Notas iniciais
AI PORRA VOLTEI LDGJSDJVSDVSFJKDSHNSKFHSWKDDIHVOHIHCSKIDBCHSBHCBSDHCBSJDHBCDFHSJDF CONVULSÃO BÁSICA PQ FOI MTO TEMPO SEM POSTAR NESSA FIC primeiramente obg a Srta. Evans Potter pela rECOMENDAÇÃO AI CARALHO, QUE EMOÇÃO tatatatatatata dane-se isso tudo desculpa (mil mil desculpas) pela demora mas ta aí, aproveitem ok '-' obg '-' leiam '-' okay? :'( okay AGORA LEIAM SÁ PORRA

–--- Capítulo 4 ----

O Beco Diagonal

Harry acordou cedo na manhã seguinte. Embora soubesse que já era dia, continucom os olhos ou bem fechados.

"Foi um sonho", disse a si mesmo com firmeza. "Sonhei que um gigante chamado Rúbeo Hagrid veio dizer a mim e a Anna que nós íamos para uma escola de magia. Quando abrir os olhos estarei em casa no meu armário, com Evanna deitada ao meu lado."

De repente ouviu um ruído alto de batidas.

"É a tia Petúnia batendo na porta", pensou Harry, desanimado. Mas, ainda assim, não abriu os olhos. Tinha sido um sonho tão bom.

Bum. Bum. Bum.

– Levanta logo, Harry, tá na hora, desmancha essa cara de cu. — Harry levou uma almofadada de Evanna.

– Está bem — resmungou Harry. — Já estou levantando.

Sentou-se e o pesado casaco de Hagrid escorregou de seu corpo. O casebre estava inundado de sol, a tempestade passara, o próprio Hagrid estava dormindo no sofá desmontado, Evanna estava bem a sua frente com sua expressão de "vamos dançar ao som de conga por essa peste ter acordado" e havia uma coruja batendo com a garra na janela, trazendo um jornal no bico.

Harry ergueu-se de um pulo, sentia-se feliz como se houvesse um grande balão crescendo dentro dele. Pulou em cima da irmã a abraçando forte e ouvindo um resmungo dela, algo como "mas gente, quanto amor", puxou-a pela mão até a janela e abriram-na juntos com um puxão. A coruja entrou voando e deixou cair o jornal em cima de Hagrid, que nem acordou. A coruja então voou pelo chão e começou a atacar o casaco do gigante Hagrid.

– Não faça isso. — disse Harry diante à coruja esperando algum apoio da parte de Anna que permaneceu calada, como se estivesse assimilando o que deveria fazer. Harry tentou espantar a coruja, mas ela o ameaçou com o bico e continuou a atacar ferozmente o casaco.

– Rúbeo! — chamou Harry em voz alta. — Tem uma coruja...

– Não! — disse Evanna de repente, como se tivesse acordado de um tipo de transe.

– Mas a coruja...

– Calado!

– Mas, Anna..

– Pist! Shiu, Harry. — Evanna se aproximou de Hagrid e disse apenas: — Onde?

– Procure nos bolsos.

O casaco de Hagrid parecia ser feito só de bolsos — molhos de chaves, fichas de metal, rolinhos de barbante, balas de hortelã, saquinhos de chá... e, finalmente, Evanna puxou um punhado de moedas estranhas.

– De a ela cinco nuques — disse Hagrid, sonolento.

– São as moedinhas de bronze? — perguntou Evanna em busca de afirmação.

– Essas mesmo. — confirmou no mesmo tom de sono.

Evanna contou cinco moedinhas de bronze com Harry apoiando o queixo em seu ombro, mania que os dois adquiriram e nomearam de "quebra-queixo", a coruja esticou a perna para ela enfiar o dinheiro numa carteirinha de couro que trazia presa. Em seguida saiu voando pela janela aberta.

Hagrid bocejou alto, sentou-se, espreguiçou-se.

– É melhor nos despacharmos, gêmeos, temos muito o que fazer hoje, temos que ir a Londres comprar todos os seus materiais escolares.

Evanna e Harry estavam revirando as moedas mágicas para examiná-las. Acabaram de pensar em uma coisa que os fez sentir cada vez mais para baixo, se entreolharam e Harry começou falando:

– Hum... Hagrid?

– Hum? — respondeu Rúbeo, calçando as enormes botas.

– Não temos dinheiro nenhum, e você ouviu tio Vernon à noite passada, ele não vai pagar para nós aprendermos magia. — Evanna tomou a palavra meio nervosa como o irmão.

– Não se preocupem com isso — disse Hagrid, coçando a cabeça enquanto se levantava.

– Vocês acham que seus pais não lhes deixaram nada?

Os dois se olharam com o mesmo pensamento.

– Mas se a casa foi destruída...

– Ou seja, é, achamos.– Evanna cortou Harry com a cara mais óbvia do mundo.

– Eles não guardavam o ouro que tinham em casa, garotos! Não, nossa primeira parada vai ser em Gringotes. O banco dos bruxos. Comam uma salsicha, elas não são ruins frias, e eu não deixaria de comer uma fatia do bolo de aniversário de vocês.

Os dois pegaram as salsichas e Harry se lembrou de algo que a irmã não parava de dizer lá na casa dos Dursley, que era: "preciso ser mais saudável!" Mesmo Harry achando e insistindo que ela não precisava emagracer ela não o dava ouvidos. Então Harry quis provocá-la.

– Ei, Anna, achei que você queria emagracer, ficar em forma, acha mesmo que essas salsichas vão ajudar? — disse com um sorrisinho pequeno porém maroto. Evanna olhou para Harry, olhou para a salsicha e disse:

– Ser saudável é uma merda, realmente pensou que eu levaria aquilo a sério? — Os dois começaram a rir e Evanna voltou a devorar sua salsicha.

