Evariny
5 - O Amigo da Morte -
-Jarsha! Chame Roran e Angela imediatamente!
-Si... Sim, lady Nasuada.
Nasuada andava de um lado para o outro, preocupada. Acabara de mandar uma Amazona inexperiente e um dragão recém saído do ovo rumo à uma perigosa batalha, e temia por suas vidas.
-Mandou nos chamar? – perguntou Angela, com um sorriso curioso no rosto, o que parecia casar perfeitamente com o vestido amarelo-sol que usava.
-Sim. Mas onde está Roran? – questionou Nasuada.
-Aqui – disse ele, adentrando o pavilhão.
-Ótimo – elogiou Nasuada – que bom que chegaram rápido. Preciso de sua ajuda. Roran, primeiramente espero que tenha se recuperado. A uma semana atrás, logo após a batalha de Feinster, um soldado atingiu sua cabeça, e você esteve desacordado até poucas horas atrás, portanto lhe porei à par dos acontecimentos que se seguiram. Começamos imediatamente a rumar em direção a Dras-leona, mas fomos pegos em uma emboscada, e nos obrigaram a voltar para Surda. Desde então, temos tido alguns desertores, mas procuramos novos alistamentos para podermos retomar os ataques.
-Mas Feinster ainda está sob o comando dos Varden, não se preocupe – disse Angela – e qual a nossa missão, Lady Caçadora Noturna?
-Vocês deverão procurar os comboios inimigos e usar de uma técnica não muito justa, envenenando a comida e a água, para em seguida matar os que sobreviverem ao veneno.
-Mas... Isso é desonesto! – protestou Roran.
-Não. – interrompeu a líder dos rebeldes — É o mesmo que mandar tropas para matar os soldados e destruir os mantimentos, mas com menos sangue.
-Não, não é – discordou Roran – mandando tropas eles teriam chances de se defender e...
-Cale-se, Martelo Forte e não fale do que não sabe- exclamou Angela – é melhor pra eles e pra nós q façamos isso, pois eles só tem que matar dois se nos descobrirem!
-Angela está certa – concordou Nasuada –, e você só está sendo mandado para protegê-la, e não para opinar quanto às decisões que tomo. Sinto muito, Roran, mas me deve obediência.
-Sim, minha Lady – falou ele, a contragosto.
-Ótimo. Sem mais delongas, vou buscar meus venenos e podemos ir – falou a herbolária, enérgica como de costume.
-Sim. Podem ir. Os comboios estão a noroeste, a poucas horas da fronteira de Surda. Partam assim que estiverem prontos. Estão dispensados.
Saíram da tenda. Roran se sentia péssimo, os argumentos da líder não o haviam convencido, mas ele lhe devia obediência cega.
*****
Uma hora depois, estavam prontos. Angela havia reunido uma boa quantidade de veneno, e podiam partir sem demora. Roran se despediu de Katrina, prometendo sempre voltar para ela.
-Eu espero que você cumpra essa promessa – disse ela.
-Não se preocupe. Voltarei para você e nosso filho.
Partiram logo. Katrina ficou olhando e tomou uma decisão:
“Não posso ser totalmente indefesa. Preciso aprender a me defender, caso aconteça alguma tragédia.”
*****
Angela esgueirou-se pelo mato ao ver um dos comboios que deviam atacar, seguida de perto por Roran e Solembum, que se recusará a deixá-la sozinha em missão.
-Vamos atacar ao anoitecer – disse Roran -, pois é a hora em que estarão mais vulneráveis devido à escuridão.
-Certamente, Martelo-forte, isso seria útil se fossemos um grande grupo, mas como não somos, o melhor é fornecer uma distração distante, ao mesmo tempo em que envenenamos a comida – riu Angela -, mas você é um bom estrategista, apesar da inexperiência.
Roran franziu a testa, contrariado. Não estava acostumado a estar em missão com alguém como ela, e não gostara da forma como a herbolária se dirigia a ele, como se se dirigisse a um simples camponês, e não a alguém que já comandara tropas dos Varden, e que já passara por todas as provações que ele passou.
Imagino essa garota na Espinha... Seria massacrada por lobos antes de andar dois passos...
Eu proporcionarei essa distração – disse Solembum.
***/***
Pouco tempo depois, ouviu-se um forte estrondo vindo da direção oposta à que estavam escondidos Roran e Angela. Esses souberam imediatamente que se tratava da distração prometida pelo menino-gato. Ao estrondo seguiu-se um som semelhante ao de passos de diversas pessoas marchando. Os soldados de Galbatorix, antes relaxados, puseram-se de pé e rumaram em direção à fonte do ruído, pois já esperavam um ataque.
