Everything Can Change All The Time
22 Capítulo 22 – Maryland and Delaware
Acordei e assim como todos os dias que Edward estava ansioso, o trailer já estava em movimento, acho que dirigir pra ele no silêncio era um momento pra dialogar consigo mesmo internamente. Pensar naquilo que na minha frente eu sabia que ele tentava ocultar.
Me levantei da cama e querendo dar o espaço que Edward necessitava segui para o banheiro pra tomar uma ducha, depois tomaria café e só então iria falar com ele.
...
- Hum minha dorminhoca, finalmente apareceu – ele sorriu quando me viu entrar na cabine de direção com os cabelos úmidos ainda devido ao banho, usando um shortinho jeans e uma camiseta azul clara.
- Bom dia meu amor – eu lhe dei um beijo na bochecha e me sentei na outra poltrona e passei meu cinto de segurança – Tomou café da manhã?
- Comi cereais, e você?
- Também, estava com preguiça de preparar algo mais elaborado. – respondi – Estamos muito longe?
- Não daqui no máximo umas duas horas nós estaremos lá. Coloca uma música pra gente. – ele pediu.
- Hummm... isso – eu disse e coloquei uma playlist do Nickelback pra tocar.
...
- Amor tem certeza que pegou o endereço correto com o Guto? – Edward me perguntou enquanto encarávamos o enorme portão a nossa frente. Nós sabíamos que os pais de Guto eram ricos, mas não tantos. Do portão só avistávamos um vislumbre da mansão ao fundo, era uma longa distância do portão até a casa, havia muitas árvores e o muro de mais de três metros em volta da propriedade confirmava que ali viviam pessoas que tinham muito porque se proteger.
- Sim, vamos tocar o interfone – eu disse e me aproximei e do interfone e vi que haviam duas câmeras de segurança próximo ao portão.
- O que deseja? – uma voz masculina imponente soou.
- Sou Isabella e o Guto está aguardando.
- Sobrenome? – perguntou.
- Swan – respondi, mesmo tendo a certeza que meu sobrenome não era muito de fazer abrir portas.
- Aguarde um momento que vou falar com o Sr. Gustavo. – o cara do outro lado disse.
- Quem é Sr. Gustavo? – encarei Edward que ainda tentava enxergar além do portão a nossa frente.
- Deve ser o Guto, Guto não é nome, deve ser apelido. – Edward balançou os ombros.
- Mas Senhor? – questionei.
- Vamos esperar pra ver – Edward disse e me puxou e me abraçou – Estou feliz por ter tempo de me despedir das pessoas que acho importante – ele disse baixinho.
- Você não está aqui pra se despedir do Guto, você não vai... – eu estava dizendo meus olhos já ficando marejados, quando ele me beijou.
- Shiiii, vamos só aproveitar com nosso amigo pirralho – ele disse beijando o topo da minha cabeça. De repente o enorme portão a nossa frente e começou a abrir. — Hum... acho que permitiram nossa entrada ele disse e segurou minha mão entrelaçando nossos dedos, o trailer tinha ficado estacionado na rua e espero que seja seguro, porque aqui parecia ser uma região bem isolada, nem vizinhos perto tinha.
Caminhamos e quando finalmente chegamos em frente a porta da gigantesca mansão, Edward e eu estávamos de boca aberta, porque não sabíamos que Guto era podia se dizer, milionário.
- Cabeção! Anãzinha! – o pirralho saiu de dentro da casa e correu na nossa direção, ele ia nos abraçar, mas depois parou. Esqueci da fase que os garotos passavam achando que não podiam demonstrar sentimentos.
- Deixa de ser bobo e vem aqui garoto – eu disse o puxei para um abraço e beijei sua bochecha. Em seguida Edward também lhe deu um abraço.
- Pensei que vocês já haviam se esquecido de mim – ele disse e eu vi que atrás tinha um senhor, que pelos trajes devia ser o mordomo.
- Como se eu pudesse esquecer o meu amigo de bagunças – eu disse rindo.
- Nossa vamos aprontar muito – Guto disse animado.
- Ei nada de nos meter em problemas vocês dois – Edward nos fitou.
- Sr. Gustavo chame seus convidados para entrar o almoço já será servido – o pingüim parado atrás de nós disse.
- Ok Louis – Guto disse – Vem gente, vou mostrar meu quarto pra vocês.
- Tudo bem Sr. Gustavo – Edward e eu dissemos juntos e rimos e Guto fez uma careta.
- Já falei pra esse pingüim de geladeira me chamar de Guto, mas ele parece que não entende.
Guto nos guiou pra dentro da casa e a cada cômodo eu me deslumbrava ainda mais.
- Podem me acompanhar até a sala de jantar, o almoço será servido – o tal do Louis apareceu de repente enquanto Guto nos mostrava seu quarto que era tipo o quádruplo do meu.
Edward e eu fomos em silêncio e chegando lá ficamos mais chocados ainda ao ver um lustre de cristal gigante, que parecia ser caríssimo, pendurado no teto em cima da mesa.
- Podem se sentar, já serão servidos – Louis disse e meio envergonhados Edward puxou a cadeira pra mim e nos sentamos lado a lado e Guto se sentou de frente pra nós, a mesa era gigante, mas só haviam a colocado pra três pessoas, então com certeza os pais do Guto não iriam almoçar conosco.
- Falou com seus pais que viríamos Guto? – Edward perguntou.
- Claro, até falei que vocês querem me levar em Delaware.
- E qual foi a resposta? – eu perguntei quando duas empregadas chegaram nos servindo. Aquilo foi totalmente estranho, porque por mais que Edward e eu não fôssemos pobrezinhos, também não éramos tão ricos pra ter todas essas regalias.
- Que querem conversar com vocês hoje a noite – Guto disse – Eles têm que fingir que se preocupam comigo.
- Guto eles não fingem, eles são seus pais, com certeza se preocupam de verdade – respondi.
- Fica tranquilo que vamos convencer seus pais a nos deixar levar você na viagem.
- Ok, então ATACAR, porque estou morrendo de fome – Guto disse e vi que Louis que estava parado um pouco mais afastado da mesa quase teve uma síncope com seu grito, segurei o riso e comecei a comer.
...
Depois do almoço Guto nos guiou pelo “quintal” da casa. Havia uma piscina gigante, sauna, ofurô, campo, e duas quadras, e claro havia também um pequeno lago.
Guto e Edward decidiram jogar tênis, Edward era ótimo em qualquer esporte, e Guto pelo que disse fazia aulas desde pequeno, aliás, ele fazia aula de tudo que é possível, seus pais pareciam querer ocupar qualquer tempo livre que o menino tivesse. Ele tinha 11 anos e já falava espanhol e francês fluentemente e agora estava estudando alemão, fez aulas de piano, violão, tênis, judô e natação.