– Hagrid, bruxos tem bancos? — perguntou Harry depois de um tempo.

– Só este. Gringotes. É administrado por duendes.

Harry deixou cair o pedaço de salsicha que tinha na mão e olhou boquiaberto para Evanna que mantinha a mesma expressão.

– Duendes? — exclamaram juntos.

– É, é por isso que só um louco tentaria roubar o banco, é o que lhes digo. Nunca se metam com duendes, gêmeos. Gringotes é o lugar mais seguro do mundo para qualquer coisa que você queira guardar bem, com exceção de Hogwarts, talvez. Aliás, preciso mesmo ir a Gringotes. Para Dumbledore. Negócios de Hogwarts. — Hagrid se indireitou, orgulhoso. — Ele sempre me manda tratar de assuntos que acha importantes. Buscar vocês, pegar coisas em Gringotes, sabe que pode confiar em mim, entendem? Apanharam tudo? Vamos, então.

Os irmãos seguiram Hagrid em direção ao rochedo. O céu estava bem claro agora e o mar cintilava ao sol. O barco que tio Vernon alugara continuava lá, com muita água no fundo depois da tempestade.

– Como foi que você chegou aqui? — perguntou Harry, procurando um segundo barco, pensava que Evanna tinha a mesma dúvida que ele... Mas estava errado.

– Voando — respondeu Hagrid.

– Voando? — exclamou Harry muito surpreso com os olhos arregalados, mas Evanna permanecia com a mesma expressão de antes, como se já soubesse daquilo.

– É... mas vamos voltar nisso aí. Não tenho permissão de usar mágica depois de apanhar vocês.

Eles se acomodaram no barco, Harry ainda de olhos arregalados para Hagrid, tentando imaginá-lo voando.

– Mas parece um desperdício remar — disse Hagrid, lançando aos irmãos um dos seus olhares de esguelha. — Se eu quisesse... hum... apressar um pouco as coisas, vocês se importariam de não dizer nada em Hogwarts? — Os gêmeos se olharam rapidamente e disseram juntos:

– Claro que não — estavam ansiosos para ver mais mágicas. Hagrid puxou outra vez o guarda-chuva cor-de-rosa, deu duas pancadinhas no lado do barco e eles dispararam em direção ao continente.

– Por que só um louco tentaria roubar Gringotes? — perguntou Evanna que estava com a mesma dúvida que Harry.

– Feitiços... encantamentos...- disse Hagrid desdobrando o seu jornal. — Dizem que há dragões guardando os cofres de segurança. — os olhos de Evanna brilharam após ouvir isso, ela sempre foi fascinada por essas criaturas mágicas, dragões são uma das suas criaturas favoritas. — E depois é preciso conhecer o caminho. Gringotes fica embaixo de Londres, centenas de quilômetros abaixo, entendam. Mais fundo que o metrô. Vocês morreriam de fome tentando sair de lá, mesmo que conseguissem pôr as mãos em alguma coisa.

Evanna e Harry ficaram sentados pensando no que ouviram enquanto Hagrid lia o jornal, O Profeta Diário. Os dois aprenderam com o tio Vernon que as pessoas gostavam de ser deixadas em paz quando faziam isso, mas era muito difícil, nunca tiveram tantas perguntas para fazer na vida, pelo menos Harry.

– O Ministério da Magia anda aprontando as trapalhadas de sempre — resmungou Hagrid, virando a página.

– Tem um ministro da Magia? — perguntou Harry antes que conseguisse se conter atraindo a atenção da irmã.

– Claro. Queriam nomear Dumbledore ministro, é claro, mas ele nunca ia largar Hogwarts, então o velho Cornelius Fudge ficou com o cargo. Trapalhão como ele só. Por isso ele bombardeia Dumbledore com corujas, toda manhã, pedindo conselhos.

"Mas que ministro inútil, não?" pensou Evanna.

– Mas o que é que o Ministério da Magia faz? — perguntou Harry de novo.

– Bom, a principal tarefa é esconder dos trouxas que ainda existem bruxas e bruxos andando pelo país.

– Por quê?

– Que pergunta mais idiota, Harry. Simplesmente porque todo o mundo ia querer solucionar os problemas com mágicas. — falou Evanna fazendo Hagrid e Harry olharem para ela embasbacados por saber disso.

Nesse instante o barco bateu suavemente na parede do cais. Hagrid dobrou o jornal e eles subiram os degraus de pedra que levavam à rua.

As pessoas que passavam olhavam muito para Hagrid enquanto os três atravessaram a cidadezinha até a estação. Os gêmeos não podiam culpá-los. Não só Hagrid era duas vezes mais alto que todo o mundo, como também não parava de apontar para coisas absolutamente comuns como parquímetros e comentar em voz alta:

– Estão vendo isso, gêmeos? As coisas que esses trouxas inventam, hein? — a vontade de Evanna era de mandá-lo parar, estava ficando angustiada.

– Rúbeo — disse Harry, meio ofegante de correr para acompanhar o passo dele com a irmã bem ao lado. — Você disse que há dragões em Gringotes? — os olhos de Anna brilharam só de imaginar.

– Bem, é o que dizem — falou Hagrid. — Maneiro, eu gostaria de ter um dragão.

– Ah, eu também! São criaturas muito fascinantes. — concordou Evanna.

– Vocês gostariam de ter um? — perguntou Harry desacreditado.

– Sempre quis ter um desde pequeno, é aqui que vamos.

Tinham chegado à estação. Haveria um trem para Londres dali a cinco minutos. Hagrid, que não entendia o dinheiro dos trouxas, como o chamava, entregou as notas a Harry e Evanna para comprarem as passagens.

No trem as pessoas ficaram olhando ainda mais. Hagrid ocupou dois lugares e se pôs a tricotar uma coisa amarelo-canário que lembrava uma lona de circo.

