Every Road

4 Capítulo 3 - Snuff


Notas iniciais
Espero que gostem.


Todos os dias da minha vida eu me pergunto onde foi que eu errei. Sem duvida, aquele dia não foi nada diferente. Primeiro eu encontro Amy, depois vou para uma festa com ela, logo após descubro que meu melhor amigo namora com a garota que eu era afim, então começo uma briga com um cara que nem mesmo sei o nome, para terminar a noite com chave de ouro, saímos antes que a polícia chegasse e agora eu estava andando na praia com a última pessoa que eu queria ver na minha vida: Samantha.

Sam chorava, eu também queria chorar. Cada osso do meu corpo parecia quebrado, eu mal andava, mas essa ainda era a parte boa. Estar sozinho com ela em uma praia era o tipo de coisa que eu devia evitar. Passamos por muitas coisas para poder fingir que estava tudo bem. Essa era uma coisa certa, fingir que estava tudo bem, mas eu não sabia se conseguiria.

Andávamos lentamente, e a areia começava a me deixar confortável. Tirei os sapatos, Sam fez o mesmo. A água gelada que batia no meu pé me fazia ter dificuldade em contrariar o impulso de abandona-la — que seria outra coisa certa a fazer — e ir dar um mergulho. Conversar naquele momento parecia a coisa mais difícil, Sam andava na minha velocidade, olhando para frente, sem ousar falar uma palavra. Eu também sentia que não conseguiria falar nada.

Mais de cinco minutos depois, quando o silêncio se tornou absurdo, Sam parou de andar e começou a me encarar. Engoli em seco, eu também queria falar, mas precisava buscar as palavras certas. Certamente não consegui. Continuei olhando para ela, que estava com um olhar vazio, seu rosto estava vermelho. Pude perceber cada detalhe pelo luar, que deixava tudo com uma cara de noite perfeita — se eu esquecesse os últimos cinco anos, claro. Sam continuou me olhando por mais alguns segundos, então uma lágrima escorreu dos seus olhos. Fiquei sem reação, queria abraça-la, ou dizer algo reconfortante, mas eu me sentia destruído, tão destruído quanto ela.

— Me desculpa — disse ela com a voz embargada. Um vazio se formou na minha garganta, não consegui soltar uma palavra. Não esperava isso. Sam limpava a garganta como se quisesse dizer mais alguma coisa. — Você não... — pelo visto eu não era o único com dificuldade em formar uma frase. De repente Sam respirou fundo, estufou o peito e soltou um: — Matt, você é um imbecil egoísta.

Eu estava boquiaberto. Ela ainda tinha a coragem de me chamar de egoísta imbecil?! Ela era a vadia hipócrita da história e ousava me chamar de imbecil. Meu pulso fervia, não pude evitar soltar uma risada de desprezo para ela. Me perguntava o motivo de eu estar ali. Eu odiava aquela garota, eu odiava estar ali com ela, eu odiava tudo sobre ela. Eu queria ir embora e... odiar ela ainda mais. Eu sinceramente não tinha palavras para demonstrar como eu me sentia. Eu tinha ido até ali, fazer não sei o que, na esperança que ela pelo menos se desculpasse ou algo do tipo, mas ISSO?

Ela esperava que eu dissesse algo, mas mordi o lábio e me virei de costas. Olhei para o mar atrás de mim e me virei novamente para ela, que me olhava com a mesma cara cínica. Chacoalhei a cabeça negativamente incrédulo.

— É isso mesmo, Matthew. Você não aguenta a verdade agora? — Cada palavra que aquela garota soltava aumentava minha vontade de desaparecer da face da terra. No momento eu não a odiava, eu me odiava. — Você é idiota, egoísta, não sabe ouvir as pessoas. Mais algum defeito? — Qual era o objetivo dela mesmo?

Respirei fundo tentando me acalmar. Passei a ponta da língua sobre os lábios, mostrando estar frio, mas acho que não funcionou.

— Onde você quer chegar? — ela não respondeu. — Sabe, qual o seu objetivo tentando apontar defeitos meus? Quem é você, garota? Eu nem mesmo me lembrava é de você — ela levantou uma sombracelha com minha mentira.