Eu busquei duas garrafas de água com Louis e trouxe um protetor solar que Louis disse que Guto devia usar para ficar no sol.
Sentei em uma cadeira próxima a quadra pra observar o jogo. Estava sendo uma disputa difícil, apesar de ser pequeno Guto jogava muito bem.
Edward estava apenas há dois pontos na frente quando eles resolveram fazer uma pausa e eu lhes entreguei a garrafa de água.
- Não amor – eu disse tentando empurrar Edward que estava todo suado tentando me abraçar.
- Ah não vai se desfazer de mim – ele disse me abraçando e me beijando.
- Já chega gente vamos voltar a jogar – Guto disse e Edward me soltou.
- Guto me conta sobre as suas namoradas? – Edward perguntou enquanto os dois voltavam pra quadra.
- Como assim namoradaS? Guto é uma criança ainda – eu disse, mas eles me ignoraram.
- Ah são muitas, todas as garotas da escola me querem. Mas também eu sou muito gato – Guto passou a mão pelo cabelo e eu ri. – Não me decidi ainda. Você teve muitas namoradas antes da chata da Bella?
- Qual é pirralho? – eu reclamei.
- Acredite a Bella é a pessoa mais legal do mundo se comparada a minha ex namorada – Edward disse e logo me lembrei da idiota da Tânia.
- Bom mesmo você falar isso – eu disse alto enquanto Edward se preparava pro saque.
- Te amo — ele disse rindo e sacou forte, mas Guto correu e já mandou a bola pro outro lado.
...
No fim da tarde apesar da insistência de Guto pra que usássemos um dos 6 quartos de hóspede, Edward e eu voltamos pro trailer para tomarmos banho e descansarmos um pouquinho. Tínhamos combinado com Guto que de noite sairíamos com ele pra comer pizza e quando voltássemos provavelmente seus pais teriam chegado e conversaríamos com eles.
- Hummm está tão cheirosa – Edward disse depositando um beijo em meu pescoço enquanto eu sentei entre suas pernas na nossa cama, ele estava assistindo tv.
- Você também – eu me virei e dei um beijo em seu queixo, ele havia tomado banho primeiro.
- Amor será que os pais do Guto vão deixar ele viajar conosco? – Edward questionou – Eles devem ser milionários e não nos conhecem direito.
- Se tivéssemos uma índole duvidosa podíamos seqüestrar o pirralho – eu disse rindo.
- Pelo que eu percebi da ausência dos pais dele, ia ser até difícil pra eles encontrarem tempo pra pagar o resgate do filho – Edward disse.
- Não quero que sejamos pais ausentes assim – eu disse abraçando os braços de Edward que estavam em volta de mim e senti que ele se enrijeceu.
- Não encha sua cabeça de esperanças minha linda – ele disse beijando meu ombro. – Tudo que eu mais queria é que um dia pudéssemos ter uma família, eu tenho certeza que teríamos uma linda menina bagunceira igual você ou um garotinho esperto como eu – ele disse e eu ri baixinho tentando conter as lágrimas nos meus olhos – Mas a história não seguiu por esse lado, eu sei que quando você for mãe, será a melhor mãe do mundo – ele disse, eu nem conseguia me imaginar tendo um filho com alguém que não fosse Edward – Mas pelo visto não serei eu que terei o privilégio de ser o papai desse bebê. Por isso não se encha de esperanças, porque depois você irá sofrer mais – ele disse e eu estava aliviada de estar com as costas recostadas em seu peito e não estar vendo seu rosto neste momento ou eu iria desmoronar.
- Edward eu preciso ter esperança, no dia que eu não tiver esperança serei eu quem irá morrer – eu disse e ele apertou mais seus braços em volta de mim e apenas o silêncio permaneceu.
...
- Eu amo pizza de peperoni – Guto disse já no seu quarto pedaço, estava até com medo dele passar mal.
- Gostamos muito de você mesmo pirralho, porque essa não é a favorita da Bella, ela não abre mão de uma pizza havaiana pra qualquer pessoa.
- Exatamente – eu disse me servindo do meu segundo pedaço.
- Já arrumei minha mochila pra ir com vocês amanhã – Guto disse empolgado.
- Guto ainda temos que falar com seus pais – eu disse.
- Ah eles vão deixar, ele nem me vêem direito, nem vão sentir minha falta – ele balançou os ombros. Eu sabia que por mais que ele quisesse demonstrar que não estava nem ai pelo fato da ausência dos seus pais, ele se importava e muito.
...
- Ahhh eu disse que eles iam deixar – Guto pulou em cima de mim e de Edward. Havíamos conversado com os pais deles e eles disseram que não havia problemas, fizeram uma lista de recomendação e disseram que podíamos ligar caso ocorresse qualquer problema.
- Então amanhã você esteja a 7 horas da manhã lá no trailer pra viajarmos – Edward disse.
- Durmam aqui, é cheio de quartos vagos – Guto disse de novo, os pais dele também tinham nos convidado, mas nós preferíamos o nosso trailer, nos sentiríamos mais a vontade.
- Valeu pelo convite cara, mas vamos dormir onde já estamos acostumados mesmo, aproveite sua noite em sua cama macia, porque amanhã você vai encarar o sofá – Edward disse rindo.
- Ok, boa noite gente – ele disse e Edward e eu voltamos pro trailer.
...
- Amor vamos ficar duas noites com Guto dormindo aqui, então isso significa que não vamos poder ficar “muito juntos” – Edward disse voltando do banheiro usando só o shortinho sexy de dormir, aquele shortinho era o meu fim.
- Eu a cada dia te conheço um pouquinho mais, eu não sabia desse seu lado maníaco sexual – eu disse rindo.
- Nem eu sabia – ele disse e puxou minhas pernas me fazendo ficar deitada na cama – Mas acho que devíamos aproveitar hoje a noite – ele disse colocando seu corpo por cima do meu, coloquei meus braços ao redor de seu pescoço e afaguei sua nuca e ele fechou os olhos por um instante apenas recebendo o carinho.
- Acho que vou concordar com você – eu toquei meus lábios nos seus suavemente. A mão de Edward deslizou por minha coxa e sua boca devorou a minha com tanta ansiedade que era difícil pra eu respirar.
- Linda – ele mordiscou o lóbulo da minha orelha enquanto me livrava da minha já pouca roupa. – Amo você Bella.
- Também amo você – eu disse e o surpreendi girando nossos corpos aproveitando sua distração e ficando em cima do seu corpo.
...
- Eu vou de co-piloto – Guto extremamente folgado já sentou na poltrona ao lado de Edward que já estava na direção – Mulheres aqui não auxiliam em nada.
- Que garoto mais machista e abusado – eu disse dando um tapa em sua cabeça.
