Eventualmente Claricce Stracci
12 Capítulo 12
Manhattan, 01:24
Depois daquilo, Yuri tentou saber mais sobre o contato misterioso... Nada. Suzane tinha cochilado no sofá, e Eric estava tentando achar uma explicação lógica pra tudo aquilo, novamente, nada. Suzane acordou assustada, e de imediato pegou seu celular para ver que horas eram. Eram quase uma e meia da manhã. Um alarme apitava, e avisava que tinha uma nova mensagem. Suzane hesitou em abri-la, mas só pra satisfazer sua curiosidade, abriu.
“Saia daí agora, os Cordopadri vão invadir a casa do seu amigo.”
Suzane sentiu seus olhos arderem. E sua cabeça começar a rodar. Nada estava bem. Nada estava bom. Será que tinha como piorar?
Nova mensagem.
“E vão matar todos. Não terão pena nem mesmo de você. Você vai morrer se não me ouvir. Repito: saia daí agora!”
Ela começou a morder a parte inferior de seus lábios, e seus dedos dançavam sobre o aparelho. Suzane não sabia como responder.
– Algum problema? – Eric percebeu que ela estava tensa.
– Não, nenhum. – Ela forçou um sorriso. – Minha mãe está me mandando mensagens, sabe como é... Mães...
“Como você sabe disso? Como posso confiar em alguém que diz que seu nome é G? Não posso confiar em alguém que não me conta seu nome verdadeiro, sinto muito! :-(
Se for pra morrer, que seja assim. Eu aceito meu destino, de qualquer forma.”
– Suzaneee! O celular que vem te mandando mensagem está se movendo... – Yuri olhou com atenção para o mapa. – Ele está indo pra... cá.
– O que? Federais aqui? – Eric surtou. – Por que? Você não tem nada a ver com a máfia, não é mesmo Suzane? – Ele a segurou pelos ombros. – Não é, Suzane?
Ela estava ainda meio atordoada, e explodiu de raiva quando Eric fez isso.
– Quem você pensa que é, Eric Gibbs? Não encosta mais a mão em mim. Depois que você terminou comigo eu mudei pra melhor, e não, eu não estou envolvida com porra de máfia nenhuma! – Ela estava gritando, e isso fez com que Eric recuasse. – O quê? Tá com medo? Não deveria, machão.
– Suzane eu vou te matar! – Eric gritava.
– Cala a boca vocês dois. – Os dois trocaram olhares enfurecidos para Yuri. – Tem alguém vindo..
– Merda.. – Suzane sussurrou baixinho. – Acho melhor eu sair daqui, tchau meninos.
– O que você sabe sobre isso? – Yuri perguntou.
– Eu sei que a máfia quer me ver morta, e eles descobriram que eu estou aqui, com toda a certeza do mundo, eles vão me matar. – Suzane guardou seu celular em seu bolso de trás da calça.
De repente, pareciam que tinham jogado uma pedra na janela de Yuri. Era uma pessoa. Tinha todo o corpo e o rosto coberto – exceto os olhos, que tinham uma profunda tonalidade de verde escuro – por uma roupa preta. Ele colocou Suzane no ombro e saiu correndo. Yuri e Eric estavam confusos com o que acabaram de ver, e Suzane mais ainda, não sabia o que estava acontecendo exatamente.
O cara encapuzado saiu correndo com Suzane nas costas, e isso a surpreendeu. Ela pesava nada menos que 70 kg. Quando a corrida finalmente tinha parado, ele jogou Suzane com tudo no chão, o que fez as costas dela trincarem, e ela gritou de dor.
– Quem é você? – O cara apenas a via se contorcer de dor, até que ela reuniu todas as forças que tinha, e se levantou. – Pode ao menos me dizer seu nome?
Silêncio.
– Caralho! Não está escrito “Mãe Diná” na minha testa, então me fale seu nome.
Sem avisos, ele tirou o gorro. Tinha os cabelos cacheados e tinha uma pele morena. Os olhos verdes pareciam grandes esmeraldas... Espera, seu sequestrador era uma mulher?
– V-você é uma mulher? – Suzane admirava as belas curvas que a morena tinha.
– Desde da última vez que chequei, sim. Sou uma mulher, sou sua heroína.
– Pffff, me salvou por que? Ou no caso, me sequestrou por que?
A morena levanta a arma e encaixa o pente na abertura, Suzane já se encolhia de medo.
– Relaxa, não são pra você. É pros caras que estão atrás de você. – A morena abriu um sorriso.
– Você é a tal G. que está me enviando mensagens?
– Não exatamente.
– Você é uma agente federal, não é? – A morena a olhou de canto.
– Quem mais sabe disso?
– Meus amigos, mas provavelmente eles estão mortos a essas horas...
– Você está louca? Se descobrirem que eu sou uma agente, vão matar todos envolvidos nisso. E se descobrirem que tem... – A morena pensou antes de completar a frase. – Nada, esquece.
– Me conta. Até agora só tenho perguntas sem nenhuma resposta. Desde que decidi investigar as máfias, minha vida virou de cabeça pra baixo. Eu estou vivendo um inferno. E quem manda nesse inferno, são os líderes das malditas famílias. – Ela encarou aqueles olhos verdes. – Por que eu?
– Não é pra mim que você tem que fazer essa pergunta. É pra eles. Eles que destruíram sua vida, não eu. Eu estou te ajudando. – A morena a encarava.
– Você tem um parceiro, ou uma parceira?
– Sim.
– Por que não me conta a sua história? Você sabe tudo de mim e eu não sei nada de você... Não sei nem o seu nome. – Suzane fez aquela cara de cachorrinho abandonado que amolecia o coração de qualquer um.
– Meu nome é Valentina Rockfeller, mas conhecida como agente Rockfeller. Eu poderia estar ouvindo uma boa música country com meu namorado, ou também poderia estar assistindo aqueles filmes românticos bem clichês.. Mas não, estou aqui, cuidando da donzela em perigo.
– Então por que está aqui? Ninguém te pediu pra me salvar.
– Na verdade sim, meu parceiro. – Valentina virou para encarar o barulho.
Um carro vinha vindo em sua direção, e vários tiros foram disparados contra as garotas. Vallentina sacou a arma e começou a atirar, enquanto Suzane não sabia o que fazer. Não sabia se corria ou se ficava na frente de Valentina, a protegendo.
– Suzane Dudek, se renda ou seu namoradinho, Eric Gibbs irá morrer! – A voz vinha de um auto falante.
– Podem mata-lo, tudo que eu tinha que fazer com ele já fiz. – Suzane gritou de volta.
O carro acelerou contra as garotas e elas correram o mais rápido que podiam, até finalmente despista-los.
– Suzane, pegue essa arma! – Valentina entregou uma Taurus PT 100 a Suzane, que hesitava em pegar. – Pegue, ou eu mesma matarei você.
Suzane pegou, e suas pernas começaram a tremer.
– Eu nem sei segurar isso, quem dirá atirar com essa coisa!
– Você segura assim – Valentina demonstrava com sua arma. –, quando você se sentir em perigo, é só puxar o gatilho. Não tem erro.
Valentina ia andando pro centro de Manhattan, deixando Suzane pra trás.
– E eu? Vai me abandonar tão rápido assim? – Suzane gritou. – Que grande agente federal você é!
– Você está com uma arma, não está tão inofensiva assim. Qualquer coisa basta dar uma checada em seu celular. Tenha a certeza de que mais mensagens virão. Foi bom te conhecer!
E num piscar de olhos, Valentina sumiu.
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