Acordei irradiando felicidade, hoje eu estava disposta e iria dizer para o Edward com todas as letras o quanto eu o amava, depois do que aconteceu ontem acho que tudo se acertou. Estranhei por ter acordado sozinha na cama, eu queria ter acordado com ele aqui e já ter lhe dado um beijo de bom dia, eu tinha ficado tantos anos sem beijar aquela boca que agora eu não pensava em outra coisa.

Me levantei e fui pro banheiro escovar os meus dentes, eu estava tão feliz que nem o fato de ter acordado cedo estava me irritando. Troquei de roupa e sai do trailer, talvez Edward estivesse na praia.

Enquanto caminhava em direção a areia vi Edward sentado com a cabeça abaixada contras os joelhos, será que ele estava passando mal? Apressei meu passo e rapidamente estava ao seu lado, ele levantou o rosto e me encarou e eu devo ter dado um sorriso de idiota apaixonada, me sentei ao seu lado já pensando em lhe roubar um beijo de bom dia.

– Bom dia – eu disse com um sorriso que provavelmente preenchia todo o meu rosto, aproximei meu rosto do seu para beijar a sua boca e ele virou o rosto e eu acabei beijando só sua bochecha – Edw...

– Bella sobre o que aconteceu ontem – ele disse sem olhar nos meus olhos fitando o mar e como se ignorando a minha presença – Bem... esquece o que aconteceu ontem, vamos fingir que nada aconteceu, por favor – ele disse se levantando e eu fiquei ali muda apenas absorvendo o que ele tinha acabado de me dizer. Como assim ele queria que eu esquecesse o que havia ocorrido ontem, isso era impossível pra mim, principalmente agora que eu descobri o quanto eu o amo.

– Edward...

– Deixa assim, ok. Bem já vou preparando o trailer para irmos para Savannah, não demora – ele disse dando as costas e simplesmente me deixando ali sozinha. Eu não tinha nem reação, isso só podia ser um pesadelo, o Edward que estava todo carinhoso comigo ontem, não podia simplesmente ignorar o momento que tivemos ontem, eu sei que nenhuma palavra foi dita, mas pra mim os gestos tinham deixado bem claro o que sentíamos um pelo outro, ou talvez eu tenha deixado claro e ele não sinta o mesmo, com certeza ele me considerava só uma amiga, afinal de contas fui eu quem o beijou ontem, ele só correspondeu, e eu acabei me confundindo toda achando que ele me amava do mesmo jeito que eu descobri que eu o amava.

Quando me dei conta as lágrimas estavam correndo incessantemente, enquanto eu continuava ali sentada na praia, apenas tentando colocar na minha cabeça que Edward não me amava, que ele não queria ficar comigo da mesma forma que eu queria ficar com ele. Eu podia ir até ele e confrontá-lo, dizer porque ele me deixou chegar tão longe se ele não gostava de mim, porque eu tenho certeza que por mais que eu não tenha dito nenhuma palavra eu tinha deixado claro que eu o amava, mas eu não podia obrigá-lo a sentir o mesmo.

Como eu poderia ficar viajando com ele agora fingindo que nada aconteceu? Eu sei que ele está doente e por nada no mundo eu o abandonaria nesse momento, por mais que eu estivesse sofrendo muito agora, eu tinha que tentar ocultar esse sentimento que eu tinha descoberto que eu sentia por ele, agora que percebo as indiretas de tantas pessoas a respeito disso, me lembrei que até mesmo Jacob já havia me dado umas indiretas sobre meus sentimentos por Edward, mas eu nunca tive coragem de assumir isso nem pra mim mesma, e agora eu vejo que era melhor que eu nunca tivesse descoberto, porque assim eu evitaria a dor que está queimando em meu peito agora.

Eu sabia que eu tinha que secar minhas lágrimas, levantar daquela praia e caminhar de volta pro trailer porque precisávamos seguir viagem, mas eu não encontrava forças, estava doendo demais ter sido rejeitada por Edward.

...

Não sei por quanto tempo fiquei ali sentada na praia chorando e tentando pensar em uma maneira de sufocar aquele sentimento e continuar ali sendo apenas a melhor amiga do Edward, que sempre esteve com ele em todos os momentos, quando achei que já conseguiria entrar no trailer sem me desmoronar em lágrimas me levantei e voltei pro trailer.

Edward já estava sentado na poltrona do motorista verificando alguns instrumentos no painel.

– Desculpe a demora, podemos ir já se você quiser – eu disse – Daqui lá é quanto tempo?

– Umas quatro horas – ele respondeu e em seu rosto havia uma expressão indecifrável, eu diria que ele estaria com alguma dor, mas eu não queria perguntar nada no momento.

– Bem vou aproveitar esse tempo pra dormir, estou cansada, quando chegarmos me acorde – eu disse e fechei a porta que separava a cabine do motorista do resto do trailer, deitei em meu sofá e sem que me desse conta eu estava chorando de novo.

O melhor era que eu nunca tivesse descoberto que eu gostava do Edward, porque minha mãe insistia tanto nisso? Porque agora eu entendia suas indiretas, será que ela não notou que o sentimento não era recíproco e quando eu descobrisse eu iria sofrer? Eu não posso ficar pensando nisso agora, eu precisava lembrar que eu vim pra essa viagem porque eu sempre fui a melhor amiga do Edward e estava aqui para apoiá-lo no momento mais difícil da sua vida, e nada iria mudar isso, eu continuaria aqui pra ele independente de qualquer coisa sempre que ele precisasse de mim.

...

– Bella, Bella nós chegamos, acorda – despertei com a mão de Edward afagando meus cabelos. Abri meus olhos e me afastei de sua mão, eu não iria suportar agora ele cheio de carinhos depois de saber que ele não me amava da mesma forma que eu o amava, aí já era jogar ácido na ferida, eu não agüentaria.