- Não é a verdade Edward? – Guto questionou e eu dei meu melhor olhar mortal pra Edward pra que ele não concordasse com isso.
- Hum... não sei de nada – Edward respondeu se apressando em dar partida.
- Tchau Bella – Guto acenou pra mim.
- Vai ter volta – eu disse e fechei a porta e me joguei na cama enquanto o trailer já estava em movimento uma música do Gun’s começou a tocar. Guto, aquele pestinha.
Ia aproveitar aquele tempo pra colocar a conversa em dia com minha mãe, peguei meu i-phone e liguei pra ela que atendeu no primeiro no toque.
- Bebê – minha mãe disse, eu sinceramente acho que as mães podiam parar de chamar os filhos de bebê quando eles já eram capazes de fazer bebês.
- Oi mãe, tudo bem?
- Tudo e com vocês? Esme me contou sobre os últimos exames, como vocês estão?
- Ah mãe, Edward prefere fingir que nada está acontecendo e agir como se estivesse tudo bem, e na verdade eu prefiro vê-lo assim, do que vê-lo prostrado na dor.
- Onde vocês estão?
- A caminho de Rehoboth em Delaware.
- Carlisle viajou hoje cedo, ele disse que vocês não vão demorar a voltar.
- Bem depois nós vamos pra Nova Iorque, Boston, Chicago e voltamos pra casa e aí eu não sei o que vai ser das nossas vidas mãe. Pelo menos enquanto estamos viajando eu me sinto como se tudo ainda estivesse normal, por mais que Edward esteja a cada dia mais aparentando estar doente.
- O que está acontecendo com ele?
- Ele sempre fica febril a noite, está tendo sangramentos na gengiva e ele acha que eu não reparei, mas seus olhos estão amarelados e sua pele também, provavelmente está ficando anêmico também. E ontem ele jogou tênis a tarde toda e diferente de antes quando ele mesmo depois de horas gastando energia ainda tinha disposição, ele ficou muito cansado, e ouvi seus murmúrios de dores musculares.
- Filha eu nem sei o que te dizer, você vai ter que ser forte pra quando chegar o momento de se despedir – ela disse e aquilo foi como uma adaga atravessando meu peito, eu senti queimando, doía de verdade. Todo mundo estava perdendo as esperanças, todos já estavam começando a se conformar, mas eu não. Eu não podia perdê-lo.
- Mãe... – eu disse soluçando e limpando minhas lágrimas – Se ele morrer eu morro junto, eu não vou agüentar.
- Bella não diz isso filha – minha mãe disse alto do outro lado, mas eu não queria mais conversar, nem ela mais tinha esperanças de que Edward iria viver.
- Mãe depois nos falamos, tchau – eu encerrei a chamada sem lhe dar tempo de responder e abracei o travesseiro de Edward sentindo seu cheiro e lembrando de cada momento especial que tivemos juntos até hoje, era inevitável não pensar, minha mente fazia isso automaticamente.
...
- Ei minha preguiçosa, acorda – senti os lábios de Edward em minha bochecha.
- Hum... já chegamos? – perguntei abrindo os olhos e o vi sentado na cama.
- Sim e eu prometi umas aulas de surf pro Guto, o moleque já até está lá fora. Disse que ia se alongar.
- Vou colocar o biquíni e encontro com vocês lá – eu disse vendo que ele já estava usando só uma bermuda.
- Não demora amor – ele me deu um selinho e saiu do trailer. Sentei na cama e peguei meu celular e vi que haviam várias chamadas da minha mãe, mas eu não estava afim de falar agora.
Me levantei da cama e fui trocar de roupa, porque eu queria aproveitar o dia pra aliviar minha mente.
...
- Que gata – Guto disse e assoviou e Edward deu um soco em seu ombro.
- Respeita a minha namorada – Edward veio até mim e me abraçou e me deu um beijo. – Está linda – ele disse e me deu mais um beijo. Eu estava usando um biquíni azul marinho com alguns detalhes brancos e um short jeans bem curtinho e com um óculos ryban do Edward.
- Você também – eu dei um beijo em seu queixo e o abracei.
- Então será que minhas aulas vão rolar ou não? – Guto interrompeu.
- Se prepara pirralho porque vai ter que ralar pra conseguir ficar nem que seja 10 segundos em pé naquela prancha. – Edward disse indo ao encontro de Guto. Peguei uma toalha e a forrei no chão, tirei meu short jeans e me deitei, eu já havia passado protetor solar mesmo. Agora era só aproveitar, peguei meus foninhos e coloquei uma música da Alicia Keys pra tocar.
Fiquei observando Edward ensinando Guto ainda na areia, tirei uma foto dos dois. Seria mais um momento pro álbum.
...
- Ei o que é isso? Ficou maluco? – me assustei com Edward me pegando no colo.
- Está na praia amor, tem que entrar na água.
- Edward meu telefone – eu disse desesperada, me joga na água, mas não joga meu i-phone.
- Guto – Edward chamou e ele pegou meu celular, meus fones e meus óculos escuros – Leva tudo pro trailer e volta.
- Está gelada? – eu perguntei quando Edward chegou no mar, a água já estava em sua canela, mas como eu estava em seu colo eu ainda não havia me molhado.
- Depende do seu conceito de gelada – ele disse adentrando mais ao mar.
- Não gosto de água fria – eu me agarrei no seu pescoço.
- Eu sei, mas quem está no mar é pra se molhar – eu ia reclamar de sua piada idiota quando ele me jogou exatamente quando uma onda veio, eu fui ao fundo, mas pra sorte minha e dele, eu não engoli água.
- Dessa vez eu não vou reclamar e me estressar – eu disse quando voltei a superfície e Edward me fitava ressabiado.
- Que bom então, apesar de eu gostar de ver você estressadinha também – ele disse e estava de costas pra praia e Guto veio se aproximando e fez sinal pra que eu ficasse quieta. Guto pulou em cima das costas de Edward e me fez os dois mergulharem.
Edward levantou tossindo a água salgada e eu tentei, mas eu acabei rindo, porque dessa vez eu é quem estava assistindo uma cena que na maioria das vezes eu era a protagonista arrancando risada de Edward.
- Meu parceiro deu o troco por mim, e não vale ficar bravo cabeção – eu disse a Edward enquanto eu e Guto fazíamos nosso toque especial, o pirralho que tinha inventado aquilo.
- Vão se unir contra mim? – Edward questionou.
- Vocês se uniram contra mim mais cedo – eu respondi.
- Aprenda uma coisa Guto, mulheres são rancorosas – Edward disse rindo e eu joguei água em seu rosto e ele logo revidou e Guto entrou na brincadeira também.
...
