Everybody hates Lucy
2 Capítulo Um - Todo o mundo odeia tapas na bunda.
Notas iniciais

—Etto.. – Eu tentava iniciar uma conversa. Depois do ocorrido com Mirajane na entrada, Erza me puxou até o mural onde estavam diversas folhas sulfites imprimidas com diversos nomes e classes, o edital. Respirei fundo e enxuguei o suor que escorria pelo meu rosto pela corrida com a mão esquerda. Eu rapidamente achei meu nome no 1º S e como eu sou nerd, nem me surpreendi. Achei meu nome com facilidade, como era do 1º ano e ainda era bolsista, meu nome tinha um número de inscrição diferente dos que pagavam. Observei Erza olhando a parte do 2º ano, mas logo ela voltou sua atenção a mim quando eu tentei falar. – P-por que me ajudou?
—Porque eu vi que precisava de ajuda. – Ela sorriu gentil e eu acabei sorrindo junto, achei pelo menos uma pessoa gentil aqui, tô até emocionada. – E também porque Mirajane provavelmente quer comer a sua cabeça agora.
—Ah, p-pois é...– Ri sem graça e cocei a nuca, constrangida. Mas não contive uma gargalhada meio anasalada ao lembrar da cara dela quando se molhou de café. Logo cessei a gargalhada ao lembrar porque estava rindo. – Meu Deus, eu sou um monstro!
—Ah, não se culpe, novata... – Erza bateu em minhas costas e eu quase tossi meu pulmão para fora. Bruta ela, não? – E você tem que concordar... A cara dela quando derrubou o café foi...
Nós duas nos olhamos cúmplices e gargalhamos ao lembrar da cena. É, a cara de desespero que Mirajane fez foi impagável. Me sinto uma sádica.
—Ah é! – Erza parou de gargalhar e me olhou como se tivesse se lembrado de algo. – Você não me disse seu nome ainda, novata.
—L-Lucy Heartfilia, m-muito prazer.. – Estendi minha mão, completamente envergonhada. Em um minuto estamos gargalhando sadicamente, cúmplices, e no outro estamos nos apresentando. Confuso? Claro. Minha vida é assim, afinal.
—Erza Scarlet, o prazer é todo meu! – Ela sorriu e apertou minha mão. Só aí me dei conta. EU HAVIA ENXUGADO MEU SUOR COM AQUELA MÃO, AQUELA MÃO TA MOLHADA. DE SUOR. Sorri sem graça e olhei Erza, que tinha uma expressão indecifrável no rosto. Ela sorria de olhos fechados. – Enxugou seu suor com essa mão, não foi?
—S-sim... – Ela largou minha mão rapidamente e eu a sequei na saia do colégio. AI QUE VERGONHA, QUERO CAVAR UM BURACO NO CHÃO E SUMIR. Ela riu.
—Então, Lucy... – Ela secou a mão com um lencinho que tirou de algum bolso do casaco escolar. – é do primeiro ano, não é? Em qual sala caiu?
—P-primeiro S..
—Olha, temos alguém inteligente aqui – Ela sorriu gentil e me olhou. – Já participa de algum clube?
—Eu sou bolsista. – Eu disse observando sua expressão se transformar em uma de pena. Ué..
—Você passava fome antes de vir para cá ou se prostituía para pagar a comida? – Ela disse gentil, batendo de leve em meu ombro como se dissesse que me compreendia. MAS PELO JEITO ELA NÃO SABE DIFERENCIAR POBRE DE MORADOR DE RUA.
—N-nenhum dos dois! – Eu disse envergonhada, como ela pode ter tido tais pensamentos pervertidos sobre mim? – Eu sou pobre, mas também não passo fome...
—Eh? Mas outro dia eu vi na tv uma mulher pobre que se prostituía para comer x-burger... – Ela colocou a mão no queixo e olhou para cima, como se repensasse sobre todos os pobres do mundo se prostituírem para não passar fome. É, NÃO SÃO TODOS OS POBRES QUE FAZEM ISSO.
—M-mas não são todos os pobres que passam fome... – Eu disse e logo ouvi minha barriga roncar, arregalei os olhos. BARRIGA INGRATA, E A MAÇÃ QUE EU TE DEI DE MANHÃ PARA VOCÊ FICAR QUIETA?
—Sua barriga não concorda com você, Lucy... – Erza riu enquanto eu brigava mentalmente com a minha barriga sobre ela ser inconveniente e entrar na conversa alheia dando sua opinião. Erza remexeu sua bolsa e tirou um pedaço de bolo de morango todo plastificado de lá, ouvi minha barriga responder ao chamado. Erza me estendeu o bolo – Pode comer, Lucy.
—Ah não, não precisa se incomodar... – Disse balançando a cabeça negativamente. Erza me olhou interrogativa.