– Obrigado por me chamar – eu disse passando a mão por meus cabelos tentando ajeitar o caos.

– Bem estamos em frente a praia, tem um restaurante de frutos do mar aqui em frente, pensei que podíamos almoçar lá e depois curtir um pouco na praia, o que acha? – ele me perguntou.

– Bem, eu não estou me sentindo muito bem, acho que vou passar o resto do dia só deitada aqui, eu prometo que a noite eu já estarei bem pra sairmos juntos, mas agora eu só quero ficar quietinha aqui – eu respondi.

– Ok, mas qualquer coisa me chama. Não vou muito longe, vou ficar na praia nessa direção aqui mesmo – ele disse e foi até onde estava sua prancha de surf e a pegou e saiu do trailer, se fosse em outro momento ele não sairia sem me dar um estralado beijo na bochecha, mas ainda bem que ele não fez isso, porque depois de tê-lo beijado de verdade ontem, eu só me sentiria pior se ele continuasse me tratando daquela maneira carinhosa, mas não gostando de mim da mesma maneira que eu gostava dele.

Levantei do sofá e fui até o frigobar e peguei uma garrafa de suco de laranja e servi um copo pra mim. Depois fiz ovos com bacon e algumas torradas, liguei a TV e comecei a comer, deixei em um desenho idiota, porque tudo que eu não precisava era ver nenhum casalzinho romântico em nenhum programa ou filme imbecil.

Estava terminando de comer quando meu telefone tocou, olhei no visor e vi que era Esme.

– Alô – atendi a ligação.

– Ei querida, como vocês estão?

– Bem – eu respondi.

– Liguei no celular do Edward, mas está desligado.

– Acho que ele está mantendo ele desligado Esme, quer se desligar de tudo mesmo. – eu respondi.

– E ele está aí? Está bem? Estou com tantas saudades – ela disse e a ouvi fungar, ela com certeza tinha começado a chorar, e era tudo que eu não precisava agora, porque eu já tinha chorado demais hoje e se eu fosse ouvi-la chorando eu acabaria chorando junto.

– Ele está na praia, mas ele está bem sim e tenho certeza que ele também está com saudades.

– E porque você não está com ele? Em que cidade estão? – Esme me fazia tantas perguntas, e apesar de amá-la muito, e considerá-la como uma tia minha, eu não estava afim de muito papo hoje.

– Bem eu não estou me sentindo muito bem, por isso preferi ficar no trailer, e nós estamos em Savannah na Geórgia. – eu respondi.

– O que você tem querida? Se precisar de qualquer coisa vá ao médico Bella – ela disse com a voz preocupada.

– Ah Tia Esme acho que são só problemas femininos mesmo – eu menti, porque eu não iria contar pra minha futura ex-sogra que eu estava me sentindo mal pelo fato do filho dela ter me dispensado e por mais batido que fosse isso, eu estava sofrendo de amor.

– Você levou seu remédio de cólica? Você sabe que sempre sofreu muito com isso.

– Eu sei, mas já tomei o remédio, acho que daqui a pouco eu já vou estar melhor – eu menti de novo.

– Então está bem Bells, descanse e se cuide, cuide do meu filho também e diga que eu o amo muito, e pra ele ligar pra mim pelo menos rapidinho, pois eu, Alice e Carlisle estamos com muitas saudades.

– Ok, eu digo sim. Mande um beijo pra todos aí, inclusive pro meus pais e o Seth.

– Pode deixar, e qualquer coisa que precisarem não hesitem em ligar, um beijo querida.

– Ok, um beijo, tchau – eu disse e encerrei a chamada. Peguei as louças que tinha sujado e as coloquei na lavadora, tinha que esperar juntar mais louças pra colocar a máquina pra funcionar.

Peguei meu notebook, porque hoje mais do que nunca eu precisava escrever eu havia ido da pessoa mais feliz do mundo devido ao lindo momento que vivi com Edward ontem a noite a pessoa mais infeliz depois de ter sido rejeitada por ele hoje de manhã.

Entrei no blog e vi que o número de visitantes tinham aumentado, bem talvez tivesse alguém que pudesse me aconselhar, ia ser bom isso, ainda mais vindo de uma pessoa desconhecida, que não opinaria levando o fato de conhecer nós dois. Mas pra que também eu queria um conselho? Tudo que eu tinha pra fazer era me conformar que eu tinha levado um fora.

...

Depois de passar quase duas horas escrevendo contando a minha ida do céu ao inferno, podia parecer exagero, mas realmente essa coisa de amar sem ser amado não era nada divertido, se eu ria antes quando via as mulheres nos filmes se acabando em um pote de sorvete, agora eu era totalmente capaz de entender, tudo que eu queria agora era um pote de sorvete. Como não havia um pote de sorvete no frigobar resolvi voltar pro meu sofá e dormir mais um pouco, quem sabe eu acordava mais bem disposta, porque afinal de contas eu ainda era a melhor amiga do Edward e tinha que estar com ele, ele não tinha culpa de ter uma amiga retardada que confundiu tudo.

...

Eu só podia estar sonhando, pois eu havia visto Edward me dando um selinho e afagando meu rosto enquanto eu dormia, mas com certeza devia ser sonho.

– Bells acorda – escutei a voz de Edward, agora eu sabia que estava mesmo sonhando.

– Hã... oi – eu disse me espreguiçando no meu sofá.

– Está tudo bem? Você dormiu o dia inteiro, você comeu alguma coisa? – ele perguntou com a expressão preocupada, tudo que eu não precisava agora era que Edward ficasse preocupado comigo, se estressar não faria nada bem pro seu estado de saúde.