– Vocês guardaram suas cartas? — perguntou Hagrid se dirigindo aos gêmeos enquanto contava as malhas do tricô. Evanna fez um sinal para que Harry pegasse sua carta, e assim o fez pegando o pergaminho do bolso. — Ótimo. Aí tem uma lista de tudo que vocês vão precisar.

Harry desdobrou um segundo pedaço de papel em que não reparara na noite anterior e leu:

Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts

Uniforme

Os estudantes do primeiro ano precisam de:

1. Três conjuntos de vestes comuns de trabalho (pretas)

2. Um chapéu pontudo simples (preto) para uso diário

3. Um par de luvas protetoras (couro de dragão ou similar)

4. Uma capa de inverno (preta com fechos prateados)

As roupas do aluno devem ter etiquetas com seu nome.

Livros

Os alunos devem comprar um exemplar de cada um dos seguintes:

Livro padrão de feitiços (1a série) de Miranda Goshawk

História da magia de Batilda Bagshot

Teoria da magia de Adalberto Waffling

Guia de transfiguração para iniciantes de Emerico Switch

Mil ervas e fungos mágicos de Fílida Spore

Bebidas e poções mágicas de Arsênio Jigger

Animais fantásticos & onde habitam de Newton Scamander

As forças das trevas: Um guia de autoproteção de Quintino Trimble.

Outros equipamentos

1 varinha mágica

1 caldeirão (estanho, tamanho padrão 2)

1 conjunto de frascos

1 telescópio

1 balança de latão

Os alunos podem ainda trazer uma coruja OU um gato OU um sapo.

Lembramos aos pais que os alunos do primeiro ano não podem usar vassouras pessoais.

– Podemos comprar tudo isso em Londres? — perguntou-se Harry em voz alta fazendo Evanna revirar os olhos achando a pergunta muito besta.

– Se vocês souberem aonde ir — respondeu Hagrid.

Evanna e Harry nunca estiveram em Londres antes. Hagrid, embora parecesse saber aonde ia, obviamente não estava acostumado a chegar lá pelos meios comuns. Ficou entalado na roleta do metrô e queixou-se em voz alta que os assentos eram demasiado pequenos e os trens demasiado lentos.

– Não sei como os trouxas conseguem se arranjar sem mágica — disse, quando subiam uma escada rolante gasta que levava a uma rua movimentada com lojas dos dois lados.

Hagrid era tão grande que abria caminho pela multidão sem esforço, os irmãos só precisavam segui-lo de perto. Passaram por livrarias e lojas de música, lanchonetes e cinemas, mas nenhuma loja parecia vender varinhas mágicas. Aquela era apenas uma rua comum cheia de gente comum. Seria realmente possível que houvesse montes de ouro dos bruxos enterrados quilômetros abaixo dali? Haveria realmente lojas que vendessem livros de feitiços e vassouras? Não seria talvez uma grande peça que os Dursley tinham pregado? Se Harry não soubesse que os Dursley não tinham senso de humor, poderia ter tirado uma dessas conclusões, pelo menos ele, pois Evanna parecia calma e serena; mas, por alguma razão, embora tudo que Hagrid tivesse dito até ali fosse inacreditável, os gêmeos não podiam deixar de confiar nele.

– É aqui — disse Hagrid parando. — O Caldeirão Furado. É um lugar famoso.

Era um barzinho sujo. Se Hagrid não o tivesse apontado, Anna e Harry nem teriam reparado que existia. As pessoas que passavam apressadas nem olhavam para aquele lado. Os olhos delas corriam da grande livraria a um lado à loja de discos no outro como se nem conseguissem ver O Caldeirão Furado. Na verdade os gêmeos tiveram a sensação muito estranha de que somente eles e Hagrid eram capazes de vê-lo. Antes que pudessem comentar isto, Hagrid os empurrou para dentro.

Para um lugar famoso, o Caldeirão era muito escuro e miserável. Havia umas velhas sentadas a um canto, bebendo pequenos cálices de xerez. Uma delas fumava um longo cachimbo. Um homenzinho de cartola conversava com o velho dono do bar, que era bem careca e parecia uma noz viscosa. O zum-zum das conversas parou quando eles entraram. Todos pareciam conhecer Hagrid; acenaram e sorriram para ele, Tom apanhou um copo, perguntando:

– O de sempre, Hagrid?

– Não posso, Tom, estou a serviço de Hogwarts — disse Hagrid, dando uma palmada com suas manzorras nos ombros de Harry e Evanna, o que fez os joelhos dos irmãos dobrarem.

– Meu Deus! — exclamou Tom, fitando os gêmeos.

– É... será possível?

O Caldeirão Furado repentinamente parou e fez-se um silêncio total.

– Valha-me Deus — murmurou o velho Tom. — Evanna e Harry Potter... que honra.

E saiu correndo de trás do balcão, precipitou-se para os gêmeos e agarrou a mão de cada um, as lágrimas nos olhos.

– Sejam bem-vindos, Sr. e Srta. Potter, sejam bem-vindos.

Os irmãos não sabiam o que dizer. Todos tinham os olhos neles. A velha com o cachimbo puxava o fumo sem se dar conta de que o cachimbo apagara. Hagrid sorria radiante e repentinamente Evanna também, saindo de um de seus "transes".

Logo houve um grande arrastar de cadeiras e no momento seguinte Harry e Anna se viram apertando as mãos de todos n'O Caldeirão Furado.

– Dóris Crockford, Srta. e Sr. Potter, não acredito que finalmente posso conhecê-los.

– Estou tão orgulhosa, senhores Potter, tão orgulhosa.

– Sempre quis apertar suas mãos. Estou nas nuvens. — Evanna prendeu o riso diante deste comentário.

