Chloe estava nervosa. Rachel, para ela, era a única pessoa que nunca iria mentir para ela. Nunca iria magoá-la. Era a luz no fim do túnel. Seu resgate depois de tanta merda. Mas não, era só mais uma que não ligava para ela e que não a amava. Todos fazem isso com ela, ninguém parece se importar. Chloe chorava aos prantos em sua cama, querendo parar. Por que chorava sempre por pessoas que não mereciam? A primeira vez foi com seu pai.

Chloe tinha 15 anos e Max 13, era um dia comum na casa dela, Max tinha dormido lá na noite passada.
–Meninas, foto! — William pegou sua câmera
–Diga X, SuperMax! — Chloe puxou Max da cadeira de jantar e a abraçou de lado para a foto
–Xiiiiis! -Max e Chloe sorriram e William tirou a foto.
–Espero que o flash não tenha a assustado, Max. Essa ficou boa! -disse William
–Não antes de eu ver! Você conhece as regras, papai! Max, diga a ele!
–Somos as críticas! — Max foi ao lado de Chloe para olhar a foto — Wowser!
–E aí, o que acharam? -William perguntou
–Posso colocar no álbum da família? — Chloe pegou a foto da mão dele
–Claro, mas só depois de cozinharmos nossos ovos com bacon! — William colocou a foto e a câmera no balcão — Venha, temos que alimentar as princesas!
–Tá bem! — Chloe começava a cozinhar — Não seja uma preguiçosa, Maxine! Ajude aqui!
–MAX! NUNCA MAXINE! -Max deu um cascudo em Chloe e começou a ajudar.

Chloe se lembrava. Era a última vez que ficara realmente feliz e sem preocupações. Era a última vez que veria seu pai...

O telefone tocou.
–Espera aí, deve ser sua mãe. -William correu até o telefone.
–MAX! Não é assim que quebra os ovos! -Chloe gritava
–Alô? — William atendeu — Oi querida! Estou fazendo um café da manhã de rainha com a Chloe e a Max. Logo iremos almoçar no Two Whales! ... Oi? Ah! Eu não sabia que tinha ido no mercado. Claro, te dou uma carona! Logo mais chego aí... Okay, beijos!
–O que a mamãe queria? -Chloe gritou da cozinha
–Vou dar uma carona para ela, ela está no mercado, trazendo alimento para as princesinhas!
–Pare de ser um exagerado, daddy! -Max apanhava de Chloe por errar mais uma vez a receita.

–Vocês viram minhas... Ah! Está aqui -pegou as chaves do carro em cima da mesa — E sem nenhuma degustação de vinho enquanto eu estiver fora!

–Qualé! -Max foi até o corredor para ver William saindo pela porta

–Hey, Max! Vai ficar aí a noite? Hoje o jantar vai ser excelente, pelo que Joyce disse ao telefone

–Ela nunca vai me deixar! — Chloe abraçou Max num impulso

–Eu sei que não! -William saiu pela porta. Chloe lembrava de todos os momentos...

O telefone tocou e ela o atendeu. Depois disso, só vieram lágrimas. Lembra de Max ir junto com ela até o hospital. Chloe estava tremendo e não sabia o que fazer quando viu seu pai, morto, naquela maca. Chorava sem parar, se perguntando porque. Por que ele? Por que sua mãe tinha que ter pedido uma carona? Por que ele se acidentou? Por que ela perdera o pai, justo agora? Justo hoje? Só chorava sem parar, abraçada em Max, chorando menos que Chloe.

Tempo passou, era o velório. Chloe não conseguia pensar em nada, a não ser ir junto com seu pai. Era muito apegada a ele. Tentava não chorar, mas não conseguia. Chorar para dentro era horrível, mas não podia fazer um escândalo no meio de todos. Max estava ao seu lado, muito triste. William era como um segundo pai para ela, já que o tempo todo estava com Chloe. Joyce chorava e limpava suas lágrimas com um lenço, desejando que aquilo fosse um terrível pesadelo. Amigos e familiares, todos juntos ali naquele momento, mas ninguém estava tão mal quanto Chloe.

–Eu já volto -disse Chloe, com dificuldade, para Max. Chloe saiu dali, não aguentava mais segurar o choro. Entrou em uma das cabines do banheiro e pôs se a chorar.