Even Love
12 Capítulo XI - Lembranças.
Notas iniciais
Demorei, mas aqui está. Considerem um presente de natal atrasado já que tem um pequeno hentai. :D
Vou fazer vocês ficarem loucas querendo um beijo Natch. MUHAHAHAH
Boa leitura.
Meu despertador tocou no criado mudo ao lado da cama e eu preguiçosamente estiquei o braço até lá para desligá-lo.
Sentei-me ainda tonta de sono, olhei para o relógio e soltei um xingamento. Já tinha perdido as aulas de hoje, mas mesmo assim estava grata por ser sexta-feira. Antes mesmo que eu pudesse sair da cama, alguma coisa em baixo dos cobertores começou a vibrar, revirei até achar meu celular.
Atendi.
- Alô. – Murmurei, ainda sonolenta.
- Nora! – A voz alegre de minha mãe do outro lado da linha me fez sentar rapidamente.
- Mãe. Oi! – Mordi o lábio. Teria que inventar uma boa desculpa por ter faltado á escola.
- Posso saber o que está fazendo em casa? Pelo o que eu me lembro, o combinado era que você teria responsabilidade... — Ela começou a fazer seu decurso de mãe preocupada.
- Eu sei, mãe. Eu só não estava disposta hoje.
Não era inteiramente mentira, eu realmente não estava me sentindo disposta hoje, mas não ia contar á ela o motivo disso.
- Sei... – Minha mãe disse, desconfiada. – E como estão as coisas por ai? A Sra. Hale está cuidando das coisas como eu pedi?
- Está tudo bem, mãe. E porque você não me ligou antes? – Perguntei, tentando mudar de assunto.
- Porque eu simplesmente não tive tempo! As coisas aqui estão uma loucura, eu tenho mais três leilões para serem feitos ainda hoje. – Disse, exaltada. Ela parou para tomar ar e logo voltou a falar. – Mas não foi para isso que eu te liguei. A comida que eu deixei na geladeira já deve ter acabado, e se eu te conheço bem, você deve estar comendo só porcarias.
– Hm... Não exatamente. – Sai do quarto e fui em direção a cozinha, estava preste a abrir a geladeira quando ela voltou a falar.
- Bem, por isso eu deixei um dinheiro extra para você fazer as compras no supermercado. Mas somente alimentos saudáveis. – Ela ressaltou. - Não vá gastar tudo com chocolate e energéticos.
– Já entendi, mãe. – Dei outra olhada rápida na geladeira vazia e encostei-me no balcão. – Onde está esse dinheiro extra?
- Naquele pote de porcelana que a sua avó me deu, ao lado da televisão. Mas Nora... – Ela parou de falar repentinamente e eu ouvi a voz de outra mulher do outro lado. – Eu tenho que ir, o leilão foi remarcado para daqui a vinte minutos e eu ainda preciso me trocar. Se cuide, eu te amo.
— Tchau, mãe. – Ela cancelou a chamada e eu deixei o celular em cima do balcão. Fui até a estante de madeira que suportava a televisão e abri o pote azul de porcelana. Um bolo de dinheiro estava lá dentro, mas eu peguei apenas uma nota de cem e coloquei a tampa no lugar novamente. Subi as escadas e entrei no banheiro, a fim de tomar um banho rápido. Fiz minha higiene rapidamente, voltando para o quarto logo em seguida, vesti um short jeans claro, uma regata preta e calcei um par de chinelos coloridos.
O supermercado não ficava muito longe de casa, apenas três quadras de distancia, então não precisava me preocupar em me arrumar toda, afinal não ia encontrar ninguém.
Prendi meu cabelo num coque alto e, ao sair pela porta da frente, não pude evitar não colocar meus óculos de sol. Na Califórnia sempre fazia calor demais, tanto que em toda época do ano, as praias lotavam tanto que praticamente não dava para se estender uma toalha e se bronzear a vontade.
Andei em silêncio até o supermercado. Era hora do rush, os carros e motos passavam zunindo na rua ao meu lado, e em certos pontos da calçada as pessoas se acumulavam em rodinhas de conversas. O suor fazia os poucos fios de meu cabelo grudarem em meu pescoço, foi um alivio quando entrei pelas portas do mercado e o ar condicionado bateu em meu rosto.
Fui para o corredor principal com uma cesta de compras na mão e comecei a pegar o que eu achei que era básico: chocolate, café, macarrão instantâneo e energético. Ia virar para o corredor seguinte, mas bati contra alguém coisa e todas os produtos que estavam na cesta voaram para o chão.
