Every Night

1 Capítulo único: A promessa.


Notas iniciais
Escrevi essa one porque queria terminar o ano escrevendo ♥ Life Is Strange e LIS Before The Storm são dois dos meus jogos favoritos DA VIDA e eu estou completamente apaixonada pelos personagens e, em especial, por Pricefield e Amberprice. Pois é, não tenho um único team. Enfim, espero que vocês gostem. ♥

Você, alguma vez, já se sentiu sozinho, em uma sala lotada? Max Caulfield via, dia após dia, os mesmos rostos conhecidos em Blackwell, mas por mais amigáveis que fossem alguns deles, o mesmo vazio insistia em consumi-la. De que adiantava ter salvo tantas vidas, se a pessoa que mais lhe importava, não estava mais ali? Reencontrar Chloe foi difícil, sim, a princípio. Quer dizer, não é como se ela esperasse que após ser ignorada por cinco anos, sua velha amiga não fosse estar magoada. Ainda assim, isso a levou a encontrar um novo propósito, foi como se seu mundo monótono e sem graça fosse invadido por cores, transformado em uma grata aventura. Sem ela, tudo havia voltado a ser cinza, sem sentido e, especialmente, melancólico.

Após David seguir suas orientações e encontrar o quarto escuro, os culpados pelo trágico destino de Rachel e tantas outras vítimas receberiam suas devidas punições: Mark Jefferson apodreceria atrás das grades e, tal como seu “pupilo”, Nathan. A despeito, é claro, dos esforços de Sean Prescott, que fez de tudo para abafar o caso. A Fundação Prescott estava também sob investigação, pois os crimes não teriam ocorrido sem que Jefferson tivesse acesso aos recursos da família mais poderosa financeiramente de Arcadia Bay.

Tais acontecimentos deveriam alegrá-la, até mesmo trazer-lhe um sentimento de orgulho, afinal, sem sua ajuda a justiça não teria sido feita, mas... Droga! Como poderia ficar feliz, sabendo que Chloe Price, sua melhor amiga, fiel companheira, parceira no crime e no tempo e amor de sua vida estava morta? Assassinada por Nathan, porque caso contrário, a cidade teria sido destruída por uma maldita tempestade? Era tão injusto! Por qual razão seus poderes existiam, se Max não poderia usá-los para salvar Chloe, sem causar uma catástrofe?

— Max! – ouviu a voz de Warren chamá-la, mas continuou andando. Não estava com cabeça para jogar conversa fora no momento. – Max! Ei, Max!

Suspirou, se dando por vencida. Parou e se virou, a contragosto.

— Sim, Warren?

— Sei que talvez não seja um bom momento... Quero dizer, os últimos dias foram bem intensos, com o Sr. Jefferson sendo preso e a morte daquela garota punk, mas... Tem uma maratona de “Planeta dos Macacos” dos anos 70 e eu pensei que...

— Sinto muito, mas realmente não tenho ânimo para ir ao drive-in com você essa semana... – o interrompeu.

O garoto murmurou um “ah”, em evidente desapontamento. Em outra ocasião, talvez Max se sentisse mal por chateá-lo, mas francamente? Ela só queria chegar em seu dormitório e ficar sozinha, por tempo indeterminado. Além disso, a última coisa que precisava era ter que lidar com a paixonite de Warren por ela. Quer dizer, ele era, sim, uma ótima pessoa e os dois tinham muito em comum, mas Max apenas não o via dessa forma. Ainda mais após Chloe...

Elas não eram namoradas, ou algo parecido, entretanto, tudo o que passaram juntas na última semana – antes de Max precisar voltar no tempo e permitir que ela morresse, mais uma vez, diante dela – acabou por despertar um sentimento até então desconhecido pela aspirante a fotógrafa: o amor. Max não sabia se havia se apaixonado pela amiga naqueles cinco dias, ou se sempre a amou, desde quando eram crianças, brincando de piratas e sonhando com o dia em que desbravariam o mundo... Só sabia que seu maior desejo era que tivessem mais tempo juntas. Queria tanto ver aquele cabelo azul e cara emburrada mais uma vez, beijá-la de novo...

