Even Love
9 Capítulo VIII - Um encontro com Patch Cipriano.
Notas iniciais
Espero que gostem e desculpem os errinhos de sempre. s2
— Me beije. – Eu disse.
Então em segundos, ele estava me beijando.
Cada centímetro de meu corpo parecia estar pegando fogo. Patch me jogou contra uma árvore, me deixando sem saída, assim ele recomeçou o beijo. Minhas mãos se revezavam em puxar seu cabelo e arranhar suas costas, já minhas pernas estavam enroladas da cintura dele.
Quando finalmente nos separamos para pegar ar, pude vê-lo direito. Seu rosto estava sujo com alguns pingos de sangue, seu cabelo todo despenteado e os olhos estavam mais negros do que de costume. Negros com o desejo, com o amor. Voltamos a nos beijar com o mesmo desespero, quando uma voz disse ao nosso lado:
— Enquanto uns estão lutando, vocês ficam ai se comendo. Que coisa feia. – Eric disse e logo deu aquela sua risada rouca.
O telefone tocou ao meu lado e eu pulei de susto.
Sentei-me na cama tentando acalmar minha respiração. Que sonho foi aquele? Parecia tão real, quase pude sentir os toques de Patch em minha pele. Como se eu já tivesse vivido aquilo.
Dei um longo suspiro. Só um sonho. Eu definitivamente precisava consultar um psiquiatra.
Minha cabeça dava voltas, meu corpo estava cansado demais e eu estava seriamente preocupada pelo o que aconteceu ontem. Para completar, o relógio já marcava 14:00, eu tinha perdido as aulas.
Not The American Averege continuava tocando no ultimo volume ao meu lado, puxei o celular do criado mudo e atendi sem ver quem era.
— Não é nada legal faltar á escola. – A voz rouca disse.
— Mas que porra...? – Comecei a falar, mas só ai notei que era a voz de Patch do outro lado. – Ah, Patch, desculpe. – Murmurei, envergonhada.
Ele riu.
— Quer sair para almoçar? – Ele era direto, e eu gostava disso.
— Não seria melhor se saíssemos á noite? – Retruquei. O sol lá fora estava horrivelmente quente.
— Á noite é meio... Complicado.
Levantei uma sobrancelha, mesmo sabendo que ele não veria. Como assim complicado? Ele era o tipo de cara que marcava cinco encontros de uma vez?
E como se lesse minha mente, ele continuou:
— Não, eu não tenho outros encontros.
A única coisa que pude fazer foi rir, sem graça, logo dei um suspiro vendo minhas opções.
— Hm... Tudo bem, então. Quando você vem me buscar? – De repente, me vi sorrindo igual uma idiota só pela idéia de sair com Patch Cipriano.
— Olhe pela janela. – Sussurrou. Num pulo eu levantei da cama, passando os dedos pelo cabelo para tentar abaixá-los.
De jeito nenhum ele já estaria ali me esperando. Mas minha boca se abriu quando cheguei à janela e lá estava ele. Com uma levi’s preta, camiseta cinza, jaqueta de couro preta, botas e em sua cabeça um boné de beisebol azul, era a primeira vez que eu o via com alguma cor sem ser preto. Ele acenou lá de baixo.
Acenei de volta, timidamente, mas ele não olhava para meu rosto, olhava para uma parte muito mais abaixo dele. Acompanhei seu olhar e vi que usava só um pijama velho de caveirinhas.
- Belo pijama. – Ele sorriu para mim, eu tive que me segurar para não voltar para a cama e me esconder de baixo do cobertor. – A propósito, pernas de matar. - Ele completou.
De tão corada, não duvidava nada que alguém me confundisse com um tomate. Afastei-me um pouco da janela.
— Vou me arrumar, eu já desço. – Tirei o celular do ouvido, mas rapidamente voltei com ele. – Ei, Patch.
- Sim?
— E se eu não tivesse aceitado sair com você? – Mordi o lábio com medo da resposta, mas um sorrisinho sexy surgiu em seu rosto.
— Então eu teria que subir ai e te trazer á força, anjo. – De novo, ele sussurrou e todos os pelos de meu corpo se arrepiaram. Cancelei a chamada.
Tinha que me arrumar em menos de 10 minutos. Corri para o banheiro, tomei um banho rápido e fiz minha higiene. Voltando para o quarto, entrei em meu closet e puxei qualquer peça de roupa. Uma calça jeans azul marinho, uma regata branca do Sex Pistols, joguei um colete por cima e tênis de couro. Sai sem maquiagem, só com o celular e carteira em mãos.