Como eu odiava tudo naquele momento.

Sam ainda não disse nada, então aproveitei que as palavras fluíam.

— Você se acha... Por que estava me falando isso? O que você pode falar? Você não é ninguém, Samantha.

— Talvez Amy seja — e por que ela falava de Amy?

— Para de falar da Amy, ela não tem nada a ver com isso. Talvez Stew tenha. — então ela pareceu tão irritada quanto eu.

— Não fale nada de Stew, ele não tem nada a ver com isso. O problema aqui é você! — agora além de tudo eu ainda era um problema. — Você e esse seu gene irritante de fazer as coisas tirando decisões precipitadas. Quando você vai parar? Quando você vai aprender a fazer as coisas? — eu sabia que ela não falava somente da briga, mas esse era o assunto principal. — Por que você partiu pra cima do Wren?

Bom, pelo menos eu já sabia o nome do carinha que queria me matar, já é uma coisa.

— Por que ele estava te machucando?

— Isso não vem ao caso. Matt, ele não vai te deixar em paz! — disparou ela.

— Não vai me falar? Eu vou descobrir — falei me acalmando. Na verdade, eu já me sentia bem melhor. As dores fisícas já haviam passado, o único problema agora era Sam.

— É o Alex — ela agora estava cabisbaixa. Tristonha. Alex, pelo que me lembro, é o irmão mais novo e problemático de Sam. — Ele se envolveu com gente errada, e parece que tudo caiu sobre mim.

Já era imaginável. Alex nunca levou jeito para coisa boa, agora se meter com esse tipo de gente? E agora tudo estava sobre Sam, tudo bem que ela era idiota, mas não merecia tudo isso. Assenti pra ela e me virei de novo, o horizonte me acalmava. Quando voltei para Sam ela estava chorando. Não sabia se aguentaria resistir a ela chorado daquela maneira novamente. Mordi o lábio nervoso, e, sabendo que iria me arrepender, a abracei suavemente. Encostei sua cabeça no meu peito, tentado acalma-la, e funcionou.

Em algum ponto do abraço, que eu já estava completamente perdido, Sam murmurou algo como "por que você tem que dificultar tanto?". Não entendi o que ela quis dizer, então não disse nada. Eu só queria que todos os momentos fossem como aquele, queria que aquele momento especificamente fosse algo como eterno. Eu me senti bem, senti que Sam estava da mesma maneira.

— Preciso ir — falei me soltando dela rapidamente e partindo imediatamente.

O sol já dava seus primeiros sinais de aparecer quando cheguei em casa. Pensei em passar direto para o quarto, eu não me sentia bem. Passei na cozinha para pegar um copo de água e lá meu pai me esperava. Ele estava apoiado no balcão, segurando um copo de café. Ele parecia bem estressado.

— Não volto tarde. É uma festa aqui perto. — disse ele em uma tentativa ridícula de imitar minha voz. Me senti envergonhado, porque de algum jeito, eu havia o desapontado.

— Desculpa, eu...

Tentei falar algo, mas meu pai era a última pessoa em que você podia ter um dialogo em uma situação não comum.

— Nada de desculpas. Você já tem dezoito anos, quando é que vai tomar uma responsabilidade? — Não entendia o motivo dele falar tanto, como ele mesmo dizia, eu já tinha dezoito anos. — Você só vai aprender se voltar para Washingtom mesmo.

— Boa! — falei imediatamente. — É disso mesmo o que eu preciso, se quiser, pode até comprar minha passagem para amanhã. Isso seria realmente melhor.

Subi para meu quarto imediatamente. Não conseguia tirar os momentos mais cedo da cabeça, muito menos dormir. Voltar para Washingtom seria realmente o melhor para mim, poder esquecer tudo daqui, e quem sabe, continuar vivo. Mas antes eu precisava arrumar algumas coisas aqui, e precisava agir logo.

Depois de dez minutos — que pareceram quarenta — sai pela janela. Dormir eu não conseguiria, e tinha coisa mais importante pra fazer.

Notas finais
Sam é tão odiável quanto o Matt né? Podem mandar na review o que acharam :)