– Eu estou sim, só estava cansada, e fique tranqüilo eu comi – eu disse esboçando meu melhor sorriso, mesmo que fosse apenas superficial, eu ia me esforçar pra continuar sendo a Bella de sempre pro meu melhor amigo. – Então qual a programação pra hoje a noite e que horas são? Estou meio perdida.

– São 18 horas e bem estive me informando e há um restaurante pirata perto do cais principal, ele é temático, dizem que tudo lá lembra a época da invasão dos corsários piratas, já que você gosta tanto de Piratas do Caribe pensei que você podia gostar – ele disse rindo. Merda, ele ficar pensando em coisas que eu gosto não me ajuda a me sentir melhor, só me faz amá-lo mais e faz com que doa mais ainda ser rejeitada.

– Eu vou adorar, obrigada por lembrar que eu curto essas coisas – eu disse sincera.

– Então eu também andei me informando e aqui na cidade tem um roteiro turístico bem diferente – ele deu aquele sorriso torto, e eu tive que me controlar para não pular em cima dele e beijá-lo.

– Que tipo de roteiro? – eu perguntei tentando me concentrar no assunto em questão, tentando dissipar as imagens de nós dois nos beijando ontem da minha mente.

– É um passeio de madrugada que passa por um cemitério, casarões antigos, ruas e bairros com fama de mal assombrados. Dizem que tem aquele clima de mistério e suspense, parece ser bem legal e eu fiquei muito a fim de fazer – ele disse com os olhos brilhando, estava ali algo em que nossos gostos não eram parecidos porque eu morria de medo dessas coisas e preferia me abster, já Edward sempre adorou a adrenalina que esse tipo de coisa lhe proporcionava.

– Edward você sabe que eu não sou fã dessas coisas assustadoras, eu vou sofrer parada cardíaca se for em um cemitério de madrugada.

– Ah Bells, por favor. Eu vou estar o tempo todo com você e não vou soltar a sua mão – ele segurou minhas mãos entre as suas. – Por mim, por favor – ele deu o sorriso torto e me lançou aquele olhar verde brilhante, como eu podia dizer não? Ainda mais o amando da maneira que eu o amava, apesar de ter levado um fora parece que esse amor só vai crescer, agora mesmo com ele fazendo essas coisas eu sinto que ele já cresceu um pouquinho.

– Ok Edward, eu vou com você. Mas se eu fizer xixi na roupa e chorar como um bebê você não vai poder me abandonar e ficar com vergonha de mim – eu disse.

– Eu jamais teria vergonha de você Bells, muito pelo contrário – ele levou uma das suas mãos ao meu rosto e afagou as costas de sua mão em minha bochecha. Ai eu acho sacanagem, está praticamente sapateando em cima dos meus sentimentos.

– Bem, vou tomar um banho – eu disse me afastando da sua mão, ok eu queria continuar sendo a melhor amiga do Edward independente de qualquer coisa, mas eu precisava de pelo menos uma semana sem muito contato pra que eu pudesse tentar guardar no fundo da minha memória como era ser beijada de verdade por ele, como era bom dar um amasso nele, bem eu e Jacob não dávamos muitos amassos, porque eu não dava muito essas liberdades pra ele, já com Edward se ele quisesse eu tinha me entregado a ele ontem mesmo, porque eu queria fazer isso com uma pessoa que eu amasse de verdade, e eu sabia que essa pessoa era o Edward, será que havia alguma chance de eu conquistá-lo ou eu só devia esquecer? Ah quem eu quero enganar, não há chances nenhuma de eu fazer algo pra conquistá-lo, ele me conhece desde sempre, conhece todos os meus defeitos e qualidades, não a nada que eu possa fazer ou enaltecer minhas qualidades, pois Edward me conhecia melhor do que todo mundo, se fosse pra ele me amar, isso já teria acontecido.

– Vou preparar um lanche pra gente – ele disse enquanto eu pegava minhas roupas e me apressava pro banheiro e eu apenas assenti.

...

– Você está linda – Edward disse quando eu saí do banheiro usando uma saia jeans e uma batinha branca, os cabelos lavados e soltos.

– Obrigada – eu disse e desviei o olhar, eu preferia não receber mais elogios do Edward, isso poderia me iludir e eu já estava iludida o suficiente. – O que você fez? Porque o cheiro está muito bom.

– Nada demais, suco de morango e um sanduiche com aquele meu molho especial, que você adora, mas que eu nunca vou te contar o segredo – ele deu o meu sorriso torto.

– Um dia eu vou arrancar isso de você, eu também tenho minhas armas – eu disse e o sorriso torto em seu rosto passou por um sorriso sexy e logo sumiu sem graça e ele começou a comer seu sanduiche. Edward só podia estar querendo me enlouquecer, se eu ainda pudesse conversar com ele sobre o que tinha acontecido entre nós dois, mas não, ele só me pediu pra esquecer, pelo menos ele não disse que foi um erro, ou agora seria realmente impossível que eu estivesse inteira.

...

Fizemos o nosso lanche em silêncio, terminei primeiro e fui escovar os dentes logo pra liberar o banheiro pra que Edward tomasse seu banho, assim que sai ele entrou e eu fui fazer um make básico, só pra ver se eu mesma me alegrava me vendo no espelho, porque se fosse pra eu me arrumar pra alguém, essa pessoa seria alguém que não quer me ver com outros olhos.

...

Estava distraída vendo a TV depois de já estar pronta e inevitavelmente olhei pra porta do banheiro quando a ouvi abrindo, só que dessa vez me surpreendi com Edward saindo de lá apenas enrolado em uma toalha branca, ele sempre saia vestido. Eu queria gritar: EU SEI EDWARD QUE VOCÊ NÃO ME AMA COMO EU TE AMO, MAS NÃO PRECISA ENFIAR A FACA NA FERIDA DESSA MANEIRA.

