Even flow

5 Not good enough for truth in cliche


Notas iniciais
Alô...A pessoa ficou semanas sem abrir o pc e nem escreveu e nem atualizou a história. Sadness. Enfim, o capítulo!

Duas semanas correram tranquilas, na medida do possível. Kagami ainda estava distraído, mas tentava ocupar ao máximo a cabeça para evitar que seus pensamentos voassem direto para uma pessoa que provavelmente não veria mais, salvo na TV ou numa festa casual da vida. O domingo parecia se arrastar lentamente, mas ele se enfiou nos estudos da Escola de Bombeiros, ficando feliz de completar suas metas de estudo. Organizava a casa como podia e, depois de preparar algo para comer, sentava na frente da TV, vagueando nos canais até achar algo que o interessasse. Estava querendo evitar de pensar na mulher, principalmente perto do computador. Seus dedos, às vezes, coçavam para pesquisar um pouco mais sobre a vida dela, só que mesmo sabendo que não a encontraria, achava que era invasão de privacidade demais.
Naquele domingo, parou para assistir uma partida onde o time de Aomine jogava, ainda no começo. Ainda era capaz de se surpreender como o moreno evoluía em seu estilo desleixado de jogar e era incrivelmente feroz. Durante um intervalo na metade do jogo, o celular apitou e ele o pegou, quase derrubando a tigela contendo o restante do caldo de seu jantar.

Não importa quantas vezes eu assista o Minecchin jogando: sempre parecerá a primeira.
PS: roubei o seu número quando dormiu aqui.
S.

Kagami engasgou com a própria saliva e deixou o celular cair no chão. Enrubesceu, mas ainda catou o aparelho e ficou olhando a mensagem por alguns minutos. Até que se atreveu a responder.

Quando o vejo jogar, sinto vontade de jogar também.
Por que pegou meu número?

O intervalo tinha acabado, mas aparentemente tinham colocado Aomine no banco, o que deixou o jogo mais lento. Por causa disso, Kagami ficou encarando o celular a cada 30 segundos, esperando que a resposta chegasse. Chegou ao ponto que foi para a cozinhar lavar a louça para esperar a resposta. Quase correu quando ouviu o bipe da mensagem.

Vai que eu quisesse conversar com você assim como estou fazendo agora?
Estou com vontade de jogar também. Vamos?

— Heh? — resmungou ele, arqueando a sobrancelha. Ela esperava o que? Que ele fosse para aquele fim de mundo jogar com ela aquela hora da noite? E, como se lesse a mente dele, o celular vibrou em suas mãos.

Go to the window, K.

