Eventualmente Claricce Stracci
22 Capítulo 22
Fairview, 12:50
Christopher caminhou lentamente e guiou o cachorro até a porta e sumiu naquela escuridão, deixando Suzane olhando para os lados, sem saber o que fazer, então ela correu até a porta principal a avistou o Cappo. Ela deu um abraço apertado nele, e se permitiu ficar assim por mais alguns minutos.
Ela se afastou dele e deu um sorriso fraco, no qual ele retribuiu somente com o olhar. Ela entrou no carro e se manteve quieta até a metade do caminho.
– Claricce, eles fizeram alguma coisa com você? – Cappo Stracci perguntou preocupado.
– Não, senhor.
– E mesmo se tivessem feito, ela não falaria, Cappo. Ela está dormindo com um deles. – Ashley falava sem tirar os olhos do retrovisor, ela apertava o volante com toda a força que encontrava no momento. – Isso é considerado uma traição, Cappo? Ouvi um sim ou um com certeza?
Cappo Stracci virou para encarar sua neta, ela estava cabisbaixa.
– Isso é verdade, Claricce? – Ela concordou com a cabeça. – Bem, se ela está ou não dormindo com algum deles, o problema é dela e não nosso. E se ela tivesse nos traído, já teríamos sabendo, já que os nossos rivais brigam por qualquer coisa, independente do que diga, Ashley, ela é uma legítima Stracci: Fiel aos seus compromissos e deveres.
– Mas – Stracci a cortou.
– Mas nada, Ashley. Você só entrou aqui por causa de Giovanni, se não fosse por ele você estaria nas ruas ainda, e todo mundo sabe disso, não adianta tentar esconder. Você não pode fugir do seu passado. – Ashley rangeu os dentes e continuou quieta. Giovanni permanecia imóvel, quase que como uma estátua.
Vendo a tensão naquele carro, Suzane se viu obrigada a tentar falar algo.
– Vô, o senhor poderia me dar um telefone celular? – Ela estava tentando ser manhosa. – Por favor, tenho saudade das minhas velhas amizades, saudade da Itália, saudade da minha vida antes daquele... Desastre.
Ele a olhou pelo retrovisor, seus olhos gelaram sua alma, ela sabia que a resposta ia ser negativa, afinal, onde estava todo aquele amor que Luiggi jurava ter por sua herdeira?
– Por que queres um aparelho inútil? – Cappo voltou a olhar a janela. – Mês que vem vamos a Itália e você poderá matar a saudades, tanto da Itália como a de Fernanda.
– Mas é que... – Suzane viu que não iria ganhar aquela discussão, então a deixou pra lá.
Quando chegaram em seu cativeiro, Suzane pôde ver que Bianca Fortier estava a sua espera, e ela sorriu quando viu a loira.
– Claricce! Claricce! – Bianca a chamou.
Suzane foi correndo em sua direção e sussurrou em seu ouvido:
– Pode me chamar de Suzane, por favor! Não aguento mais Claricce pra cá, Claricce pra lá. – Bianca sorriu. – Então, o que posso fazer por você?
– Cappo Stracci me mandou te vigiar para que você não fugisse nas próximas vinte e quatro horas. – Bianca olhava com rancor para o velho. – Sabe, amanhã vamos ter um jantar em Manhattan, onde conheceremos nossa verdadeira líder.
– Mas nosso líder não é Luiggi? – Suzane estava intrigada. – Ela é uma mulher?
– Não sei te dizer isso, Suzane. A única coisa que posso lhe afirmar é que ela é o sangue verdadeiro dos Stracci, a mais pura. Ela que manda, Cappo apenas obedece.
– Achei que fosse ao contrário.
– Pois é, eu também achava isso até Giovanni vir falar isso pra mim. – Bianca tirou um iPad de seu bolso e entregou a Suzane. – Sei que isso não pode ser muito pra você, mas significa muito pra mim. Era da minha mãe – Bianca a fitou com os olhos tristes, o mesmo olhar de sua mãe. – e eu queria que ficasse com isso, pra ver se consegue arrumar um jeito de nos tirar daqui.