– Encantado, senhores Potter, nem sei lhes dizer o quanto, Diggle é o meu nome, Dédalo Diggle.

– Já vi o senhor antes! — exclamaram os gêmeos juntos, e a cartola de Diggle caiu de tanta excitação.

– O senhor se curvou para mim uma vez numa loja.

– Eles se lembram! — exclamou Dédalo Diggle, olhando todos à volta. — Vocês ouviram isso? Eles se lembram de mim!

Os gêmeos apertaram muitas mãos. Dóris Crockford não parava de voltar para um novo aperto.

Um rapaz pálido adiantou-se, muito nervoso. Um olho trêmulo.

– Prof. Quirrell! — disse Hagrid. — Evanna, Harry, o Prof. Quirrell vai ser um dos seus professores em Hogwarts.

– P-P-Potters — gaguejou o Prof. Quirrell, apertando as mãos de Harry e Anna -, n-n-em sei d-d-dizer que p-p-p-prazer enorme é c-c-conhecê-los.

– Que tipo de mágica o senhor ensina, Prof. Quirrell? — pergunta Harry curioso.

– D-d-defesa C-c-ontra as Art-t-tes das T-t-trevas — murmurou o Prof. Quirrell, como se preferisse não pensar no assunto. — N-n-não que vocês p-p-precisem, hein, Potters? — Ele riu nervoso. — V-v-vocês vieram c-c-comprar o material, suponho? Tenho que c-c-comprar um livro n-n-novo sobre vampiros. — Parecia aterrorizado só de pensar. Evanna o achava muito suspeito, pelo visto.

Mas os outros não queriam deixar o Prof. Quirrell ficar com os gêmeos só para ele. Levou bem uns dez minutos para os irmãos se livrarem de todos. Finalmente, Hagrid conseguiu se fazer ouvir naquela balbúrdia.

– Precisamos nos apressar. Temos muitas compras a fazer. Vamos, gêmeos.

Dóris Crockford apertou as mãos de Evanna e Harry uma última vez e eles passaram pelo bar e saíram num pequeno pátio murado, onde não havia nada exceto uma lata de lixo e um pouco de mato.

Hagrid sorriu para Harry e Anna.

– Eu lhes disse, não foi? Disse que vocês eram famosos. Até o professor Quirrell ficou tremendo de emoção de os conhecer, mas, em geral, ele está sempre tremendo.

– Ele é sempre tão nervoso? — perguntou Evanna com ar risonho.

– Ah, é. Coitado. Uma cabeça brilhante. Foi bem enquanto estudou em livros, mas quando tirou um ano para aprender na prática... Dizem que encontrou vampiros na Floresta Negra e teve um problema feio com uma feiticeira, nunca mais foi o mesmo. Tem pavor dos alunos, tem pavor da matéria que ensina, agora, cadê o meu guarda-chuva?

Vampiros? Feiticeiras? A cabeça de Harry estava girando enquanto Evanna permanecia calma, coisa que estava intrigando o irmão. Entrementes, Hagrid contava tijolos na parede por cima da lata de lixo.

– Três para cima... dois para o lado...- murmurou. — Certo, cheguem para trás, gêmeos.

Ele bateu na parede três vezes com a ponta do guarda-chuva. E o tijolo que tocou estremeceu, então torceu-se. No meio apareceu um buraquinho, que se foi alargando cada vez mais. Um segundo depois se viram diante de um arco bastante grande até para Hagrid, um arco que abria para uma rua de pedras irregulares, serpeava e desaparecia de vista.

– Bem-vindos — disse Hagrid — ao Beco Diagonal.

Ele riu do espanto de Harry e Evanna.

– AH! Então é só bater com um pedaço de pau nos tijolin, dizer uns "sim-sá-lá-bim" do cacete, que daí a gente aparece num lugar mágicamente mágico, é? — falou Evanna meio louca da vida

– Basicamente isso.

– ME DEIXA TENTAR, EU MEREÇO SER FELIZ! EU MEREÇO ISSO PORRA! ME DÁ ESSE GRAVETO!

– Opa, opa, pera lá — falou Hagrid acalmando Evanna -, primeiro que você ainda é muito jovem para praticar magia, quem sabe mais tarde? — continuou ele tentando encorajá-la a não sei o que — E segundo que isto é um guarda-chuva, e não um graveto. — corrigiu-a.

– Ah, me poupe, quanta besteira, esse guarda-chuva não engana ninguém, Hagrid... — murmurou ela baixinho mas alto o suficiente para deixa Hagrid alarmado e Harry confuso, Hagrid só mudou de assunto tentando esquecer o que tinha acabado de acontecer.

Atravessaram o arco. Os gêmeos deram uma espiada rápida por cima do ombro e viram o arco encolher instantaneamente e virar uma parede sólida.

O sol refulgia numa pilha de caldeirões à porta da loja mais próxima. Caldeirões — Todos os Tamanhos — Cobre, Latão, Estanho, Prata — Automexediço — Dobrável, dizia um letreiro acima.

– É, vocês vão precisar de um — disse Hagrid -, mas temos de apanhar o dinheiro dos dois primeiro.

Harry e Evanna desejaram ter oito olhos. Viravam a cabeça para todo o lado enquanto caminhavam pela rua, tentando ver tudo ao mesmo tempo: as lojas, as coisas às portas, as pessoas fazendo compras. Uma mulher gorducha do lado de fora de uma farmácia abanou a cabeça quando passaram por ela e disse:

– Fígado de dragão, dezessete sicles trinta gramas, eles endoidaram...

Um pio baixo e suave veio de uma loja escura com um letreiro onde se lia "Empório de Corujas — douradas, das-torres, do campo, marrons e brancas".

Vários garotos mais ou menos da idade de Anna e Harry espremiam os narizes contra a vitrine que tinha vassouras.

