Every Rose Has Its Thorn
24 Mr. Brownstone
Notas iniciais
Primeiro, deixe-me divagar sobre a Paula. Na verdade, é só pra dizer que esse cap. é o primeiro que tem uma beta - que é, justamente, a Paula, oe - e dizer: "BABY PLEASE DON'T GO, BABY PLEASE DON'T GO! Baby please don't go down to New Orlean, u know I love you, so Baby please don't go" yeah.
E, sobre a Fulana agora: EU SIMPLESMENTE NUNCA VOU PARAR DE RIR DO SEU LATIM huahsuahsuahsa' FOI SIMPLESMENTE ÓTIMO, serião mesmo o/
“I used to do a little, but a little wouldn't do, so the little got more and more. I just keep tryin' to get a little better, said a little better than before”
De repente, era como se alguém tivesse ligado a luz do sol na minha cara. Eu não fazia idéia de onde eu estava e por que estava com uma dor de cabeça do inferno. Só tinha uma vaga idéia do que tinha acontecido antes de eu vir parar onde quer que eu estivesse agora. Eu me lembrava de ter ido ao mercado e encontrado “minha salvação” nos bolsos da jaqueta daquele cara estranho que eu simplesmente não consigo me lembrar do nome.
Tateei meus bolsos a procura do cartão que a Gabrielle me entregara; se eu tivesse perdido o maldito, estaria morto. Mas ele ainda estava lá, então achei seguro abrir os olhos logo de uma vez.
Beleza, foi o que eu pensei. Porque eu estava “em casa”; não me lembrava de como tinha ido parar lá, mas não importa. Eu só tinha que me certificar de que ninguém tivesse percebido o estrago.
A questão era que eu estava em abstinência havia algum tempo e, quando encontrei o que eu precisava, tratei de me entupir da droga. Na hora eu não pensei, mas agora eu tinha consciência de que estava ferrado. Literalmente.
Me levantei – porque eu estava jogado no corredor no alto da escada – e me arrastei para o banheiro; lavei o rosto e tentei parecer minimamente aceitável, mas eu ainda estava com os olhos vermelhos e com a cara amassada. Eu ainda poderia dizer que tinha dormido demais, mas eu sabia que ninguém ia acreditar. Eu finalmente me deitara na cova que eu tinha cavado.
Eu tinha que encarar todo mundo agora, então procurei pela droga pra escondê-la, mas ela não estava no meu bolso. Foi quando eu realmente percebi o quão ferrado eu estava.
Respirei fundo e comecei a descer as escadas. A casa toda estava em um silencio mortal, então fui até a porta; eu devia ter deixado a droga cair no jardim quando estava muito louco. Quando coloquei a mão na maçaneta, pronto pra escapulir à procura do que me faltava, alguma coisa me interrompeu.
– Tá procurando isso aqui? – perguntou Gabrielle, balançando a sacolinha na frente do meu rosto. Certo, eu estava fodido mesmo.
Olhei para os lados a procura de uma solução para escapar das garras dela, mas eu já estava rodeado e todo mundo me olhava de maneira acusadora. Inclusive a Paula.
– Eu... – comecei, mas na verdade eu não tinha o que falar. Abaixei a cabeça e me encostei na porta, esperando meu castigo.
– Alguém já te disse o quanto você é um imbecil? – gritou Gabrielle – Você sempre teve tudo o que quis, seus pais amam você, nunca te faltou nada! O que você estava pensando, afinal? Do que você esperava fugir? De uma vida perfeita e sem problemas?
– Você não entende...
– Tem razão. Eu não entendo!
– Então me...
– CALA A BOCA, IDIOTA! – berrou ela, com os olhos cheios de lágrimas. Realmente me senti mal por isso, eu pensei que nunca fosse viver para ver o dia que a Gabrielle ia chorar, por qualquer motivo que fosse. Não tive muito tempo pra assimilar essa informação, porque ela levantou a mão pra mim e estalou um tapa na minha cara – Você é o cara mais desprezível que eu já conheci em toda a minha vida! Você é patético.
E, dizendo isso, ela me puxou da frente da porta, abriu e me jogou pra fora da varanda. Estava chovendo, mas eu não me importei. Fiquei lá, ouvindo-a gritar e quebrar os enfeites de vidro da estante, sentindo a chuva me encharcar e finalmente levar embora o cheiro da droga que estava impregnado na minha camisa.
Não sei ao certo quanto tempo eu fiquei lá fora, ajoelhado na chuva, mas em algum momento, ouvi a porta abrir novamente e um segundo depois, alguém parou na minha frente. Eu não quis levantar os olhos para ver quem era, fiquei encarando seus tênis até ele estender a mão pra me ajudar a levantar.
Aceitei a ajuda e olhei nos olhos extremamente verdes daquele cara laranja e sarcástico.
