Everlasting Love
17 Seventeen
Notas iniciais

Já lá vão oito meses desde o dia de São Valentim, tive a minha primeira discussão com Adam no seu aniversário após conhecer uma colega de estágio, a Brooke. Lembro-me perfeitamente de tanto eu como Mel conversarmos e repararmos que ela flirtava com o meu namorado, era demasiado óbvio mas Adam rejeitara isso, dissera que ela era apenas uma amiga nova nada demais e que jamais olharia para ela da mesma maneira que olha para mim. Desde esse dia a nossa relação ficou um pouco abalada, mais discussões vieram e a distância também não ajudava a termos confiança um no outro.
Sempre que olho para o anel sinto o amor que nos unia mas que por vezes já não está presente, as chamadas diminuíram, os “amo-te” esporádicos também sinto que a nossa relação está com o fim à vista.
– Iris que se passa? — ouvi Dean perguntar à entrada no meu quarto.
– Não é nada. — sorri fracamente.
– Voltaram a discutir? — acenei afirmativamente. — Quando é que vão parar com isso? Vocês são perfeitos um para o outro. — disse sentando-se ao meu lado no sofá do parapeito.
– Eu já acreditei mais nisso. — solucei. — Ele ultimamente mal fala comigo e quando me liga acabamos sempre por discutir. Como é que chegamos a este ponto?
– Não fiques assim, isso vai passar. Estou certo que também lhe está a custar esta distância toda e tem medo de te perder ou até mesmo que te interesses por outra pessoa… Vá, não chores mais. — disse limpando as lágrimas que escorriam pela minha face.
– És um querido Dean. Obrigada pelo apoio. — disse encostando a minha cabeça no seu ombro.
– Não precisas de agradecer. — e abraçou-me.
*
Acordei sobressaltada com um trovão, desde ontem à tarde que chove tornando a chegada do Outono mais brusca acabei por adormecer nos braços de Dean que me transportara até à cama, onde fiquei até acordar.
Retirei os cobertores de cima de mim e levantei-me da cama indo para o wc, mal entrei assustei-me com a minha cara. Os olhos estavam inchados de ter chorado a noite toda, o cabelo estava um emaranhado de nós e tinha maquiagem borratada nas bochechas. Despi a roupa que trazia e entrei no chuveiro abrindo a água quente, tentei relaxar ao máximo e não pensar no Adam, mas foi inevitável e mais lágrimas saíram misturando-se com a água que escorria no corpo.
– Iris, despacha-te. Vamos chegar atrasadas. — ouvi Mel dizer do outro lado da porta.
– Já estou a sair. — disse após conseguir recompor-me.
Fechei a torneira e peguei numa toalha fofa enrolando-a no meu corpo, sai do wc e pude ver a minha amiga a escolher-me a roupa para ir às aulas da manhã.
– Obrigada sweetie. — agradeci vestindo a roupa interior.
– O Adam ligou-me e contou o que se passou... — disse ao fim de algum tempo a observar-me a vestir a roupa.
– Espero que te tenha dito a parte que saiu a sós com a Brooke. — disse com uma pontada de raiva.
– Iris, não achas que estás a fazer uma tempestade num copo de água? — perguntou a medo.
– Não! Mel acredita passa-se qualquer coisa entre eles, eu sinto-o. Tu bem viste o que se passava nos anos dele.
– Ele diz que não tem nada com ela. Acho que deviam falar calmamente sobre o assunto. Isto não vos faz bem. — aconselhou.
– Eu sei que não, mas tu sabes que ele também se passou quando fui sair com vocês e acabei por adormecer no colo do Dean. E ele sabe perfeitamente que o considero um irmão!
– Pois, eu sei amiga. Vocês estavam tão bem, não percebo como mudou assim do nada. — desabafou.
– Olha Mel prefiro não falar mais no assunto, ele pediu-me um tempo por isso vou-lhe dar aquele que ele quiser. Até lá vou fazer a minha vida normal. — assegurei colocando a minha carteira ao ombro e saindo do quarto em seguida.
Assim que sai à rua olhei para o fundo desta onde se encontrava o condomínio do meu namorado, reprimi uma lágrima que tentava sair e caminhei na direcção oposta para a faculdade.
– Bom dia. — ouvi alguns dos meus colegas dizerem-me.
– Olá. — respondi sem prestar atenção ao que diziam.
Entrei no auditório mesmo antes do professor chegar e aguardei pacientemente a olhar para o visor do meu telemóvel onde tinha uma foto minha e do Adam a rir com o pôr-do-sol a bater nas nossas caras. Abri o menu das mensagens e comecei a escrever uma, enviando-a para Adam, guardei o telemóvel assim que o professor entrou sem ter tempo de ver se tinha resposta.
Fiquei atenta o resto da aula e fiz aquilo que me competia num trabalho de grupo com Olivia e Dean, este seria o nosso último ano na faculdade e estava a mostrar-se mais difícil do que aparentava no início.
Assim que sai da aula reparei que havia ficado sem bateria no meu Blackberry e por isso voltei a colocá-lo na carteira, dirigi-me ao bar da faculdade e pedi um sumo de laranja levando-o comigo até ao pátio.
– Onde estavas? — perguntou Mel um pouco ofegante.
– No bar, porquê?
– Estava à tua procura.
– Mel, eu não preciso que andem sempre atrás de mim, eu sei cuidar-me. Ok? — e segui até ao wc deixando ficar para trás os meus amigos.
*
Mal cheguei a casa coloquei o telemóvel a carregar ligado, enquanto vestia algo mais confortável como o meu pijama, estava a acabar de vestir as calças quando ouvi o som de mensagem e corri até à mesinha de cabeceira.
– “The feeling between us changed is not the same, we are not the same... I guess we are over.” — li em voz alta e as últimas palavras ecoaram na minha mente sem fim à vista. As lágrimas que tanto reprimia na universidade cederam e chorei, chorei até ficar sem folgo, aquele que mais amava terminara comigo da maneira mais cruel de sempre, sabia que não eramos perfeitos mas podíamos ultrapassar isto juntos.
Soluçava abraçando-me a mim mesma na cama, deixando cair o telemóvel no chão, a dor no meu peito aumentava a cada segundo que passava. Não conseguia, eu não iria conseguir estar sem ele, saber que ele não fazia parte da minha vida.
Ouvi Mel entrar no meu quarto e falar comigo mas não prestei atenção ao que dizia pois estava demasiado enterrada na minha dor, senti os seus braços rodearem-me com força num abraço tentando em vão acalmar-me. Peguei no anel que ele me oferecera meses antes e atirei-o contra a parede em frente ouvindo um tilintar assim que este caiu ao chão. O que mais temia acontecera, Adam acabara a nossa relação.
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