Everest
2 2 - Não diga que eu não avisei
Notas iniciais
Quando Amy Hamilton ligou o rádio naquela manhã, Starshore at 4 A.M, hit do segundo álbum da banda Everest, estava tocando. Caso tivesse sido outro dia, a presença da música a teria surpreendido, mas não hoje. Ela aumentou o volume e o som encheu o carro. Era uma música ótima e ela não pensava isso apenas por ter sido uma das compositoras.
Algumas pessoas da indústria a creditavam junto com seu noivo Jonah Larsson pelo mega sucesso que foi Fool Play, o álbum em questão, por eles terem sido os principais compositores. Embora tais comentários fizessem com que se sentisse lisonjeada, ela sabia que era besteira. Os rapazes teriam se tornado grandes com ou sem eles. Por mais que ela desprezasse Brandon Serrano, um dos vocalistas, como pessoa, não conseguia negar que ele tinha uma voz excepcional, especialmente quando em combinação com a de Matt Graves. Em bandas com dois vocalistas, o mais comum seria os cantores revezarem e cantarem partes diferentes de uma mesma música. Isso acontecia um número razoável de vezes, mas as canções mais icônicas da banda eram aquelas em que Mark e Brandon cantavam longas partes ao mesmo tempo. Em 99,9% dos casos, o resultado seria desastroso, mas não com eles, de alguma maneira, os dois nunca ficavam dessincronizados, nem por um segundo, e suas vozes já naturalmente agradáveis sozinhas, se tornavam fantásticas quando em harmonia.
No inicio da semana, na festa após o lançamento do novo single da Riley, Christopher tinha casualmente perguntado para ela se consideraria voltar a trabalhar com Everest um dia. Amy respondeu talvez, mas não pensou tanto no assunto, essa perspectiva parecia algo muito distante (ou mais provavelmente impossível). Entretanto, naquela manhã, acordou com uma mensagem do agente pedindo para ela passar na sua agência hoje para conversarem sobre uma oportunidade muito lucrativa, e fotos dos rapazes da Everest sorrindo em todos os seus newsfeeds.
Não foi difícil imaginar o que estava acontecendo. Ela se lembrava de Chris soltando indiretas sobre voltar com a banda, mas Amy não julgou que ele de fato faria isso. Não com o clima em que tudo acabou. Não devia duvidar dele, se alguém conseguiria realizar o impossível, esse alguém era Chris. Até ontem ninguém falava da Everest, hoje os maiores portais de entretenimento já comentavam sobre os rapazes, alguns prometiam um especial sobre a carreira da banda e outros teorizavam a possível volta.
Quando chegou a agência (no terceiro andar de um empresarial), Chris a esperava sentado atrás de sua mesa de vidro chique. Ele tinha aquele sorriso agradável que guardava para momentos em que se preparava para convencer alguém. E ele não estava sozinho, quando Amy viu o segundo homem de pé, encostado na parede com os olhos perdidos olhando pela janela, ela perdeu todas as palavras. O homem olhou na sua direção e sorriu.
– Acho que ela está feliz em te vê. – Chris disse com um tom de riso.
– Jonah... Eu pensei que você voltaria semana que vem.
– Eu também estava morrendo de saudades meu amor. – ele riu e foi até ela para lhe dar um beijo. Seu noivo precisou se curvar para encostar os lábios no seu e depois se afastou alguns poucos centímetros como sempre fazia apenas para olhar o seu rosto de perto.
Ele tinha olhos em um tom intenso de azul e o cabelo escuro onde ela amava enterrar os dedos. Também tinha aquele ar alegre e charmoso por qual Amy tinha se apaixonado loucamente muito tempo atrás. Ela lembrava que eles costumavam ser perfeitos (perfeitamente brega e clichê segundo Christopher), mas tantas coisas aconteceram, especialmente nos dois últimos anos do Everest... Passado, tudo isso era passado.
– Eu estava com saudades, só estou surpresa também. – disse quando o homem se afastou e enlaçou os dedos nos dela. – Você veio direto do aeroporto pra cá?
– Christopher foi bastante insistente. – respondeu Jonah sentado em uma das duas cadeiras a frente da mesa. – Quando eu comentei que iria voltar mais cedo e te fazer uma surpresa... Bem, ele quase se materializou na minha frente para me convencer a vir direto para a agência.
– E não me disse nada.
– Eu ainda queria fazer uma surpresa. – disse piscando em sua direção.