– Você ta bem? – perguntou ele. Sinceramente, estranhei. Estranhei que fosse ele a vir ver se eu estava bem, estranhei que fosse ele parado ali na chuva.
Balancei a cabeça em resposta.
– Ótimo – disse ele e me deu um soco bem no meio dos olhos. Minha visão ficou turva por um momento e me senti despencando no chão outra vez. Não reclamei, porque de algum modo, eu sabia que eu merecia. – Qual é, exatamente, o seu problema? Eu sempre soube que você era um idiota, mas não sabia que era TÃO idiota assim. O que você estava pensando? Em nenhum momento você pensou como a gente ia ficar se você por um acaso morresse de overdose durante um dos seus agradáveis passeios à terra da fantasia?
Bufei. Eu estava mesmo ouvindo um sermão daquele cara?!
– Pode parar, ta bem?! – falei, olhando-o com dificuldade através da chuva – Você não precisa fingir que se importa, eu nunca te dei motivos pra ter pena de mim.
– Fingir? – gritou ele – Que ótimo. Realmente sensacional. O garotinho ainda continua pensando que é o centro do mundo. A Gabrielle estava certa, você é um imbecil.
– Eu não preciso da misericórdia de vocês.
Então ele começou a rir e se abaixou pra ficar mais ou menos na minha altura, já que eu estava jogado na lama.
– Seu filho da puta desgraçado, será que você não entende que mesmo você sendo esse idiota de merda todo mundo lá dentro ama você?! Eu to pouco me lixando pro que você faz com a porra da sua vida e você é um grande imbecil, filho da mãe, mas você ainda é meu amigo, então será que não dava pra você pensar duas vezes antes de mandar tudo o que você tem pro espaço, caralho?!
Arregalei os olhos. Realmente, eu era um idiota. Mas, certo, eu tinha os meus motivos, mas nenhum que fosse importante o bastante para deixar os meus amigos preocupados.
Olhei para a cara de mal do cara parado na minha frente e parei pra pensar. A verdade era que eu sempre tivera algum tipo sinistro de ciúme dele. Porque ele chegara do nada e conquistara a atenção de todo mundo e me fez ficar esquecido num canto. Então percebi que estava sendo egoísta outra vez. Apesar de tudo, ele era meu amigo também. Eu, no fundo, gostava dele do mesmo modo que gostava de todos os outros. Meus amigos de verdade, que ficavam comigo e me aturavam porque gostavam de mim, não só por eu ser bonito e popular. Sinceramente, eu realmente era um filho da puta do caralho; ferrei minha vida e ainda quase esqueci do que realmente era importante pra mim.
– Sabe – disse o Will, chamando a minha atenção – ta meio molhado por aqui.
Dei uma risadinha baixa a contragosto e ele estendeu a mão pra me ajudar a ficar de pé.
– Eu não vou apanhar de novo, vou?! – falei aceitando a ajuda. Will revirou os olhos e entramos na casa outra vez.
– Ah, finalmente – disse a Paula, assim que paramos no hall, olhando pra nós com as mãos na cintura – Menino, escuta que eu só vou falar uma vez! – continuou ela, apontando o dedo pra mim. Dei um passo pra trás – Se eu souber que você foi atrás do matinho da alegriaoutra vez, eu vou cuidar pessoalmente de te trancafiar em um lugar que você só vai conseguir sair quando estiver bem velhinho, caquético e atrofiado. Eu quero só ver o que você vai fazer da sua vida quando essa sua carinha de bebê for pro saco e...
Digamos que eu tenha parado de prestar atenção bem ai. Isso porque eu estava contendo a vontade de pular em cima dela e agradecer pelo sermão; ela estava agindo como se fosse a minha mãe e eu estava realmente feliz em saber que, mesmo depois de toda aquela merda que eu tinha feito, ela ainda se importava comigo – mesmo que a gente nem se conhecesse direito.
–... entendeu, moleque?! – terminou ela, batendo o pé no chão e cruzando os braços.
– Claro – falei, sorrindo.
– Ótimo. Agora eu acho melhor você ir até a cozinha porque o povinho lá ta bem puto com você.
Olhei para o Will e sorri. Estava tudo bem, no fim das contas. Agora eu só tinha que pedir desculpas.
– Hey, Will – chamou a doida da Paula, nos interrompendo. Will suspirou e se virou pra ela – Você fica.
– O que? Por quê?
– Alguém tem que limpar essa bagunça.
– Por que você não manda ELE limpar? – gritou o laranja do inferno de volta. Filho de uma mãe, eu já não tinha sofrido bastante para um dia só? – Espera, por que VOCÊ não limpa? A casa é sua, afinal e...