Não sabia se algum dia voltaria a sentir isso por alguém. Quer dizer, sim, pessoas se apaixonam mais de uma vez, mas... Com Chloe era diferente. A conexão que elas tinham não podia ser substituída. Elas eram como o contraste perfeito e despertavam uma na outra o melhor que existia dentro delas. Era singelo, verdadeiro... Max não sabia dizer se Chloe a amou como amou Rachel, mas sentia que, sim, era recíproco, levando em consideração não só as palavras, mas o beijo de despedida que aconteceu pouco após tomar a decisão mais difícil de sua vida.

— Acho que vou indo então, Max... – disse Warren, cabisbaixo.

— Ei, por que não convida a Brooke para ir com você? Tenho certeza que ela adoraria... – Max aconselhou.

— É, sei lá, tanto faz... – ele resmungou, se afastando.

Max seguiu para os dormitórios. Não havia mais a mensagem maldosa de Victoria na plaquinha do quarto de Kate e isso a fez se sentir certo alívio. Não correria o risco de que sua amiga cogitasse o suicídio novamente. Seria ainda mais horrível vê-la naquele telhado, prestes a pular, tendo perdido Chloe na mesma semana...

Chegando em seu quarto, Max praticamente se jogou em sua cama e ali ficou, sem saber dizer por quanto tempo, revivendo memórias enquanto lágrimas rolavam pelo seu rosto. Fitava o teto, se perguntando: “Por quê?”. Será que foi assim que Chloe se sentiu ao encontrar o corpo de Rachel no ferro-velho? Provavelmente, algo parecido...

O estranho de perder a única pessoa que você sente que pode conversar sobre tudo, é que ao perdê-la, a primeira pessoa que lhe vem à mente para pôr para fora a dor que está vivenciando, é justamente essa pessoa. O mundo era tão injusto! Chloe não merecia ter tido uma vida tão difícil, tampouco ter um fim como aquele... Morta por Nathan Prescott em um banheiro. Qual o sentido de tudo isso? Era esse o destino dela? Morrer sem redescobrir a felicidade? Sem reencontrar Max? Sem que elas tivessem a chance de recomeçar? Sem saber a verdade sobre Rachel? Sem nunca se resolver com a mãe?

Com esses questionamentos, Max adormeceu. E, enfim, lá estava ela. Em meio ao branco absoluto, Chloe se destacava com sua jaqueta de couro e pose de dona do mundo. Um sorriso tomou conta dos lábios da viajante do tempo, que correu para abraçá-la. Chloe gargalhou.

— O que é isso, Max? Você ganha um beijo e já fica toda animadinha, se jogando em cima de mim?

Max riu. E, se segurando para não chorar de alegria, disse:

— Eu sinto tanta a sua falta, Chloe...

— Acho que seu superpoder acabou mexendo um pouco com a sua cabeça, SuperMax... – respondeu Chloe, parecendo não entender. – Eu estou bem aqui...

Sem aguentar mais, Max ficou na ponta dos pés e selou seus lábios nos da mais velha, que correspondeu de imediato. O coração da fotógrafa batia descompassado, enquanto as mãos de Chloe se mantinham firmes em sua cintura. Diferente das outras vezes, esse beijo não foi um selinho interrompido, ou uma triste despedida. Foi intenso, caloroso, cheio de paixão e entusiasmo. Max queria que ela soubesse o quanto era amada, o quanto ela fazia falta...

Uou... – sussurrou Chloe, ainda de olhos fechados, ao quebrar o contato. – Isso foi...

— Incrível, eu sei... – Max completou, observando-a com atenção, querendo memorizar cada mínimo detalhe, pois sabia que quando acordasse, ela já não estaria mais lá. – Chloe, e-eu...

— Você...? – arqueou uma sobrancelha. Ela estava séria, com os olhos azuis fixos na amiga, atenciosa e intrigada, como na vez em que a amiga lhe contou sobre sua visão e seus poderes. Olhando-a ali, tão de perto, foi impossível para Max que seus olhos não se enchessem de lágrimas. – Max? Está tudo bem?