- Droga! – Resmunguei me abaixando para pegar o que havia caído. Uma mão morena que eu reconheceria em qualquer lugar entrou em meu campo de visão e me ajudou a colocar tudo de volta na cesta. Quando terminamos, ele estendeu a mão para me ajudar a levantar.
- Você está bem? – Perguntou abrindo aquele sorriso irresistível.
Perdi o fôlego por um minuto. Ele era a ultima pessoa que eu esperava encontrar ali, com suas botas pretas, camisa preta dobrada até o cotovelo e uma calça jeans escura que deixava bem visível as melhores partes de seu corpo.
- Sim. – Sussurrei, levei minha mão ao meu piercing, nervosa. Com certeza, assim como eu, ele ainda não tinha esquecido o que eu tinha dito noite passada.
Patch tirou minha mão de lá e tocou de leve o piercing preto em meus lábios.
- Você ficaria melhor sem isso. Ficaria mais natural. – Dei um tapinha e sua mão e voltei a andar normalmente pelo corredor, olhando irritada para as prateleiras.
Eu odiava quando me diziam o que eu tinha que fazer, o que seria melhor para mim ou apenas davam opiniões sobre minhas ações. Era a minha droga de vida, eu tinha o direito de colocar um piercing se eu quisesse.
- Ei, Nora! – Patch puxou-me pelo pulso e me fez encostar em uma das prateleiras, seu corpo quente e atrativo estava a centímetros de distancia, quase me fazendo esquecer o motivo por eu estar irritada. – Eu só dei minha opinião.
- Mas eu não pedi nenhuma opinião. – Soltei meu pulso e cruzei os braços, fazendo com que a cesta de compras ficasse entre nós dois.
- Tudo bem, me desculpe. – Ele olhou para as porcarias que estavam na cesta, ergueu uma sobrancelha. – Fazendo a compra do mês? – Sorriu.
Suspirei fundo. Não tinha como ficar brava com ele, por mais que eu tentasse. Aquele sorriso branco e perfeito fazia meu coração dar cambalhotas dentro de mim.
- Tentando. – Mordi o lábio, o que o fez rir.
- Posso levar você para almoçar. – Não era uma pergunta.
Eu amava o jeito atrevido dele.
- Não... Eu preciso mesmo fazer compras. – Mentalmente, eu estava batendo minha cabeça na parede por recusar aquele convite.
- Então eu posso cozinhar para você. – Propôs, pegando a cesta de minha mão.
- Você sabe cozinhar? – Eu não conseguia processar a idéia dele numa cozinha.
- Ora, Nora. Eu sou um bom moço. – Patch voltou sua atenção à prateleira atrás de mim, logo ele pegou uma lata e a jogou dentro do cesto.
- Eu não disse nada. – Justifiquei-me enquanto o seguindo pelo corredor, ele ia pegando uma coisa ou outra. Eu não tinha a mínima idéia do que ele estava planejando cozinhar. Quando chegamos ao final do corredor, ele se dirigiu ao caixa.
- Afinal, o que você estava fazendo no supermercado? – Indaguei, enquanto o caixa, um garoto alto e loiro que uma hora registrava o produto outra me encarava, terminava de passar as compras.
- Vim comprar cigarros. – Disse e pegou uma caixa de FOX.
O garoto do caixa pigarreou e mostrou o valor na tela do computador, coloquei a mão em meu bolso para pegar a quantia, mas Patch já estava fechando a carteira e com o dinheiro em mãos.
- Eu vou ser o cozinheiro. – Ele deu os ombros. Quando abri a boca para reclamar, ele continuou. – Nada mais justo.
Ele pegou a sacola de papel com as compras e eu apanhei seu cigarro que tinha ficado do lado de fora, nos dirigíamos para a saída quando o garoto exclamou:
- Ei! – Eu olhei automaticamente para trás, ele sorriu. – Eu estava pensando, talvez você pudesse dar seu número de telefone... – Ele deixou a frase no ar.
Abri a boca para responder um educado “melhor não”, mas senti Patch passando os braços por meus ombros e disse quase num rosnado:
- Sinto muito, ela não está interessada. – E me puxou para o lado de fora. Fiquei boquiaberta enquanto ele me arrastava pelo estacionamento, e quando chegamos a rua eu me toquei do que acabara de acontecer.
- O que foi aquilo? – Me fiz de inocente.
- Você não ia querer sair com ele. – Eu não respondi, sua voz mostrava que ele ainda estava um pouco irritado.
Andávamos em direção da minha casa. Era estranho sair com esse deus grego ao meu lado, parecia que todas as cabeças se voltavam para ele quando passávamos. Bufei alto quando peguei um garoto olhando para a bunda de Patch.