- Vamos almoçar no Mc Donald’s – Guto pediu, mas eu tinha dito que iríamos a um restaurante normal, nada de fast food, ontem a noite já havíamos comido pizza, e precisávamos manter a alimentação de Edward saudável. Não tínhamos contado a Guto sobre a doença de Edward, achamos melhor assim porque ele ainda era muito pequeno e sabíamos que ele tinha se apegado de verdade em nós, e não queríamos que ele sofresse.
- Guto hoje mais tarde nós te levamos ao Mc Donald’s, ou se quiser te levamos agora e você come e depois nós voltamos pra Edward e eu almoçarmos aqui. – eu disse.
- Vocês não estão sendo bons americanos, todo bom americano não troca Mc Donald’s por nada.
- Não enche o saco Guto, só estamos cuidando da boa forma – Edward disse querendo levar aquilo pelo lado da brincadeira – E se você quiser ficar com um tanquinho igual esse – Edward levantou a camiseta e até me fez rir do seu convencimento – É melhor ter uma alimentação mais saudável também.
- Você se acha hein cabeção – Guto disse e era engraçado vê-lo nos chamar por um apelido que só Edward e eu usávamos um com o outro, mas de tanto ele nos ouvir falando ele também adotou os apelidos.
- E então o que vai decidir Guto? – perguntei porque eu também estava faminta.
- Vou comer com vocês, mas não é porque invejo nenhum tanquinho, porque eu me garanto – Guto disse e me lembrei do Seth, porque ele tinha uma personalidade bem assim também, confiante.
- Ok galã mirim, vamos logo – eu disse passando o braço por seu ombro.
- Ei não esqueceram de nada? – Edward questionou e Guto e eu o fitamos.
- O Cabeção com medo da concorrência – Guto disse rindo, o garoto terrível.
- Vem amor, você sabe que você não tem concorrência nenhuma – eu estendi a mão livre pra ele que entrelaçou nossos dedos.
...
- Amanhã vamos poder ir ao parque? O parque daqui é super famoso, parece ter uns brinquedos irados – Guto disse empolgado enquanto comia sua sobremesa.
- Podemos passar o dia todo lá Sr. Gustavo – Edward disse em seu tom debochado.
- Um dia eu ainda convenço o Louis a parar de me chamar assim, mas eu já aprontei tanto com ele também que agora dou um descanso.
- Você realmente é uma má influência pra Bella – Edward pegou minha mão sobre a mesa e a beijou. – Ela sempre foi chegada a um plano, aprontar é o forte dela.
- Sou uma adulta agora, quase não apronto – eu me defendi, porque de vez em quando eu retrocedia como no caso do garotinho e as minhocas na sunga.
- Por isso gosto tanto da Bella – Guto disse – Teve uma vez que consegui fazer Louis me chamar de “peste” ao invés de Sr. Gustavo. – ele disse rindo.
- O que você fez com o pobre pingüim? – eu perguntei.
- Coisa boba, coloquei super cola no seu shampoo. – ele disse como se aquilo fosse a coisa mais normal do mundo, ele devia ter assistido muito aqueles filmes do Pestinha – Vocês tinham que ver como foi engraçado ver ele sair andando pelado pela casa com as mãos presas a cabeça. As empregadas depois de verem a vergonha dele, ficaram uns três meses sem nem conseguir encará-lo direito.
- E seus pais? – Edward perguntou. Se fossem meus pais ou os de Edward provavelmente eu estaria em um reformatório, porque com Charlie Swan não tinha refresco e Edward teria sido trancado em um colégio interno.
- Disseram que eu podia esquecer da viagem pra Austrália com meus tios. Mas eu nem liguei, ia ser minha quarta vez na Austrália mesmo – ele disse. O legal é que Guto era muito rico, tinha noção do tamanho dessa riqueza, mas em nenhum momento se comportava como um riquinho esnobe, ele só queria ser um garoto comum.
- Temos um amigo fazendo um intercâmbio na Austrália, deve ser um país legal. – Edward disse.
- Muito legal, mas o país que eu mais gostei de conhecer foi a China, aquele lugar é incrível.
- Porra você já foi na China?
- Amor não é legal falar palavrões perto de crianças – Edward chamou minha atenção.
- Nem vem que não sou criança cabeção – agora era Guto que tinha se chateado – Eu devo saber mais palavrões que vocês dois juntos.
- Disso eu não duvido – eu disse.
- Me diz ai quais os países vocês já visitaram – Guto disse.
- Só Londres, Edward tem uns parentes lá. – respondi.
- Um dia quando eu tiver mais idade podemos ir no México, meus primos mais velhos foram lá e disseram que tem umas festas loucas – Guto disse empolgado e vi que o humor de Edward foi embora.
- Garoto você está muito novo ainda pra pensar nessas festas loucas, amor vamos pedir a conta pra irmos embora, estou cansada – eu disse encerrando aquele assunto pra poupar Edward um pouco.
- Claro. – Edward assentiu e sinalizou para o garçom.
...
- Então confortável ai? – perguntei a Guto que já estava deitado no sofá.
- Sim, é muito legal essa coisa de viajar em um trailer, meus amigos nem vão acreditar quando eu contar.
- Esse trailer já nos proporcionou várias aventuras Guto, quando você tiver idade te aconselho e fazer uma viagem assim – Edward disse e eu me deitei ao seu lado na cama.
- Podemos assistir a um filme? – Guto perguntou.
- Boa pedida – Edward concordou e pegou o controle da tv, eu só me aconcheguei mais a ele recostando a cabeça em seu peito, eu realmente não queria assistir filme nenhum.
- Procura um de terror. – Guto disse animado e Edward apagou a luz, ficando só a iluminação da tv.
- Ah terror não – eu tive que me manifestar porque eu definitivamente não era fã deste gênero de filme. Sim, eu era medrosa.
- Relaxa amor – Edward beijou minha testa e continuou procurando por um filme de terror.
- Esse, deixa aí – Guto disse empolgado e olhei pra tela e vi que era um filme da garota demoníaca do poço, eu tinha pânico desse filme, já tinha assistido uma vez com Rose e Cléo, ficamos as três sem dormir direito por uma semana, na primeira noite eu até arrastei meu colchão para o quarto de Seth.
- O Chamado, esse é bom – Edward disse.
- Vou tentar dormir não quero ter pesadelos – eu disse puxando a coberta sobre minha cabeça e colocando o travesseiro sobre minha cabeça pra que não ouvisse nada. Comecei a cantar algumas músicas bem baixinho pra que minha mente desviasse do filme. Eu realmente tenho problemas com filmes de terror, problemas psicológicos graves, me afetam de uma maneira absurda, por isso parei de assisti-los já há algum tempo.
...