– Olhe — Os irmãos ouviram um deles dizer -, a nova Nimbus 2000, mais veloz que nunca.

Havia lojas que vendiam vestes, lojas que vendiam telescópios e estranhos instrumentos de prata que os gêmeos nunca viram antes, janelas com pilhas de barris contendo baços de morcegos e olhos de enguias, pilhas mal equilibradas de livros de feitiços, nas quais Evanna se maravilhou só de olhar, penas de aves para escrever e rolos de pergaminhos, vidros de poções, globos de...

– Gringotes — anunciou Hagrid.

Tinham chegado a um edifício muito branco que se erguia acima das lojinhas. Parado diante das portas de bronze polido, usando um uniforme vermelho e dourado, havia...

– É, é um duende — disse Hagrid baixinho, enquanto subiam os degraus de pedra branca até o duende. Ele era uma cabeça mais baixo do que Harry e Evanna. Tinha uma cara escura e inteligente, uma barba em ponta e, os dois repararam, mãos e pés muito compridos. O duende os cumprimentou com uma reverência quando entraram. Em seguida depararam com um segundo par de portas, desta vez de prata, onde havia gravado o seguinte:

Entrem, estranhos, mas prestem atenção

Ao que espera o pecado da ambição,

Porque os que tiram o que não ganharam

Terão é que pagar muito caro,

Assim, se procuram sob o nosso chão

Um tesouro que nunca enterraram,

Ladrão, você foi avisado, cuidado,

pois vai encontrar mais do que procurou.

– Não lhes disse? Só um louco tentaria roubar um banco — lembrou Hagrid. Dois duendes se curvaram quando eles passaram pelas portas de prata e desembocaram em um grande saguão de mármore. Havia mais de cem duendes sentados em banquinhos altos atrás de um longo balcão, escrevendo em grandes livros-caixas, pesando moedas em balanças de latão, examinando pedras preciosas com óculos de joalheiros. Havia ao redor do saguão portas demais para contar, e outros tantos duendes acompanhavam as pesssoas que entravam e saíam por elas. Hagrid, Evanna e Harry se dirigiram ao balcão.

– Bom-dia — disse Hagrid a um duende desocupado. — Viemos sacar algum dinheiro do cofre dos senhores Harry e Evanna Potter.

– O senhor tem a chave?

– Tenho em algum lugar — disse Hagrid e começou a esvaziar os bolsos em cima do balcão, espalhando um punhado de biscoitos de cachorro mofados em cima do livro-caixa do duende. O duende franziu o nariz. Os irmãos observaram o duende do lado direito pesar um monte de rubis do tamanho de carvões em brasa.

"Achei!", exclamou Hagrid finalmente, mostrando uma chavinha de ouro.

O duende examinou-a cuidadosamente.

– Parece estar em ordem.

– E tenho aqui também uma carta do professor Dumbledore — falou Hagrid com ar importante, tirando-a do bolso do casaco. — É sobre Você-Sabe-O-Quê que está no cofre setecentos e treze.

O duende leu a carta com atenção.

– Muito bem! — falou, devolvendo a carta a Hagrid. — Vou mandar alguém levá-los aos dois cofres. Grampo!

Grampo era outro duende. Depois que Hagrid enfiou todos os biscoitos de cachorro de volta nos bolsos, ele e os gêmeos acompanharam Grampo a uma das portas que havia no saguão.

– O que é o Você-Sabe-O-Quê no cofre setecentos e treze? — perguntou Harry aparentemente curioso, Evanna parecia estar se contendo para não se pronunciar.

– Não posso lhes contar — respondeu Hagrid, misterioso. — Muito secreto. Negócios de Hogwarts. Dumbledore me confiou. Meu emprego vale mais do que a vontade de lhes contar. — mas quem disse que nenhum dos dois sabia?

Grampo segurou a porta aberta para eles passarem. Anna e Harry, que esperavam mais mármore, se surpreenderam. Encontravam-se em uma passagem estreita de pedra, iluminada por archotes chamejantes. Era uma descida íngreme, em que havia pequenos trilhos. Grampo assobiou e um vagonete disparou pelos trilhos em sua direção. Eles embarcaram — Hagrid com alguma dificuldade — e partiram.

A princípio eles apenas viajaram em alta velocidade por um labirinto de passagens cheias de curvas. Os gêmeos tentaram memorizar, esquerda, direita, direita, esquerda, em frente no entroncamento, direita, esquerda, mas era impossível. O vagonete barulhento parecia conhecer o caminho, porque Grampo não o estava dirigindo.

Os olhos dos irmãos ardiam no ar frio que passava rápido por eles, mas os mantinham bem abertos. Uma vez, eles pensaram terem visto uma labareda no fim da passagem e se viraram para conferir se era um dragão, mas foi tarde demais — eles mergulharam ainda mais fundo, passaram por um lago subterrâneo onde se acumulavam no teto e no chão enormes estalactites e estalagmites.

– Eu nunca sei — gritou Harry para Hagrid e para a irmã poderem ouvi-lo — qual é a diferença entre uma estalagmite e uma estalactite.

– Estalagmite tem um "m" — disse Hagrid.

– Bem colocado! — respondeu Evanna gritando para ser ouvida também.

– Só não me façam perguntas agora, acho que vou enjoar. — falou Hagrid, ele estava de fato meio verde. Quando o vagonete afinal parou ao lado de uma portinhola, Hagrid saltou e precisou se apoiar na parede para os joelhos pararem de tremer.

Grampo destrancou a porta. Saiu uma grande nuvem de fumaça verde e enquanto ela se dissipava, Evanna e Harry ficaram sem respirar. Dentro havia montes de moedas de ouro. Colunas de prata. Pilhas de pequenos nuques de bronze.

