Evariny

8 - Pela Defesa -


-Lady Caçadora Noturna, Katrina, esposa de Roran, solicita audiência com a senhora – disse um dos Falcões da Noite.

-Deixem-na entrar. – exclamou Nasuada.

Katrina entrou, trajando, estranhamente, calças simples e uma túnica larga, por causa de sua barriga, que começava a se destacar, devido à gravidez.

-A que devo sua visita, Katrina?

-Minha Lady – disse a moça, com uma reverência –, preciso de sua autorização para tomar aulas de luta com algum soldado. Meu marido está em missão, como a senhora sabe, e por isso não pode me ajudar.

-E por que motivo deseja saber lutar? Não posso acreditar que se meteria em batalhas, deixando seu filho correr perigo!

-É exatamente por meu filho que faço esse pedido. Tenho medo que algo aconteça a Roran, e sei que não posso continuar indefesa.

-Sinto muito, Katrina, mas não posso atender o seu pedido: todos os oficiais estão ocupados, e não posso me dar ao luxo de ceder algum soldado para o seu treinamento. Perdoe-me.

-Sim, minha Lady – disse Katrina, em tom irônico.

Não posso contar com Nasuada, mas quem sabe Eragon me ajude! Não, Katrina, não, ele é um Cavaleiro, e é primo do seu marido. Se Roran souber disso... Mas o que posso fazer? Eu quero proteger o filho dele! Bem, e se eu...

Seus pensamentos foram interrompidos no momento em que colidiu com alguém. Antes que caísse, sentiu que era posta de pé, mas não por um soldado.

-Sinto muito, eu estava distraída – disse Evariny – Acabei de sair de minha tenda, e estava indo ver Lady Nasuada.

-Vo... Você é a Amazona de dragão, não? – disse Katrina, exaltada.

-Sim, sou eu. Por quê?

-Você não é mandada para missões muito perigosas, pois está se aperfeiçoando, com a ajuda de Eragon, certo?

-Sim, ele é meu mestre – impacientou-se a Amazona.

-Aceita uma aluna?

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Duas horas depois, as duas saíam do acampamento dos Varden, sob o pretexto de que, como Katrina estava grávida, deveria respirar um pouco de ar fresco, mas não podia andar desprotegida, portanto levaria Evariny. Nelow, mesmo reclamando, continuou lá dentro.

Chegaram a uma pequena clareira, dentro de um bosque próximo. Evariny fez algumas perguntas, medidas, e percebeu que, mesmo nunca tendo lutado, Katrina aprenderia facilmente, e que sua arma seria a adaga: leve e discreta.

Katrina se sentia estranha, ali, querendo aprender métodos de luta. Não seria de bom tom, em Carvahall, que uma moça, grávida, soubesse algo como aquilo. Mas ela não estava em Carvahall, e não era mais uma mulher comum. Teria que se acostumar.

Evariny quis testar suas teorias, e mandou que a outra escolhesse a arma que mais lhe atraia, entre todas as que levara, escondidas dentro de uma sacola, na qual disseram que colocariam frutas silvestres.

Qual não foi sua surpresa, quando Katrina escolheu...

-O chicote. Foi essa a que mais me atraiu.

-Mas... essa é uma arma ofensiva. – argumentou Evariny.

-Sei disso. Mas nenhuma das outras me chama tanta atenção como ele: algo leve, sinuoso, que pode tanto desarmar, enrolando no cabo de uma espada, como cortar a carne com apenas um golpe bem executado.

Ela tinha alma de guerreira. Roran, embora não desejasse esse futuro, nascera para comandar. Katrina, embora nunca tivesse pensado nisso, nascera para lutar.

Não apenas se defender: lutar em batalhas, derrotar comandantes, guerrear contra e com kulls.

-E então, irei aprender a usá-lo? – perguntou a humana, interrompendo os pensamentos da Amazona.

-Sim, claro. Mas, tem certeza de que quer isso? Matar não é um dom que a maioria das moças deseja possuir.

-A maioria das moças não mora num acampamento de soldados nem está grávida de um comandante do exército dos Varden, sem saber como protegerá seu filho se o pior acontecer. Alem do que... – acrescentou, hesitante – Quando vi o chicote, algo parece ter despertado dentro de mim... Não sei como explicar, mas parece que algo nele me atrai de tal forma que, se ninguém me ensinasse, eu faria o possível para aprender sozinha.

-Amanhã, nessa mesma hora, viremos treinar. A partir de agora, você é minha aluna.

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