Amy virou para olhar Chris. Sua aparência veio da sua herança asiática; os olhos estreitos e escuros e o cabelo negro que apontava para todos os lados em um corte que ele considerava na moda. Seu sorriso de canto escondia segundas, terceiras e até quartas intenções, Amy tendia a manter a guarda levantada quando conversava com o homem, mesmo depois de tantos anos de convivência.
– Creio que vocês dois já sabem o que me motivou a chamá-los aqui.
– Everest chegou aos Trendding topics então eu posso ter uma teoria. – respondeu Jonah.
Amy tamborilou os dedos no braço da cadeira e disparou:
– Você quer que nós dois voltemos a compor para a banda.
– É inegável que essa é uma junção que costuma render belos resultados. – discretamente ele apontou para um dos retratos pregados na parede atrás dele, a foto tinha sido do Grammy onde o terceiro e último álbum do Everest ganhou o principal premio da noite, melhor álbum. Os rapazes estavam sorrindo no palco, quase reluzentes. – Vocês dois compõem para os rapazes desde o inicio e eu sempre fiquei maravilhado como suas letras encaixavam perfeitamente no estilo deles.
– Você sempre foi o mestre da fala doce Chris. – Jonah relaxou na cadeira, deixando os ombros caírem e a cabeça trombar contra o couro macio.
– Não é fala doce, são apenas fatos. Essa sempre foi uma junção de sucesso e esta é minha palavra predileta. – ela começou a rodar a grossa pulseira dourada que brilhava no seu braço. Um hábito antigo. O dourado reluzia contra a pele escura. – Vamos produzir o quarto CD e a banda vai voltar a sua antiga glória. Já tenho um time para isso e outros dois agentes estão comigo.
– Dividindo a liderança?
– Na vida é preciso fazer concessões Jonah. – respondeu o outro, apesar do sorriso não ter sumido, seu tom de voz ficou um tanto mais grave. – Travis vocês já conhecem por Kyle, mas a novidade é Olivia Adel, nova agente de Brandon. Creio que se lembram dela.
– Sim. – disse.
– Sempre foi competente, creio que será agradável trabalhar com ela, vocês vão ver.
Seu noivo arqueou uma das sobrancelhas e comentou em tom leve, mas que ela sabia que era sério:
– Ora Christopher, nós ainda não aceitamos nada.
– Vão aceitar. – respondeu ele. – Eu não sou o único nessa sala que gosta do sucesso. Lembram de como suas letras ficavam semanas seguidas nos topos de todas as listas?
– O single novo da Riley continua no topo e creio que não devo lembrá-lo quem foi que escreveu. – Amy rebateu. – Tenho outros artistas para ter sucesso, não dependo de uma banda que se transformou em uma bomba atômica.
– Isso é verdade, mas vão negar toda a emoção daquela época? Suas melhores músicas foram para eles, The Night is Wild foi quase um clássico dessa geração, um hino que os jovens cantavam nos shows em um coro de centenas de milhares de vozes. Vocês dois emplacaram muitos outros hits com outras pessoas, mas nunca houve outro The Night is Wild. Não é apenas a letra, mas todo um conjunto.
Christopher deu uma pausa olhando intensamente para os dois.
– Nós fazemos um conjunto incrível. A banda vai ser grande novamente e aquela emoção que vocês dois sentiram no show em Atlanta quando a música foi cantada e a multidão foi à loucura... Eu garanto que irão sentir novamente.
Quem quebrou o silêncio que se seguiu foi Jonah e dessa vez não havia humor na sua voz:
– Vamos parar a social e ir direto a questão do dinheiro, porque se for para eu e minha noiva trabalharmos com aqueles babacas o pagamento tem que ser acima do padrão.
Chris soltou um riso baixo, puxou um pedaço de papel e caneta e depois de anotar algo deslizou o papel na sua direção.
– Vocês lembram muito bem o quanto ganharam da última vez e posso garantir que os lucros serão ainda maiores. – outro riso. – Essa é uma estimativa.
Amy não evitou o semblante surpreso. Aquela quantia era o suficiente para estragar os possíveis futuros filhos que viesse a ter e quem sabe, se fosse bem aplicado, até os seus netos. Jonah assoviou alto do seu lado.
– Você não está com brincadeira Chris.
– Eu nunca brinco meu caro. Não faz nem vinte e quatro horas que a foto foi ao ar e vocês já viram o rebuliço que ela causou. Eu deixei alguns dos meus em Boston preparando o terreno para o anúncio oficial e depois disso começaremos a produção do quarto CD, depois vamos planejar o tour...