Acordei com o barulho da tv ainda ligada, destampei minha cabeça e vi que Edward já estava dormindo, olhei pro sofá e vi que Guto também já tinha apagado. Peguei o controle da tv que estava ao lado de Edward, quando ia desligar foquei meus olhos na tv e vi a maldita da Samara subindo pelo poço toda desconcertada atrás da mulher, o pânico me tomou e apertei o botão de desligar e agarrei a Edward.
- Hum... amor o que foi? – ele disse com a voz sonolenta.
- Porque não desligou a maldita tv?
- Ah eu apaguei, desculpa. Fica calma é só um filme – ele me abraçou.
- Edward você está quente.
- Sou quente – ele sussurrou baixinho pra não acordarmos Guto.
- Não é disso que estou falando seu bobo – eu coloquei as costas da mão em sua testa – Você está com febre. – eu constatei – Vem levanta da cama e vem comigo pro banheiro pra não acordarmos o Guto e deixá-lo preocupado – eu disse me levantando da cama e Edward me seguiu. Ele foi para o banheiro e eu peguei meu celular e iluminei o armário pegando o termômetro e o antitérmico.
- Fecha a porta – ele pediu e eu fechei nos trancando naquele cubículo.
- Abre a boca – eu pedi e ele abriu e eu coloquei o termômetro em sua boca. Eu sabia o quanto ele estava chateado com isso, mas eu tinha que cuidar dele, ele gostasse ou não.
O termômetro apitou o peguei e vi que Edward estava com 38,5°C, merda.
- Amor tira a roupa e entra no chuveiro, temos que abaixar essa febre – eu disse guardando o termômetro e já puxando sua camisa. Ele não questionou nada, apenas obedeceu. Abri o chuveiro e ele entrou debaixo e fechou os olhos enquanto a água escorria por seu corpo. – Vou te dar o antitérmico e vai melhorar – eu disse olhando pra ele debaixo do chuveiro.
- Vai passar por agora, mas isso só está começando – ele disse sem abrir os olhos e passou a mão por seus cabelos os puxando com força – Já não agüento mais – ele colocou as mãos sobre o rosto. – Estou a ponto de surtar – ele disse ainda escondendo seu rosto – Eu não entendo porque tudo isso está acontecendo comigo – ele disse com a voz engasgada e eu sabia que ele estava chorando.
- Não fica assim – eu entrei debaixo do chuveiro de roupa e tudo e o abracei – Eu queria cessar a sua dor, mas eu não sei o que fazer. Só não desanima, por favor – ele enterrou seu rosto entre o meu pescoço e meu ombro e me abraçou e apenas chorou sem dizer nenhuma palavra – Eu só quero que saiba que eu te amo mais que tudo no mundo, e vou sempre estar com você – eu afaguei seu cabelo.
...
Ficamos muitos minutos debaixo do chuveiro em silêncio apenas abraçados, e eu realmente não sabia o que era melhor pra Edward neste momento, continuar essa viagem ou voltar pra casa? Eu tinha medo de que ele piorasse muito rápido estando somente nós dois e eu não conseguisse socorrê-lo.
Edward tomou seu antitérmico e vestiu seu pijama e foi até minhas roupas pegar um pijama pra mim, já que o meu estava todo molhado.
- Vem vamos dormir – ele estendeu a mão pra mim depois de eu me trocar no banheiro, Guto continuou apagado no sofá e nem viu o que tinha acontecido durante a madrugada.
- Está melhor?
- Sim, só quero dormir – ele disse e eu segurei sua mão e fomos pra cama e deitamos abraçados um de frente pro outro.
...
Acordei com um barulho de panelas caindo no chão, quase pulei da cama tamanho foi o susto.
- O que você está fazendo Guto? – eu me levantei vendo o pegar as coisas que tinha derrubado no chão.
- O café da manhã – ele respondeu encolhendo os ombros.
- E você já fez isso alguma vez na sua vida? – eu perguntei indo até onde ele estava, devido ao remédio que tomou Edward continuava apagado na cama.
- Hum... não, mas já vi muitas vezes as pessoas que trabalham lá em casa fazendo – ele respondeu.
- Eu vou escovar os dentes, lavar o rosto e venho preparar o café, não mexa em mais nada ou você vai acabar botando fogo em algo.
- Posso acordar o Edward? – ele perguntou e eu sabia que ele pretendia acordar Edward de uma maneira nada carinhosa.
- Ele não dormiu muito bem essa noite, então deixe ele descansar mais um pouco – eu pedi e fui pro banheiro.
...
Quando sai do banheiro Guto e eu começamos a fazer panquecas, ele mais atrapalhava do que ajudava, mas estava me divertindo com ele depois de uma noite tensa.
- Calda de framboesa ou morango? – ele perguntou abrindo a geladeira.
- Framboesa, já que está tudo organizado vou chamar o Edward agora – eu disse e fui até a cama e coloquei a mão sobre a testa de Edward e fiquei feliz por sua temperatura estar normal.
- Eu acordo o Edward – Guto disse e antes que eu pudesse dizer qualquer coisa ele pegou duas tampas de panela e começou a bater uma na outra e Edward deu um pulo da cama assustado.
- Para com isso seu maluco – eu disse tomando as tampas das mãos de Guto.
- Bom dia Belo Adormecido – Guto disse rindo.
- Ah garoto eu vou te pegar – Edward disse e eu me coloquei entre eles.
- Ei aqui é muito pequeno pra isso – eu disse – Depois vocês se acertam, agora vamos tomar café.
- Vai ter volta Guto – Edward disse e eu ri, pois ele me criticou tanto por ter agido impulsivamente e discutido com um garoto menor e agora ele estava agindo da mesma forma.
- Bella você tem que me proteger, pois ele é muito maior que eu – Guto disse se escondendo atrás de mim.
- Eu? Vocês dois que se entendam, mas não aqui dentro. Agora vamos tomar café que eu estou morrendo de fome. – eu disse e fui pra mesa. Como só haviam duas cadeiras, Guto sentou em uma e Edward em outra e eu sentei no seu colo.
- Vamos pro parque depois do café? – Guto perguntou comendo sua segunda panqueca.
- Primeiro você vai ligar pra sua casa e dizer que está tudo bem, não queremos seus pais preocupados – eu disse.
- Eles nem devem tá lá.
- Você fala com o pingüim então e resolve o problema. – Edward disse.
- Ok – Guto concordou e voltou a comer.
...
- Montanha Russa – Guto saiu correndo no parque e Edward e eu saímos correndo atrás dele.
- Não vai se perder garoto – eu disse quando alcancei Guto.
- Bella o Edward está bem? – Guto perguntou e eu olhei pra trás e vi que Edward vinha andando a passos lentos até nós e a respiração ofegante e ele estava meio pálido.
- Amor está tudo bem? – eu corri até Edward e chequei pra ver se a febre não tinha voltado.