Sem perder um segundo sequer, Angela correu, abaixada, em direção aos mantimentos, seguida de perto por Roran.
Ela abriu os sacos contendo víveres, e depositou lá um pouco de um líquido translúcido que carregava, muito semelhante à água, mas que rapidamente se infiltrou por cada grão de trigo e cevada, por cada centímetro dos alimentos em que tocava, como uma praga que se alastra mas não deixa marcas.
Segundos depois, nada mais se via nos grãos que antes fervilhavam como se estivessem em brasa. Ao verem que os soldados retornavam, a mulher fechou os sacos rapidamente, e novamente se ocultaram na vegetação próxima ao acampamento.
-Uma parte da missão já foi cumprida – disse ela -, devemos apenas esperar o retorno de Solembum, e então partir para o próximo comboio.
-Acho que não precisaremos esperar muito – disse Roran, ao ver um gato cinzento andar em sua direção.
Podemos ir. Falou o menino-gato.
Seguiram rapidamente até outro comboio próximo, a cerca de 800m de distância, e novamente Solembum partiu para distrair os soldados. Ao ouvirem o som de sua distração, agiram da mesma forma que antes: Angela envenenou a comida, e Roran apenas a “acompanhou”. Assim que se esconderam novamente, porém, ouviram sons de luta e gritos de dor. Vindos da direção em que Solembum estava. Angela fez menção de corre para ajuda-lo, mas Roran a conteve, dizendo que seria pior para Solembum se eles fossem, mas em seu intimo desejava gritar para deixarem-no em paz e virem atacá-los.
Minutos depois, os gritos cessaram, e alguns soldados retornaram assustados e feridos:
-Aquele não era um garoto normal – disse um deles, carregando o corpo de outro soldado – a forma como sumiu de repente!
-E o modo como lutava – disse outro –, me lembrava um tigre enfurecido!
-Vocês não prestam atenção em nada, não? – exclamou outro – viram os dentes pontudos e sua adaga negra? Ele era o menino-gato dos Varden!
-Então não é apenas um lenda! – falou o primeiro, espantado – achei que os comentários fossem apenas histórias para amedrontar!
-Vamos – sussurrou Roran –, seu amigo pode estar precisando de ajuda.
-E está – disse Angela, quase às lágrimas – posso sentir sua consciência, e sei que ele está muito ferido.
-Em que lugar ele está?
A pouco mais de um quilometro de vocês – disse uma voz na mente de Roran -, podem vir agora, os soldados já foram. Por favor, não traga Angela até aqui. Leve-a a um lugar seguro e venha sozinho.
Sim. Mas que lugar é seguro?
Há uma clareira a quinhentos metros do acampamento, leve-a lá.
Roran seguiu todas as instruções, dizendo a Angela que iria trazer Solembum o mais rápido possível, e que ela só iria ser um chamariz. Relutante, ela concordou, mas não sem antes ameaçar o primo de Eragon:
-Se não estiveres de volta em meia hora, irei até lá e nem mesmo Saphira me impedirá de lhe transformar em um sapo, digo, uma rã!
Roran seguiu as instruções do menino-gato, e logo chegou a uma pequena depressão, aonde viu seu amigo em forma de gato, deitado e com os pelos sujos de sangue.
Obrigada por ter vindo sozinho. Preciso de ajuda, mas não quero que Angela se preocupe demais comigo.
Ela me deu meia hora para te levar até ela.
Mandarei uma mensagem avisando que iremos demorar, mas que ela se acalme e não faça nenhuma besteira.
Certo.
Roran aguardou em silêncio, até receber as próximas instruções.
Martelo Forte – disse Solembum –, preciso que me deixe compartilhar sua mente por alguns instantes.
Minha mente! – gritou Roran, mentalmente, para o outro – mas assim vai ver todas as minhas lembranças...
As quais não me interessam! Preciso fazer isso pra me ajudar e te ajudar. Sei que nunca conseguiu fazer magia, e posso te ajudar com isso se me deixar compartir de sua consciência!
Certo. Mas seja breve.
Assim o serei.
Roran sentiu quando Solembum tocou sua mente, e seu corpo tremeu ao perceber que o outro tocara numa parte desconhecida por ele mesmo.
Agora tente levantar essa pedra – Ordenou Solembum.
- Stenr reisa!- disse ele, se concentrando em erguer a pedra, no mesmo momento em que o menino-gato tocou novamente naquela parte de sua mente, liberando um fluxo de energia que fluiu por Roran.
A pedra ergueu-se trinta centímetros no ar.
*****
Notas finais
Q tal?
=**
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