– E você tem certeza que essa empreitada vai dar certo? – disse Amy, ainda com o papel entre os dedos. – Ou não lembra com quem está lidando?
– Eu sei exatamente o que estou fazendo, quanto a isso não se preocupe. – respondeu apoiando os cotovelos sobre a mesa. – Eu não jogo para perder.
– Você já perdeu uma vez.
– Não chamaria aquilo de derrota, apenas de um contratempo imprevisto. – ela foi obrigada a rir.
– Sua idéia de contratempo é interessante. – comentou seu noivo.
– Não haverá derrotas aqui. Eu garanto.
– Nem mesmo você pode prever o futuro Chris. – ela respondeu e então trocou um longo olhar para o noivo. Ele balançou a cabeça e Amy soube exatamente o que iriam fazer. – Nós vamos entrar nisso, mas se por acaso tudo for pelos ares, não diga que eu não avisei.
– Não irá minha querida. Não irá.
Eles apertaram as mãos e então se despediram com a promessa de que se falariam em breve. Do lado de fora, Jonah circulou o ombro com um dos braços e a puxou para perto enquanto andavam. O olhar dele era sério, quase sombrio.
– Não acredito que estamos fazendo isso.
– Vamos ficar bem. – falou com um sorriso incerto. Seu noivo a olhou, o peso do seu olhar só durou alguns instantes, mas foi o suficiente para fazer seu coração apertar. Logo depois o peso deu lugar à leveza e brilho de sempre.
– Sim, nós vamos.
E então ele a beijou.
**
Havia um fotografo fora do café, ele estava parcialmente escondido, mas a experiência o fez capaz de localizar paparazzis em qualquer lugar e ocasião (Ok, ele não era 100% garantindo, pois sempre tinha um maldito bastardo que escolhia o lugar perfeito para tirar alguma foto que começaria um novo escândalo). Em outro momento ele teria pensado em uma rota de fuga, mas dessa vez não. O fotografo estava onde devia estar. Não fazia nem 12 horas desde que a foto tinha sido postada e as revistas e sites de fofoca já mandaram paparazzis para Boston atrás deles. Chris tinha dito que seria assim e embora Nate confiasse bastante nas habilidades de previsão de seu agente, ele tinha certas dúvidas se isso aconteceria mesmo.
A pessoa que tinha lido a biografia não autorizada da banda saberia que aquele café em frente à baia era um dos lugares onde os rapazes tinham reuniões da banda antes da fama vir. O local foi especialmente escolhido por Diana (que era a especialista em relações públicas na agência de Chris) para causar a melhor imagem, assim como os outros locais onde haveriam aparições de membros variados da banda pelos próximos dias até eles voarem para Los Angeles e fazerem o anuncio oficial da volta da banda e produção do quarto CD. O troço era tão falso que fazia o seu sangue ferver, mas tinha que ser assim. Ninguém queria contratá-lo no momento, de acordo com Chris havia até mesmo um dizer comum a respeito disso: “se você contratar Nate Kowalski, ele vai acabar te fodendo de uma maneira ou de outra”.
Pelo menos o primeiro desses encontros seria com Jeremy, o único da banda que ele ainda pensava como sendo um dos seus melhores amigos. Jem também andava trilhando um caminho complicado, todas as festas e as drogas cobraram seu preço. Quando o amigo sentou na sua frente, rindo e fazendo brincadeira, Nate poderia dizer que ele estava perfeito, bem, na superfície, todos são um tanto perfeitos.
Ele o conhecia além.
Jeremy estava limpo há quatro meses. Essa foi à principal exigência de Tessa para que ele pudesse ver os filhos. Seu amigo tinha argumentado que não era nenhum viciado, que só gostava de se divertir de vez em quando, mas a mulher tinha sido irredutível quanto a isso. Desde então, Jem tentava ter uma vida mais tranqüila, longe das manchetes dos tablóides e revistas de fofoca. Nem sempre era possível. Ele estava dando duro, mas até o momento, Tessa continuava a mantê-lo longe das crianças. A volta da banda seria um teste duro, caso chegassem longe o suficiente para fazer uma turnê, toda aquela loucura seria um risco para Jem.
Mas de todos, ele era o que mais precisava de dinheiro e os riscos acabavam se tornando insignificantes quando colocados em perspectiva com isso.