- Só... preciso de... água – ele respondeu ofegante.
- Eu vou comprar – Guto sai correndo.
- Eu já não tenho o mesmo fôlego – ele disse respirando fundo – Tudo me deixa cansado.
- Quer ir embora? Podemos ir, Guto vai entender.
- Não, assim que eu beber água eu vou ficar melhor, já nem estou ofegante mais – ele disse.
- Sabe que qualquer coisa que sentir tem que me falar, se sentir mal me avise, por favor.
- Pode deixar comigo – ele segurou meu queixo e me deu um selinho e Guto trouxe a água.
...
- Eu vou com o Guto dessa vez, e depois você vai. – Edward disse – Temos que ficar de olho nesse garoto.
- Sem problemas – eu disse e sentei atrás deles e uma adolescente sentou ao meu lado e colocou o equipamento de segurança mais que depressa e se agarrou a barra da frente.
- Lá vamos nós – ouvi Guto dizer enquanto a montanha russa começava a primeira subida. A adolescente ao meu lado já estava de olhos fechados e murmurando algum tipo de prece baixinho.
- É agora Bella – Guto gritou quando a subida terminou, logo estávamos descendo e eu não sabia se gritava aproveitando toda aquela adrenalina ou ria da cara da garota ao meu lado gritando desesperadamente que iria morrer.
- UHUUUUULLLL – eu gritei ouvindo gritos de Edward e Guto enquanto entrávamos no primeiro loop da montanha russa que tinha uma sequência de três.
- LOUCOOOO – Guto gritava e a menina do meu lado estava totalmente sem cor e continuava gritando que ia morrer, era uma situação cômica.
A montanha russa parou e eu destravei meu equipamento de segurança e precisava que a garota destravasse o dela para que eu pudesse sair, mas ela continuava estática, será que ela tinha entrado em choque?
- Ei já acabou, podemos sair – eu disse, mas ela nem me olhou. — Edward preciso de ajuda – eu disse vendo ele saindo do carrinho com Guto.
- O que foi amor? – ele parou ao lado do nosso carrinho, mas era a garota quem estava na ponta.
- Acho que ela entrou em choque – eu disse baixinho olhando pra menina.
- Ah vamos jogar água fria nela – Guto disse animado – Posso ir comprar agora mesmo.
- Claro que não garoto maluco – Edward segurou Guto pela gola da camisa que já ia sair correndo pra botar sua “brilhante” idéia em prática. – Ei já acabou – Edward disse tocando o ombro da garota, mas de nada adiantou.
- Amor eu quero sair daqui – eu choraminguei.
- Guto chama o segurança do brinquedo – Edward disse o soltando e ele correu até onde estava o segurança.
- Hum é essa aqui? – um grandalhão ao lado de Guto perguntou.
- Sim – foi eu quem respondi.
- É a terceira vez essa semana que ela vem e fica em choque, se tem tanto medo pra que vem no brinquedo.
- Porra porque ainda deixam essa menina entrar – eu reclamei.
- Calma garota, vou tirar ela – o grandão disse – Só tem dois meios dela reagir, ou um tapa na cara ou jogar água na cara dela.
- Viu, eu disse que era para me deixar buscar água – Guto cruzou os braços contra o peito – Posso ir buscar a água ou posso acertar a cara dela?
- Pode ficar na sua pirralho – Edward segurou firme o ombro de Guto.
- Mas Ed... – Guto murmurou, mas Edward lhe lançou um olhar tão intimidador que ele até parou de questionar.
- Garota é melhor levantar logo ou eu mesmo vou te dar um tapa – eu disse pra garota, mas ela não se moveu. O segurança grandalhão pegou uma garrafa de água que estava no bolso de sua calça larga e simplesmente jogou na cara dela que se sacudiu igual cachorro quando está tomando banho.
- Levanta logo, e não vem no brinquedo de novo se não agüenta – o grandalhão disse e a menina sem dizer nada destravou seu equipamento de segurança e saiu correndo e finalmente eu consegui sair do carrinho.
- Por favor, eu quero ir em um brinquedo que dê pra ir nós três ou um que eu vá sozinha, sem nenhum louco do lado – eu disse enquanto Edward pegava minha mão e continuava com a outra no ombro de Guto nos guiando por entre as pessoas.
- Casa do terror – Guto disse animado.
- Você deve me odiar, já não basta o filme de ontem – eu me lamentei enquanto íamos pra fila.
- Deixa de ser fresca Bella, qualquer coisa você segura a mão do Edward ou abraça ele, sei lá – Guto disse.
- Amor se não quiser ir – Edward disse.
- Eu vou e vou mostrar que sou muito mais corajosa que vocês – eu disse tentando soar imponente, mas por dentro eu já queria fazer xixi na roupa de medo.
- AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH – eu saí correndo do cara da serra elétrica com a máscara do Jason que estava nos perseguindo. Só parei de correr quando encontrei a saída.
- Super corajosa – Guto disse debochado morrendo de rir de mim que estava encostada em uma grade do lado de fora da casa do terror. Eu agüentei tudo numa boa, mas o cara com uma serra elétrica de verdade nos perseguindo naquele labirinto escuro me deixou em pânico total.
- Cala a boca – eu resmunguei colocando a mão sobre o meu peito onde meu coração ainda estava acelerado. Edward apenas me encarava e ria baixinho.
- Onde agora Guto? – ele perguntou.
- Deixa a Bella escolher tadinha, aposto que ela vai querer o carrossel, isso se ela não ficar com medo dos unicórnios.
- Guto eu vou te tratar realmente igual a um irmão e vou te bater – eu disse e ele só riu mais.
...
Fomos em mais alguns brinquedos e depois resolvemos fazer um lanche, na lanchonete do parque mesmo. Comemos hambúrguer e enquanto eu e Guto optamos por refrigerante, Edward preferiu suco.
Fomos em mais alguns brinquedos e depois Guto decidiu que queria ir na barca, eu não achava uma boa idéia porque não tinha nem duas horas que tínhamos comido, e eu não queria passar mal, mas ele foi irredutível.
Sentamos os três no mesmo banco no meio de frente para um casal de namorados e uma garota de uns 15 anos. O brinquedo começou a balançar e Edward segurou minha mão e me deu seu sorriso torto, eu estava feliz por ele ter melhorado um pouco, mesmo que momentaneamente. O brinquedo ia de um lado pro outro e nós gritávamos e jogávamos a mão para o ar.
- MOÇA ESSE GAROTO É SEU IRMÃO? – a menina que estava acompanhada pelo namorado sentada a nossa frente perguntou a mim gritando enquanto o brinquedo continuava a balançar cada vez mais rápido de um lado pro outro.
- Sou a responsável por ele – afirmei alto, estava sentada entre Edward e Guto, então provavelmente ela se referia a Guto.