Se antes eu sempre ficava babando pelo Edward, mas achava errado por sermos tão amigos, agora que eu descobri que eu sou irrevogavelmente apaixonada por ele eu devo estar até babando, literalmente.

– Desculpa de sair assim Bells, é que esqueci de pegar minhas roupas, eu já vou pegar e vou pro banheiro me trocar.

– Hã... Hum – eu murmurei ainda atordoada meus olhos vagueando por aquele corpo perfeito, eu queria beijar cada pedacinho do peito do Edward, daquele jeito que estava ali, ainda meio úmido, eu iria sugar cada gotinha que ainda estivesse escorrendo. Pronto, agora virei uma pervertida pelo melhor amigo também, ele só quer a sua amizade Bella, coloca isso na sua cabeça – esse era meu novo mantra.

– Tudo bem Bells?

– Hã, sim. – eu me levantei do sofá de repente e Edward deu até um passo pra trás, será que ele achava que eu ia agarrá-lo? Claro que não, eu não queria ser rejeitada de novo – Troca de roupa aqui que é melhor, eu vou pro banheiro ai quando você estiver pronto me chama. – nem dei tempo dele responder, entrei no banheiro fechei a porta e me encarei no espelho, eu iria chorar, eu tentava guardar a dor só pra mim, mas não estava dando.

– Respira Bella, respira – eu repeti baixinho pra mim mesma. Ouvi uma música do Bon Jovi começar a cantar super alto, provavelmente Edward tinha desligado a TV e ligado o seu i-pod no sistema de som do trailer.

Eu sabia que não podia fazer isso, mas acabei não resistindo, aproveitei que ele estava provavelmente distraído com a música alta e abri uma gretinha da porta. Ele estava de costas para onde eu estava, e ainda estava com a toalha enrolada na cintura. Fiquei observando ele ir até as suas coisas e pegar sua roupa ele colocou sobre a cama e ficou de novo de costas pra mim, eu sei que é totalmente errado isso, mas pra me torturar ainda mais eu estava louca pra que ele tirasse a toalha.

– It’s my life. It’s now or never – ele estava cantando quando arrancou a toalha e a jogou sobre a cama. Sim é a primeira vez que eu vejo a bunda do Edward, e depois de já tê-la apertado quando passamos o fim de semana em Harvard eu podia comprovar o porque, ele tinha um bumbum muito bonitinho, eu queria ir lá agora e apertá-lo de novo como fiz em Harvard.

Droga olha o que eu estava pensando. Fechei a porta rapidamente e me encarei de novo no espelho.

– Você é uma idiota Bella, não adianta você ficar sonhando com ele – eu dizia baixo pra mim mesma – Ele disse “esquece o que aconteceu ontem, vamos fingir que nada aconteceu”. Não significou nada pra ele só pra você, coloque isso na sua cab...

– Bella pode sair – Edward bateu na porta do banheiro interrompendo meu diálogo. Destranquei a porta e vi que ele tinha colocado uma blusa branca gola pólo e uma bermuda jeans.

– Esqueci de te dizer que sua mãe ligou hoje a tarde no meu celular, ela está com saudades e te mandou um beijo – eu disse.

– Também estou com saudades de todos – ele disse.

– Edward não querendo me meter muito, mas eu acho que você podia ligar alguma hora aí, nem que seja rapidinho eu sei que você falou que queria se isolar e que se tivesse deixado seu celular ligado, eles provavelmente te ligariam de 10 em 10 minutos, mas eu acho que você ligar só pra falar que está bem e que também sente a falta deles não vai atrapalhar sua viagem.

– Ok, eu prometo que amanhã eu ligo Bells – ele pareceu hesitante, mas depois se aproximou e deu um beijo na minha testa – Está pronta?

– Só preciso calçar meu all star, depois que formos nesse restaurante pirata nós já vamos pra esse roteiro macabro? – perguntei pegando meu all star.

– O grupo que vai sair pro roteiro vai sair meia noite e meia de um ponto há mais ou menos uma quadra do restaurante pirata, agora são quase 8 da noite, acho que já podemos ir de uma vez, damos uma volta pela cidade também, podemos ir caminhando para o restaurante, não é tão longe.

– Ok – eu disse terminando de calçar meu all star – Agora é só pegar meu i-phone, você já pegou dinheiro?

– Sim, estamos prontos para ir – ele pareceu hesitar por um momento e depois estendeu a mão pra mim, eu respirei fundo e segurei sua mão, bem se era pra fingir que nada aconteceu, nós devíamos continuar agindo como antes e se ele era capaz eu também tinha que ser.

...

Caminhamos algumas quadras até o restaurante pirata que era no cais, durante o percurso Edward foi me contando como tinha sido seu dia na praia e me dizendo que estava pensando que já podíamos viajar pra Atlanta amanhã a noite, eu apenas concordei, eu queria chegar a uma capital mais agitada como Atlanta para me jogar a noite inteira em uma pista de dança de alguma boate, eu tinha certeza que isso iria me fazer espairecer um pouco.

– Que lugar legal – eu disse olhando a edificação do restaurante pirata, era como estar em um filme dos Piratas no Caribe – Quero uma foto nossa de cara aqui em frente a essa entrada e tem que pegar as bandeiras piratas – eu disse animada pegando meu i-phone.

– Vai lá que eu tiro sua – ele disse estendendo a mão para pegar meu i-phone.

– Nada disso quero nós dois na foto, espere que vou dar um jeito nisso – eu disse indo até o segurança que ficava na porta. – Boa noite senhor, desculpe incomodar, mas será que você pode tirar uma foto minha e do meu amigo aqui em frente? – eu pedi.