Um sorriso se formou automaticamente só de pensar no que Sakura poderia ter feito. Caminhou a passos largos e abriu a janela, sentindo o ar frio da noite. Olhou para baixo e visualizou uma pequena figura em um conjunto de moletom preto e acenando para ele. Kagami sinalizou com dois dedos, antes de fechar tudo, vestir uma roupa adequada para o frio e pegar seu par preferido de tênis de basquete e sua velha bola. Jogou algumas coisas dentro de uma bolsa que tinha e desceu até o térreo, encontrando Sakura sentada no banco em frente a portaria do prédio.
— Dois minutos longos. — disse ela, sorrindo.
— Te garanto que a próxima meia hora vai ser breve. — disse o ruivo, estendendo a mão para ajudá-la a levantar. Mas Sakura se ergueu sozinha e roubou a bola da mão dele.
— Tem alguma quadra perto daqui? — caminharam até uma quadra deserta e a garota começou a quicar a bola laranja contra o chão cinzento. Se aproximou da cesta e arremessou a bola, acertando diretamente dentro do aro.
— Sabe que esse não vale, certo? — resmungou Kagami, alongando os braços perto dela.
— Não é como se você fosse precisar de muito para me vencer. — replicou Sakura, olhando para ele.
— Eu não fui um dos melhores jogadores profissionais da temporada. — comentou ele, pegando a bola. Ela parou na frente dele.
— Ainda bem que disse no tempo verbal certo, Kagami-kun. — ela roubou a bola dele com um movimento forte e correu, aproveitando a surpresa dele. Fez uma cesta de perto e sorriu para o ruivo, que arqueou as sobrancelhas. — Eu fui. Partida de 10?
— Você quem manda. — o ruivo pegou a bola e avançou direto para Sakura, que mantinha uma expressão suave, enquanto tentava roubar a bola dele. Porém, os movimentos de Kagami eram muito rápidos para que pudesse acompanhar, então quando ele a viu suspirar, soltou uma risada, antes de correr para a cesta e enterrar. — Já sem fôlego? — disse, ao vê-la tirar o caso, revelando a regata branca por baixo do casaco e os cabelos trançados caindo pelas costas.
— Vamos ver se você mantém esse sorriso até o fim. — disse, pegando a bola no fundo da quadra. Ela não era tão ágil quanto Kagami, mas Sakura possuía uma leveza que permitia giros rápidos e travar seus movimentos enquanto os executava. Numa dessas, enquanto se encaravam e ela quicava a bola muito perto do chão, a garota ameaçou ir para um dos lados, mas girou para outro, antes de conseguir dar um longo passo, saltando para um arremesso a distância. Kagami ameaçou pular para deter, só que percebeu que, diferente do Midorima, a bola dela chegava a um ponto mais alto e inalcançável para ele. Quando a bola atravessou o aro, ele sorriu para a garota.
— Aprendiz de Midorima? — Sakura deu uma piscadela.
— Nunca teve curiosidade de pesquisar sobre mim? — questionou Sakura, se aproximando dele para tentar roubar a bola.
— Achei que seria invasão de privacidade. — ele a driblou de forma rápida e enterrou novamente. A garota incitava o seu lado competitivo e ele não conseguia impedir que parte de sua selvageria se demonstrasse ali. Os cinco pontos seguintes foi Kagami quem marcou e em alguns, deixava Sakura verdadeiramente estatelada com passes rápidos. E, quando ele fazia isso, ela não conseguia conter os sorrisos de felicidade. Sentia-se completa jogando.
Porém, num dado momento que foi tentar interceptar um lance de Kagami, sem querer, o rapaz a derrubou. Então a graça do jogo pareceu acabar ali. Sakura ficou sentada no chão, mantendo os olhos baixos. Assim que percebeu o empurrão, Kagami soltou a bola, mas já era tarde porque Sakura estava no chão.
— Me desculpe! — pediu, esticando a mão para ajudá-la a levantar. Olhou a cabeça baixa da garota e as mãos que apertavam o joelho direito. — Eu te machuquei, Yukino-san? — ele se abaixou e esticou a mão em direção ao joelho dela, mas Sakura gritou.
— Não! — os olhos vermelhos se arregalaram e ele recuou, ainda encarando a garota. — Por favor...
— O que houve, Yukino-san? — os ombros dela se mexiam rápidos e então Kagami constatou que ela chorava. — Mas o que?
— Me desculpe, Kagami-kun. — disse depois de uns dois minutos com a voz abafada. Ela levantou o rosto, mostrando seus olhos vermelhos e inchados. — Eu sou toda errada e, quando eu tento esquecer disso, algo me fez lembrar. — ele franziu o cenho, gesticulando alguma coisa que Sakura não compreendeu.
— O que você quer dizer? — Sakura indicou o joelho direito com a cabeça, pedindo que ele tocasse. Quando o fez, sua expressão preocupada se acentuou. Sua mão se afastou para segurar a barra da calça dela, levantando-a. A garota o ajudou, segurando o tecido, enquanto Kagami deslizava a mão pelo que deveria ser a panturrilha dela. O olhar de incredulidade dele fazia Sakura ficar mais triste a cada segundo, então nada falava, apenas observando o gesto dele. — Uma perna mecânica? — ela assentiu. — Mas... Como?
— Uma história muita longa e complicada. — comentou ela, antes de suspirar. Subiu a calça até mais da metade da coxa e reencaixou a base de silicone da prótese no lugar onde deveria estar seu joelho. Depois de sentir que estava firme, abaixou a calça e ficou em pé, com ligeira dificuldade. Kagami permanecia ainda parado, de joelhos, olhando para as pernas da garota. — Não quero sua compaixão, Kagami-kun. Já tenho bastante auto-piedade.