- Ele está verde – ela disse e eu voltei meu olhar pra Guto que estava com a boca fechada, os olhos quase saltando e verde como a garota havia dito.
- Amor ele vai vomitar – Edward constatou o que sabia na hora que bati o olho em Guto.
- Guto já está acabando, agüenta firme – eu pedi e ele nem me olhou, continuou olhando pra frente.
- Não dá Bella, meu estômago deu um nó – ele disse e respirou fundo ficando mais verde.
- Não faz isso, por favor. Está acabando. – eu disse – PARA ESSE BRINQUEDO – eu gritei, mas em meio aos gritos de diversão das pessoas o meu foi ignorado.
- Guto calma, inspira o ar pelo nariz e solta pela boca – Edward disse.
- Eu não agüento... eu vou vom... – Guto nem terminou de dizer e um jato de coisa gosmenta saiu de sua boca atingido a adolescente que estava sentada a sua frente que gritou descontroladamente.
- AHHHHH QUE NOJO... QUERO MORRER – a garota gritava e o brinquedo começou a diminuir a velocidade e finalmente parou.
- Vamos garotão – Edward disse ajudando a Guto a se mover, porque ele estava pálido e todo mole.
- Desculpa de verdade, ele não tem culpa de ter passado mal. Se quiser aju... – eu estava dizendo a garota atingida por Guto, mas ela me interrompeu.
- Só tira esse garoto de perto de mim – ela disse extremamente irritada e eu sai correndo antes que sobrasse pra mim.
Encontrei Edward com uma garrafa de água mineral na mão enquanto Guto estava encostado em uma grade.
- Leva ele no banheiro pra lavar o rosto e a boca Edward – eu pedi — E depois da a água pra ele.
— Vamos Guto – Edward disse e os dois seguiram para o banheiro e eu procurei um banco ali próximo e me sentei para aguardá-los.
...
Já havia se passado 20 minutos que os dois haviam sumido, eu continuava sentada no banco olhando as fotos que tinhamos tirado hoje no meu i-phone, era melhor eu ficar ali esperando por eles, do que tentar encontrá-los e acabarmos nos desencontrando no meio da multidão que circulava no parque.
Parei de ver as fotos e olhei pra ver quem havia se sentado ao meu lado no banco, olhei e vi um cara que aparentava ter uns 20 e poucos anos, cabelo ruivo, alto, cheio de saridnhas, e olhos verdes, bonito, mas nada comparado ao meu namorado. Ele sorriu pra mim e eu apenas voltei a olhar a tela do meu celular.
- Não gosta de ir aos brinquedos? – ele me perguntou.
- Sim – eu respondi sem tirar os olhos da tela do i-phone.
- E o que está fazendo aqui sozinha?
- Esperando por algumas pessoas – eu continuei a responder sem encará-lo, eu não queria ser mal educada. Mas eu conhecia Edward bem o suficiente, e sabia o quanto ele era ciumento, e sabia que se ele chegasse ali enquanto eu estava conversando, mesmo que sem nenhuma intenção ele se chatearia, ainda mais no momento que ele estava passando agora, eu sabia o quanto ele podia se sentir inseguro e eu não queria isso de forma alguma, eu queria só deixá-lo bem.
- As garotas sempre dizem isso quando querem dar um fora – o cara disse.
- Se você diz... – eu disse sacudindo os ombros.
- Ok, talvez é porque eu ainda não me apresentei. Prazer Landon – vi sua mão esticada em minha direção.
- Isabella, mas isso não muda nada – eu disse apertando sua mão rapidamente. – Eu realmente estou esperando uma pessoa.
- Tem certeza? Olha que sua imaginação pode ter criado essas pessoas só pra se livrar de mim – ele disse e eu tive que rir do absurdo que ele tinha dito.
- Algum problema Bella? – a voz do meu namorado ciumento me fez olhar pra cima, ele estava ali com Guto ao seu lado e os dois com os braços cruzados contra o peito e com expressões não muito satisfeitas no rosto.
- Nada amor – eu me levantei e dei um selinho em Edward – Só estava dizendo que não estou desacompanhada. – Hum... como pôde ver eu não imaginei nada, até mais – eu disse ao garoto ruivo e segurei a mão de Edward e o levei pra longe dali.
- Está melhor pirralho? – eu perguntei a Guto.
- Ele vomitou mais duas vezes lá no banheiro, mas acho que agora está bem – Edward foi quem respondeu.
- Eu estou melhor, mas por mim já deu de parque por hoje – Guto disse.
- Ok, e você trata de tomar muito líquido pra se hidratar depois de ter passando tanto mal – eu disse.
Saimos os três do parque e fomos pro trailher, guto foi o primeiro a ir pro banho, já era fim da tarde. Eu e Edward ficamos deitados na cama assistindo tv enquanto aguardávamos Guto, que realmente tinha ficado um pouco baqueado por ter passado mal.
- Amanhã vamos pra Washington D.C cedo? – perguntei a Edward.
- Na hora que acordarmos, sem muita pressa. Deixamos Guto lá, e vamos amanhã mesmo pra NYC.
- Alice vai ficar feliz demais com as compras.
- Ela vai ficar feliz e meu pai mais pobre – Edward disse rindo.
- Ah seu pai não pode reclamar, ele que criou ela assim. Deixando ela gastar a vontade.
- Yeah, eu sei. Só tenho medo que se algo acontecer e ela não poder mais gastar desse jeito se ela vai ficar bem, tem gente que essa coisa de compras acaba se tornando uma doença ligado a compulsão.
- Alice não tem essa compulsividade já como uma doença, ela gosta de fazer compras, mas eu tenho certeza que se ela não fosse capaz de comprar, ela é do tipo que se adapta a situação, ela simplesmente começaria a criar seus próprios modelitos, não precisa se preocupar.
- Eu fico pensando que quero que todos fiquem bem quando eu me for, principalmente você – ele tocou meu rosto e suas palavras foram como ácido em uma ferida, queimavam.
- Não tem como eu ficar bem se você não estiver aqui – eu disse totalmente sincera.
- Está na hora de você começar aceitar meu amor – ele disse beijando minha testa, eu sabia o quanto doia nele dizer aquelas palavras, assim como doía em mim ouvi-lás.
- Eu não aceito, nem se eu quisesse eu conseguiria – eu disse e ele me abraçou tão forte como nunca antes.
- Mesmo que eu não esteja de corpo presente eu vou sempre estar com você, e isso é o que importa – ele disse e ouvimos a porta do banheiro se abrindo.
- Bem melhor agora – Guto disse se jogando no sofá. – Tudo bem com vocês?
- Sim – eu disse me levantando da cama e Edward fez o mesmo, não estávamos com os rostos mais alegres do mundo.
