Notas iniciais
"The blood on Smile" Em PT: "O sangue no sorriso" conta a vida cotidiana de seis pessoas aleatórias do colégio Abornthera que possuem algo em comum: A sede de acabar com a futilidade que reina no colégio.

SAVANNAH


É impressionante o quanto as pessoas dessa escola ultrapassam do ponto certo de serem medíocres. Aqui, a lei do "corpo bonito e cara de princesa" reina.
Nessas horas, resta-me sentar e terminar de configurar os celulares, prefiro acabar com meu cérebro fazendo isso do que ser forçada a ouvir a cada vez que Audrey passa, elogios do tipo "Gostosa" "Tem festa lá em casa hoje" e muito tumulto. Mas Audrey já está acostumada, nada disso é novidade para ela, afinal ela é considerada a garota de mais IBOPE aqui, o que faz dela um símbolo da escola, falta apenas ter sua imagem estampada no logo dos uniformes das turmas do ensino fundamental.
Muitos pensam que para ter fama, você precisa ser uma vadiazinha e sair deixando que todos passem a mão em você. Mas Audrey não, Audrey é considerada conhecida pelo simples fato de ser "a bondosa justiceira" daqui, sua fama é por bondade e não por ser sexy (o correto seria dizer vadia, não sexy).
Mas, enfim, Audrey não é o que todos pensam, mas tenho certeza, se tudo correr como o destino quiser (eu sou o destino na frase) logo Audrey estará.... estará.... estará.... estará....desmascarada. Conheço-a como ninguém daqui a conhece e nem passa pela cabeça conhecer, afinal, um rostinho bonito, um corpinho sexy, um jeito delicado e bondoso, uma menina que sempre está cercada por suas amigas não é capaz de ter um lado sombrio, oculto. Ou é?

FAGAN

Vago pelos corredores da escola, não acho um lugar que me proteja da futilidade desse colégio, deveria existir uma pena de no mínimo quarenta e cinco anos para quem é fútil.
Detesto todos esses meninos do colégio, falo com no máximo três. Sou o nerd da sala e quase o da escola, venci até agora, nesses meus sete anos que estudo aqui, seis olimpíadas de matemática anuais e três de física, acho que muitos me chamam de nerd por isso, ou pelo simples fato de não usar calças rasgadas, blusas mostrando metade do abdômen ou até tênis da moda. Prefiro usar meus.....CARAMBA! Helen Scott está andando em minha direção.
Nunca pensei em falar com ela, nem em sonho, me sentiria menosprezado.
Bom, tudo isso que falei sobre futilidade, abrange todos os alunos desta escola, menos Helen.
Loira, baixa, cabelos ondulados na altura do ombro e olhos verde mel. Helen Scott amiga de Audrey Hall.
Ela está a uns três metros de distância. Não sei o que passa em sua cabeça, mas na minha....
Murmuro rapidamente:
–Que ela não venha aqui!
–Que ela não venha aqui!
–Que ela não venha aqui!
–Que ela não venha aqui!
Quando está em minha frente abre a boca para dizer algo (que ainda não sei o que é) Audrey enrosca seu braço no dela, da meia volta e anda junto com ela na direção contrária.
Mas é claro, Audrey nunca deixaria um desprovido de futilidade, como eu, ao menos cumprimentar alguma de suas amigas.
O que me intriga é: Se Audrey é tão boazinha, porque me despreza? Será que ela é o que realmente pensam? Ou será que ela não é o que sua fama diz?

LANYS

Tento me concentrar na música baixa que toca em meu fone de ouvido com apenas um lado funcionando, mas é impossível se concentrar em algo que não for as
gargalhadas e vozes altas que vêm da rodinha de Audrey, Amy, Elisa, Helen e Shelby.
Me conformo com isso e permaneço as ouvindo por pelo menos quinze minutos até que Amy e Audrey param em minha frente:
– Como vai seu dia?- Diz Audrey.
– Seria bem melhor se não estivessem aqui- respondo.
– Ah, então prefere que saiamos e você continue ai, sozinha, isolada de todos como um cãozinho recém-chegado em um Petshop?- Retruca ela.
– Acho que você deveria...- Eu digo.
– Deveria o que? Sair daqui? Não acho. Eu faço o que bem entendo dentro dessa escola e não admito que pessoas como você, diga o que devo fazer, além de que
nem tenho motivos para estar falando com você!- Interrompe ela.
–Eu...- Sou mais uma vez interrompida.
–Goodbye girl!- Audrey se despede.
Amy olha para mim com ar desprezível. Retruco o mesmo ar e desvio o olhar para o celular. Consigo apenas mandar via SMS:
"Hey Savannah, configurou os celulares? Tudo certo? Não vejo a hora de acabar com tudo isso. Nos falamos depois. Kisses, Lanys."
E o sinal toca. É agora que devo me dirigir a sala onde encontrarei de novo os cinco maiores monumentos de futilidade do colégio.

BAIRD

Na aula, sento-me do lado de Elisa, tentamos conversar, mas nunca chegamos a um acordo, então, decido que só conversarei com ela o necessário.
O professor entra na sala:
– Olá, sou o professor Earl Thompson, mas podem me chamar de Earl. Tenho vinte e dois anos e serei professor de vocês neste ano.
EARL é o nome da ameaça. Alto, moreno, olhos azuis e costas largas. Vinte e dois anos.
Não sou desses de achar homem bonito, mas o vejo como uma ameaça, até porque, nesse momento as garotas conseguem prestar atenção apenas nele.
Me sinto incomodado por ele, então digo em um tom irônico:
– Nossa, são muitos anos de diferença entre você e nós...quatro anos é muito tempo de diferença entre um aluno e um professor!
E ele, em um cheque-mate responde:
– Sim, quatro anos são realmente muitos anos de experiência e reconhecimento a mais que vocês, alunos.
E é ai que decido, que o Sr. Earl Thompson será meu alvo deste ano.



Notas finais
Esse capítulo conta apenas de alguns, ainda faltam personagens a serem descritos.Kisses-A
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.