– Você quer fugir? – Suzane pegou rapidamente o iPad e o enfiou dentro de seu vestido.
– Não só eu, como todos aqui querem. – Bianca implorava. – Por favor, faça o que for necessário para nos tirar desse inferno.
– Ok, certo. – Suzane concordou. – Vamos entrar?
As duas entraram e ficaram no quarto frio em que Suzane estava antes. Suzane escondeu o iPad num chão oco, num lugar onde ninguém poderia desconfiar que estaria ali, ninguém além dela e de Bianca. Giovanni entrou e as duas olharam surpresas pro rapaz.
– O que deseja senhor? – Bianca perguntou.
– Eu desejo que você saia daqui o mais rápido possível. – Ele respondeu em tom ríspido.
– Como é? Não entendi.
– Saia logo daqui. Tenho que conversar com Claricce. – Bianca concordou com a cabeça, Suzane o metralhava com o olhar.
– Se precisar de qualquer coisa, grite. – Bianca falou e deu uma piscadinha para sua nova amiga.
– Como se eu fosse fazer algo de ruim com ela.. – Giovanni olhou dos pés a cabeça de sua vítima. – Ao menos que você queria, querida.
– A única coisa que eu quero é que você saia daqui, seu monte de estrume! – Suzane berrou.
Giovanni chegou pra perto dela e segurou seus pulsos, colocando-a contra a parede.
– Eu não vou sair, por que sei que você me deseja, e muito. – Seus rostos estavam muito próximos.
– Como se eu desejasse um monte de bosta pra mim, rá, até parece! Se fosse pra pegar bosta, ficaria com o bonitinho do Jane, pelo menos ele não é grosso igual você. – Suzane rosnou.
– Sabia que amor e ódio andam lado a lado?
– Sabia que se você continuar com essas baboseiras não vou pensar duas vezes antes de chutar seu saco? – Suzane olhava para o outro canto da sala, tentando ficar longe máximo possível de seu sequestrador. – Quero que você se foda.
Ele apertou suas bochechas e sem avisos prévios, avançou pra cima dela colando seus lábios nos dela. Suzane tentava o máximo não encostar naquela boca, tentar resistir, mas ele segurava suas duas mãos e era no mínimo, cinco vezes mais forte que a mesma.
Quando o beijo enfim terminou, Suzane cuspiu e limpou sua boca com as costas de sua mão, jamais sentira tanta repulsa por uma pessoa só em sua vida.
– Suma daqui. – Suzane o encarava com ódio. – Nunca mais quero te ver em toda a minha vida, Giovanni Stracci.
Lindsey assistia tudo aquilo de boca aberta, imóvel como uma pedra na porta.
– Você sempre disse isso, mas sempre se entregou aos meus beijos. – Giovanni sorria para a donzela. – Vamos fugir, separe-se de Nick e venha morar comigo. Vamos ter muitos filhos juntos, os Stracci mais puros que toda a Itália já viu.
– Sai daqui! – Suzane dava tapas em seu peito.
– Você está de parabéns Giovanni. – Lindsey bateu palmas. – Irei contar tudo isso ao Cappo, e você está ferrado nas minhas mãos. Vou transformar sua vida num maldito pesadelo.
– Não se esqueça que se contar isso, eu conto sobre o sequestro do bisneto dele. Você fez parte disso também, lembra? – Lindsey o encarava com desprezo. – E sua irmãzinha não vai gostar de saber que você a traiu, não é mesmo?
Cuida da sua vida, Lindsey.
Ela deu as costas e Giovanni voltou a encarar Suzane.
– Você ainda será minha, nem que eu tenha que morrer para isso.
– Então pode começar a cavar sua cova. Jamais serei esposa de um assassino, bandido e metido a galanteador. – Suzane o olhava pela última vez. – Saia da minha frente.
Bianca se materializou do lado de Giovanni.
– Algum problema, Claricce?
– Ele está me perturbando.
– Cappo Stracci deixou claro que ninguém poderia perturbar sua neta, inclusive você, Giovanni. – E foi assim que ele se foi daquele quarto, deixando somente a horrível lembrança de uma das piores noites da vida da jovem.
Fale com o autor