– Será que Kyle ainda vai demorar?
Nate deu de ombros como resposta.
Uma garota loira e rechonchuda se aproximou com o rosto todo vermelho para anotar os pedidos. Ela tremeu um pouco e soltou um longo suspiro quando Jeremy passou a mão pelos cachos escuros que insistiam em cair na sua testa. A pobre garçonete gaguejou ao tomar nota e saiu correndo, quase tropeçando perto do balcão. Instantes depois, Nate percebeu que ela havia sacado o celular do bolso e agora digitava furiosamente.
– Eu quase esqueci como era a sensação. – brincou Jem olhando para a garçonete. – Faz algum tempo desde que alguém ficou tão nervoso na minha presença.
– Fale por si mesmo.
Ele lançou um sorriso irônico na sua direção.
– Claro que essas regras não se aplicariam ao grande Nathan Kowalski. – riu. – Regra nenhuma nunca se aplicou a você.
– Vou levar como um elogio. – a porta se abriu e então fechou provocando barulho. Os dois olharam para entrada e então viram o último integrante da banda que devia aparecer nas fotos deste encontro nada casual.
Kyle fez virar algumas cabeças enquanto andava até eles. Tinha um gorro escondendo parte dos cabelos loiros e um sorriso de bebê estampado no rosto. Depois do fim da banda, Kyle tinha sido o que mais se deu bem (ou o que se deu menos mal, dependendo do ponto de vista). Ele conseguiu uma carreira a solo até respeitável e não se envolveu em nenhuma polêmica (talvez este último não devesse ser considerado bom, afinal, um astro sem polêmicas é tão legal quanto um peixe morto). Contudo, ele estava muito longe de ter ao reconhecimento que teve na banda e até onde sabia; suas últimas vendas não tinham sido boas, especialmente as do último CD.
O que chegava a ser no mínimo irônico. Nate não evitou o sorrisinho maldoso ao vê o ex-colega de banda se aproximar. Kyle tinha seguido carreira sozinho; afastando-se o máximo possível dos outros pelo que ele explicou como sendo: “necessidade de renovação de imagem”. Vocês entendem, não é? Tinha dito ele com aquele sorriso gentil de desculpas que guardava para as ocasiões em que queria ser um babaca sem magoar ninguém, mas nós vamos continuar amigos, claro que isso não aconteceu. Quando ele e Jeremy enfrentaram sua pior queda, Kyle (e Matt. Brandon nem mesmo valia ser mencionado.) estava bem longe, com suas desculpas hipócritas, fingindo que davam a mínima apenas para manterem a pose de mocinhos.
Era engraçado como o mundo dava voltas. O loiro não conseguiu se segurar sozinho e agora estava de aqui, fazendo parte desse teatrinho, no mesmo barco que eles. O destino era mesmo uma vadia e Nate, ao menos agora, estava adorando seu senso de humor.
– Acho que rendi algumas boas fotos. – Kyle disse ao se sentar. Tinha um tom leve e de brincadeira somado com um sorriso largo. – Já pediram?
Nate não se deu o trabalho de responder e por isso recebeu um olhar duro de Jeremy. Seu amigo podia ter mais facilidade em fingir, mas não ele. Alguns dias atrás os dois haviam passado o dia no apartamento dele discutindo sobre o futuro e relembrando o passado. Enquanto assistiam a vídeos antigos e falavam das coisas engraçadas e incríveis que aconteceram, Nathan percebeu o quanto sentia falta daquilo: das brincadeiras, das provocações, do sentimento de pertencimento. Dos tempos bons, quando as coisas eram mais fáceis, quando tocar para uma multidão lhe enchia com um prazer indescritível, quando ele se sentia no topo do mundo fazendo o que mais amava. Jem dizia que os dois precisavam se esforçar, não voltaria a ser o que eram, mas talvez fosse possível ter um pedacinho que fosse.
Nate era bem mais cético quanto a isso.
Mas pelo menos ele voltaria a fazer o que mais sabia, teria uma nova fonte de renda (e uma muita boa por sinal) e se tudo desse certo teria alguns momentos em que poderia voltar a se perder na música e sentir aquele prazer. Conviver com Matt, Kyle e Brandon era um preço pequeno para isso.
– Já, um pouco antes de você chegar. – Jeremy respondeu. – Vai querer alguma coisa?
Kyle balançou a cabeça negando.
– Como estão Jim e Patti?