Ouvi sua risada rouca.
- Tem um isqueiro? – Perguntei lembrando-me que ainda estava com a caixa de cigarros na mão.
- Você fuma? – Ele estava surpreso. Patch franziu o cenho enquanto pegava seu cigarro de minhas mãos e guardava em seu bolso.
- De vez em quando. O que? Vai me proibir? – Murmurei, já me irritando.
- Fumar faz mal a saúde. – Agora faltavam apenas cinco casas para chegar a minha. Apertei o passo, mas não me surpreendi quando vi que ele ainda estava ali ao meu lado.
- Devia falar isso a si mesmo, então. – Rebati, fitando-o.
- Peguei esse habito numa época em que eu não tinha nada a perder. – Deu os ombros.
Balancei a cabeça negativamente.
- Você fala como se fosse um velho. – Paramos em frente à porta da frente enquanto eu procurava a chave no bolso de trás de meu short.
- Está no da frente. – Patch disse, mas não me deu tempo de pegá-la, sua mão quente já estava ali se infiltrando pro dentro do bolso da frente de meu short, ele apenas pegou a chave. Isso não me impediu de parecer uma boba, como se ele tivesse realmente feito alguma coisa.
Meu corpo parecia arder e eu acabei demorando a pegar a chave de sua mão, tanto que ele mesmo abriu a porta e me empurrou pra dentro.
Quando dei por mim, Patch já estava dentro de minha cozinha. Fechei a porta atrás de mim e cheguei a tempo de vê-lo lavando as mãos. Sentei-me num dos bancos altos enquanto ele colocava a tábua de madeira em cima do balcão a minha frente, logo ele apanhou a maior das facas que estavam no faqueiro e a pousou ao lado da tábua.
- Tomates? – Ele perguntou.
- Na geladeira, ultima gaveta. – Apontei para a geladeira branca do outro lado. Ele foi até lá e ligeiramente curvou-se para pegar os tomates. Não pude evitar olhar para seu bumbum. Quando ele se endireitou e voltou para onde estava, pude ver um pequeno sorriso em seus lábios.
Ele colocou três tomates em cima da tábua e começou a picar o primeiro, num piscar de olhos ele já tinha acabado e ia partir para o segundo quando me pegou olhando para ele. Ergueu uma sobrancelha.
- Venha me ajudar. – Ele se afastou um pouco do balcão, gesticulando para que eu ficasse na frente dele.
Se ajudá-lo significava que ele ficaria atrás de mim, com aqueles braços musculosos ao meu redor... É claro que eu o ajudaria. Levantei-me num pulo e fui para a pia lavar minhas mãos, ensaboei até o cotovelo e enxaguei. Com rapidez, eu estava na frente de Patch. Como eu imaginei, ele passou os braços ao meu redor e espalmou as mãos no granito, bem ao lado da tábua. Com o quadril, ele me empurrou mais contra o balcão, mostrando o quanto ele estava “entretido”.
Arfei, quase incapaz de puxar o ar para dentro. Senti os músculos de sua barriga em minhas costas quando ele riu.
- Vamos voltar ao trabalho. – Sussurrou, senti o toque de seus lábios quentes e molhados no lóbulo de minha orelha.
Com dificuldade, com uma mão peguei a faca da mesa e com a outra posicionei o tomate. Cortei-o ao meio, mas ainda consegui fazer com que o corte ficasse desigual. Patch fez um som de reprovação e pegou minha mão que estava com a faca, ele cortou o terceiro tomate ao meio numa vez só.
- Desse jeito, vê? – Ele mostrou como pegava na faca e voltou a abaixá-la cortando em quatro o tomate. Enquanto fazia isso, sua boca trabalhava em outras coisas, como mordiscar meu pescoço e beijar minha nuca. Num impulso, larguei a faca na mesa e coloquei minhas mãos sobre as suas que apertavam as bordas das mesas com força.
Senti o toque da porta de sua língua minha clavícula, subindo para meu pescoço, fazendo movimentos circulares com a mesma. Suspirei alto, jogando minha cabeça para trás para que ele tivesse mais lugares onde “trabalhar”. Patch tirou suas mãos de baixo das minhas e as levou a minha cintura, apertando-me mais contra ele.
- Acho que eu fiquei sem fome. – Soltei em meio a suspiros. Sua mão direita estava subindo lentamente por minha barriga, levantando minha regata. Ele estava me torturando.
