Notas iniciais
Esse capítulo vai ser pequeno, mas vai ser só pra explicar como que a Giulia começou a se tornar uma pessoa rude, vingativa e agressiva.

– Bom dia filha, hora de acordar pra ir pra escola!

– Bom dia pai! — Acordei dando-lhe um abraço apertado e beijando sua bochecha.

– Se arrume rápido pra não chegar atrasada no colégio.

– Tá bom, vai me levar, né?!

– É claro que vou, sabe que eu não gosto de ficar 1 minuto longe de você. — Disse com um sorriso grande e prazeroso, eu amava aquele sorriso.

Levantei da cama e fui para o banheiro, fiz minhas necessidades, tomei um banho rápido, coloquei meu uniforme e deixei o cabelo secar naturalmente, o que o deixava com as pontas cacheadas.

Desci as escadas perguntando pela minha mochila e ouvi meus pais discutindo na copa da cozinha.

– Eu não aguento mais! Você não dá mais atenção pra mim e nem pra sua filha, quando foi a última vez que nos beijamos, hein? Você se lembra? Quando foi a última vez que nós saímos como uma família, para ir ao shopping, ou ao parque, ao cinema, à um restaurante? Quando? — Disse minha mãe com menção de que ia chorar, mas com raiva no olhar.

– Eu posso muito bem pegar a Giulia e sair com ela, mas o que me incomoda nessa família é você! Só você! Você não se arruma mais, não me elogia mais, não me espera pra jantar! Não faz nada, só sabe reclamar. Mas a culpa da nossa família estar acabando é sua, exclusivamente sua! Eu não te amo mais e você sabe que eu só não saio dessa casa pela Giulia, só por ela.

– É por isso que eu não me arrumo, por isso que eu não te elogio! Porque você não merece, você só sabe me colocar pra baixo, mostrar os meus defeitos, dizer o quanto eu estou feia, acabada, velha! Eu cansei disso. Cansei de continuar em um casamanto aonde eu não sou cuidada, aonde não há amor. Nós dois sabemos que esse casamento só existe até hoje por causa da Giulia, se não fosse por ela com certeza você já estaria nos braços daquela vagabunda, daquela sua cliente que não sai do seu escritório. — Disse minha mãe, dessa vez com o rosto coberto de lágrimas, com a face vermelha e com a voz rouca de tanto gritar.

– Mas é essa "vagabunda" — Meu pai fez aspas no ar — que paga esse seu vestido, seu sapato, o leite que alimenta nossa filha. Se ela está lá, está pagando. Nosso compromisso é completamente profissional. Você que está louca e com inveja porque ela é bonita, é jovem, é inteligente, é educada...

Minha mãe o interrompeu:

– É UMA VAGABUNDA! — Gritou

Depois disso eu vi uma cena que com certeza ficaria para sempre registrada em minha memória. Meu pai deu um tapa forte no rosto da minha mãe, aquela cena me doeu muito. Como alguém tão carinhoso e educado como meu pai, que sempre foi um exemplo pra mim, sempre foi um herói nos meus desenhos e na minha vida pôde fazer aquilo com a mulher que lhe jurou amor, carinho, respeito, fidelidade? A mulher que deu à ele uma filha, a tão sonhada filha que ele sempre quis ter. A mulher que o fazia feliz, o faria rir, sonhar, querer viver. Eu não podia acreditar naquilo que acabara de acontecer na minha frente.

– Pai! Para!!! — Gritei e desci correndo as escadas com o risco de cair e me machucar feio. Corri em direção à minha mãe, qua estava sentada no chão com as mãos no rosto, não sabia se estava enxugando as lágrimas, chorando ainda mais ou tentando amenizar a dor do tapa.

– Mãe, você está bem? — Disse com os olhos cheio de lágrimas, afastando suas mãos do rosto e limpando suas lágrimas.

– Estou filha, vá tomar seu café da manhã antes que se atrase pro colégio. Disse se levantando e indo em direção ao quarto.

Meu olhar foi a acompanhando até sumir de vista, no alto da escada. Olhei para o meu pai com um olhar que pelo menos o fizesse ver a minha dor e procurar me explicar o por quê daquilo.

Ele não disse uma só palavra, ficou o tempo todo com a mão que havia usado pra bater na minha mãe ao alto, sem piscar, sem mover um só músculo. Olhava pro chão e olhava pra mim, como se estivesse sedado, como se não acreditasse no que ele mesmo havia feito.

Olhou pra mim com lágrimas nos olhos (quanto choro...) e me deu um abraço apertado, minhas lágrimas molharam seu terno caro, mas com certeza ele não me importava. Beijou minha testa como de costume, foi até a mesa, pegou sua mala de trabalho, e saiu porta à fora, sem dizer um adeus, sem olhar pra trás.

Depois de horas, minutos, segundos... não sei ao certo, porque havia parado pra mim, fui em direção à poltrona do meu pai e sentei lá com as pernas para cima, indo ao encontro do meu tronco. Segurei-as com os braços e pus a cabeça no meio delas e chorei mais, mais do que quando vi aquela cena. Porque além de ver minha mãe chorando por apanhar de quem ela amava, chorei por ver meu pai sair sem rumo sem me dar um adeus e sem saber se o veria mais.

