Even Love

16 Capítulo XV - A morte de Will.


Notas iniciais
Olá. Desculpem a demora, mas eu estou lotada de tantas tarefas! Só hoje encontrei um tempo, e mesmo assim ainda tenho tanta coisa da escola pra fazer! Ensino médio não é moleza, não.
Mas ai está o capítulo, vou tentar escrever o outro até quarta para não matar vocês de curiosidade, já que o próximo capítulo é cheio de "revelações" se é que me entende. E depois desse capítulo de revelações, vai ter - FINALMENTE- o capítulo com hentai! wee~ E não se preocupem, será do casal Natch... Ou talvez não! >_> MUHAHA
E obrigada pelas duas recomendações que eu ganhei esses dias. *U*
Aproveitem, e ignorem minha falta de criatividade com as palavras.

A aula tinha acabado quinze minutos mais tarde do que o normal. Pelo menos para mim, Brian e Vic, que, como bons encrenqueiros, sumimos com as vestes de umas das freiras enquanto ela estava tomando seu rápido banho no vestiário ao lado do ginásio. Eu certamente devia estar querendo ficar longe de confusões, já que, provavelmente, o padre, que era diretor da escola, devia estar ligando para minha mãe.

Brian, estressado com sempre, enquanto levávamos bronca de quase todos os membros da igreja e do corpo estudantil, gritou com todos e saiu da sala batendo a porta. Ah, claro, isso depois dele ter mostrado o dedo do meio para o padre Dominic.

Agora eu e Vic descíamos as escadas do pátio da escola com alguns milhares de livros no braço – ou melhor, as “pequenas” tarefas que Padre Dominic tinha passado –, e com um belo recado de suspensão, que nossos pais teriam que assinar antes de voltarmos para a aula, só daqui a uma semana.

— Bem, eu não me arrependo. – Victoria disse assim que nos encontramos com Brian na calçada. – Ela disse que eu estava corrompida só porque fiz uma tatuagem!

Victoria tinha passado a manhã inteira mostrando, para toda alma viva que passava, sua tatuagem. Ela tinha amarrado sua blusa um pouco em cima do umbigo, o que fazia metade do desenho sangrento e assustador que tinha feito em suas costas. Isso além do fato de que agora ela falava em vampiros de cinco em cinco minutos.

— Se eu tivesse presas... – Começou, mas eu a interrompi, já sabendo o resto da frase.

— Você arrancaria o pescoço dela. Já sabemos disso, Vic. – Fui para o lado de Brian, dando-o um leve empurrão para que ele começasse a andar. Não estava a fim de ouvir toda aquela conversa de novo.

Minha amiga não era a mesma de quatro dias atrás, agora ela vivia com essa história de vampiros, sangue, presas e morte. Além de seu visual ter mudado drasticamente. Ela não usava mais calça de couro, coturnos e muito menos camisetas de banda, Victoria agora tinha adotado um estilo próprio: Saias longas, na maioria das vezes de um tecido fino e vermelho, saltos plataforma e corpetes minúsculos. Além de ter começado a usar um lenço negro amarrado no pescoço.

Tinham se passado apenas quatro dias depois daquela noite, e eu só conseguia pensar em como ela estaria em uma semana. E era óbvio que toda aquela mudança tinha tudo a ver com Eric Northman, ele e seu visual vampiresco e nórdico. Ele tinha influenciado Victoria a tal ponto que ela só conseguia pensar nele e idolatrá-lo o tempo todo. Como ela não conseguia enxergar como ele era irritante e psicopata?!

Brian se mexeu ao meu lado, chamando minha atenção.

— Por que ela está tão esquisita? – Sussurrou em meu ouvido, quando Victoria saiu correndo a nossa frente e abriu os braços, enquanto girava e olhava para o sol irritantemente quente da Califórnia.

— Não faço a mínima ideia. – Menti. – Ei, Victoria! Endoidou?

Ela parou de rodar e suspirou alegremente.

— Eric me disse para aproveitar o sol enquanto posso. – Ela abriu os braços e levantou a cabeça de novo, para sair andando pela calçada igual uma louca.

Pensamentos estranhos passaram por minha cabeça. Pensamentos que com certeza afirmavam minha suspeita de que eu estava totalmente pirada.