Parei num espelho pequeno que tinha ao lado da porta da sala e passei brilho labial incolor. Não queria que ele achasse que me arrumei tanto assim para ele.
Ao abrir a porta, vi que ele me esperava praticamente encostado na soleira. Sorri e ele retribuiu dando um beijo em minha bochecha, próximo até demais de minha boca. Olhei para seu rosto e imagens do sonho que tive voltaram á minha mente.
No sonho, Patch não tinha essa expressão tão séria e cansada, as roupas eram iguais, o cabelo continuava idêntico e o olhar apaixonado que eu vi em seu rosto: simplesmente não existia.
— Como sabia que eu tinha faltado á escola? – Perguntei enquanto íamos a direção á sua moto que estava estacionada no gramado.
— Um chute, afinal, você chegou tarde em casa. – Disse enquanto jogava o capacete da moto para mim.
Eu ainda não tinha parado para recapitular a noite passada, e nem queria. Lembrar daquela voz em minha cabeça fazia eu me sentir mais estranha do que já era. Preferia lembrar de tudo como um sonho, seria mais fácil.
Subi na moto e segurei de leve em sua jaqueta, não era tão bom e seguro quanto praticamente agarrá-lo por trás, mas eu me sentia melhor assim.
— Posso perguntar para onde está me levando? – Perguntei quando ele acelerou a máquina mortífera e saímos dos limites da casa.
— Não. – Respondeu simplesmente. E eu fiquei quieta depois disso, apenas observando ao redor.
Ele, com certeza, estava ultrapassando o limite de velocidade. Meu cabelo voava para todos os lados, mesmo que a maioria estivesse presa pelo capacete, o vento passava uivando e mal dava para ver as casas e ruas que se passavam, só borrões.
Minutos depois, Patch parou com a moto em frente á um restaurante de comida mexicana. Eu não reconhecia o nome e muito menos a rua em que estávamos, mas parecia bastante movimentada. Pessoas entravam e saiam do local, rindo e conversando.
— Comida mexicana? – Indaguei descendo da moto e devolvendo o capacete.
— Você gosta? – Perguntou interessado. Ele devia esperar algo como “Claro! Eu adoro”, mas tudo o que pude responder foi:
— Na verdade, eu nunca experimentei. – Dei os ombros e mordi o lábio.
Ele pareceu surpreso, mas logo voltou a sua expressão normal e passou os braços pelos meus ombros, me guiando para dentro do restaurante.
O cheiro que saia da cozinha era ótimo. O ambiente era iluminado, limpo e, tirando algumas cabeças de animais empalhados que estavam pelas paredes, parecia um lugar bem familiar e aconchegante. Seguimos para uma mesa afastada e bastante reservada, rodeada por divisórias.
Patch se sentou á minha frente, e logo uma garçonete veio em nossa direção. Ela vestia o uniforme do restaurante, uma blusa de botões vermelha e justa, calça jeans preta e estava usando sapatos de salto. Seu cabelo vermelho preso num coque alto. Ela era realmente bonita.
E estava olhando para Patch. Não. Secando-o com os olhos, é a melhor definição.
Ele não parecia notar que a garota estava praticamente babando em cima dele. Seus olhos estavam em mim, e em seus lábios se formou um sorriso travesso quando eu pigarreei alto para chamar a atenção da garçonete. A garota olhou para mim com tédio e tirou a caneta que estava presa em seu coque.
— Posso anotar seus pedidos? – Disse só para Patch na esperança dele olhar para ela, ou no mínimo dirigir uma palavra á ela.
— Já que é a sua primeira vez, você escolhe. – Ele colocou o cardápio que estava em cima da mesa bem na minha frente e esperou.
Dei uma olhada rápida nos pratos e apontei em direção ao terceiro. Tacos. Eu queria que a garçonete desse logo o fora dali, não queria ela falando com Patch e muito menos olhando para ele.
— Vamos querer dois tacos e duas cocas. – Patch disse, e entregou o cardápio para a garçonete. Tudo sem nem olhar para ela.
Sorri, sarcástica, para a garota e ela andou em passos rápidos até o balcão do bar para entregar os pedidos.