– Hey, me respeita, garoto! Quem manda aqui sou e enquanto você viver debaixo do meu teto você tem que fazer o que eu mando...
Deixei os dois discutindo “à la mãe e filho” e fui até a cozinha, encarar meus demônios.
– Err, pessoal? – falei, chamando a atenção de todo mundo, que estavam espalhados pela cozinha com cara de preocupados. Respirei fundo – Eu sinto muito por tê-los deixado preocupados. Eu sei que não tem como justificar os erros que eu cometi e eu sinceramente deveria ter parado pra pensar nas consequências que a minha burrice teria nas pessoas que se preocupam comigo, então hm...
– Tá tudo bem – disse o Gabriel, me interrompendo – A gente já entendeu, a gente sabe que você é um idiota...
E deu um soco no meu braço. Nem tive tempo de me recuperar e a Marielle já chegou me estapeando.
–... e um imbecil...
–... e um grande merda... – continuou Suzannah, beliscando a minha barriga.
–... um filho da mãe... – disse J.C, me dando um tapa na orelha que quase me fez voar.
–... filho de uma puta, isso sim! – corrigiu Maely.
– Mas a gente gosta de você, imbecil – concluiu Paulo. Me encolhi. Já olhou pro tamanho daquele cara? – Não se preocupa, eu não vou te bater.
– Ah, deixa que eu faço isso pra você! – emendou Maely, dando um chute na minha canela. – Espero que você se lembre disso antes de pensar em fazer qualquer merda. Obrigada.
Então o bando de malucos se dispersou, me deixando sozinho na cozinha com as minhas dores. Ou quase. Porque ouvi um choro baixinho e soube que a Gabrielle estava ali em algum canto.
Rodeei a mesa e a encontrei sentada no chão, abraçada aos joelhos e encostada no balcão. Me deixei escorregar para baixo e fiquei lá, sentado ao lado dela, ouvindo-a chorar. Não era legal, realmente não era, principalmente porque eu sabia que ela estava chorando por minha causa, mas achei que seria melhor deixá-la chorar o quanto quisesse; eu gostaria de poder abraçá-la, mas estava um pouquinho molhado demais pra isso.
– Desde quando? – sussurrou ela, com a voz abafada pelo choro, sem levantar a cabeça dos joelhos.
Respirei fundo. Eu não queria mesmo falar sobre isso, mas achei que ela tinha o direito de saber.
– Já vai fazer um ano – falei, encostando a cabeça no balcão. – Eu costumava usar à noite, já que meu colega de quarto no S.O.S. era um filho da puta que nunca estava lá, por isso ninguém sabia. Era uma coisa bem controlada, digamos assim.
Ela deu um muxoxo de desaprovação e continuei contando, resolvendo que não fazia sentido esconder nada dela, de qualquer modo.
– Quando a gente foi pra São Paulo, eu fiquei totalmente perdido, não sabia aonde encontrar um fornecedor e acabei ficando de abstinência durante quase um mês. No começo, até que foi legal, porque eu realmente pensei que estava conseguindo me controlar, mas quando chegamos aqui e eu me deparei com a droga outra vez, não consegui me conter e me excedi totalmente. Eu costumava usar pouco, mas o pouco foi se tornando mais e mais, então a coisa foi saindo do meu controle...
Suspirei deixando o resto da frase no ar. Eu realmente, realmente era um imbecil covarde.
– Por quê? – perguntou ela, levantando o rosto um pouquinho e me encarando por entre os fios de cabelo dourado e roxo.
– Todo mundo sempre teve a falsa ilusão de que eu tenho a vida perfeita. Pode parecer engraçado, mas realmente não é legal viver rodeado de pessoas que só estão com você por você ser popular e bonito e não tão nem ai pro que você pensa ou pro que você ta sentindo. E os meus pais... bem, eles nunca tiveram muito tempo pra mim, não é?! Quero dizer, eu fui parar no S.O.S., de qualquer modo.
– Você realmente é um grande filho da puta! – gritou ela, voltando a chorar histericamente – Como você pode dizer que ninguém se importa com o que você sente ou com o que você pensa? Afinal, como você queria que alguém demonstrasse que gosta de você, se você sempre estava rodeado daquele bando de vadia enrustida, loira oxigenada do caralho, enquanto eu sempre te...
Mas ela parou de falar de repente e ficou só soluçando, enterrando a cabeça nos joelhos outra vez.
– Você sempre me... o que? – perguntei, ficando de frente pra ela e tentando fazê-la me olhar. – Gabrielle, olha pra mim!
– Eu sempre gostei de você, idiota! Você é MUITO burro de não ter percebido isso antes, eu sempre tive vontade de te pegar pelos cabelos e chacoalhar porque você nunca percebeu que eu te amo, puta que pariu! E quer saber do que mais?
