Everything About You
32 Burra é apelido
Notas iniciais
Fiquei meio sem reação ao lembrar, fiquei pensando por um segundo se falava com ela ou deixava ela ir embora.
– Hey, você! – quando escolhi que iria falar com ela, já era tarde demais. Tinha entrado em um carro e ido embora.
– Que foi, Ann? – perguntou Andy.
– Era ela, a Lucy.
– Era quem? – disse Rachel.
– Uma das meninas que me espancou.
– Tá brincando? – perguntou Julia.
– Claro que não! Acha que eu ia brincar com uma coisa dessas? – falei.
– Não... É modo de falar, calma.
– Vamos pra casa, você explica tudo lá. – disse Rachel. – Táxi!
Chegou um táxi logo logo e nós fomos pra casa. Tomei um copo d’água e sentei no sofá, junto com as meninas.
– Bom, quando estávamos lá naquela sala nos despedindo dos meninos, na mesma hora que eu ouvi a voz da Lucy, eu lembrei ter ouvido ela em algum lugar, só não me lembrava aonde. Depois que ela nos deu tchau ali na frente do aeroporto, eu lembrei completamente, veio tudo na minha cabeça. E tudo faz sentido, ela tenta fazer ciúmes em mim, ela gosta do Harry, e por isso deve ter me espancado aquele dia.
– Meu Deus! A gente tem que fazer alguma coisa. – disse Julia.
– Ainda não, eu preciso falar com o Harry primeiro. – disse.
– Já vai ligar pra ele? – perguntou Andy.
– Não, vou dormir um pouco, descansar, pensar, sei lá. – falei.
– Calma, vai sim. Você não tá sozinha agora. – disse Andy.
– Obrigada, meninas. – falei.
Fui pro quarto e me deitei na minha cama, acabei dormindo.
Algumas horas depois…
Acordei com o barulho do meu celular tocando, era a minha mãe.
– Puts! Minha mãe, esqueci completamente. – falei antes de atender. – Oi... mãe.
– “Oi mãe”. Oi né senhorita Anne. Onde você tá?
– Em casa, desculpa mãe, eu esqueci de te pegar.
– É, até que seria difícil, o aeroporto estava lotado de meninas gritando, me disseram que era por causa de uma banda.
– Ah sim. Onde é que você tá?
– Na minha nova casa, ué.
– Hm. – falei sem emoção alguma.
– Vamos almoçar todas nós juntas?
– Hamm, claro, que horas?
– Meio-dia a gente se encontra no (algum restaurante).
– Tá bom, mãe.
– Ok, preciso desligar. Beijos, se cuidem.
– Beijo, você também. – falei e desliguei.
Lembrei que tinha que contar pro Harry. Eu estava com um pouco de medo, dele não acreditar em mim. Sei lá, aquela menina pode desmentir tudo que eu disser pra ele. Enfim, lavei meu rosto no banheiro e escovei os dentes. Fui pro quarto e sentei na cama, fiquei olhando pro número dele na tela do meu celular, pronta pra apertar o botão de discagem. Suspirei e liguei. O quanto mais chamava, mais eu ficava nervosa. Até que ele atendeu.
– Anne! – disse ele todo animado.
– Oi Harry. Tudo bem?
– Tudo e com você, meu amor? – disse ele.
– Na verdade... Não.
– O que aconteceu?
– Harry, você acredita em mim? – perguntei.
– Claro! Fala o que aconteceu logo.
– Não precisa ficar preocupado. Enfim, lembra que hoje eu falei que tinha lembrado da voz da Lucy de algum lugar?
– Sim. O que que tem?
– Bom, eu lembrei completamente de onde que eu lembro da voz dela.
– De onde?
– Daquela vez que me espancaram. Harry, ela é uma delas. Eu tenho certeza. – falei e Harry ficou em silêncio. – Harry?
– Oi. Não pode ser, Ann. É impossível.
– Claro que não é impossível, Harry. Ela gosta de você e faz de tudo pra fazer ciúmes em mim. Por que ela desperdiçaria essa chance de acabar comigo? E por que agora ela apareceu do nada?
– Você deve ter se enganado Anne.
– Eu não me enganei Harry, eu sei que é ela, eu sinto isso.
– Você não tá brincando só por que você sente ciúmes dela perto de mim né?
– Harry, claro que não! Você acha que eu seria criança o bastante a ponto de inventar uma coisa dessas? É sério a coisa aqui.
– Calma, você tem que pensar mais um pouco e...
– Eu não tenho que pensar em nada mais! Aquela menina é uma maluca psicopata. Só você não vê isso, Harry! Pelo amor de Deus, acredita em mim.
– Ela não é maluca, Anne, eu conheço ela faz muito tempo e...
– E você não me conhece o bastante pra acreditar em mim, ok, Harry, tudo bem. É a sua escolha não acreditar na sua namorada, ainda mais com uma coisa dessas. Mas quer saber? Foda-se! Eu tenho quem acredita em mim...
– Não, Anne, não é isso...
– Passar bem, Harry. – falei e desliguei na cara dele, sim.
Comecei a chorar sem parar, logo o celular começou a tocar de novo. Olhei pra tela, era ele, toquei o celular na parede, de raiva. Ele se estraçalhou no chão. Legal, meu namorado não acreditava em mim e agora era eu que tinha quebrado meu celular.
– Tá tudo bem, Ann? – disse Andy chegando no quarto.
– Não... – falei entre o choro.
– Falou com o Harry né?
– Sim.
– E aí?
– E aí que ele não acredita em mim.