— Eu sinto muito! E-Eu... Eu não queria ter feito isso... – disparou a falar, em meio ao choro que não pôde conter. – Eu te amo tanto, Chloe! Você é mais do que minha melhor amiga, te ter do meu lado nessa semana foi muito além do que eu merecia e... Eu não consigo aceitar que você está morta. Eu não consigo!

— “Morta”? – a de cabelo azul repetiu, sem entender. – Você andou mexendo com o tempo e eu acabei morrendo de novo, é isso?

— Você... Não se lembra? – perguntou Max. Sua amiga meneou com a cabeça, em negação. – Chloe, olhe ao redor, nós não estamos em Arcadia Bay... Não há nada aqui... Você... Morreu, no banheiro.

— Está ficando louca? – Chloe riu. – Você me salvou dessa, acionando o alarme de incêndio...

— Não dessa vez... Salvar você foi o que causou a tempestade e... Eu precisei voltar e... Não fazer nada... Apenas assistir enquanto o Nathan atirava em você... – enquanto falava, voltou a chorar, a dor que sentia era, praticamente, dor física. Ultrapassava o âmbito emocional, ela estava completamente desolada. – Eu sinto tanto...

Chloe nada disse, somente a envolveu em seus braços, com uma calma que era surpreendente, se tratando dela. Max se sentiu tão confortável e segura naquele abraço, era quase como se fosse real... Por um período indeterminado, ficaram ali, abraçadas, até que o choro da estudante de Blackwell cessasse por definitivo. Assim que ela se acalmou, a Price finalmente decidiu falar:

— Está tudo bem... Não deve ter sido fácil tomar essa decisão e... Eu não te odeio por isso... Relaxa.

— Eu vou sentir tanto a sua falta...

— Também sentirei a sua e... Max Caulfield, não se esqueça de mim!

Nunca...

Max se inclinou, dando-lhe um rápido último selinho. Chloe sorriu por um instante, para então comentar:

— Acho que, mais uma vez, precisarei me acostumar a ficar sozinha...

“Sozinha”? – uma terceira voz se fez presente, soando um tanto indignada. As garotas olharam para o lado e, logo, Max reconheceu a quem pertencia.

— Rachel! – exclamou Chloe, correndo em direção a ela. Um aperto se formou no peito de Max, ao mesmo tempo em que ela se alegrou. O que sentiu foi um misto de ciúmes e felicidade, pois sabia o quanto Rachel Amber significava para sua Chloe.

Rachel riu levemente, enquanto a abraçava.

— Sentiu saudades?

Porra, sim! – a animação de Chloe era evidente. – Você está aqui! Comigo...

— Ela não é a única... – dessa vez, antes mesmo de se virar para olhá-lo, Max sabia quem era: William.

— P-Pai... – Chloe murmurinhou, sem acreditar.

O homem caminhou em direção a filha, cumprimentando Max brevemente ao passar por ela. No instante em que ficaram frente-a-frente, William abraçou Chloe, que claramente se sentia segura, o tendo por perto de novo. Max sorriu; foi após o falecimento dele que as coisas começaram a dar errado na vida de sua melhor amiga, ela sabia disso.

— É hora de você ir, Max... – afirmou Rachel. – Nós cuidaremos dela, não se preocupe.

— Chloe? – Max chamou. Ainda nos braços do pai, a punk olhou em sua direção e sorriu, como se dissesse: “Está tudo bem”.

— Você ainda virá me visitar, certo? – Chloe questionou.

Todas as noites... – Max prometeu.

Assim, a claridade que já existia no ambiente se intensificou, até que Max não enxergasse mais nada. Quando abriu os olhos, estava de volta em seu dormitório. E, por mais louco que pudesse parecer, a promessa foi cumprida. Se eram apenas sonhos, ou alguma bizarrice sobrenatural, ela não sabia. O que ela sabia era que todas as noites, ao adormecer, lá estava Chloe. E, sabendo que ao fim do dia a veria, Max encontrou forças para aguentar a dor que era viver sem ela...

Notas finais
Críticas construtivas e sugestões são mais do que bem-vindas nos comentários. ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!