coração bater forte, eu sabia o que fazer, o que eu queria.
Lute pelo o que você quer, não deixe o tempo passar. Faça valer à pena!
E era isso que eu ia fazer.
Notas finais
Muitas coisas acontecendo nesse capítulo. Espero que tenham curtido, conto com o apoio de vocês para continuar até o fim dessa jornada. Muito obrigada a todas as leitoras que comentam, continuem comentando, recomendando e divulgando a fic.
Vlw...bjs
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