Aos 23 anos, deixou seu país, abandonando a faculdade, a família e toda sua antiga vida para partir em uma viagem sem fim e sem rumo, procurando por resquícios de magia naquele mundo industrializado.

Durante sua vida agitada, teve muitos amores, todos eles curtos e intensos, como uma chama devorando rapidamente a vela. Amava pessoas diferentes da maioria, pessoas que tivessem algo que pudesse mudá-la, ou que ela pudesse mudar. Queria marcar seus amores e ser marcada por eles. Mas houve um amor em especial, uma garota que possuía aquilo que motivou sua jornada: algo mágico e lindo, que por mais que desejasse, Alana jamais foi capaz de imitar.

Laura era o nome desse amor. Ela queria escalar até o topo do monte Everest. Já havia escalado muitos outros, e com palavras doces, disse que a esperaria lá, no topo do mundo, para que pudessem juntas ser rainhas das aparentemente infindas terras abaixo.

Entre a fumaça de suas bebidas quentes, presas na cabana por causo da nevasca, se apaixonaram. Alana estava ali apenas de passagem, mas foi obrigada a ficar por causo da neve. Em geral, os demais turistas ali a desinteressavam, mas não Laura. Com seu estilo punk, jamais teria imaginado que ela era uma montanhista. Ela parecia totalmente deslocada, com seu cabelo vermelho contra a neve branca, como se pegasse fogo.

Como todos os seus amores, foi curto, intenso e transformador. No entanto, Alana não conseguiu o que queria. Aquela magia que permeava a menina, o mistério escondido em seus olhos... Tudo acabou junto com a nevasca. Laura subiu para o seu trono no monte, e ela continuou sua viagem no mundo abaixo.

Durante os anos que se seguiram, procurou em todos os cantos pela origem daquela magia. Nunca encontrou ninguém com o mesmo encanto de Laura, tampouco conseguiu descobrir o que a havia tornado tão especial. Então, decidiu voltar ao Himalaia — não porque esperava encontrá-la, mas porque agora tinha certeza que aquela magia estava lá, no topo do mundo.

Quando escalou o monte, percebeu que estava errada afinal. Não havia mais magia ali do que no restante do mundo. Talvez Laura tivesse nascido assim. Talvez Laura fosse a própria magia, que ela havia deixado escapar por entre seus dedos e dissipar-se no branco da neve.

Notas finais
Obrigado por ler :)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!