– Ah, Ann. Calma, ele deve ter ficado confuso. – disse ela me abraçando de lado.
– Não sei mais...
– Calma...
– Não, não vou chorar. Se ele não quer acreditar em mim, foda-se! A mãe ligou e disse pra gente se encontrar no (nome do restaurante). Vamos nos arrumar.
– Você não pode fugir disso, Anne. Um dia ele vai voltar e vocês vão ter que se entender.
– Até lá é um longo caminho. – falei.
– Fica bem, vai ficar tudo bem.
– É...
Fui pro banheiro e tomei banho, me arrumei e fui pra sala com as meninas. Chegou a hora de ir e pegamos um táxi. Chegamos lá e ela estava sentada de costas em uma mesa.
– Mãe! – falei e saí correndo pra abraçá-la.
– Oi, queridas! – disse ela sorridente.
– Tudo bem? Como foi o voo? – disse Andy.
– Bem! Sentem. – disse ela.
Ela nos contou como foi o voo, nós pedimos o que iríamos comer.
– E então, meninas, estão namorando? – disse ela toda feliz.
Eu não queria responder aquela pergunta, não queria mesmo.
– Eu estou saindo com um menino lá... – disse Andy toda envergonhada.
– Quem?
– Acho que você não conhece, o nome dele é Niall Horan.
– Aquele daquela banda que umas meninas estavam loucas hoje lá no aeroporto?
– É,como você sabe?
– Eu li o nome deles em um cartaz que uma menina estava segurando, é o loirinho né?
– É, mãe. – afirmou Andy e eu ri baixinho.
– E vocês? – disse ela olhando pra Rachel e Julia.
– Eu estou saindo com o Zayn e Julia com o Liam. – disse Rachel.
– Zayn? Oh, ótimo garoto.
– Mãe... – falei. –
– Que foi, Ann? Quero saber as novidades! E você?
– Eu... – falei e olhei pras meninas. – Eu não sei.
– Como não sabe? Ele é algum daquela banda?
– É... – disse baixinho.
– Qual deles?
– O Harry. – falei já com os olhos brilhando, louca pra cair uma lágrima.
Não, eu não podia chorar na frente dela, ela iria perguntar por que eu estava chorando e mais um monte de perguntas que eu não queria responder. Graças a Deus o garçom chegou com a comida.
– E lá no apartamento de vocês, como estão as coisas? – perguntou ela.
– Bem. – respondi.
– Não está faltando nada?
– Acho que não... – disse.
– Como não? Tá quase acabando a comida. – disse Andy.
– Ah, não reparei. – falei.
Eu não comia muito, então quase não reparava que estava acabando a comida.
– Então vamos comprar algumas coisas pra vocês depois... E seu pai, não visita vocês?
Olhei pra ela com uma cara tipo: “Tá brincando né?”.
– Ah, sei bem como é seu pai.
Terminamos de comer e ela insistiu em irmos ao super mercado. Nós íamos, se nós escolhemos as coisas. Ela aceitou. A maioria do que compramos foi congelados, porcarias etc.
Tentei me distrair e rir, conversar junto com elas. As meninas me ajudaram. Lembrei que tinha que comprar um celular, mas não falei, minha mãe ia perguntar por que, e eu tinha que inventar uma história de como ele quebrou, e eu não sou boa em mentir, outrora ela iria descobrir. Minha mãe faz muitas perguntas, isso que eu não gosto nela. Mas mãe é mãe né. Voltamos pra nossa casa enquanto ela foi pra dela. Falei que iria ir dar uma volta no shopping sozinha, e assim comprar um celular novo.
E assim foi. Cheguei lá e comecei a dar uma olhada nas vitrines. Comprei meu celular em uma loja, já comecei a usá-lo. Até que vi alguém que já conhecia, Lucy, entrando num corredor, onde era os banheiros. Resolvi segui-la. Pensei que aquela conversa podia ser proveitosa, eu faria ela admitir que tinha feito o que fez. O celular tinha gravador, o coloquei no bolso. Entrei no banheiro e vi ela no espelho, passando batom. Fiquei atrás dela, até que ela me viu.
– Oh, oi Anne. – disse ela.
– Eu sei quem você é. – falei.
– Ah, eu também sei, eu sou a Lucy, Lucy Agron, amiga do seu namorado. – disse ela rindo com ar de debochada.
– Não vem com essa pra cima de mim, você sabe do que eu estou falando.
– Desculpa, querida, eu não sei. – disse ela sorrindo e virando pra mim. A raiva subiu e eu empurrei ela no espelho.
– Olha aqui, você acha que eu to brincando né? Eu sei que foi você que me espancou aquele dia lá em Bradford, tá bom? Eu posso te denunciar a qualquer hora.
– Ah é? E com que provas? Eu não tenho medo de você, sua vadia. E você já contou pro Harry?
– Já.
– E...? – disse ela.
– Não te interessa.
– Ele não acreditou não é? Pois é, querida.
– Se você me chamar de querida mais uma vez eu vou...
– Você vai o que? Ahn? Você tem medo de mim, e sabe disso. Você tem medo de eu roubar o Harry de você, e pelo jeito, o plano está indo do jeito que eu queria. E você não pode fazer nada pra impedir. Eu voltei, antes não consegui o que queria, mas agora eu vou, custe o que custar. – disse ela sorrindo diabolicamente, ela pegou a bolsa de cima do balcão e saiu sorrindo.
– É o que você acha. – falei baixinho.
Peguei o celular do bolso e tinha vontade de me socar, não havia ligado pra gravar. E agora, como iria provar pro Harry que eu estava falando a verdade?
Fale com o autor