– Claro, sem problemas – o senhor que aparentava já ter uns 50 anos com alguns cabelos grisalhos respondeu solícito. Entreguei meu i-phone pra ele e Edward e eu nos posicionamos pra foto, passei os braços ao redor de sua cintura e ele colocou o braço por cima dos meus ombros, ali naquele momento éramos apenas o Edward e a Bella melhores amigos de novo, sem o peso que a minha paixão pra ele tinha trazido do dia para a noite.

Agradecemos ao senhor e entramos para o restaurante e o mais legal é que as músicas que tocavam eram de piratas e todos os funcionários também estavam vestidos a caráter.

Sentamos em uma mesa em formato de timão, que dava até pra girar, inclusive como eu fiquei girando sem parar após nos sentarmos, Edward teve que ameaçar me pegar dali e me jogar no mar gelado ali em frente se eu não parasse.

– Eu quero alguma bebida que vem nessas canecas de piratas – eu disse pro garçom totalmente empolgada.

– Vocês têm idade pra beber? – o garçom perguntou – Posso ver a identidade?

– Claro – Edward foi quem respondeu e pegou a identidade falsa dele e minha e mostrou pro garçom.

– Bem, sendo assim eu sugiro uma cerveja especial da casa – o garçom disse.

– Vem na caneca?

– Sim – o garçom disse contendo o riso provavelmente ele estava me achando uma retardada, mas eu realmente estava adorando aquele lugar.

– Então traz duas, por favor, enquanto isso nós vamos decidindo o que vamos pedir pra comer – Edward disse dispensando logo o garçom da nossa mesa

– Você fica linda assim, igual uma menininha que está a primeira vez no parque de diversões – Edward segurou minha mão sobre a mesa, ele começou a fazer círculos com seu polegar nas costas da minha mão e eu travei, estou começando a achar que Edward me odeia por fazer isso comigo, porque ele não estava tendo consideração nenhuma, será que ele não percebia que pra ele ontem não tinha significado nada, pra mim tinha significado tudo.

– Edward eu acho realmente que nós devíamos conv.... – eu estava dizendo quando nosso garçom pirata chegou praticamente jogando a bandeja com as cervejas sobre a mesa, bem no clima de piratas mesmo.

– Aproveitem – ele disse e eu apressei em soltar a mão de Edward, peguei minha caneca e a virei de uma vez só, Edward me olhou com os olhos arregalados, mas eu ignorei, era melhor eu beber do que tentar conversar com ele e tomar o fora de novo.

– Devagar pirata – ele disse rindo quando eu coloquei a caneca vazia sobre a mesa e fiz sinal pra que o garçom trouxesse mais uma.

– Eu estava com sede – eu disse simplesmente.

– Então bebe água, porque não é ficando bêbada que você vai escapar de fazer aquele roteiro hilário comigo – ele disse rindo.

– Prometo que vai ser só mais essa, e é bom que vou ficar mais corajosa se tiver um pouco de álcool em meu organismo – eu disse a mais pura verdade, eu estava indo nisso só por causa do Edward, porque eu realmente morria de medo dessas coisas, eu estava com medo de ficar com tanto medo e ter uma crise descontrolada de choro.

– Vai ser divertido e eu vou estar com você o tempo todo – Edward disse em um tom de promessa.

– É porque tenho essa certeza que estou indo – eu apenas afirmei.

...

Comemos diferentes frutos do mar no nosso jantar, e ficamos conversando e depois uma comédia de stand up com piadas só sobre piratas começou, eu tinha que me segurar pra não rolar no chão de rir.

– Vamos andando Bells? – Edward perguntou após termos pagado nossa conta no restaurante, eu acabei comprando uma caneca pirata pra mim e ainda tirei foto com os garçons piratas, agindo bem como uma turista mesmo.

– Ainda bem que eu estou meio altinha por causa daquela cerveja pirata se não eu ia voltar correndo pro trailer, só você mesmo pra me enfiar em um cemitério a uma hora dessas – eu disse.

– Vai ser divertido, você vai ver, anda logo – ele segurou minha mão e saiu nos guiando em direção onde encontraríamos o grupo que iria para esse roteiro mórbido.

...

Quando chegamos ao local haviam mais 12 pessoas que fariam o roteiro, e mais dois homens com cara de psicopatas eram os guias. Eles orientaram que cada um devia escolher uma dupla e em que nenhum momento nós perdêssemos a nossa dupla, claro que a minha dupla era o Edward.

Estávamos no portão de um antigo cemitério da cidade, que diferente dos cemitérios mais novos, não era apenas gramado e com as placas dos túmulos, cada túmulo era uma verdadeira construção. Como os túmulos eram bem altos, havia vários lugares onde as sombras deixavam o local totalmente escuro.

– Aqui está – um dos guias psicopatas entregou uma lanterna pra Edward.- Se vocês se perderem do resto do grupo não se preocupem, nós damos um jeito e encontramos vocês.

– Edward tem certeza mesmo que quer fazer isso? – eu perguntei enquanto os psicopatas empurravam os portões do cemitério, só o ranger dos portões me fez ter um arrepio na espinha.

– Ei – ele disse segurando meu queixo com a mão livre e levantando meu rosto para que o encarasse – Eu não vou sair do seu lado, eu vou sempre estar com você – ele me fitou com aqueles olhos verdes que preciso dizer que eu o amava um pouco mais, eu queria beijá-lo agora, eu tinha certeza que isso me deixaria bem mais tranqüila.

– Edward – eu não pensei em mais nada e o abracei apertado, enterrei meu rosto em seu peito.

– Ei se você realmente achar que não vai dar conta nós desistimos agora mesmo – ele afagou meu cabelo.

– Não, está tudo bem – eu disse me soltando dele – Eu só precisava disso mesmo pra me sentir melhor.

– Ah Bells... – ele afagou meu rosto e depois tirou a mão rapidamente – Me da aqui a sua mão e não solte a minha por nada – ele entrelaçou nossos dedos. Porque Edward não podia me amar como eu o amava? Nós dois éramos perfeitos juntos, como peças de um quebra cabeça que se encaixavam.

