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1 I - Eles eram crianças.


Notas iniciais
Bem, a ideia de como eles se conheceram obviamente é fictícia, concebida inteiramente pela minha mentezita >.<
Danonita-sama, espero que você goste de verdade e, dependendo de como for, postarei o próximo amanhã. (:
Se alguém além da D-lindja (e diva) ler isso daqui, manifeste sua opinião também, por favor õ/
Beijinhos felizes e bom natal *o*,
L.B

I. Eles eram crianças.

Azul.

Essa era a nova cor favorita de Matt.

Ontem havia sido preto e ele poderia ter jurado por sua coleção de games que seria para sempre, mas o quê importava?

Ontem ele não sabia que o azul era infinitamente mais fascinante que o preto.

E agora ele estava deslumbrado...

Porém, é claro que não se tratava de qualquer tom de azul.

Definitivamente que não.

O azul favorito do pequeno Matt, com apenas sete anos de seu nome,era uma cor inconstante. Mudava de um tom mais claro para um mais escuro, dependendo do ângulo com que ele observasse. E também era recoberto de uma frieza que lhe fazia recordar pingentes de gelo cristalizados.

Além de, é claro, essa cor existir apenas em um único lugar de todo o Mundo.

Na íris do garoto de cabelos alourados que havia se sentado ao lado dele, para compartilhar a sombra de sua árvore, num silêncio praticamente sepulcral- exceto se fosse considerar o barulho que o papel laminado que recobria a barra de chocolate que ele trouxera consigo estava produzindo ao ser rasgado.

Naquele momento, Matt nunca poderia ter compreendido porque ficara tão internamente eufórico a respeito daquele garoto e porque inconscientemente transformara o azul de seus olhos frios em sua cor favorita.

Sabia apenas que nunca o havia visto nas redondezas da Wammy’s House e que uma curiosidade esmagadora estava comprimindo seu ser.

Centenas de milhares de perguntas se acumulavam nas bordas rosadas de seus lábios pueris.

Quem é você? O que está fazendo aqui? Por que tudo em você cheira a chocolate? Por que está vestindo essas roupas escuras num dia de calor? Por que se sentou ao meu lado quando podia ter escolhido a sombra de qualquer outra árvore?

Mas por alguma razão, ao invés de proferi-las, Matt preferiu guarda-las para si.

Tentou ignorar a presença do garoto loiro ao seu lado- e das mordidas barulhentas que ele fazia no chocolate- para se concentrar em seu game portátil.

Mas estava perdendo.

Horrivelmente.

Como nunca havia perdido num jogo tão estúpido quanto aquele o qual seus dedos estavam atacando. E o “game over” finalmente apareceu na micro-tela, no exato instante em que, surpreendentemente, algo que não era um “crack” de chocolate sendo mordido, ressoou em seus ouvidos.

-Eu me chamo Mello.

Uma frase apática.

O tom de voz tampouco conseguia ser algo diferente disso.

Mas ainda assim, por alguma razão, Matt teve de segurar um início de sorriso que ameaçou tomar conta de seu rosto e o desespero de virar-se para encarar novamente a cor mais fascinante que existia na Terra.

Colocou o game entre as pernas e apenas inclinou de leve a cabeça para “Mello”.

-Sou Matt. -Ele havia ficado tentado em dizer “Mail”, mas era óbvio demais que “Mello” não era o verdadeiro nome do garoto-comedor-de-chocolates, então imitou a decisão de guardar a verdade para si. –Nunca tinha te visto antes. É um prazer conhecê-lo, Mello.

-Você não poderia ter me visto antes, já que hoje é o meu primeiro dia. E se é um prazer conhecer você, Matt, saberei só mais tarde... –Havia algo de extremamente intimidador no sorriso que Mello entregou para ele, mas Matt apenas deu de ombros, por algum motivo querendo impressioná-lo. Não era à toa que era o primeiro dia de Mello, porque o ruivo tinha certeza que uma figura tão...distinta, quanto ele, não poderia ter passado despercebida por seus olhos atentos de criança curiosa...

-Então tá. –Disse, fingindo que não se importava nem um pouco com a rispidez.

Quase decidiu a voltar para o estúpido jogo, porém quando ia fazê-lo, Mello simplesmente não o permitiu.

-Espere. Eu estou curioso com algumas coisas, Matt. Eu queria saber o porquê você está aqui.

O ruivo engoliu em seco.

Talvez fosse a escolha das palavras ou o tom de voz que Mello usou para dizê-las...

Não.

Matt sabia que havia algo mais nas intenções daquela frase, algo que não se deixava transparecer nas palavras -só em seu azul favorito, que lhe encarava tão fixamente, agora.

Algo confidencial.