– É tudo de vocês — sorriu Hagrid.

Tudo dos dois — era inacreditável. Os Dursley com certeza não sabiam da existência daquilo ou teriam tirado tudo mais rápido do que uma piscadela. Quantas vezes tinham se queixado do quanto lhes custava criar os gêmeos? E durante todo aquele tempo havia uma pequena fortuna que lhes pertencia, enterrada no subsolo de Londres.

Hagrid ajudou Harry e Evanna a guardarem um pouco do dinheiro em uma saca.

– As moedas de ouro são galeões — explicou ele. — Dezessete sicles de prata fazem um galeão e vinte e nove nuques fazem um sicle, é bem simples. Certo, isto deverá ser suficiente para uns dois períodos letivos, guardaremos o resto bem guardado para vocês. — Hagrid virou-se para Grampo. — O cofre setecentos e treze agora, por favor, e será que podemos ir mais devagar?

– Só tem uma velocidade — falou Grampo.

Viajaram mais para o fundo agora e ganharam velocidade. O ar foi se tornando cada vez mais frio enquanto disparavam pelas curvas fechadas.

Sacolejavam por uma ravina subterrânea e os irmãos debruçaram-se para um lado para tentarem ver o que havia no fundo, mas Hagrid gemeu e os puxou para trás pelo cangote.

O cofre setecentos e treze não tinha fechadura.

– Para trás — disse Grampo com ar de importância. Alisou a porta devagarinho com o seu dedo comprido e ela simplesmente se dissolveu.

– Se alguém que não fosse um duende de Gringotes tentasse fazer o mesmo, seria engolido pela porta e ficaria preso lá dentro — explicou Grampo.

– Com que frequência você vem ver se tem alguém lá dentro? — perguntou Harry.

– Uma vez a cada dez anos. — Respondeu Evanna como se estivesse tentando segurar aquilo. — Certo? — perguntou nervosa a Grampo após os olhares confusos de Harry e Hagrid, provavelmente se perguntando como a garota que convivia com os trouxas sabia daquilo. Grampo assentiu com um sorriso maldoso no rosto.

Devia haver alguma coisa realmente extraordinária nesse cofre de segurança máxima, Harry tinha certeza, e se curvou para a frente pressuroso, esperando ver no mínimo joias fabulosas — mas no primeiro momento achou que estava vazio -, enquanto Evanna estava parecendo se conter de novo para não abrir a boca. Depois, Harry notou um embrulhinho encardido no chão. Hagrid apanhou-o e o guardou muito bem no casaco. Harry tinha muita vontade de saber o que era, mas sentia que era melhor não perguntar, ao contrário da irmã, que parecia estar tendo uma luta com a consciência.

– Vamos, vamos voltar para esse vagonete infernal, e não falem comigo no caminho de volta, é melhor eu ficar de boca fechada — recomendou Hagrid.

Depois de mais uma viagem no vagonete descontrolado, eles chegaram à claridade do sol do lado de fora de Gringotes. Os gêmeos não sabiam aonde correr primeiro agora que tinham uma saca cheia de dinheiro. Não precisavam saber quantos galeões perfaziam uma libra para saberem que estavam carregando mais dinheiro do que jamais tiveram na vida inteira — mais dinheiro até do que Duda jamais tivera.

– Vamos comprar logo o uniforme de vocês — falou Hagrid, indicando com a cabeça a loja Madame Malkin — Roupas para Todas as Ocasiões. — Escutem aqui, gêmeos, vocês se importariam se eu der uma corrida n'O Caldeirão Furado para tomar um tônico? Detesto esses vagonetes de Gringotes. — Ele realmente parecia meio enjoado, por isso Evanna e Harry entraram na loja Madame Malkin sozinhos, Harry um pouco nervoso e a irmã o acalmando.

Madame Malkin era uma bruxa baixa, gorda e sorridente, toda vestida de lilás.

– Hogwarts, queridos? — perguntou aos dois quando Evanna começou a falar. — Tenho tudo aqui. Para falar a verdade, tem outro rapazinho agora ajustando uma roupa.

Nos fundos da loja, um garoto de rosto pálido e pontudo estava em pé em cima de um banquinho enquanto uma segunda bruxa encurtava suas compridas vestes pretas. Madame Malkin colocou Harry num banquinho ao lado do outro e Evanna ao seu lado em outro banquinho, enfiou-lhes uma veste comprida em cada um pela cabeça e começou a marcar as bainhas na altura certa.

– Alô — cumprimentou o garoto. — Hogwarts também?

– É — confirmaram os irmãos.

– Meu pai está na loja ao lado comprando meus livros e minha mãe está mais adiante procurando varinhas — disse o garoto. Tinha uma voz de tédio arrastada que dava agonia em Evanna. — Depois vou levar os dois para dar uma olhada nas vassouras de corridas. Não vejo por que os alunos de primeira série não podem ter vassouras individuais. Acho que vou obrigar papai a me comprar uma e vou contrabandeá-la para a escola às escondidas.

O garoto os lembrou muito de Duda.

– Vocês tem vassoura? — perguntou o garoto.

– Não.

– Sabem jogar quadribol? — desta vez somente Harry respondeu, Evanna parecia estar tendo outra "briga interna" e Harry pôde jurar que ouviu as palavras "Cala a boca seu filho de uma mulher que prestava serviços sexuais em troco de dinheiro", "Vai tomar no seu orifício anal por onde saem suas fezes" e também "Você deveria voltar pra casa do seu pai, ou melhor do diabo". — Eu sei, meu pai falou que vai ser um crime se não me escolherem para jogar pela minha casa, e sou obrigado a dizer que concordo. Já sabem em que casa vão ficar?

– Não — responderam juntos, Harry se sentindo idiota e Evanna achando graça pois ninguém sabe ao certo até chegar em Hogwarts.