Reprimi um gemido quando o senti chupando com força meu pescoço, daquele jeito que te fazia pensar na marca roxa que aquilo ia virar. Num movimento rápido, ele pegou a tábua a minha frente, com tudo em cima, e a jogou na pia, no outro instante ele me levantou pela cintura, fazendo-me deitar sobre o balcão para que ele pudesse ficar em cima de mim.
Seus lábios roçaram nos meus, fazendo-me perceber como eu ansiava por aquilo, mas quando pensei que ele fosse me beijar, sua boca voltou para meu pescoço. Ele agia de modo selvagem, quase rude, ele mordia, chupava e lambia todo meu colo, meus ombros, meu queixo, mas nunca minha boca. Eu me contorcia de prazer em baixo dele, fazendo-o ficar ainda mais satisfeito consigo mesmo. Suas mãos que até agora quase não tocaram meu corpo foram para as minhas coxas, forçando minhas pernas abrirem para que ele ficasse entre elas.
- Eu poderia devorar você, Nora. – Rosnou em meu ouvido. Uma de suas mãos subiu para meu seio, apertando-o. Aproveitei o embalo para fazer uma coisa que queria fazer a muito tempo. Desci minha mão por suas costas, o que o fez morder os lábios, apertei seu bumbum com força e o ouvi arfar.
Sorri, mas de repente eu não estava mais ali.
Eu estava em outro daqueles flashs horríveis. Agora eu via um casal, eles estavam nus, jogados por cima de uma cama e com os lençóis todos amontoado ao lado dos mesmos. Era óbvio que tinha acabado de fazer sexo, mas não era isso que me incomodou. Foi o fato daquele casal ser eu e Patch.
Voltei a mim puxando o ar com força pela boca. A voz de Patch me acalmou, mas eu ainda estava perdida no que eu tinha acabado de ver.
- Nora, tudo bem?
- Não. – Murmurei colocando a palma de minha mão sobre minha testa. Eu estava soando frio.
Patch rapidamente saiu de cima de mim e me puxou com ele, fazendo-me ficar de pé a sua frente em quanto eu me recuperava.
- O que aconteceu? – Olhei para ele, e vi como seu olhar estava preocupado. O jeito como ele franzia a testa e suas sobrancelhas ficavam... Era tudo tão familiar! Mas pensar nisso era frustrante já que eu não sabia da onde conhecia aquilo.
Resolvi ser sincera, talvez ele sentisse o mesmo com relação a mim.
- Por que eu tenho a impressão de que a gente já se conhece?
- Como assim?
- Toda vez que eu olho para você é como se eu te conhecesse há anos, às vezes até como se eu já tivesse vivido tudo isso. – Pensar assim fazia minha cabeça doer, eu estava forçando, vasculhando em minha mente a fim de achar alguma coisa. – Você também sente isso ou eu estou realmente ficando louca? Porque, com certeza, esses flashs não são normais...
- Espera. – Ele me interrompeu. – Flashs?
- Parecem lembranças... – Mordi o lábio. – Mas é impossível. Eu não te conhecia até uma semana atrás! E o que mais me incomoda é que esses flashes são sempre com você, na maioria das vezes nos estamos nos beijando ou... – Parei de falar, dizer que eu estava tendo flashes pervertidos com ele não era nada legal.
- E nos beijarmos é tão ruim assim? – Ele perguntou, com um sorrisinho no rosto. Obviamente ele estava me achando louca e queria mudar de assunto.
Sai do circulo que seus braços formavam ao meu redor e fui pegar um copo de água na geladeira. Bati a porta atrás de mim, coloquei a garrafa em cima da pia. Minhas mãos tremiam.
- Nora... – Começou.
- Acho melhor você ir embora, eu preciso descansar.
- Mas eu acho melhor eu ficar, você não está...
- Você realmente não sabe do que eu estou falando? – Cortei. Ele parou a minha frente. – Realmente não nos conhecemos? Olhe nos meus olhos e diga. – Pedi, me agarrando a pia, sentia que se eu não segurasse em alguma coisa eu ia cair.
Patch pegou meu rosto e olhou no fundo de meus olhos. Mas ele pareceu se esforçar para sua voz sair do jeito que ele queria.
- Eu realmente não sei do que você está falando.
Suspirei. Só me restava a alternativa B, eu estava completamente maluca.
- Melhor você ir. – Repeti, e ele beijou minha testa.
- Estamos bem, não é? Quero dizer, você e eu.
Tirei as mãos dele de meu rosto e apertei-as.
- Sim, eu só preciso ficar sozinha.
Patch analisou meu rosto mais uma vez antes de sair da cozinha, logo eu ouvi o barulho da porta da sala batendo. Eu estava sozinha, de novo.
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