Algo que provavelmente havia sido o motivo do garoto arrogante ter iniciado aquela conversa misteriosamente estranha.

-Quero ser o sucessor de L. – Delegou, sem se deixar fazer rodeios.

E recebeu um riso.

Um rompante de riso sarcástico, que foi tudo o que Matt precisou para saber que não havia sido um ato estúpido dizê-lo, porque Mello muito provavelmente já sabia e havia se aproximado somente por conta disso.

Ele desejava saber se ele diria as palavras ou se jogaria com seu mesmo discurso de ‘sou apenas um garoto órfão’.

Mas aquele riso se prolongou demais.

Prolongou-se tanto, que começou a inquieta-lo.

-Queria, Matt. –O loiro disse entre um riso e outro. –Acho que você quis dizer queria. –Pegou o restante de sua barra de chocolate, e deliciou-se mais um pouco com sua última mordida. Matt o fitava, sem entender muito bem aonde ele desejava chegar, um tanto quanto atordoado pelo som que o riso dele produzia pairando na atmosfera. Parecia encher seus ouvidos e era repleto de satisfação, fazendo o ruivo se sentir bem por tê-lo provocado. –Eu serei o sucessor de L.

Mello encheu-se de pompa para enunciar tais palavras, e depois passou a sorrir para Matt, de uma forma que nunca ninguém havia sorrido...

Tão cinicamente hostil.

O brilho dos olhos que Matt inconscientemente idolatrava tinha algo mais agora, quase um instinto selvagem, um brilho que incitava uma competição.

E o sorriso, por sua vez, praticamente beirava ao desafio.

Era como se ele tivesse dito para jogarem videogame e verem quem zerava o jogo primeiro.

E se fosse essa opção, Matt provavelmente teria sorrido da mesma forma. Teria correspondido ao desafio e teria deixado aquele brilho de competição também tingir seus olhos.

Mas como não era isso, o pequeno ruivo também sorriu, só que não havia nada de competitivo ou ameaçador nesse sorriso.

Num futuro mais breve do que gostaria, Mello encontraria alguém que lhe sorriria assim, querendo disputar com ele, querendo derrotá-lo, humilhá-lo e colocá-lo para baixo.

Só que não Matt.

O sorriso que o ruivo esbanjava era feito de admiração, curiosidade e...Somente de coisas assim.

-Hmm...Nesse caso, quero ver como isso vai ser.

Parcialmente -não mais do que parcialmente- o sorriso de Mello foi se desfazendo, migrando de competitividade para desapontamento.

Por alguns instantes, tudo que fez foi apenas encarar Matt.

Parecia pasmo demais para qualquer outra coisa.

Até mesmo continuar respirando.

-O que há com você...? –Ele estava tão confuso. -Não está furioso por eu vir aqui frustrar suas expectativas de ser o sucessor de L?!

-Por acaso eu deveria estar?

-Eu...Suponho que sim.

Matt poderia ser capaz de rolar de rir, internamente. No futuro, ainda muito mais.

Mello tinha ido até ele na intenção de encontrar um competidor à sua altura.

Ao invés disso, tudo que havia encontrado era alguém disposto a ser seu amigo.

-Hm, ficarei contente se você for o sucessor de L, Mello. Contanto que se mostre capaz...

-Eu sou! Eu sou capaz! –O loiro logo ficou eufórico para fazer Matt acreditar em suas palavras. Mas depois que viu o ruivo assentindo, cruzou os braços e retomou a postura convencida, tentando disfarçar que fora dominado subitamente pelas próprias emoções. Mello sempre tentaria não ser a criança que realmente era. –Hum. Acho que vamos nos dar bem, Matt...

Por alguma razão desconhecida até então, o ruivo se sentiu extremamente feliz por estar ouvindo aquelas palavras.

Era quase como se acabasse de ser declarado que ele iria ganhar um presente.

Um amigo que valesse realmente a pena possuir por ali.

Ele retribuiu Mello com o melhor sorriso de sua coleção. E por um momento ou dois, permitiu-se contemplar e ficar abismado pelo orgulho do sorriso dele e pelo resplandecer inigualável de sua cor tão favorita.

Ele nunca poderia imaginar, naquele instante tão inocente e infantil, o quanto viria a se tornar perturbadora sua dependência sob aquele sorriso.

Ele nunca poderia pensar que aquele “acho que vamos nos dar bem” tão ingênuo e acolhedor que Mello dissera, se tornaria algo a mais.

Mais do que era possível se descrever com simples palavras.

Eles eram apenas crianças.

Sim, mas crianças crescem rápido demais.

E não iria demorar muito até que descobrissem como era o futuro que começava a ser escrito sob as entrelinhas daqueles sorrisos infantis...

Notas finais
*-*