Eve: Minha Maligna Namorada.

15 Questão do recomeço


Minhas costas começam a ranger, meus braços estão abertos e suor escorre pelo meu nariz, meus cachos começam a brilhar com a intensidade da luz, fogo e fuligem preenchem a garagem de Eve, seu pai conversa algo com ela utilizando uma língua estranha por mim, provavelmente uma língua de demônios. Mas a pergunta é, por que eu sei disso? Sei que já deve estar cansado de me ouvir contando a minha história, mas aguente só mais um pouco, faltam poucas horas para chegarmos a ESTE momento. Começando de quando recebi a seguinte mensagem.

" Vem cá que te dou um pouco. BRINCADEIRA! Estou vendo A profecia".

Não, seus maniacos pervertidos, "dar" se refere a um doce com leite condensado e granulado que ela estava fazendo em casa, era de tarde, intervalo do meu curso e trocávamos mensagens perguntando sobre o que estávamos fazendo.

"Olha que eu vou em!" Respondi.

" Hum... Não fala assim, to mo entediada, queria você aqui."

" Meu coração está ai, serve?"

Ela demora pra responder, fico isolado em um canto enquanto isso, Alex que fazia curso comigo fica me chamando, digo que depois vou. Finalmente ela responde.

"Serve. (ai bisa, deu até um frio na barriga qnd li)"

"=)"

Meu horário de saída chega, junto com ele uma mensagem de Eve:

"Passa aqui antes de ir embora?"

Minha presença respondeu à pergunta dela, em alguns minutos estava diante de seu portão, ela abriu e então a acompanhei para dentro.

- Estou arrumando umas coisas lá em cima, minha mãe comprou um armário novo e estou passando as roupas para ele.

- Bom, então fico aqui esperando você terminar ai nos podemos conversar um pouco e tudo mais.

- Bom, você pode fazer isso, mas acho que seria melhor você subir e nos conversarmos lá em cima, porque ainda vou demorar um pouco para terminar.

- Hum... pode ser.

Admito que a ideia de subir para o quarto de Eve era meio assustadora, principalmente considerando o quão "simpático" era o pai dela, detalhe é que naquele momento eu nem sabia da verdade sobre ele. Mas mesmo assim subi.

O quarto estava bonito, meio desarrumado, os dois armários estavam abertos, a cama dela estava com algumas roupas dobradas em cima, Eve estava animada perguntando do meu dia, e eu feliz de estar ali com ela. Não ficava feliz assim em um bom tempo, Eve estava de volta ao meu lado, é claro que eu ainda não sabia se aquele beijo da noite anterior foi só um impulso ou se ela queria algo mais de novo, como sabemos, ela queria, mas eu só descobriria depois de alguns minutos.

- Pronto, acho que foram todas.

- Ah! Agora podemos descer né?

- Sim, sim, quero ouvir aquela musica de novo, ela me lembra de você, mas antes vou deitar aqui um pouco, estou cansada. — disse ela se deitando na cama.

- De dobrar roupa? Nossa, ta acabada mesmo em! — disse me aproximando.

- Estou em pé a tarde toda dobrando essas roupas, minhas costas estão doendo.

- Eu faço massagem para você — disse me sentando em sua cama.

- Mas você ta todo torto ai, virado de costas com as pernas para frente.

Olhei para os seus grandes olhos castanhos, ela me encarava.

- Bisa... deita comigo?

- O que?

- É, rapidinho.

- Ham...

- Vai, só um pouquinho, quero ver uma coisa.

retirei os meus tênis e então me estiquei do lado dela, havia um espaço entre nos, ela me olhava fixamente. ficamos nos olhando em silencio.

Eram seis e meia, duas horas e meia atrás, naquele momento eu mal suspeitava de nada, Eve iria me contar a verdade em breve e eu nem desconfiava.

Enquanto nossos olhares se cruzavam naquele quarto uma criatura muito poderosa saia de um restaurante onde trabalhava, ele mal desconfiava do que a filha fazia agora, pelo menos eu acho.

Nossos corpos começaram a se aproximar, as mãos se juntam, as respirações se aceleram e então os lábios se tocam, o seu beijo era quente e reconfortante. Eu sentia muita falta dele, era como ter parte de mim de volta.

Ela se afasta um pouco e então olha para mim. Ela parecia preocupada.

- Desculpa bisa — disse olhando para ela.

- Me desculpe você, eu, droga.

- Que foi bisa? Eu gostei do seu beijo — disse sentando na beirada do colchão.

- Não é isso.

- Então o que foi?

- Bisa eu....

- O que foi?

- Bisa, eu... — ela me encara e fecha os olhos, parecia que ela estava retirando algo a muito sufucado de seu interior — Bisa... Eu sou um demônio.