Evariny
12 - Um novo amanhecer -
Notas iniciais
Deixaram Murtagh dormir, tranqüilo. Evariny, Eragon, Arya, Angela e Roran teriam que levar o ovo para cada pessoa tocar, esperando que o dragão nascesse. Evariny carregava-o, ao lado do outro Cavaleiro. Os outros vinham mais atrás, com Saphira e Nelow fechando o cortejo. Os Varden em peso compareceram, até mesmo mulheres e crianças. Formaram uma fila e, um por um, tocaram o ovo. Mas, para decepção deles, a casca continuou rígida, sem uma rachadura sequer. O último foi Nolfavrel, e Roran tinha absoluta certeza de que o ovo racharia para o garoto, tendo inclusive dito isso aos outros. Se enganou. Voltaram decepcionados ao pavilhão da comandante, que tomou-o em suas mãos, e colocou no centro da tenda, para ser visto por todos. Os elfos também tocaram-no, mas de nada adiantou.
Evariny então desculpou-se, dizendo estar na hora de sua caminhada com Katrina, e deixou-os. A moça já a esperava, mas dessa vez não levaram muitas coisas, apenas dois chicotes, escondidos no cinto de armas da Amazona, e dois punhais por dentro de suas roupas – ela vestia um manto de lamaré, da cor verde, e uma cota de malha leve, feita por elfos, por baixo. Chegaram à clareira, e ela começou a mostrar as posturas de combate, os movimentos do Rimgar, as formas de ataque básicas. Voltaram, uma hora depois, sem levantar suspeitas.
A Amazona novamente foi ao pavilhão, com o ovo no mesmo lugar, e os outros ainda em reunião.
-Evariny, que bom que chegou! – disse Nasuada, agora com Orrin também lá dentro – Estávamos terminando de acertar os detalhes, mas vocês tem uma nova missão.
-Qual? – perguntou ela, curiosa.
-Se dividirão em dois grupos – começou a líder -, um grupo irá até as cidades élficas, e o outro até os anões. Nos anões, terão de avisar que o ovo está em nosso poder, pois Orik tem de se manter informado, e nos elfos, além disso, deverão fazer com que toquem-no, e assim quem sabe teremos um novo aliado.
-Sim, Lady. – disse ela – Perdoe-me a intromissão, não deveria mandar também um emissário aos povos nômades? Afinal, são seus vassalos, e possuem pessoas aptas a tornar-se Cavaleiro.
-Ela está certa. – falou Arya –Os nômades são numerosos, e muito fortes. Não devem ser esquecidos.
Foi decidido que Eragon e Angela partiriam para Farten Dûr, enquanto Arya, Evariny e Roran iriam primeiro ao deserto de Hadarak, e em seguida Du Wendelvarden. Partiriam com o amanhecer, por isso passaram a noite se preparando. A Amazona preparou-se rapidamente, e passou o restante do tempo na enfermaria, ao lado de Murtagh que continuava desacordado. Próximo à hora da partida, porém, ela notou que ele abria os olhos e, como se ouvisse um chamado longínquo, sentava-se, rápido.
-Acalme-se! O que houve? – perguntou ela, assustada.
-Thorn. – disse – Ele me mandou uma mensagem, um pedido de socorro. Galbatorix enfeitiçou-o, para servi-lo, como fez com Shuruikan. Preciso salvá-lo.
Fez menção de se levantar, mas sentiu o frio metal da espada dela tocar-lhe o queixo, fazendo com que tornasse a se deitar.
-Acalme-se. – disse ela, novamente – Não há nada que poça fazer, sozinho, para resgatar seu dragão.
-Então ajude-me. – falou ele, sério.
-Estou partindo agora, por ordens de Nasuada.
-Então jure, que logo que voltar, me ajudará a resgatá-lo.
Garota, cuidado... – disse Nelow, mentalmente – Não se precipite.
-Assim que puder, te ajudarei em sua missão – jurou ela, na língua antiga.
Estava se afastando, quando sentiu um suave toque em sua mão. Virou-se, e ouviu-o dizer:
-Obrigado.
Partiram, cada grupo para o seu destino. Eragon ainda lutou antes com sua aprendiz, constatando que ela melhorara muito, e já o derrotara algumas vezes. Hoje foi uma dessas. Quanto à magia, era tão boa quanto ele, por treinar desde pequena, de modo que ele só lhe ensinava alguns encantos que ela desconhecia, como a forma de absorver energia do mundo ao redor, algo eu ela achou repugnante.