Provavelmente dormi ali mesmo, não fui à escola e nem falei com minha mãe. Apenas adormeci, provavelmente Deus queria me dar um descanço merecido, um descanço das lágrimas, do sofrimento, da dor...

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Acordei por volta de 15h, o que era tarde, ainda estava de uniforme e não me lembrava de ter ido à aula, só me lembrava daquela cena que insistia em não sair da minha memória, queria apagá-la, queria esquecê-la...

Subi as escadas em direção ao meu quarto para tomar um banho e tirar aquele uniforme, no caminho ouvi um choro abafado, era minha mãe no seu quarto, chorando de cabeça baixa com uma camisa na mão, eu conhecia aquela camisa, era do meu pai.

– Mãe — bati na porta — está tudo bem?

– Tudo filha. — Disse se distanciando da camisa e levantando às pressas da cama.

– Não mãe, não está! Você está chorando, na camisa do papai. Por quê? Cadê ele?

– Seu pai saiu de casa, e ele esqueceu essa camisa, a única que ele esqueceu ou não quis levar, porque eu dei pra ele, no nosso aniversário de casamento. — Disse abraçada à camisa e olhando para o chão como se estivesse se lamentando sozinha.

– Foi por causa do que houve hoje cedo?

– Aquela briga já era pra ter acontecido há muito tempo filha, nós já estávamos explodindo. Me desculpa por não dar a você a família perfeita, eu fiz o possível, de verdade...

– Não precisa pedir desculpa mãe. — Disse lhe dando um abraço apertado e ouvindo sua respiração funda e cansada, de um certo alívio por sentir que eu estava ao seu lado.

– A Isadora te ligou.

– Depois eu falo com ela, você agora é minha prioridade. — Disse olhando para seu rosto e lhe dando um beijo na mão.

E ficamos ali, abraçadas, juntas, e isso nunca iria mudar. Eu amava minha mãe mais que tudo na vida e nunca deixaria ninguém magoá-la.

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Dormi na cama com minha mãe. Quando abri os olhos, pensei em acordá-la pra tomar café, mas ela dormia como um anjo, havia um pequeno sorriso em seus lábios e ela dormia serena, como se aquele sono fosse necessário e não tive coragem de acordá-la.

Levantei da cama e fui para o meu quarto. Peguei a toalha que estava em cima da cama, mas não havia somente uma toalha, havia um rosa vermelha e um bilhete do meu pai, que provavelmente ele havia deixado quando foi embora.

No bilhete dizia:

Querida e amada filha, sei que perdões ou desculpas não irão amenizar o profundo ódio e tristeza que está sentindo. Juro que minha intenção não era te machucar e nem machucar sua mãe, mas não aguentava mais, fui fraco, inconsequente. Achei melhor me afastar de vocês duas, só queria que soubesse que estou bem, estou morando com outra pessoa e estou feliz. Não estou feliz completamente porque não estou ao seu lado, mas estou bem e não queria que se preocupasse comigo. Um abraço forte e um beijo na testa do seu pai que te ama muito.

Realmente não o odiava, mas sim, estava triste. Triste pela minha mãe, não por ele. Não queria mais saber dele, se estava bem ou não. E que outra pessoa era essa? Será a "vagabunda" da cliente dele? Ele foi sim um fraco por trocar uma mulher maravilhosa como minha mãe por uma mulher qualquer e que não vale nada.

Amassei o papel com raiva e joguei no chão. Deixei a rosa jogada na cama e fui tomar meu banho.

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Quando saí do banho, vi que a rosa não estava mais em cima da cama e sim em um arranjo simples mas bonito perto da janela. O bilhete não estava mais amassado e sim pendurado em meu mural de anotações e fotos, bem do lado de uma foto minha com meu pai de quando eu tinha 5 ou 6 anos, estávamos felizes na fotografia, e ele com aquele lindo sorriso no rosto. Naquele momento toda a raiva que eu sentia dele passou e senti um grande aperto no coração e uma vontade imensa de chorar, as lágrimas já estavam pesando sobre o meu rosto quando minha mãe entrou no quarto.

– Filha, você vai querer bolo?

– Mãe, por que você colocou o bilhete que eu amassei perto dessa foto? — Disse enxugando as lágrimas e apontando para a foto.

– Porque a minha briga e a minha separação com o seu pai não tem nada a ver com você. Vocês sempre foram tão grudados e inseparáveis, não acho justo que você misture as coisas.

– Mas ele praticamente te trocou, te traiu! Ele te bateu, mãe. Ele está nos fazendo sofrer e ainda deixa um bilhete dizendo que está bem.

– Isso é um problema nosso! Você é muito nova pra se meter nesses assuntos, na verdade já estávamos separados há muito tempo, essa briga foi um alívio pra mim. E ele só queria que você não se preocupasse com ele, só isso.

– Para de defender ele, por favor. — Saí do quarto e desci pra tomar meu café.

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AGORA A HISTÓRIA JÁ VAI SE PASSAR ATUALMENTE :)

Notas finais
Bom gente, de pequeno esse capítulo não tem nada. Desculpem se ficou grande demais, enjoativo demais. Só escrevi o que veio à minha mente. Beijos @FuckYeah1DBr