O psicopata começou a nos guiar por entre as tumbas e a cada momento eu ia apertando mais a mão de Edward, um corvo fez um barulho no cemitério e eu estremeci e me agarrei a Edward e foi inevitável que um grito escapasse.

– Só um corvo, fica calma – Edward pegou minha mão e levou aos seus lábios e plantou um beijo ali.

Eu respirei fundo e continuamos caminhando, o guia psicopata às vezes parava diante de algumas tumbas e contava a história de quem estava enterrado ali, claro que ele escolhia assassinos, pessoas atormentadas por maus espíritos durante toda a vida que acabaram suicidando, claro que o meu medo só ia aumentando, vai que esse povo que morreu dessa maneira tão trágica queria voltar pra perturbar os vivos. Minha mãe já disse Bella quem faz mal são os vivos, não os mortos, mas vê se eu consigo pensar nisso dessa maneira estando em um cemitério de madrugada.

Passei vários sustos durante o trajeto do cemitério, a última tumba pra mim foi a pior, porque era uma construção onde se podia entrar, e claro que os psicopatas nos fizeram entrar, eu quase desmaiei quando um morcego saiu voando lá de dentro, pelo menos eu não fui a única, todas as mulheres do grupo gritaram também.

Agora estávamos andando por um beco escuro pra chegar a uma casa que segundo o guia era de um daqueles caras que tinham se suicidado que estava enterrado lá no cemitério. Se eu não amasse tanto Edward e não estivesse apreciando tanto o cuidado dele comigo, e a mão dele entrelaçada a minha eu juro que já teria desistido desse roteiro maldito.

– É aqui – o psicopata disse parando em frente a um casarão bem antigo e que parecia estar caindo aos pedaços, a casa ficava isolada no fim de uma rua e havia uma mata atrás.

– Que roubada – eu murmurei baixo entre dentes.

– O que você disse Bells? – Edward perguntou.

– Nada demais, vamos lá – eu fingi uma animação.

Entramos na casa e teias de aranha estavam por todos os lugares, o piso de madeira rangia a cada passo que dávamos e eu já estava começando a sentir meu coração sair pela boca, a única coisa que iluminava eram as lanternas. O grupo estava como um bolinho todo mundo com muito medo, podia ser impressão minha mais eu ouvia alguns sussurros que não eram os nossos. Começamos a subir a escada que parecia que iria desabar a qualquer momento, entramos em um longo corredor no segundo andar, todos estavam tensos a medida que íamos caminhando o medo ia aumentando, pelo menos pra mim, de repente ouvimos um grito agudo de dor vindo do fim do corredor, e todos começaram a correr no sentido o contrário, Edward acabou soltando a minha mão e eu apenas sai correndo também, virei em outro corredor a esquerda e me encostei na parede quando pensei estar segura, a parede era falsa, ela girou e eu acabei indo parar em outro cômodo, sozinha e no escuro, comecei a gritar e a chorar desesperadamente.

– BELLA – eu escutei a voz de Edward me procurando – BELLA

– EDWARD – eu gritei, comecei a tatear a procura de um interruptor, mas não encontrei.

– Bella – Edward chamou de novo a voz mais próxima.

– Aqui Edward – eu gritei e uma porta que eu não tinha visto antes se abriu e Edward entrou com a lanterna iluminando o ambiente que só agora eu percebi que era uma biblioteca.

– Desculpa Bells, desculpa – ele me abraçou forte – Eu não devia ter te trago pra cá, eu sei que você não gosta dessas coisas – ele afagava meu rosto tentando secar minhas lágrimas, mas agora com Edward ali parece que a tensão dos últimos minutos explodiu ainda mais e eu comecei a chorar incessantemente. – Calma, eu estou aqui – ele segurou meu rosto entre suas mãos.

– Des...culpa – eu pedi pelo meu descontrole.

– Shiiiii – ele disse e grudou seus lábios nos meus, na hora eu fiquei paralisada por não estar esperando, primeiro ele me manda esquecer e agora por iniciativa dele ele me beija. Seus lábios tentavam entreabrir os meus, ele passou os braços por minha cintura e colou seu corpo no meu, nesse momento eu parei de tentar entender e simplesmente o beijei de volta, eu queria aproveitar, por mais que o significado e a importância desse beijo pra ambos fosse diferente. Eu o amava, talvez ele pudesse me amar de volta da mesma maneira e não apenas como sua melhor amiga.

– Ah... ai estão vocês – jogaram a lanterna em cima de nós dois que nos desgrudamos no mesmo momento, nós nos encaramos sem graça e depois para o guia psicopata que agora eu queria matar mais do que nunca.

– Eu me perdi – eu disse.

– Ok, o resto do grupo já está do lado de fora esperando vocês – o psicopata disse meio desconfiado, nós o seguimos para fora daquele casarão maldito, mas que no fim das costas tinha me dado a oportunidade de pelo menos mais uma vez sentir o beijo de Edward, por mais que eu achasse que ele tinha feito aquilo só pra acabar com minha histeria.

O guia disse que ainda visitaríamos dois locais, e eu olhei pra Edward pedindo clemência.

– Bem, nós paramos por aqui – Edward avisou ao guia e lhe entregou a lanterna.

– Obrigada – eu agradeci sincera.

– Vem, vamos embora – ele estendeu a mão e eu segurei sem hesitar.

...

Viemos durante todo o caminho até o trailer em silêncio, provavelmente Edward estava arrependido por ter me beijado, bem eu não estava, mas eu também não podia deixá-lo ficar se martirizando por causa disso.

– Bella nós temos... – ele começou a dizer quando nós já estávamos no trailer, mas eu resolvi poupar seu trabalho de me dar o fora de novo.