— Você viu como ela te olhou? – Minha voz saiu indignada. Mas ai notei o quanto era ridículo em ter ciúmes de Patch e ainda mais admitir isso em voz alta, eu mal o conhecia.
Ele levou a mão ao queixo, num gesto pensativo. A expressão que ele fez foi bastante familiar, como se eu o tivesse visto fazê-la muitas vezes, e mais uma vez a sensação estranha de deja vú tomou conta de mim e o sonho que tive mais cedo também. As cenas pareceram passar rapidamente diante de meus olhos. A voz de Patch me tirou dos devaneios.
— Com ciúmes? – Perguntou levantando uma sobrancelha, sua voz cheia de expectativa.
Não respondi, apenas o fitei. Ele estava tão diferente do meu sonho, não só o rosto, mas ele aparentava estar mais maduro, como se estivesse passado por muitas coisas para estar ali.
— Nora? – Chamou e puxou minhas mãos que estavam em cima da mesa, ele as colocou entre as suas e seu toque quente fez meu corpo inteiro queimar.
Ainda olhava para ele, quando perguntei algo que estava em minha mente desde o dia em que o vi.
— Por que eu sinto que nós já nos conhecemos? – Saiu um sussurro. Meu rosto corou e eu balancei um pouco a cabeça com intenção de que boa parte de minha franja caísse em meus olhos.
— Você sente isso? – Ele aproximou mais a cadeira da mesa, apertando mais minhas mãos.
— O tempo todo. Tudo o que você faz... Parece que eu já vivi isso. – Murmurei, estava abrindo meu coração e eu realmente esperava que depois dessa ele fosse embora com medo de mim. Tudo o que ele fez foi tirar a mecha de cabelo de meu rosto e colocá-la atrás da orelha.
— Bem, isso é... – Ele começou, mas eu o cortei. Não devia nem ter começado esse assunto.
— Estranho, eu sei.
— Eu não acho. – Patch parecia estar sendo sincero, sorriu para mim como incentivo. – Continue.
Cogitei em contar sobre meu sonho, mas seria esquisito demais. Por sorte, a garçonete ruiva estava vindo em nossa direção de novo com uma bandeja em mãos. Ela parou, colocou os pedidos na mesa e foi embora sem dizer uma palavra.
— Melhor não. – Tirei minhas mãos das dele e abri minha coca, servindo-me. Minhas mãos estavam trêmulas e quentes pelo contato com Patch. – É meio constrangedor.
Patch tomou um gole de sua coca e confirmou com a cabeça.
— Entendo. – Logo depois deu uma mordida em seu taco e fez um gesto de aprovação.
Olhei para meu próprio prato e peguei no taco com cuidado pra não quebrá-lo, dei uma pequena mordida e mastiguei tudo antes de falar.
Patch esperava ansiosamente com um olhar excitado.
— E então...?
— Eu gostei. – Disse e logo dei mais uma mordida. Era realmente bom, só um pouco mais apimentado do que eu estava acostumada.
— Fico feliz, anjo. – Quando ele disse “anjo” o mundo pareceu parar por um segundo enquanto uma cena invadia minha mente.
Eu estava sentada na arquibancada de um ginásio.
Ao meu lado, uma menina loira e alta tentava agarrar minhas bochechas para me forçar a passar gloss. Ela falava alguma coisa, mas eu não estava prestando atenção. Á minha frente, sentado na arquibancada do outro lado da quadra de vôlei, estava Patch.
Aqueles olhos negros...
Todo vestido de preto e com uma mochila, da mesma cor, jogada ao seu lado. Ele me olhava de um jeito sombrio, como um caçador olhava sua presa, mas eu não tive medo, em vez disso eu sentia outra coisa. Ridículas borboletas pareciam fazer cócegas em meu estomago, e todos os meus pelos se arrepiaram. Patch se levantou e começou a andar em direção á saída. Virei-me para a loira ao meu lado e...
De repente voltei a mim. Patch passou a mão em toda a extensão de meu braço para chamar minha atenção.
— Está tudo bem, Nora? – Ele me encarou com os mesmos olhos negros de minha lembrança. Meu estomago se embrulhou quando eu finalmente admiti que aquilo era uma lembrança.
— Sim, claro. – Passei a mão em meu cabelo para tirá-lo de meu rosto suado.
— Você parece preste a passar mal. — Sua mão tocou meu rosto e eu fechei os olhos, apreciando o toque. Sua mão continuou descendo até meu pescoço e depois até meus ombros desnudos, subiu de novo com seus dedos delineando as curvas de meu pescoço. Por um momento, achei que ele fosse me beijar, mas ele puxou a mão.