Eragon, Angela e Solembum montaram em Saphira, que levantou vôo em direção à cidade dos anões. Arya, Evariny e Roran, por sua vez, subiram em Nelow, que comentou que Roran bem que poderia emagrecer um pouco, e foram, com o ovo guardado em uma sacola, e o eldunarí de Shuruikan, entregue a ela por Murtagh, em seu cinto.
Acamparam ás margens de um córrego, último lugar com água que encontrariam, com exceção, talvez, de algum oásis. A Amazona tirou o ovo da sacola, e admirou a luz que batia nele, recordando o momento em que viu aquele estranho ovo-prisma, a forma como o tocara, e Nelow nasceu, o instante em que a Gedwei ignsia foi gravada em sua mão.
Retomaram a viagem, no dia seguinte, e Arya usou cristalomancia para falar com o ex líder das tribos, pedindo localização. Fadawar forneceu-a, e logo os encontraram, perto de um oásis, com muitas tamareiras. Nelow estava adorando o deserto, mas os outros não se adaptavam muito bem.
Tal como acontecera no acampamento, em todas as tribos que passavam, filas se formava, todos tocavam o ovo, e nada acontecia. Até que, uma semana depois, decidiram que já era a hora de partir.
Despediram-se, e voaram para Du Wendelvarden. Lá chegando, Arya contatou sua mãe, que estava se preparando para atacar Bullridge, e soube que alguns elfos permaneciam na floresta. Sua primeira parada foi Kirtan. De lá, seguiram para Sílthrin, Ília Fëon, Ceris, Nädindel, Ellesméra e, por fim, Osilon.
Osilon era sua última esperança. Lá viviam as duas crianças élficas, e tanto Arya quanto Evariny achavam que uma delas se tornaria Cavaleiro. Roran duvidava, mas estava tão surpreso com as belezas da floresta que quase não falava. Nas poucas vezes que conversaram, ele e a Amazona discutiram muito, pois ambos eram providos de temperamentos fortes.
Saíram em busca das crianças, e não tardaram a encontrar. Eram providas de uma beleza diferente, pura e estonteante ao mesmo tempo. O garoto foi o primeiro a tocar, mas nada aconteceu. Então foi a vez da garota, mas o dragão tampouco nasceu para ela. Decepcionados, passaram a noite na casa de uma velha elfa, e pela manhã partiram.
Mas, menos de dez minutos após saírem da cidade, Nelow deu uma guinada para baixo, e Evariny gritou para os outros:
-Soldados! Um batalhão, vão entrar na floresta enquanto a maioria dos elfos estão lutando!
Ela e Arya sacaram os arcos. Nelow escondeu-se sobre uma grande árvore, e elas atiraram, ferindo diversos soldados, e matando outros tantos. Mas, para seu azar, havia um mago entre eles, que forneceu aos outros a localização do dragão. Nelow, então, desceu, levando apenas Roran, pois as duas já haviam saltado de galho em galho, e lutavam com espadas.
O fogo queimava muitos, outros eram atingidos pelo martelo e as espadas. Dentro em pouco, todos haviam morrido. Mas cobraram caro: Arya estava ferida na perna, e perdia muito sangue. Nelow estava com uma asa rasgada, e pequenos ferimentos de flechas. Roran não sofrera nada além de alguns hematomas e uma flechada de raspão no ombro. Evariny, porém, lutara contra o mago, que era muito forte, e embora tenha-o sobrepujado, estava com vários ferimentos, alguns causados pela magia. O mais sério, porém, era um pequeno corte na barriga, pois alem de ser profundo, minutos antes de morrer, o mago enunciou um sortilégio, para que esse ferimento não pudesse se curar por magia ou ervas.
A Amazona, após matá-lo, acabara tombando, e foi protegida por seu dragão. Arya curou-se com um encanto, e orientou Roran a pegar algumas plantas que retardariam o efeito, estancando, ao menos em parte, o sangramento.
Roran chegou no momento em que Evariny acordou, e ela pediu que sua amiga pegasse o ovo, que caíra a alguns metros.
Um novo amanhecer despontava, quando a elfa apanhou-o. Nesse instante, ouviu-se um som de rachadura, e o ovo quebrou, revelando um pequeno dragão verde-esmeralda. Arya, trêmula, tocou-lhe o focinho com a mão esquerda, e um clarão iluminou a clareira, cegando-os.
Evariny sorria, ao mergulhar no sono encantado, usado pelos elfos para sobreviver em determinados momentos. E o sol, agora totalmente visível, brilhava sobre a Gëdwei Ignasia da nova Amazona da Alagaësia, com seu dragão aninhado no colo.
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