– Bom, ninguém sabe mesmo até chegar lá, não é, mas sei que vou ficar na Sonserina, toda a nossa família ficou lá, imagine ficar na Lufa-Lufa, acho que eu saía da escola, vocês não?

– Hum-hum — concordou Harry, Evanna não respondeu tampouco os olhou, parecia perturbada com o que o garoto acabara de dizer.

– Caramba, olhem aquele homem! — falou o garoto de repente, indicando com a cabeça a vitrine. Rúbeo estava parado diante dela, rindo para os gêmeos e apontando para três grandes sorvetes, que eles não faziam ideia de como estava os segurando, para explicar que não podia entrar.

– É o Rúbeo — disse Harry, contente por saber alguma coisa que o garoto não sabia, Evanna riu de sua felicidade. — Ele trabalha em Hogwarts.

– Ah, ouvi falar dele. É um espécie de empregado, não é?

– É o guarda-caça — explicou Evanna. A cada segundo ela gostava menos do garoto.

– É, isso mesmo. Ouvi falar que é uma espécie de selvagem. Mora num barraco no terreno da escola e de vez em quando toma um pileque, tenta fazer mágicas e acaba tocando fogo na cama.

– Acho que ele é brilhante — retorquiu Harry com frieza antes que Evanna avançasse no garoto.

– Acha, é? — disse o garoto com um leve desdém. — Por que é que ele está acompanhando vocês? Onde estão seus pais?

– Mortos. — respondeu Evanna com mais frieza do que Harry, sem a mínima vontade de prolongar o assunto com aquele garoto.

– Ah, lamento — disse o outro, sem parecer lamentar nada. — Mas eram do nosso povo, não eram?

– Eram bruxos, se é isso que você está perguntando.

– Eu realmente acho que não deviam deixar outro tipo de gente entrar, e vocês? Não são iguais a nós, nunca foram educados para conhecer o nosso modo de viver. Alguns nunca sequer ouviram falar de Hogwarts até receberem a carta, imaginem. Acho que deviam manter a coisa entre as famílias de bruxos. Por falar nisso, quais os seus sobrenomes?

Mas antes que Evanna pudesse responder uma grosseria, Madame Malkin anunciou:

– Terminei com vocês, queridos. — E os irmãos, nada frustrados com a desculpa para interromperem a conversa com o garoto, pularam do banquinho para o chão.

– Bom, vejo vocês em Hogwarts, suponho — disse o garoto de voz arrastada.

Evanna e Harry ficaram muito quietos enquanto comiam o sorvete que Hagrid trouxera (chocolate e amora com nozes picadas).

– Que foi? — perguntou Hagrid.

– Nada — mentiram os irmãos.

Eles pararam para comprar pergaminho e penas. Os gêmeos se animaram um pouco quando descobriram um vidro de tinta que mudava de cor enquanto a pessoa escrevia. Quando saíram da loja, Harry perguntou:

– Rúbeo, o que é quadribol?

– Caramba, gêmeos, vivo me esquecendo que vocês não sabem quase nada... raios, não saber o que é quadribol!

– Não faça nós nos sentirmos piores. — falou Evanna. E contaram a Hagrid sobre o garoto pálido na loja de Madame Malkin.

"...e ele disse que nem deviam permitir a gente que pertence à família de trouxas..."

– Vocês não pertencem a uma família de trouxas. Se ele soubesse quem vocês são... ele cresceu sabendo o nome de vocês se os pais deles forem bruxos. Vocês viram o pessoal n'O Caldeirão Furado. Em todo o caso, o que é que ele sabe das coisas, alguns dos melhores bruxos que já conheci vinham de uma longa linhagem de trouxas. Vejam a mãe de vocês! Vejam só quem é a irmã dela!

– Então, o que é quadribol? — Perguntou Harry de novo, e novamente Evanna se conteve para não contar coisas que não deveria.

– É o nosso esporte. Esporte dos bruxos. É como o futebol no mundo dos trouxas. Todos praticam quadribol. A gente joga no ar montado em vassouras com quatro bolas. É meio difícil explicar as regras.

– E o que são Sonserina e Lufa-Lufa?

– Casas na escola. São quatro. Todo mundo diz que Lufa-Lufa só tem panacas, mas...

– Aposto que estou na Lufa-Lufa — disse Harry, deprimido. Evanna revirou os olhos.

– Deve ser melhor Lufa-Lufa do que Sonserina, vejamos pelo lado bom. — disse Evanna tentando animar o irmão. — Ouvi umas pessoas falando que da Sonserina só saem bruxos das trevas, ouvi também que Vol... desculpa, Você-Sabe-Quem estudou naquela casa — falou. — Então prefiro mil vezes Lufa-Lufa do que Sonserina.

– Você-Sabe-Quem esteve em Hogwarts? — perguntou Harry à Hagrid.

– Há muitos e muitos anos.

Eles compraram os livros escolares de Evanna e Harry em uma loja chamada Floreios e Borrões, onde as prateleiras estavam abarrotadas até o teto com livros do tamanho de paralelepípedos encadernados em couro, livros do tamanho de selos postais com capas de seda que levaram Evanna à loucura, ela considerava aquilo o paraíso, cheio de livros, amou tudo lá. Até Duda, que nunca lia nada, teria ficado doido para botar as mãos em alguns desses livros. Hagrid quase teve de arrastar Harry e Evanna para longe do Pragas e Contrapragas do Prof. Vindicto Viridiano.

– Só estávamos tentando descobrir como rogar uma praga para o Duda.

– Não vou dizer que não é uma boa ideia, mas vocês não podem usar mágica no mundo dos trouxas a não ser em situações muito especiais — disse Hagrid. — De qualquer modo, vocês ainda não poderiam lançar nenhuma dessas pragas, vão precisar de muito estudo antes de chegarem a esse nível.