– Não precisa dizer de novo que é melhor esquecer o que aconteceu Edward, está tudo bem – eu disse, ele me olhou assustado, com o que eu tinha dito? Talvez, não sei. – Vou tomar uma ducha agora, porque quero tirar esse cheiro de cemitério de mim. – eu disse e peguei meu pijama, uma lingerie e entrei no banheiro.

Tirei aquela roupa que eu iria jogar fora assim que saísse daqui porque eu não queria essas roupas de cemitério, abri o chuveiro e deixei que a água me ajudasse a relaxar. Algumas lágrimas começaram a descer por meu rosto, havia sido maravilhoso beijar Edward de novo, mas agora que toda a pressão já havia passado eu começava a me sentir mal, não pelo beijo, mas simplesmente por ele não ter sido especial pra ele como pra mim, eu não podia ficar beijando Edward assim, eu não agüentaria isso, eu sempre gostaria na hora, mas depois a rejeição iria me machucar, e isso não me ajudaria a ser a melhor amiga que o apóia em todos os momentos que veio pra essa viajem, eu ia acabar deprimida.

...

Sai do chuveiro e deitei em meu sofá e Edward pegou suas coisas e também foi tomar banho, peguei meu i-phone, coloquei meus fones e pus coldplay pra tocar.

...

Acordei com o barulho de algo caindo no chão, olhei pros lados meio assustada e vi Edward se levantado com uma frigideira na mão.

– Bom dia – ele deu aquele sorriso que iluminava o meu dia – Estou fazendo omeletes – ele sacudiu a frigideira.

– Bom dia – eu sorri pra ele – Espero que tenha caído a frigideira vazia no chão – eu disse rindo.

– Fui tirar ela do armário e ela caiu das minhas mãos – ele disse e se virou pra colocar a frigideira no fogão e percebi que suas mãos estavam tremendo, levantei da cama em um pulo e fui até ele e tomei a frigideira da sua mão e a coloquei em cima do fogão.

– Você está se sentindo bem? – eu perguntei segurando suas mãos, que estavam suando frio – Coloquei minha mão em sua testa e notei que ele estava febril. – Droga, o que está havendo? – comecei a sentir um aperto em meu peito.

– Eu estou bem Bells – ele puxou suas mãos pra longe das minhas – É porque ainda não tomei café.

– Você está febril Edward, cadê o termômetro? – perguntei.

– Vou pegar – ele disse de má vontade. Logo ele voltou com o termômetro na mão tirei o termômetro rápido de sua mão porque vi que ele continuava tremendo.

– Deita ali na cama, porque a melhor maneira de tirar a temperatura quando a pessoa se deita e fica quietinha – eu disse e ele obedeceu sem reclamar, porque quando o assunto era a sua saúde ele sabia que eu não brincava e não aceitaria ser contrariada. Acionei o termômetro e o coloquei na sua boca.

Por favor Deus, que não seja nada demais – eu clamei em silêncio.

O termômetro apitou e eu retirei dele e olhei o visor.

– 37, 5° C – eu disse – É apenas um estado febril, mas vamos abaixar logo essa temperatura pra que não tenhamos complicação.

– Já até parece a Dra. Swan falando – Edward disse rindo.

– Depois que a sua temperatura tiver normal você faz todas as suas piadas – eu disse séria, porque eu só voltaria a poder ficar com esse espírito esportivo na hora que Edward estivesse bem de novo – Entra no chuveiro, e nada de água quente. Vou fazer o café da manhã pra você comer assim que sair do banho e aí te damos um anti térmico, porque não pode ingerir remédio de estômago vazio e nada de demorar no banho – eu segurei sua mão pra que ele levantasse, ele levantou e foi pro banheiro – Não tranca a porta – eu avisei alto, se ele desmaiasse ou qualquer outra coisa, eu não podia perder tempo arrombando a porta.

– Ok – ele disse alto de dentro do banheiro.

Fritei as omeletes que ele já havia preparado e fiz um suco de laranja e coloquei cenouras, Edward odiaria, mas ele precisava fortalecer seu organismo. Estava procurando por uma caixa de biscoitos que nós dois gostávamos quando encontrei sua cartela de vitaminas e o que mais me espantou é que só 3 comprimidos haviam sido tomados.

– Droga Edward – eu murmurei, ele não estava tomando as vitaminas, essas vitaminas eram uma composição muito forte e Carlisle pagou caríssimo por elas porque eram especiais pra esse tipo de tratamento e eram importadas.

– Edward hora de sair – eu bati na porta e o ouvi desligando o chuveiro. Não demorou muito ele saiu do banheiro usando uma bermuda cinza e uma camisa branca.

– Acho que já estou melhor – ele disse e tentou esboçar um sorriso pra mim, mas eu estava brava demais com ele pra sorrir de volta. Como ele podia ter sido tão irresponsável não tomando as vitaminas?

– Senta que o café está pronto – eu disse servindo um copo de suco pra ele e colocando uma omelete em seu prato. Ele se sentou e tomou um gole de suco e fez uma careta – Sem reclamar – eu disse antes que ele reclamasse. Ele continuou comendo e eu estiquei meu braço e peguei a cartela de vitaminas que estava sobre a bancada e a coloquei em cima da mesa de frente pra Edward.

– O que você está fazendo com isso? – ele me perguntou.

– Porque você não está tomando as vitaminas? – devolvi com outra pergunta.

– Eu esqueço.

– Esquece? – eu questionei segurando a minha raiva, eu não podia viver sem esse idiota e ele não ajudava em nada, nem a si mesmo.

– Sim – ele balançou os ombros.

– Sabe porque eu topei vir nessa viagem? – questionei.

– Porque você é minha melhor amiga anãzinha – ele disse rindo, mas o sorriso desapareceu na hora quando eu lhe olhei com raiva.

