Everlong
7 VII: In between
Notas iniciais
Ela ficou olhando para a janela que estava fechada. Apenas tentava decifrar o porquê... Por que Kimura havia voltado justo para acabar uma felicidade que ela nunca sentira antes? Era a intenção dele deixá-la triste? Sempre fora. Mas... Algo havia mudado naquele rapaz. Era óbvio que ele estava crescido fisicamente. Não era isso. Ela podia sentir a serenidade em seu tom de voz... Uma amostra de que seu coração havia mudado? Talvez. Esperava ela que sim.
Algum tempo depois, refletindo sozinha em seu quarto, desceu para almoçar e, ao acabar de encher aquela barriga reclamona, ligou para sua amiga:
- Yuri!
- Yui! Por que não me ligou antes?
- Uma coisa me impediu, desculpe-me.
- Pretende me contar o que foi?
- Kimura...
- Não. Não me diga que...
- Sim, ele voltou. Voltou pedindo por perdão, tanto pelo meu quanto pelo seu.
- Filho da mãe! Depois de tudo aquilo... Acha que ele viu você e Hinata no cinema e sentiu nostalgia? Eu não acho isso.
- Eu também não. Culpa, talvez.
- Desconfie, Yui. As pessoas mudam, mas Kimura... Ele foi mal. Ele tinha uma cabeça perturbada!
- Ele disse a mim que sofreu barbaridades na outra escola e sentiu o gosto do veneno que ele jogava em mim.
- Faz sentido.
- Não é? Ele se juntará a nós nessa tarde. Desculpe caso isso não lhe agrade, mas tive que fazer.
- Não me agradou nem um pouco! Mas que droga Yui!
- Ele vai mais por você!
- Pra piorar, né?
- Sei lá, ele espera que você o perdoe.
- Ficará na espera. Mas então, como foi ontem com o Hinata?! – disse Yurippe eufórica.
- Maravilhoso! Eu...
- O que, o que?!
- Me beijou. Ele me beijou!
- Oh, dear! Seus lábios foram maculados! Parabéns!
- Obrigada, obrigada! – e ficaram gritando loucamente uma com a outra, esquecendo-se do problema.
Kimura. Este olhava para a rua, mergulhado em seus pensamentos. Fizera a coisa certa. Aceitou o título de monstro de cabeça baixa. Foi um monstro. Às vezes o coração dos homens permanece no cinza. Mas Kimura encontrou uma luz que limpou seus céus. Recentemente, encontrou-a em um cinema da cidade, acompanhada de um rapaz. E ela sorria... Que bom que sorria. Pois ele só a fez chorar e se odiava por isso. Tudo que ele havia sofrido fora mais que merecido. Por várias noites, ele chorou na escuridão, sem a quem confiar ou recorrer, sozinho. Sua mãe o julgou malfeitor e seu pai já não estava mais neste mundo. Guardou tudo aquilo em seu coração, que suplicava por ser perdoado.
17 horas.
Hinata vinha com as próprias pernas ao local onde se encontraria com Otonashi, Yurippe e... Yui.
E agora? Ele sempre fora uma garoto sem vergonha na cara, mas nunca havia selado os lábios com uma garota tão importante como era Yui para seu coração, que nunca havia se apaixonado verdadeiramente.
Sentou em um banco da praça e ficou olhando o céu que dava indícios do nascimento de uma tempestade. Estava esperando impaciente pela chegada de seus amigos. Seu coração martelava com forca. Queria vê-la com urgência, mas sentia uma certa timidez que queimava seu peito.
Enquanto isso, Yui comentava com Yurippe sobre esse tão “queimar intenso”. E sua amiga não parava de dizer “apenas aja com naturalidade, sua boba!”. Não a culpava. Falar sempre fora mais fácil que agir. Então finalmente saíram ao encontro deles.
Otonashi tentava convencer Tachibana a seguir caminho com ele:
- Não sei... Eles não vão gostar de mim...
- Você é insegura, Kanade. Eu te acho incrível, porque eles não achariam?
- Não sei... Você é diferente.
