Notas iniciais
Olá, espero que gostem de mais um capítulo. Obrigada a quem comenta e quem acompanha :)

Acordei com um som irritante e demasiado agudo para quem estava em sono profundo, abri ligeiramente os olhos e vi o telemóvel a vibrar na mesinha de cabeceira, estiquei a mão e vi que eram nove da manhã de imediato saltei da cama e corri para o quarto de banho, já estava atrasada e tinha apenas quinze minutos para chegar à universidade, após tomar o duche mais rápido da minha vida e me vestir fui até à cozinha e peguei numa maçã da fruteira.

– Bom dia! — disse Mel com um sorriso rasgado.

– Olá e até logo. Já estou super atrasada. — e despedi-me dela pegando na carteira e no casaco pendurados no cabide, quando sai do prédio senti a típica brisa gelada do mês de Novembro, já passaram oito semanas desde que chegara a NY, apertei os botões do meu casaco e vesti o gorro assim como as luvas e caminhei em direção ao campus da Columbia.

Assim que cheguei ao auditório vi que estavam ainda todos à espera do professor, decidi ir ter com Dean e Olívia com quem ficava em quase todas as aulas.

– Hi guys. — cumprimentei — Não vamos ter aula?

– Ainda não disseram nada, mas é o mais provável. — respondeu a rapariga de cabelos negros.

– Vim a correr para nada. — sussurrei mais para mim do que para eles.

– Disseste alguma coisa? — perguntou Dean sorrindo.

– Não nada. — sorri.

– Alunos, hoje não vão ter aula com o professor Patrick, por isso estão dispensados. — avisou a empregada.

– Boa, manhã sem aulas bora dar uma volta? — questionou Dean.

– Eu passo obrigada, tenho uns assuntos a resolver. Até logo então. — e peguei nas minhas coisas e sai do auditório, desci a escadaria principal e sai do campus universitário.

Passados alguns minutos acabei por entrar num café, com o estômago a pedir comida, dirigi-me até ao fim da fila e pensei no que iria pedir até sentir alguém tocar-me de levemente no ombro, olhei para trás e não vi ninguém apenas ouvi uma risada do outro lado assim que me virei deparei-me com o Adam a sorrir.

– Muito engraçado. — ri.

– Eu sei. — sorriu de lado — Que fazes aqui, não devias estar em aulas?

– O professor faltou. E como estava atrasada, mal comi, por isso, vim tomar o pequeno-almoço. E tu?

– Vi-te e resolvi dizer olá. — esclareceu. — Ah já agora deves-me um almoço, as tuas duas semanas acabaram há quatro dias atrás.

– Mas...

– O que vai desejar? — perguntou o empregado interrompendo a nossa conversa.

– Um frapuccino e um cupcake. — disse gentilmente.

– E o senhor?

– Apenas um descafeinado. — disse Adam, e dirigimo-nos para o balcão de receção dos pedidos após pagarmos.

– Então pode ser hoje o almoço? -perguntei.

– Claro...isto é se ter der jeito. — disse ficando um pouco sem jeito.

– Se não desse não perguntava. — ri.

– Bem visto. — disse tomando um gole enquanto saímos do café. — Para que lado vais?

– Direita, vou até ao Central Park. Queres vir?

– Adorava. — e seguimos caminho.

*

À hora de almoço Adam decidiu o restaurante onde iríamos, tal como havíamos combinado, o seu nome era La Traviata era mais ao menos acessível mas mesmo assim tinha uma decoração digna de um restaurante de cinco estrelas, havia velas nas mesas, as cortinas eram cor de cereja e tinha uma sala de espera com sofás antigos, os empregados estavam, impecavelmente, vestidos a rigor e o ambiente era calmo em comparação com as ruas movimentadas da cidade.

Acabamos por pedir pizza e coca-cola para os dois, conversamos sobre a faculdade entre outras coisas, no final pedimos a conta e saimos para a confusão.

– Bem, agora vamos comer a sobremesa. — disse Adam.

– Onde vamos? — questionei curiosa.

– Vamos ao único sítio onde fazem uns maravilhosos crepes, mas vamos ter que apanhar o metro.

– É assim tão longe? Eu tenho aulas daqui a menos de uma hora.

– Não demoramos nada. Anda. — e pegou na minha mão e descemos as escadas até ao metropolitano seguindo viagem até Long Island.

Assim que lá chegamos compramos numa roulotte os crepes e ficamos sentados na pequena esplanada que esta tinha em frente à marina, apesar de ser quase inverno o ambiente era muito agradável e com um casaco vestido nem se sentia o frio.

– De onde és mesmo? — perguntei enquanto levava o garfo de plástico à boca.

– Nasci em Detroit, mas mudei-me para cá aos treze.

– Daí conheceres isto como a palma da mão.

– Yep. Então estás a gostar da sobremesa?

– Muito, isto é divinal! — exclamei.

– Eu disse-te. — e ambos rimos.

Ficamos mais alguns minutos a conversar e depois decidimos ir dar uma volta no cais, havia barcos de todos os tamanhos e preços também, desde o simples barco de pescador ao iate de luxo de um milionário ou até mesmo de alguém que viva em Upper East Side. Adam mostrou-me ainda a vista que tínhamos de NY na zona do farol, era sem dúvida de ficar sem palavras e, segundo ele, à noite ainda era mais bela, acabamos por perder noção das horas e quando entramos no metro de volta para NY já eram quase cinco da tarde.

– Nem acredito que perdi a aula. — disse após sentar-me.

– Desculpa, nem dei pelo tempo passar. — disse fazendo-me olhar nos seus olhos.

– Não tem mal, afinal trocar a aula por um passeio destes não é assim tão mau. Aliás é muito melhor. — disse corando ligeiramente e desviando o olhar.

– Temos que repetir mais vezes então. — sorriu.

– Sem dúvida, mas sem faltarmos às aulas. — sorri mostrando a língua.

– Combinado. — e ambos sorrimos mais uma vez.

Notas finais
Afinal a Mel perdeu a aposta, mas não se importou muito. :P