– Também, mas porque eu quero te ajudar em tudo que for possível, quero cuidar de você e porque eu não posso ficar sem você, eu não esqueço Edward nem por um maldito minuto da sua doença e eu não esqueço porque eu não posso nem pensar na possibilidade de ficar sem você, porque eu me importo demais com você – eu disse e uma lágrima verteu do meu olho. – Agora parece que além de você não estar se importando consigo mesmo, você também não se importa com nenhuma das pessoas que estão sofrendo porque amam você e não querem de maneira nenhuma perder você.

– Bella – ele segurou minha mão sobre a mesa.

– Só me prometa que você vai tomar essas vitaminas todos os dias e em todos os horários que o médico recomendou.

– Eu prometo – ele levou a outra mão sobre minha bochecha e secou a lágrima.

– Termine de tomar seu café e se deite um pouco e não se esqueça da vitamina e aqui está o antitérmico – eu lhe entreguei o remédio e me levantei e comecei a arrumar a nossa pequena área de cozinha do trailer.

...

Edward acabou dormindo, peguei meu notebook e acessei meu blog, eu precisava escrever, tudo que tinha acontecido ontem, tudo que estava acontecendo hoje, o medo que eu estava sentindo por Edward estar febril e a raiva que eu senti ao descobrir que ele não estava tomando as vitaminas, raiva porque ele também deveria querer lutar para viver.

...

Acabei de escrever no blog e a cada dia eu me assustava por o blog ter mais acessos e havia até alguns comentários dizendo pra eu não desistir do Edward, eles achavam que aquilo era fantasia, na vida real era bem difícil fazer alguém te amar.

Guardei meu notebook e fui até a cama de Edward e coloquei a mão em seu rosto para checar sua temperatura. Fiquei tranqüila ao ver que parecia ter abaixado, mas assim que ele acordasse eu iria checar com o termômetro.

Peguei uma caneta e escrevi um bilhete dizendo que eu tinha ido providenciar nosso almoço e que não demoraria e que ele devia descansar, eu esperava ainda encontrá-lo dormindo quando eu voltasse.

Comprei nosso almoço em um restaurante que havia no próximo quarteirão, o almoço era bem saudável, muita salada, muito legume, carboidrato na medida certa e nada de excessos de gordura.

– Ei você foi a onde? – Edward me perguntou quando entrei no trailer, ele parecia estar acabando de acordar, o cabelo estava um caos.

– Comprar nosso almoço, deixei um bilhete. – eu disse e coloquei a comida sobre a bancada e fui pegar o termômetro – Se sente melhor? – perguntei me sentando ao seu lado na cama.

– Sim, e eu queria me desculpar, eu pensei e você tem razão, eu só fico pensando em mim, eu tenho que fazer tudo que estiver ao meu alcance, e eu não estava fazendo nem o mínimo que é tomar as vitaminas pra fortalecer meu organismo. Eu prometo me esforçar mais – ele disse e eu vi a sinceridade em seus lindos olhos verdes.

– Acredito em você – eu me inclinei beijei sua testa – Agora abre a boca e vamos ver essa temperatura de novo – eu disse e coloquei o termômetro em sua boca. O termômetro apitou e eu respirei aliviada por ele estar em sua temperatura normal agora. – Sem febre.

– Obrigada por cuidar de mim anãzinha – ele disse bagunçando meu cabelo.

– É pra isso que servem os amigos cabeção – eu disse mexendo nos seus cabelos também, não bagunçando porque eles já estavam mais que bagunçados – Agora vem almoçar. – eu o puxei.

...

– O que acha de darmos uma volta? – Edward perguntou depois do almoço – Eu já estou bem de verdade.

– Onde você gostaria de ir, recomendo que nada de entrar na praia hoje.

– Tem uma praça bem legal aqui, onde foi filmada Forest Gump.

– Sério? Que legal! Vamos sim.

– Então podemos ir dar uma volta lá e depois vamos na praia, eu não entro e você entra se quiser, afinal você não foi na praia ontem.

– Ok, vou me trocar então – eu disse e ele deu beijo na minha bochecha.

...

Estávamos na praça que ele havia falado e realmente era um lindo lugar para passar o tempo, compramos pipoca e ficamos ali conversando e zoando a cara um do outro um pouquinho, tiramos algumas fotos, pois segundo Edward eu queria registrar cada segundo da nossa viagem.

Depois passamos na praia e Edward ficou sentado na areia enquanto eu dava um mergulho, mesmo do mar eu nunca perdia meus olhos do dele e nem ele perdia os dele de mim.

...

– Edward tem certeza que está bem pra dirigir? Eu posso fazer isso – eu disse, era 11 da noite, íamos viajar agora pra Atlanta que ficava há umas 4 horas e meia de Savannah.

– Eu estou ótimo Bells pode ir dormir, qualquer coisa eu te chamo, pode ir dormir tranqüila – ele disse dando partida no trailer – Eu vou parar em um posto na estrada que tem um serviço exclusivo pra trailer, pra reabastecer além do combustível, reabastecer a água, e esvaziar alguns reservatórios – ele disse rindo. – Lá eles têm mangueiras especiais pra isso.

– Ok, mas qualquer coisa, qualquer coisa mesmo me chama – eu disse – Boa noite.

– Ei não se esqueceu de nada? – ele perguntou enquanto eu ia saindo da cabine de direção.

– Não que eu me lembre.

– Disso – ele levantou e me deu um beijo estralado na bochecha – Boa noite Bells – ele voltou pro seu lugar e eu sai da cabine atordoada. Edward, Edward você vai me deixar louca.


Notas finais
Não me odeiem mt. Realmente tem sido uma correria nesse fim de semestre. Espero que a espera tenha válido a pena.
Não deixem de comendar e recomendar essa fic.
Bjos e até o próximo