Enquanto Victoria ia a nossa frente, Brian, discretamente, pegou minha mão. Seus dedos finos e longos entrelaçaram-se aos meus. Eram tão diferentes dos de Patch... Desde que eu o conheci não vi mais Brian da mesma forma que antes. Ele era meu melhor amigo, claro... Mas eu não conseguia mais sentir aquelas borboletas no estomago e meu coração não disparava quando eu o via. Ás vezes eu o olhava, o tocava, só para ver se eu conseguia fazer com que aquela sensação voltasse. Mas não acontecia nada. Eu queria estar apaixonada por Brian, queria poder namorá-lo agora que ele finalmente respondia aos meus sentimentos.

Mas simplesmente não acontecia. Eu agora estava apaixonada por outro. Aquele que não tinha um sorriso nada amistoso, mas sim um sorriso que indicava perigo. Aquele que tinha órbitas negras nos olhos. Esses olhos que absorviam tudo e nada devolviam. Aquele que tinha hálito de hortelã e que cheirava á terra molhada, cigarros e especiarias exóticas. Eu não queria, mas estava apaixonada por Patch Cipriano. Ele tinha aparecido, de uma hora pra outra, e já tinha me conquistado. Aliás, quem não ficaria encantada com Patch? Aquele jeito badboy de ser, sua voz rouca... Que mulher não ficaria encantada com isso?

À noite, deitada na cama, eu conseguia pensar com perfeita clareza no timbre grave de sua risada, no jeito como aquele sorriso erguia ligeiramente mais no canto direito da boca, no toque de suas mãos — quentes, macias, deliciosas — sobre a minha pele.

— Quer passar o dia lá em casa? – Brian perguntou, tirando-me de meus devaneios. – Não consigo parar de pensar em como você fica sozinha nessa casa enorme.

— Não, obrigada. – Sorri. – Hoje tenho que dar um jeito na casa, minha mãe chega amanhã à tarde, lembra?

Paramos de andar, e ele olhou para a casa atrás de mim. Sorriu de canto.

— Bem, boa sorte nisso.

Inconformada, soquei seu braço. Ele recuou para trás massageando o lugar atingido.

— Você não vai nem oferecer ajuda?

— Não, você está sozinha nessa. – Ele riu. – Tenho que ir, quando temos visitas, minha mãe não tolera atrasos. – Brian revirou os olhos e então me puxou para um abraço apertado. Joguei meus braços em seu pescoço, tentando, em vão, sentir alguma coisa. Então ele fez algo que me surpreendeu. Brian levantou meu queixo e me deu apenas um selinho, um leve e rápido selinho.

Então eu pude ter certeza que eu não gostava mais dele. Porque aquele beijo não passou daquilo, uma confirmação para minha tese. Ele se virou e continuou andando com calma, com uma das mochilas pendurada em um só ombro e o cabelo liso e preto caindo quase sobre os ombros. Victoria que estava ao meu lado, vendo tudo, disse:

— Você não gosta mais dele, não é? – Ela sorriu de leve. – Mas com um cara igual ao Patch no seu pé, quem ligaria para o Brian?

Eu não disse nada, só franzi os lábios, enquanto olhava para a direção que Brian tinha tomado.

— Eric diz que esse Patch não presta, que eles brigaram por uma garota a algum tempo atrás... – Virei-me para ela.

— Eric contou isso para você?

— Sim, ele me contou tudo. – Victoria colocou uma mão em meu ombro. – Você tem que deixar de ser tão influenciada pelo Patch, ele não vale nada. – Deu os ombros. – Foi isso que Eric disse.

— Eu? Influenciada? Você está falando sério, Vic? Olha para você! Está parecendo uma bruxa velha com essas roupas idiotas. Você até tirou os piercing da orelha e do nariz! E eu tenho que deixar de ser influenciada? – Parei por um momento, para tomar ar. – Você tem que parar de sair com o Eric, ele não presta!

— Você sempre quer estragar tudo, não é, Nora? Que droga! Você sempre quer tudo e todos pra você. – Ela apontou para mim com sua longa e fina unha. – Você pensa que tudo gira em todo do seu umbigo. Você tem o Brian, tem o Patch e agora quer meu Eric também?! Que tipo de amiga é você?

Observei-a de olhos arregalados. Ela pensava que eu queria pegar o Eric para mim? Que ridículo. Quando abri a boca para rebater, ela gritou:

— Eu estou cansada de você, Nora! Você é sempre a melhor! A mais esperta, a mais bonita, a que ganha mais caras, a que tem uma vida perfeita e uma casa enorme só para ela e para a mamãe. Eu acho até que minha mãe prefere você do eu! – Ela bateu o pé, raivosa. – Sabe as coisas que eu tenho que fazer para chamar a atenção do Eric? Não, não sabe, porque você é uma virgem do caramba! – Victoria gritou, e pessoas que passavam do outro lado da rua olharam para nós, boquiabertos. – É tão frustrante! Acredita que ele fala o seu nome enquanto está transando comigo?