Seu amigo relaxou mais com a menção aos filhos. Começaram a conversar sobre isso e Nathan se absteve, espiando apenas quando Jem tirou o celular do bolso para mostrar a última foto que Tessa tinha mandado. Jim, com seus cinco anos, estava sorrindo com a boca suja de chocolate, os olhos azuis e os cabelos castanhos eram parecidos com os do pai, ele só não tinha os cachos. Patti, de três, também estava sorrindo, fantasiada de fadinha, com os cabelos loiros presos em dois rabos de cavalo. Kyle sorria com um interesse que ele julgava mais como atuação do que genuíno, mas Nate não fez nenhum comentário.
Do lado de fora outros fotógrafos se juntaram ao primeiro. No fim do dia as fotos já estariam na internet e amanhã talvez em alguma mídia impressa. Os programas sensacionalistas de fofoca na TV certamente citariam seus nomes. Pois bem, que fizessem bom proveito do espetáculo.
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THIS IS IT @thisisit — 10 min
Integrantes do Everest flagrados juntos hoje à tarde. #Everestisback
Everest World @everestw — 7 min
Temos que falar sobre Nate Kowalski e aquele abraço apertado em Kyle Morris na saída do Blue's. Será a volta do nosso ship? #Nayle #WeRback
WONDERLAND @wonderland — 5 min
Fotos de Nate, Jeremy e Kyle saindo juntos. Amamos vê os amigos juntos novamente. Só faltou Brandon e Matt. #Everestisback
WE LOVE EVEREST @inloveeverest — 4 min
MEU DEUS, ELES ESTAVAM TÃO LINDOS!!!!! #Everestisback #WeRback
WE LOVE EVEREST @inloveeverest — 3 min
Desculpa, mas #Nayle nunca vai chegar aos pés de #Namy. Fiquem ligados que vamos relembrar no site os ships mais icônicos com os meninos.
Mrs. Brandon Serrano @gigiho — 2 min
Cadê o meu Brandon? Pelo menos vimos os outros rapazes. Espero que o Bran tenha perdoado o Nate pela a sacanagem dele. #Everestisback
Mrs Brandon Serrano @gigiho — 1 min
Sim @myeverest, espero que meus meninos estejam de volta. Senti tanta falta deles juntos. #MyBoysAreBack #WeRback #Everestisback
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Pouco antes das cinco da tarde houve uma batida no quarto de hotel de Olivia Adel, pelo olho mágico da porta viu que era uma das assistentes de Christopher, a garota que em seu reencontro Diana tinha brevemente descrito como a nova Olivia.
– Posso ajudá-la? – Olivia disse abrindo a porta.
– Sim, Chris acha que seria melhor se os rapazes chegassem no mesmo carro para o concerto. – Natalie disse.
– Eu não vejo nenhum problema com isso, tem algum motivo para você ter vindo dizer isso em pessoa ao invés de simplesmente me mandar uma mensagem?
– Eu estava por perto.
– Uma dica: se você quer continuar nesse negocio vai ter que aprender a mentir melhor do que isso.
– Hum...
– Você veio aqui ver o estado de Brandon.
– Certo, foi por isso que eu vim. Como ele está?
– Você pode contar pro seu chefe que Brandon está bem, ele está dormindo, eu pessoalmente garanti que ele tomasse os seus medicamentos hoje e que eu tenho certeza que ele estará em seu melhor comportamento essa noite.
– Ok, eu vou dizer para ele. – a garota respondeu parecendo um tanto desconfiada.
– Isso é tudo?
– Sim. Até mais tarde então.
– Até mais tarde. – Olivia disse e fechou a porta do quarto.
Brandon está bem. Olivia se perguntou se haveria realmente um dia em que ela diria aquelas palavras sem um pouco de dúvida em sua mente. Embora ela tivesse certeza que estava fazendo o máximo possível para este ser o caso, Brandon não estava realmente dormindo no cômodo ao lado, ele estava em terapia.