Forcei-me a abrir os olhos.
— Vamos mudar de assunto. – Disse, dando um sorriso fraco.
— Claro. – Patch confirmou com um gesto.
Terminamos de comer em silêncio. Tomei meu ultimo gole de coca quando ele finalmente falou:
— Me conte sobre você, Nora.
Quase engasguei.
— Como assim?
— Do que você gosta de fazer, sobre sua família, escola, amigos... – Sua mão escorregou por cima da mesa para puxar, de novo, minha mão para si.
— Gosto de ouvir músicas, ler. Meus pais são separados e eu moro com minha mãe. Estudo numa escola de freiras, aquilo é um inferno. – Ele riu, o que me fez ter vontade para continuar. – Meus únicos amigos são a Victoria, Brian e Jared.
— E o que mais? – Incentivou.
— Como você já deve ter percebido, eu tenho mania de pegar no meu piercing quando estou nervosa. – Patch sorriu e tocou ele mesmo o piercing preto em meus lábios.
— Você realmente não precisa disso.
Dei os ombros.
— Eu gosto, me faz diferente da maioria. – Tirei a mão dele dali e apertei seus dedos. – O que mais quer saber?
— Tudo. – Sua voz saiu rouca, o que quase me fez derreter.
— Calço 36, minha banda favorita é Asking Alexandria, tive meu primeiro beijo aos 13 anos. – Eu estava listando coisas aleatórias que vinham á minha cabeça, mas isso o estava fazendo sorrir. Eu faria tudo para ganhar um sorriso dele. – E tenho uma marca de nascença engraçada nas costas.
A ultima coisa pareceu realmente chamar a atenção dele.
— Uma marca de nascença? – Arqueou a sobrancelha.
— Sim. Parece uma cicatriz, mas desde que eu me entendo por gente, ela está ai. – Abri um sorriso, mas ele não parecia achar graça nenhuma. Sua expressão se fechou, tornando quase impossível decifrá-la.
— Em que lugar das costas?
— Hum... Na altura dos rins. Por quê? – Perguntei, preocupada.
— Só que é... Diferente. – Seus lábios se apertaram, formando uma linha reta.
Após segundos de silêncio absoluto, resolvi eu mesma mudar de assunto.
— Me fale sobre você agora. – Propus para tentar aliviar a tensão.
— Patch Cipriano. 19 anos. – Ah, então ele tinha dezenove anos. Realmente não parecia, ele aparentava ser um pouco mais velho. – Sou de ColdWater, Maine.
— ColdWater? – O nome era familiar, mas eu nunca nem sequer tinha estado lá.
— Sim, você já esteve lá? – Perguntou, quase esperançoso.
— Não, desculpe. – Encolhi os ombros, odiava estragar seu entusiasmo.
— Talvez eu possa te levar lá um dia. – Seu polegar fazia pequenos círculos na palma de minha mão. – Ah, eu sou bom na sinuca e no pôquer.
A imagem de Patch debruçado sobre uma mesa de sinuca foi instantânea, sorri maliciosa, eu não queria ver exatamente como ele era bom no jogo, outra coisa chamava minha atenção na imagem.
— Pode me mostrar qualquer outro dia, então.
— Mas é claro. – Patch sorriu e levantou-se da cadeira, ele ofereceu seu braço para mim. Levantei-me também e aceitei seu braço, ele pegou minha mão e enroscou seus dedos com os meus. – Sinto muito por ter que levá-la tão cedo para casa, mas eu tenho alguns compromissos.
— Tudo bem. – Mordi o lábio. Eu não queria ir embora, não queria que ele fosse embora. Seria uma boa se ficássemos ali conversando para sempre, mas é claro que isso era impossível. Ele tinha coisas para fazer, planos que não me incluíam, e eu estava me sentindo estranhamente mal por isso.
Ele rapidamente pagou a conta e saímos, ainda de mãos dadas, para o estacionamento. O céu já estava ficando escuro. Patch estava me levando para casa antes de anoitecer, como ele disse: “A noite é complicado”. A idéia de ele ter marcado mais encontros ainda martelava em minha cabeça.
Patch beijou o alto de minha testa, e quase não pode conter seu sorriso quando disse pela segunda vez no dia:
— E não, anjo. Eu não tenho outros encontros.
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