Aquilo sim era inacreditável. Afinal, qual era o problema de Eric? Aquilo já estava ficando estranho. Não, já estava estranho desde que os dois brigaram no gramado da minha casa. Aquela história da ex-namorada que se parecia comigo, e o jeito como Eric agiu, como se fosse um animal... Eu tinha que investigar sobre aquilo, mas tinha medo do que ia descobrir.

Victoria estava respirando pesadamente a minha frente, segurando o choro.

— Você tem que esquecê-lo, Victoria. Ele não é bom para você... – Disse isso enquanto, rapidamente, levava minha mão ao laço que estava amarrado em seu pescoço. Tirei-o com um puxão, e quando percebeu o que eu tinha feito, tentou recuperar o laço, mas eu já tinha visto o estrago em seu pescoço.

O pescoço de Victoria estava todo vermelho e inchado de um lado, com várias marcas de mordidas e pequenos rasgos pela pele bronzeada. E do outro, a pele estava mais clara em algumas partes, deixando evidente que os machucados já estavam se cicatrizando ali.

— Mas oque...? – Indaguei, assustada. Ela aproveitou a deixa e puxou o laço negro de minhas mãos, amarrando-o de novo com pressa.

— Você não devia ter feito isso! Ele vai ficar uma fera comigo. – Victoria disse quando terminou de fazer um nó bem firme em volta do pescoço. E então tudo pareceu cair em cima de mim. Eric tinha feito aquilo com ela. Eric a estava machucando, mas ela era dependente demais para perceber que aquilo não era amor, para perceber que ele não queria nada com ela, a não ser brincar de vampiro.

Aquilo era errado. Muito errado.

— Não pode deixar ele fazer isso com você! – Segurei seu pulso com força, quando ela tentou passar por mim.

— Eu posso sim! Ele está começando a gostar de mim, Nora. Realmente gostar de mim. – Ela se soltou, e se recompôs rapidamente, levantando o queixo. – E você não vai estragar isso. Não dessa vez. – Dito isso, ela andou eu passos largos pela calçada até eu não poder vê-la mais.

Fiquei parada no mesmo lugar. Estática. Como Eric podia fazer aquilo? Era algum tipo de fetiche ou ele era um psicopata maníaco? Isso era tão errado. Por que diabos Victoria não conseguia entender que ele estava a usando? Ele a tinha marcado para o resto da vida. Tinha feito aquelas feridas horríveis em seu pescoço, as cicatrizes ficariam ali para sempre, mas ela não se importava. Pelo contrario, tinha certeza que Victoria pensava que estar com Eric era uma honra. Ou Eric poderia estar fazendo aquilo de novo... Poderia ter hipnotizado Victoria ou algo assim...

— Não. – Sussurrei para mim mesma. – Esse tipo de coisa não existe.

Sai da posição se estava para andar até a porta da frente. Talvez limpar a casa me ajudasse a parar de pensar em Victoria. Em Eric. E em todos esses problemas.

***

Eram 19:00h quando eu finalmente terminei de limpar a casa.

Todos os cômodos estavam brilhando de tão limpos, apenas esperando pela chegada de minha mãe. Ela tinha me ligado à tarde para avisar a que horas chegaria e para dizer que estava morrendo de saudades. Estava ansiosa por sua volta, ela podia ser super protetora e me tratar com uma criança, mas eu não me sentia mais bem ali. Eu já tinha ficado várias vezes sozinha em casa, mas dessa vez parecia que a cada passo que eu dava olhos que eu não conseguia enxergar me acompanhavam. É claro que quando minha mãe chegasse, essa sensação melhoraria, mas não conseguia parar de pensar de que quando ela voltasse, não poderia mais convidar Patch para entrar em casa, e muito menos dar uns amassos na bancada da cozinha.

Meu telefone tocou em meu bolso e eu pulei do sofá em que estava deitada para pegá-lo na mesa da cozinha.

— Alô.

— Nora? Oi! – A voz do outro lado da linha soava alegre.

— Hm... Quem está falando?

— É o Will. O tatuador. – Reconheci a voz do asiático do outro lado da linha e sorri. Ele me ligou mesmo.

— Ah, sim. Olá, Will, o tatuador. – Dei uma risadinha e quase pude vê-lo abrir aquele sorriso caloroso.

— Bem, eu estava pensando... Quer sair comigo hoje à noite? – Perguntou, tímido. Dei uma olhado no relógio antes de responder.