Algumas pessoas considerariam contratar uma psiquiatra como parte permanente do seu time algo um tanto extremo e exagerado, mas essas pessoas em geral não tinham tido o prazer de trabalhar com Brandon Serrano por um longo período de tempo. Quando Brandon disse que estaria deixando o Everest, ele também tinha demitido Christopher como seu agente, mas Chris ainda tinha esperança de reconquistá-lo como um cliente, então quando descobriu que Brandon tinha pegado um avião para a Argentina, ele mandou Olivia atrás dele. Uma das últimas notícias que Olivia viu em seu celular antes de embarcar foi que haviam fotos tiradas na madrugada de Gigi, uma popstar que previamente tinha estrelado uma série na Disney Channel (naquele momento era a cantora recordista de vendas e queridinha da America) e estava namorando Brandon desde pouco antes do lançamento do terceiro álbum tinha sido vista aos beijos na madrugada passada com Nate Kowalski, o baterista da banda. Os principais comentários na noticias diziam que Gigi era uma vadia e provavelmente a verdadeira causa do anúncio do fim da banda no inicio da semana.
Quando Olivia pousou em Buenos Aires esses comentários já tinham aumentado e os defensores de Gigi minguado, isso porque enquanto ela estava sem conexão no avião, fotos de Gigi nua tinham sido mandadas anonimamente para os maiores sites de fofoca e publicadas com tarjas negras cobrindo seus seios e vagina, mas não cobrindo a gota de esperma em seus lábios rosados sorridentes. Estavam sendo jogadas acusações de lado a lado sobre quem tinha mandado a foto. Alguns falavam Nate Kowalski, mas a teoria que estava se tornando mais popular era de que foi algum outro amante (afinal, se a garota estava envolvida com dois rapazes na mesma banda, quem poderia dizer que não havia outros?), mas Olivia sabia que o responsável era o rapaz que ela estava a caminho de encontrar em um hotel de duas estrelas. Quando chegou lá, na primeira grosseria de Brandon (que veio com menos de três minutos de conversa) ela acabou perdendo a paciência e dizendo que ele não era um homem e sim um garoto que achava que pelo fato de ter um talento acima da média e uma infância triste, pensava que tinha o direito de tratar as outras como lixo, e que ela esperava que Gigi o processasse e tirasse tudo que ele tinha (coisa que nunca viria a acontecer, porque nunca houve sequer prova de que Brandon tinha realmente feito).
Ela não tinha orgulho daquele momento, duvidava que qualquer coisa que dissesse naquele dia teria sido capaz de fazer com que Brando voltasse, mas apesar disso, tinha sido não profissional da sua parte e ela teve certeza que quando Brandon voltasse, ele a faria ser demitida, afinal, o rapaz já tinha conseguido que outras pessoas perdessem o emprego por muito menos. Mas isso não aconteceu, Brandon não voltou e quando ela saiu da agência de Chris, dois anos depois, foi nos seus próprios termos para abrir sua própria empresa. As coisas ficaram por isso mesmo até três semanas atrás, quando Brandon apareceu sem hora marcada no seu escritório dizendo que ele queria reunir a banda e que ela fosse a sua nova agente.
Olivia não tinha dúvidas que a escolha de Brandon não tinha sido tanto por ele confiar nas suas habilidades como agente, mas como outro “vai se foder” para Christopher ao fazê-lo ter que lidar como igual alguém que costumava ser sua subalterna. Ainda assim ela estava disposta a fazer o seu melhor para garantir que ele tivesse a melhor carreira possível e também o máximo possível de estabilidade mental.
Nas últimas semanas ela tinha passado uma parte considerável do seu pouco tempo livre lendo sobre transtorno de personalidade borderline. Condição que Brandon tinha sido diagnosticado aos dezessete anos e pelo que ela entendera, a doença combinava alguns dos piores sintomas da personalidade bipolar, depressão, ansiedade crônica e é claro, personalidade narcisista (e ainda outros que fazia seu trabalho mais difícil). O resultado era instabilidade, então a terapia havia sido uma das condições dela para representá-lo, na sua época com Christopher, Brandon tomava remédios e dizia que não precisava de médicos, Chris acabava cedendo nesse aspecto, agora Olivia julgava isso como uma decisão ruim que ela não repetiria.
Cinco minutos após Natalie ter partido; Brandon e Dr. Nicholls abriram a porta que ligava os dois quartos foram ao encontro dela.
– Ela está bem o suficiente para ir ao show com os outros? – Olivia perguntou.
Antes que Dr. Nicholls pudesse responder, Brandon disse:
– Ele pode falar por ele mesmo e ele não gosta de gente falando como se ele não estivesse no quarto.
– Certo. Brandon, você acha que está bem o suficiente para ir a um show com Kyle e Jeremy?
– Sim, eu acho.
– Dr. Nicholls, você concorda com isso?
Brandon rolou os olhos. Olivia o ignorou.
– Sim, eu acho. – o psiquiatra respondeu.
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