- Quer que eu fique aqui com você então? – ansiou por uma resposta afirmativa.
- Não! Não precisa, eu... Eu dou conta de terminar aqui – sim, eles colhiam maçãs no jardim de sua casa.
- Vou ficar. – disse abrindo um sorriso sincero.
E mandou uma mensagem para Hinata, desmarcando sua presença.
Hinata só não jogou o celular no chão de raiva, pois este lhe custara caro. Otonashi era um tanto mal quando queria. Pensou em desmarcar com as meninas, mas estaria sendo um verdadeiro covarde. Era orgulhoso.
Kimura também se preparou para sair. Vestiu-se se despediu de sua mãe. Saiu a correr.
Yui finalmente avistou Hinata de olhos fechados sentado no banco. Suas maçãs do rosto formigavam freneticamente, assim como seu coração que batia a todo vapor. Aproximou-se do corpo adormecido e cutucou-o com delicadeza. Não acordou. Impaciente, chacoalhou Hinata. Este abriu os olhos assustado, e ficou ainda mais sem palavras quando viu quem estava a sua frente:
- Y...Ui! – gaguejou.
- É, quem mais seria? – virou o rosto avermelhado.
- Que... ótimo! Isso, que ótimo que vocês vieram! Ha ha! Legal, legal.
- Você é mesmo um idiota – disse sorrindo. E, finalmente, abraçou seu amado.
- Não sou... Só estou um pouco envergonhado.
- Eu sei, eu também estou.
- Que diabos de conversa é essa? – disse Yuri confusa.
- Pare Yuri! – disse Yui ainda mais vermelha.
- Eu nunca vi isso – gargalhou – um casal confessar que está com vergonha... Geralmente eles escondem isso um do outro, sabia?
- Quieta, sua tonta. – Hinata disse com os olhos de lado
- Ok. Vou calar minha boca. Cadê Otonashi para me acompanhar segurando a vela?
- Ele não vem, aquele idiota. – Hinata fez questão de mostrar seu descontentamento.
- Merda!
- Eu acho que ele tem uma amante. – concluiu Yui
- E eu tenho certeza. Bem, vamos para a barraquinha? Kitto disse que nos dará um sorvete de graça, porque...
- O que?
- ... Já era mais que na hora de eu ter... Err...
- Fala logo! – suplicou Yurippe
- Err...
- Esquece, eu já entendia – disse Yui sorrindo
- He... Que bom. – deixou um pingo de suor escorrer por seu pescoço.
Estavam os três caminhando para a barraca de Kitto, conversando animadamente, quando algo os parou. Uma figura familiar para as duas garotas e um simples estranho para o rapaz. Kimura. Chegou a gaguejar ao seu cumprimentar:
- E ai! Você é amigo delas? – disse Hinata animado.
- Não amigo, exatamente... Mas as conheço. – forçou um sorriso.
- Oi Kimura. – disse Yui.
- Yui! Yuri! Que bom vê-las!
- É mesmo? Tem certeza? Não acha que é um pouco estranho você aparecer justo hoje? – disse Yurippe.
- Escute, Yuri... Eu vim aqui justamente para me desculpar. Pedir pelo perdão. Não quero viver com esse peso.
- Você é um pouco doente.
- Não diga isso por favor.
- É o que você é. Não queria vê-lo, nem sei se quero te perdoar.
- Pare Yuri. Eu, que fui a mais prejudicada o perdoei, porque é tão difícil de você fazer o mesmo?
- Você é boba, Yui! Kimura. Eu não sei o que devo lhe dizer. Você foi um monstro – outra boca o apelidando daquela maneira – que atormentou nossas vidas.
- Eu sei. E me arrependo. Posso conversar a sós com você, Yurippe?
- Ai...
- O que foi?
- Ok... Vou deixar os pombinhos a sós. Mas espero que escolha bem suas palavras, Kimura. Eu não pretendo ceder meu perdão tão facilmente.
- Não há problemas. Não vou mais te decepcionar.
Notas finais
Espero que tenham gostado *---* !! Opinem!
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