— Claro. Mas não estou com paciência para ir a bares ou festas. – Afinal, não queria estar com uma ressaca maldita quando minha mãe voltasse.

— Sorveteria, então? – Sugeriu.

— Claro. — Dei então as informações necessárias para que ele conseguisse chegar até uma sorveteria que ficava a apenas duas quadras de minha casa.

— Te encontro lá em meia hora. – Despediu-se e cancelou a chamada.

Dei um suspiro e subi as escadas. Tomei um banho rápido para tirar o cansaço, apenas o necessário. Fiz minha higiene e sai do banheiro, parando em frente as portas abertas do closet para pensar no que vestir. Acabei escolhendo um vestido azul escuro, ele marcava minha cintura e meus seios, a saia era rodada e acabava na metade de minhas coxas. Coloquei uma sleeper preta com tachinhas e apanhei minha carteira. Tinha conseguido me arrumar em vinte minutos, então chegaria lá a tempo.

As ruas estavam iluminadas com as luzes dos postes e muitos casais passeavam por ali, sentando-se em bancos e trocando carícias. Sorri ao me imaginar ali com Patch. Mas logo percebi o quanto a ideia parecia ridícula, Patch não era o tipo de cara que levaria a namorada para um parque no fim da tarde, onde fariam um piquenique e trocariam juras de amor. Não. Ele, definitivamente, não parecia esse tipo de cara. Seria a mesma coisa que imaginá-lo jogando frisbee numa praia ensolarada. Nunca iria acontecer.

Afastei as ideias de minha cabeça, afinal, não queria criar falsas expectativas.

Cheguei à sorveteria bem em cima da hora. Era um estabelecimento familiar e bastante famoso por ali. As paredes eram pintadas de verde claro e rosa, as duas cores se misturavam também nos móveis e no chão para criar um ambiente bastante divertido e único. Escolhi me sentar em uma mesa bem na entrada, ao lado do balcão, para que logo que chegasse, Will me visse.

Esperei por dez minutos. Vinte minutos. Trinta minutos. Até que levantei da mesa e fui pagar a garrafa de água que tinha pego mais cedo. Ele marcou o encontro e depois me deu um bolo? Isso no mínimo me fazia pensar se eu devia mesmo ter aceitado sair com ele. Ia empurrar a porta quando uma imagem na TV atrás do balcão de sorvetes chamou minha atenção.

Era uma foto de Will no noticiário. Voltei imediatamente e apoiei os cotovelos do balcão, a fim de ouvir mais.

— Pode aumentar o volume? – Perguntei a uma funcionaria que passava. Ela apenas se esticou e aumentou o volume até que todos os que estavam presentes parassem de conversar e olhassem para a TV na parede.

As imagens mostravam cenas fortes de um assassinato. Eu conhecia a rua em que tinha acontecido, era na esquina do estúdio que Will trabalhava. Uma foto mostrou uma parede ensanguentada e logo depois um chão de cimento coberto por uma poça do liquido vermelho. E depois, apareceu o que eu mais temia. Era Will. Ele estava ali, no chão, com o pescoço totalmente dilacerado e uma eterna expressão de pavor e medo.

O repórter finalmente pronunciou:

— Foi realmente um dos piores assassinatos que já vi. O maníaco que fez isso, dilacerou e rasgou completamente o pescoço da vitima: Willian Carter de dezenove anos. Ele está morto a mais ou menos quinze minutos, já que a policia, assim que recebeu uma chamada anônima veio para cá. E o mais estranho é que os ferimentos no pescoço parecem ter marcas de mordidas. Será que temos um novo serial killer pelas ruas da Califórnia? Aqui é Steve Tango falando da quarta avenida... – E então o dono do estabelecimento mudou de canal. Todos olharam em sua direção e ele apenas deus os ombros.

Era muita coisa pra digerir. Muita coisa. Will tinha morrido. Ele era praticamente um estranho para mim, mas nós tínhamos um encontro. Ele tinha acabado de falar comigo quando isso aconteceu. Ele vinha me encontrar quando isso aconteceu.

Bati minha testa contra a bancada, tentando pensar. Espera, ele tinha morrido com mordidas pelo pescoço? Será que...? Dei um suspiro quando percebi o que tinha acontecido, ou o que pelo menos eu achava que tinha. Tinha que ser isso.

Sai dali num rompante, correndo para a rua e chamando o primeiro táxi que passava pela rua.

Eu ia fazer uma visitinha ao Sr. Northman.

Notas finais
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