Não esperei que ela terminasse e a puxei pra perto, fazendo-a me olhar assustada e ficar muda de repente. Segurei seu rosto com as mãos e beijei sua testa, fazendo carinho em suas bochechas – que agora estavam sinceramente coradas.
– Eu amo muito você – falei baixinho, encostando minha testa na dela. Porque era como se fosse sagrado; eu nunca dissera aquilo pra ninguém, mas sentia que podia dizer agora, porque afinal, ela era a pessoa certa, no fim das contas.
Senti sua respiração falhar e a puxei para o meu colo, beijando seus ombros. Ela tinha os olhos mais lindos que eu já vira, grandes e azuis, e antes que eu pudesse pensar qualquer outra coisa, deixei que meus lábios encostassem nos dela devagar, sem pressa nenhuma, porque eu sabia que teríamos a vida toda pela frente, e tudo o que importava pra mim naquele momento era sentir sua boquinha quente em torno da minha.
–... porque eu to morrendo de fome – escutei a voz da Paula ao longe, mas não me importei, porque a coisinha mais fofa da face da Terra estava nos meus braços agora, eu finalmente tinha feito ela parar de chorar e de repente descobrira que o gosto da Gabrielle era melhor que geléia de amora. – então a gente podia... – a voz da Paula ficou bem perto nessa hora, mas ela mesma interrompeu o que estava falando – Err, voltar pra sala e pedir uma pizza.
– Voltar pra sala e pedir pizza é o caramba – disse a voz do Gabriel, adentrando a cozinha como um furacão – Nesse fim de mundo que a gente mora, a pizza só vai chegar aqui amanhã cedo!
Gabrielle me olhou com os olhos ainda marejados de lágrimas e me abraçou, colocando o rosto na curva do meu pescoço. Respirei o perfume do cabelo dela e sorri divertido. Aquele fora um beijo bem molhado, se quer saber, já que eu tomara a maior chuva e Gabrielle estivera chorando um segundo antes.
– GABRIELLE! – gritou Gabriel, finalmente se dando conta de que estávamos lá. – O que você...?
– Sabe o que é mais legal? – disse ela, se levantando junto comigo e ajeitando a camiseta que, por minha causa, agora estava toda encharcada – Mesmo depois de todos esses socos e com a cara toda amassada, ele continua lindo.
E, dito isso, ela me deu um beijo no rosto e saiu da cozinha. Gabriel me olhou estático, enquanto todo mundo ria da cara dele.
– Aquela é a minha irmã, filho da puta! – disse ele, me dando um soco no ombro. AH, QUAL É, VAI SE FODER, JÁ CANSEI DE APANHAR HOJE!
– Eu sei! – gritei de volta – E daí?
– Ah, sei lá – continuou ele – Mas sabe como é, eu sou o irmão cinco minutos e meio mais velho, então deveria cuidar da moral e decência da minha irmã, de modo que eu sou o responsável por garantir a felicidade dela.
– Não se preocupe. – falei – Agora, quem tem que garantir a felicidade dela sou eu, e se depender de mim...
Eu ia dizer mais alguma coisa, mas o Will apareceu na cozinha com um balde e um esfregão na mão, lançando um olhar incinerante do chão molhado pra mim e de volta para o chão.
– AH, NÃO, PUTA QUE PARIU, EU NÃO TO ACREDITANDO! – berrou ele brandindo o esfregão contra a minha fuça– EU ACABEI DE SECAR UMA POÇA ENORME LÁ NA SALA E VOCÊ ME VEM FAZENDO ESSA SACANAGEM DE ENCHER A COZINHA DE ÁGUA? O QUE FOI QUE VOCÊ E A GABRIELLE FIZERAM, AFINAL? FICARAM BRINCANDO DE ROLAR NO CHÃO OU DE ÍNDIO FAZENDO A DANÇA DA CHUVA NA COZINHA ALHEIA?
– Hey, por que você ta gritando? – perguntou Maely, me poupando de ter que responder.
– EU GRITO O QUANTO EU QUISER E VOCÊ NÃO...
É, só que ele ficou bem quietinho nessa hora e eu fiquei só assistindo a Maely lançar o pior olhar mortal que eu já vira em todos os meus quase dezoito anos de vida.
– Ah, err, oi querida – disse ele com um sorriso amarelo – Já olhou pro céu hoje? Tá meio cinza, né?! E quando cai um raio, ele fica meio violeta que nem naquele dia lá na roda gigante que nós dois dançamos e...
– Claro – disse ela, cortando-o – Se bem que eu acho que o tom de roxo que a sua cara vai ficar depois que eu encher ela de porrada vai ser bem mais bonito!
E então eu quase pude ver as engrenagens na cabeça do Will formando aquela palavra: fodeu.
Notas finais
FUE!
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