—Ah, não se preocupe, eu trouxe mais – Ela disse e abriu a bolsa, mostrando pelo menos uns vinte pedaços de bolo de morangos plastificados, meu queixo foi ao chão. Onde fica o material dela?
—Mas, e o seu material? – Não evitei a pergunta, não dava pra ter tanto bolo e ainda material dentro de uma mochila, mesmo se fosse uma mochila de rico. Ela arqueou uma sobrancelha.
—Tá no quarto, esse é o meu estoque de bolo de morango até a semana que vem – Ela sorriu e seus olhos brilharam. Eu havia me esquecido, semana passada eu vim aqui com o meu pai trazer as minhas coisas antes dele viajar a trabalho. É, pobre também viaja a trabalho. Sorri e só ai percebi que estava atrasada pra aula. MERDA, POR QUE ISSO SÓ ACONTECE COMIGO?
—E-erza-san... – Erza me olhou. Apontei para o corredor que dava acesso as salas do primeiro ano. – N-não estamos atrasadas?
—Eh? – Ela observou minha expressão confusa e pareceu se lembrar de algo, novamente – Ah! não, não, hoje não tem aula! Eles só pedem para vir mais cedo hoje por causa do discurso do começo do ano, mas agora já deve ta acabando. Fora que quase ninguém foi ver. – apontou pelos alunos que circulavam tranquilos por entre os prédios do terreno.
Me indignei. COMO ASSIM? EU SAIO TODA DESCABELADA DE CASA, QUASE PERCO O ÔNIBUS, ASSUSTO O MOTORISTA, DERRUBO CAFÉ EM UMA POPULAR E NÃO TEM AULA? Ah, vão a merda.
—Ei, onde vai, Lucy? – Erza me chamou quando eu comecei a cambalear em direção ao bloco dos dormitórios femininos.
—Ah, eu vou pro quarto deixar minha mochila... – Menti, eu ia ficar o dia inteiro dentro do quarto lendo mangá com medo de sair e dar de cara com a Mirajane. Erza sorriu.
—Te vejo no almoço? – Ela perguntou, eu apenas assenti e sorri. Eu tenho uma amiga, que emoção.
Agora que paro para observar, a escola é enorme, poderia comparar com uma cidade menor, mas para mim tava mais para um presídio com blocos separados. Fui até o bloco dos dormitórios e subi para a ala feminina. Eu dividia o quarto com outra bolsista, seu nome era Cana Alberona, uma repetente do primeiro ano. Conheci ela no dia em que vim com meu pai trazer as minhas coisas e arrumar minha parte do quarto. Cana é legal, o problema é que ela é alcoólatra, ela repetiu o primeiro porque faltava muito as aulas devido as vezes que acordava de ressaca e não saia da cama, agora quem terá que cuidar para que não haja mais ressaca é a sortuda aqui. Chego no quarto e jogo minha mochila ao lado da cama, pelo silêncio no quarto, acho que Cana ainda não havia chegado. Me jogo na cama que escolhi ser minha no dia em que arrumei as minhas coisas e resolvo tirar um cochilo, afinal, aquele sonho da noite passada não me deixou dormir direito...
Eu acordei por volta de umas 10 horas, Cana já tinha chegado e estava lendo uma revista, ela me cumprimentou e eu peguei o sétimo volume do mangá de Kuroshitsuji com a capa do Joker. Terminei o mangá por volta de meio-dia porque tive muita interferência durante a leitura (vulgo, Cana tentando puxar assunto e eu tímida não sabia o que responder). Fui em direção a cantina com apenas 5 reais, afinal, eu teria que economizar se quisesse comer todo dia... Acabou que 5 reais era só o suco. DÁ PRA ACREDITAR? Só o salgado era 7 reais, que roubo... No final eu comprei só o suco de laranja de garrafinha e coloquei um canudo, sai pelos corredores procurando Erza. Foi aí que vi Mirajane, ela estava com outro uniforme e conversava com uma garota de cabelos azuis, eu tentei cortar caminho e passar longe, mas quando virei muitas pessoas vinham em minha direção, então tive que seguir rumo. As pessoas que passaram por mim quase me derrubaram, mas eu consegui manter meu suco a salvo. Olhei para Mirajane que riu e sussurrou alguma coisa para a garota de cabelos azuis, eu continuei seguindo pelo corredor quando passei perto de Mirajane. De costas para ela estava um garoto loiro, alto e musculoso, que gritava com outros garotos, eu estava chegando perto dele quando Mirajane soltou um tapão estalado na nádega esquerda do loiro. Fiquei boquiaberta com aquilo e deixei meu suco cair. Ele se virou com fúria estampada nos orbes verdes e olhou diretamente para mim quando Mirajane me olhou fingindo surpresa.
—POR QUE VOCÊ BATEU NA MINHA BUNDA?!
Fodeu.
Continua...
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