— Na vez que nos conhecemos, quando eu te derrubei sem querer, sua perna também desencaixou. — afirmou o rapaz, erguendo os olhos para a garota, que arqueava a sobrancelha. — Você tem vergonha disso. — ele ficou em pé e parou na frente dela. — Por que? — os olhos dela marejaram novamente e as lágrimas escorreram grossas pelas bochechas. Kagami afastou as primeiras com as pontas dos dedos, mas Sakura o repeliu. Secou o rosto de maneira desajeitada e foi até a bola. Assim que a pegou, jogou-a em direção a cesta, mas a jogada foi fraca. Tentou repetir, mas dessa vez foi forte demais. Na terceira vez, suas mãos tremiam tanto que, mesmo se colocando em posição, não conseguiu lançar.
Então o ruivo andou até ela e pegou a bola de suas mãos, encaixando a esquerda na direita dela. Passou a puxá-la pela mão, guiando-a para fora da quadra. Andaram lado a lado pela rua vazia; subiram uma escadaria e Kagami a levou para o parque que havia pouco depois da escada, onde sentaram-se na grama úmida pelo relento. Em momento algum, soltou a mão dela. E Sakura também não fez, aproveitando o carinho que ele fazia no dorso de sua mão.
— São poucas as pessoas que sabem disso. — murmurou, baixinho, enquanto fitava o horizonte repleto de edifícios com luzes brilhantes. — Meu antigo técnico; minha família e Minecchin. Eu tenho evitado de sair de casa desde a cirurgia por causa dos... Bem, papparazzis. Eu fugi deles porque ainda não sou capaz de aceitar tudo muito bem e não queria ninguém invadindo o meu espaço, só que essa semana já marcamos uma coletiva para esclarecer a minha ausência nesta temporada de inverno.
— Você sabe que pode jogar. Não há nenhum...
— Não posso jogar pelo time que eu quero. — interrompeu, olhando-o. — Além do mais, ainda não me sinto confortável com esta porcaria. — disse, indicando a perna. — Ainda sinto dores e parece que não está certo usar isso. Não consigo me movimentar direito e parece que estou mais lenta. — bufou, parando as reclamações. — Você deve estar irritado com tanta reclamação. Já não basta o choque de... — gesticulou novamente para a perna.
— Não imagino como é difícil para você aceitar isso, Yukino-san. Não passei pelo que você passou, mas não deve ter vergonha disso. Não deve ter medo de ser julgada e não deve sentir raiva das pessoas, como se fosse culpa delas que isso aconteceu. — explicou Kagami, olhando para a garota, vendo seu rosto abaixado.
— Não quero pena.
— Então não sinta de você mesma. — apertou a mão dela entre a sua. A garota olhou de relance para o ruivo, observando suas feições relaxadas e seu olhar distante.
— Me desculpe, Kagami-kun. Por ter sido muito rude naquela festa e por ter gritado com você agora. Você não merece aguentar uma louca como eu no seu dia de folga. — disse, ficando em pé e limpando a calça com as mãos. — Eu acho que...
— Depois da festa. — começou ele, sorrindo para a garota ao vê-la se interromper. — Ahomine disse que você estava passando uma fase difícil, mas que era uma pessoa tão irritante quanto o Kise. — Sakura arqueou a sobrancelha e o ruivo ficou em pé, na frente dela. — Vamos começar do início. Eu vou fingir que conheci você naquela quadra de basquete e fiquei impressionado com seu lançamento alto e te chamei para um one-on-one. — se curvou um pouco. — Eu sou Kagami Taiga, um estudante da Escola de Bombeiros, padeiro e cozinheiro no tempo vago. Douzo yoroshiku. — Sakura apoiou a mão no ombro dele e o obrigou a voltar a postura normal.
— Eu sou Yukino Sakura. — estendeu a mão para que ele a cumprimentasse. — Ex-jogadora profissional de basquete. Hajimemashite. — Kagami fitou o sorriso tímido que a garota lançava. — Eu gostaria de aprender a cozinha, principalmente agora que tenho bastante tempo livre.
— A gente pode acertar isso. — agora ele mesmo sorria e Sakura percebeu que estava derretendo diante dele. Às vezes — só às-vezes-quase-sempre, tinha a impressão que Kagami não sabia o quão atraente era. — Está tarde, Yukino-san, temos que voltar para casa. — andaram até a casa dele e, ali, esperaram um táxi para ela. Quando o carro branco estacionou, ela virou para o ruivo.
— Kagami-kun, me chame de Sakura, por favor. — disse, vendo-o erguer as sobrancelhas. — E não me olhe assim. — entrou no carro e acenou, enquanto ganhava distância.

Então, se acomodou contra o banco do táxi e pegou o celular, observando que faltava pouco para acabar a bateria. Apertou continuamente o número 2 e, levou o aparelho ao ouvido. Depois de alguns toques, ouviu a voz que tanto estava acostumada.
— Se você soubesse como essa voz arrastada é deliciosa aos meus ouvidos, não atenderia o telefone assim. — comentou, mordiscando o lábio ao mesmo tempo que sorria.
— Eh? — soou, idiotamente. Passaram alguns segundos. — Puta merda, você está de volta! Como, por que?
— Ahomine... Já disse que eu adoro o jeito que você joga basquete? — a ligação caiu em seguida e, sozinha, a garota começou a gargalhar baixinho, mas ainda o suficiente para atrair a atenção do taxista que a fitava com um sorriso no rosto.

Notas finais
Kiss kiss