Guttenberg, 11:00

Giovanni admirava sua vítima, que agora estava em sono profundo graças a um calmante que ele lhe dera depois daquela conversa. A boca de Suzane esta retorcida, como de uma menina emburrada, e isso fez com que ele lembrasse de Claricce... Ah! Claricce! Aquela era a única mulher que Giovanni tinha amado, e como ele lhe dissera uma vez “Ela é a primeira que eu amei e será a última”, desde que Claricce morreu, Giovanni tem pensado em uma substituta, a mulher perfeita pra ocupar seu cargo, alguém que o fazia sentir nas nuvens de novo, alguém que lhe dê um motivo pra estar vivo... Alguém como Suzane Dudek. Imagem mental: Giovanni via Claricce pela primeira vez, quando ela tinha 15 anos; Seus olhos eram brilhantes, e seu sorriso, esplenderoso. Aquele momento ficaria marcado em toda a sua vida.

Ele tentou afastar todas as emoções que estava sentindo, mas, olhando aquele rosto angelical, entendia que ela era um presente de Deus pra ele. Ela realmente era uma criatura divina. Giovanni olhou todo aquele quarto destruído, sem reboque, e com apenas uma luz que mal funcionava; Sua Claricce merecia tudo aquilo?

– Giovanni. – Ele escutou alguém chamar.

Seus cabelos ruivos estavam escovados para trás e agora ela estava com um vestido preto, deixando a mostra suas pelas pernas torneadas. Seus lábios estavam vermelhos, e sua sobrancelha estava arqueada. Qualquer homem mataria para estar no lugar de Giovanni.

– Está precisando de algo? – Giovanni perguntou desconfiado. Era Ashley ou Lindsey?

– Eu estou precisando de você, meu amor. – Só pelo tom provocativo era Ashley. Ela dava seu melhor sorriso, e chegava mais perto do homem que a havia conquistado. – O que acha de sairmos lá pra fora? Deixe a nossa pequena Claire aí, ela não vai a lugar nenhum, e se for, já deixei claro a David que ele pode mirar e atirar. Não me importa se ela é filha do Papa, ou neta do Stracci... A única coisa que me importa é você. – Ela colocou suas mãos em volta do pescoço de Giovanni, ele tirou delicadamente suas mãos de lá e a olhou no fundo de seus olhos.

– Acho que precisamos conversar. Você não entendeu muito bem nosso término. – Ashley ficou furiosa.

– O quê? Do que você está falando, Giovanni? Não pode ver que nascemos um pro outro? Você não consegue viver sem mim, cedo ou tarde você vai ceder. Não importa quando, o importante é que você é fraco, e ainda morre de amores por mim. – Aquilo soava mais como desespero do que como amor. – Vamos, Giovanni! Acho melhor você parar de drama, ou – Ela não achou uma palavra ameaçadora o bastante pra aquele momento.

– Ou o quê, Ashley? – Giovanni a desafiou, e olhou para Suzane, que continuava dormindo. – Ou o quê? Você não tem moral pra falar nada aqui, quem colocou você na família fui eu, graças a mim você é Ashley Stracci, a poderosa. Se não fosse por mim, você ainda seria aquela prostituta do Margô’s, conhecida como Ash Rhodes, então, me faça o favor de abaixar a sua bola.

Ashley olhou acima do ombro de Giovanni, e o olhou com desprezo.

– Vamos ver quem ganha essa merda. – Ela deu as costas pra ele. – Não se esqueça que o jogo acaba quando o perdedor assume sua derrota, e isso, meu querido Giovanni, eu vou esperar de você. Nem que seja a última coisa que eu faça nessa vida!

Ele olhou para trás e pôde ver a mais bela imagem que poderia ter visto em seus 29 anos; Seus cabelos loiros estavam bagunçados e seus olhos grandes o bastante para perceber que acabara de acordar. Em seu delicado rosto pálido Suzane tinha ganhado algumas olheiras, fazendo com que Giovanni se sentisse a pior pessoa do mundo por causar isso a ela.

– Que diabos eu acabei de ouvir? – Suzane perguntava ainda meio atordoada.

– O que você acha que acabou de ouvir, minha querida e doce Anne? – Era hora de Giovanni bloquear seus sentimentos e começar a ser durão. – Na verdade, que parte da conversa você ouviu?

Suzane passou a mão em seus cabelos e voltou a encarar seu sequestrador.

– A conversa toda, eu acho. – Suzane piscava sem parar. – Mas não prestei muita atenção. Vocês estavam falando sobre o que exatamente? A única parte que ficou gravada em minha memória foi “Não esqueça que o jogo acaba quando o perdedor assume sua derrota”, que diabos ela quis dizer?

– Não é da sua conta. – Doía ter de dizer isso pra sua amada. – Como está se sentindo?

– Não é da sua conta. – Ela devolveu na mesma moeda. – Já mandaram um e-mail pra minha mãe pra dizer que eu estou viva? Não me leve a mal, mas minha irmã está grávida, e eu estou preocupada com ela... Com a saúde do meu sobrinho principalmente.

Giovanni admirava aquela mulher que Suzane tinha declarado que era; de inúmeras qualidades, ele até chegava a pensar que ela fosse sua Claricce, mas não se deixou levar por essa ilusão mesquinha.

– Já mandamos. – Giovanni desviou o olhar. – Amanhã você terá aulas com Lindsey de como vender armas, de como falar nossa língua. E a noite, você terá um baile muito importante, do qual você precisa seduzir o grande Ferdinando, o nosso mais novo clientes dessa área.

Você entendeu isso?

Suzane abaixou a cabeça.

– Que escolha eu tenho? – Ela voltou a encara-lo. – Se eu não fizer isso, eu morro, e se eu fizer eu morro... Que tipo de acordo é esse?

– Eu te prometo, te juro, se depender de mim, você não irá morrer. Portanto, é só seguir minhas instruções e ficar onde eu e as Rhodes possam te ver. – Ele a encarou. – Suzane, a partir de hoje você assinará como Claricce Agostina Stracci, a neta do Capo Stracci, o homem mais poderoso de toda a Itália.

– Quem foi essa tal Claricce? Ela tinha algum significado pra você, não tinha?

– Ela... Era o grande amor da minha vida. – Giovanni se ouviu falando. Agora era tarde demais.

– Mas ela não era casada? Quer dizer, eu não sou casada? – Suzane se corrigiu.

– O que eu e Claricce tivemos não é da sua conta, Dudek. O que importa é que você será Claire Stracci daqui pra frente. – Ele falou num tom ríspido.

– Por que eu? Não poderia ser outra mulher?

– Você e ela são idênticas... Em tudo, na verdade.

– Espera, deixa eu ver se eu entendi... – Suzane pensou consigo mesma. – Você está me pedindo pra ser outra pessoa?

Ele arqueou uma sobrancelha.

– Não, eu estou pedindo pra você ser a eventual de Claricce Stracci.