- Vamos tomar banho agora – Edward disse – Mais tarde a gente vai sair pra passear Guto.
- Desde que não tenha uma barca tudo bem – ele disse rindo.
- A população agradece em ter você longe da barca – eu disse Edward e eu fomos pro banheiro.
...
Tomamos banho juntos, mas nada dissemos. Eu não queria discurtir com ele, pois eu sabia que era o que acabaríamos fazendo se ele continuasse pedindo pra que eu aceitasse sua morte.
...
Fomos jantar em um restaurante com comida local, com muitos frutos do mar e depois decidimos caminhar pela areia da praia.
- Eu tenho uma confissão a fazer, mas quero que prometam que não vão me zuar – Guto disse, andavamos os três pela areia da praia. Guto andava na beirada da água, já tendo molhado até a altura dos seus joelhos.
- Pode dizer – eu afirmei.
- Vocês são os primeiros amigos de verdade que tenho, meus amigos da minha idade não são tão amigos quanto vocês, acho que eles só se importam com o que eu tenho.
- Isso tudo é pra dizer que nos ama – Edward disse rindo – Também gostamos um pouquinho de você moleque. – ele bagunçou seus cabelos e saiu correndo e Guto saiu correndo atrás dele tentando jogar água nele.
Sentei na areia e vi as duas “crianças” brincando, correndo uma atrás da outra e uma tentando molhar a outra. Fitei o mar e toda aquela imensidão a minha frente, não podia negar que olhar o mar assim me fazia sentir saudades de casa, saudades do meu lugar especial com Edward onde assistimos muitos pores do sol. Sentar em frente ao mar e ficar apenas observando foi sempre algo muito especial pra mim, ali eu conseguia aliviar a minha mente, renovar minhas energias e refletir sobre minha vida. O barulho das ondas se quebrando eram como um canal desentupidor da minha mente que sempre estava lotada de coisas boas, ruins, futeis, mas sempre cheia.
- BELLA – a voz de Guto desesperada me fez ficar de pé rapidamente. – BELLA – olhei e vi que ele e Edward estavam há uns cem metros longe de mim. Corri até eles sem hesitar. Edward estava meio abaixado ofegante.
- O que foi? – eu perguntei quando cheguei perto deles.
- O Edward está sangrando, começou de repente – Guto estava desesperado. Olhei e vi que tinha sangue na areia próximo a Edward e o sangue escorria por suas vias nasais.
- Está tudo bem – Edward tentou dizer, mas ofegante, eu sabia que ele não era capaz de lidar com sangramentos alheios e nem com seus próprios sangramentos.
- Tira a camisa Guto – eu pedi e ele o fez imediatamente e me entregou – Edward inclina a cabeça pra trás – eu pedi e ele o fez eu eu primeiro limpei o sangue em seu rosto e depois o coloquei nas suas vias nasais, para estancar o sangue.
- Eu juro que eu não dei um soco no nariz dele – Guto disse – Estávamos correndo e do nada ele começou a sangrar.
- Relaxa garoto – Edward disse.
- Amor fica quieto – eu disse – Senta – eu pedi e ele sentou na areia e continuou inclinando a cabeça pra trás e eu me sentei ao seu lado e continuei segurando a camisa ali pra estancar o sangue – Como está se sentindo?
- Só cansado – respondeu com a voz anasalada por eu estar tampando seu nariz com a camisa.
- A culpa foi minha? – Guto perguntou preocupado.
- Claro que não Guto, o Edward já vai melhorar – eu disse tentando passar confiança pra ele, realmente Guto tinha se apegado a nós, e ele não precisava saber do que estava acontecendo com Edward, era melhor lhe evitar o sofrimento.
- Acho que parou – Edward disse e eu tirei a camisa e constatamos que realmente tinha parado de sangrar, a camisa de Guto era causa perdida, toda ensanguentada. Com certeza as plaquetas de Edward estavam ainda mais baixas pra ele sangrar daquela maneira.
- Está bem? – perguntei.
- Sim, sabemos que isso podia acontecer, acho que correr ocasionou isso, meu organismo já não é mais o mesmo – ele suspirou fundo.
- O que você tem Edward? – Guto perguntou e Edward e eu nos entreolhamos receosos, por mim nós não tocaríamos nesse assunto agora com Guto e pelo olhar de Edward eu sabia que ele pensava como eu.
- Nada demais garoto, agora vamos pro trailer dormir, porque amanhã temos que te deixar em casa e depois seguir pra NYC. – Edward disse e eu o ajudei a levantar. Voltamos pro trailer e todo mundo tomou pelo menos uma ducha pra tirar a areia do corpo, Guto caiu na cama exausto e dormiu, logo depois Edward e eu também apagamos.
...
No dia seguinte acordamos cedo e pegamos o caminho de volta pra Washington D.C, e após 3 horas estacionamos em frente a mansão que Guto morava. Os pais dele não estavam em casa, mas ele foi recebido pelo pinguim que apesar de tentar parecer sério, não escondeu que sentiu saudades do garoto. Ele queria que ficassemos para o almoço, mas preferimos pegar logo a estrada pra NYC, pois não pretendiamos ficar muito tempo lá, apenas fazer compras mesmo e talvez amanhã mesmo iriamos pra Boston, ver nossos amigos em Harvard.
- Eu vou ligar pra vocês, e vou convencer meu pai a me deixar ir ver vocês. Me liguem também – Guto disse e diferente das outras vezes ele não hesitou em me abraçar.
- Eu vou ligar, irei sentir saudades – eu disse e beijei sua bochecha.
- Se cuida garoto, apesar de no inicio você ter ajudado a minha namorada a aprontar, posso dizer que foi um prazer te conhecer carinha. Vou sempre lembrar de você e suas bagunças e lembre de mim também. – Edward disse, porra ele estava se despedindo não com um “até um dia”, ele estava se despedindo pra sempre.
- Pode deixar cabeção – Guto lhe deu um abraço e Edward o apertou e vi que Guto até estranhou o ato.
- Ei Bella olha seu namorado – Guto disse rindo quando Edward o soltou.
- Não enche moleque – Edward disse dando um leve empurrão. – Vamos amor – ele segurou minha mão.
- Tchau pirralho – eu acenei.
- Tchau – Guto acenou e Edward também. Logo estávamaos no trailher a caminho de NYC, e o silêncio era absoluto, cada um absorto em seus próprios pensamentos.
Notas finais
Eu sei que demorou, mas como havia avisado estou no último período da faculdade e o bicho ta pegando, por favor, sejam paciente comigo.
Espero que tenham gostado do capítulo e que deixem muitos comentários, porque é muito desmotivante quando quase ninguém comenta. Opinem, pois a opinião de vocês é muito importante.
Obrigado pelas leitoras sempre presentes....bjs
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