Hagrid não deixou os gêmeos comprarem um caldeirão de ouro maciço, tampouco ("Diz estanho em suas listas"), mas compraram uma balança bonita para pesar os ingredientes das poções e um telescópio desmontável de latão para cada um. Visitaram a farmácia, que era bem fascinante para compensar seu cheiro horrível, uma mistura de ovo estragado e repolho podre que fez Evanna enfiar a cabeça dentro da blusa, fazendo o irmão rir. Havia no chão barricas de coisas viscosas, frascos com ervas, raízes secas e pós coloridos cobriam as paredes, feixes de penas, fieiras de dentes e garras retorcidas pendiam do teto. Enquanto Hagrid pedia ao homem atrás do balcão um conjunto de ingredientes básicos para preparar poções para Evanna e Harry, os mesmos examinavam chifres de prata de unicórnios, a vinte e um galeões cada, enquanto Evanna falava sobre como unicórnios podem ser assassinos com seus chifres e então fez uma imitação tosca de como seria se um unicórnio furasse a barriga de Harry, enquanto este ria alto das idiotices da irmã. Ao saírem da farmácia, Hagrid verificou a lista de Harry, ou seja a mesma de Evanna, mais uma vez.

– Só falta a varinha. Ah é, e ainda não comprei os seus presentes de aniversário.

Harry sentiu o rosto corar, Evanna, apesar de envergonhada, não corou. Raras eram as situações que faziam Evanna corar.

– Você não precisa...

– Eu sei que não preciso. Vamos fazer o seguinte, vou comprar um bicho para vocês dividirem. Não vai ser sapo, os sapos saíram de moda há muitos anos, todo mundo ia rir de vocês, e não gosto de gatos, eles me fazem espirrar. Vou-lhes comprar uma coruja. Todos querem corujas, são muito úteis, levam cartas e tudo o mais.

Vinte minutos depois, eles saíram do Empório de Corujas, que era escuro e cheio de ruídos e brilhos e olhos que cintilavam como joias. Evanna deixara para Harry carregar a grande gaiola com uma bela coruja branca como a neve, que dormia profundamente, a cabeça debaixo da asa. Eles não paravam de agradecer, pareciam até o Prof. Quirrell.

– Não tem do quê — respondia Hagrid, rouco. — Acho que vocês nunca ganharam muitos presentes dos Dursley.

– Está brincando? O único presente que ganhávamos era um "oi" e olhe lá. — falou Evanna, revoltada. — Parece até que eles tinham que se prostituir pra ganhar dinheiro e ter de nos dar alguma coisa, e olha que eles não nos davam nada. — Harry e Hagrid riram de sua dramatização.

– Agora só falta Olivaras, a única loja de varinhas, Olivaras, e vocês precisam ter as melhores varinhas do mundo. — disse Hagrid.

Uma varinha mágica... era realmente o que os gêmeos andaram desejando.

A última loja era estreita e feiosa. Letras de ouro descascadas sobre a porta diziam Olivanders: Artesãos de Varinhas de Qualidade desde 382 a.C. Havia uma única varinha sobre uma almofada púrpura desbotada, na vitrine empoeirada.

Um sininho tocou em algum lugar no fundo da loja quando eles entraram. Era uma lojinha mínima, vazia, exceto por duas únicas cadeiras altas e estreitas em que Hagrid e Evanna se sentaram para esperar.

– Boa-tarde — disse uma voz suave. Evanna e Harry se assustaram. Havia um velho parado diante deles, os olhos grandes e muito claros brilhando como duas luas na penumbra da loja.

– Alô — disseram os gêmeos, sem jeito.

– Ah, sim — disse o homem. — Sim, sim. Achei que ia vê-los em breve. Evanna e Harry Potter. — Não era uma pergunta. — Vocês tem os olhos da mãe de vocês. Parece que foi ontem que ela esteve aqui, comprando a primeira varinha. Vinte e seis centímetros de comprimento, farfalhante, feita de salgueiro. Uma boa varinha para encantamentos.

Os Sr. Olivaras chegou mais perto de Harry. Harry desejou que ele piscasse e Evanna achava graça da cena.

Depois de falar sobre a varinha do pai dos irmãos, de conversar com Hagrid sobre a varinha dele que tinha sido quebrada após o mesmo ter sido expulso e de medir os braços de Harry, narinas, pernas etc, Sr. Olivaras começou o teste de varinhas com Harry enquanto Hagrid e Evanna o observavam sentados na cadeira. Após várias tentivas falhas de Harry com varinhas indicadas por Olivaras, o mesmo pegou duas varinhas iguais e fez sinal com a mão para Evanna se aproximar.

– Freguês difícil, hein? — comentou se referindo a Harry. — Não se preocupe, vamos encontrar a varinha perfeita para o senhor em algum lugar, e para você também, senhorita, estou em dúvida, agora... é, por que não?, uma combinação incomum, azevinho e pena de fênix, vinte e oito centímetros, as duas, boa e maleável.

Harry e Evanna pegaram uma varinha cada da caixinha branca e dourada em que se encontravam as duas varinhas exatamente iguais. Sentiram um repentino calor nos dedos. Os dois ergueram as varinhas ao mesmo tempo, acima da cabeça e baixaram-nas cortando o ar empoeirado com um zunido, e uma torrente de faíscas douradas e vermelhas saíram das pontas como fogos de artifícios, atirando fagulhas luminosas que dançavam nas paredes. Hagrid gritou entusiasmado e bateu palmas, Evanna riu de sua empolgação e o Sr. Olivaras exclamou:

– Bravo! Mesmo, ah, muito bom. Ora, ora, ora... que curioso... curiosíssimo...

Repôs as varinhas de Evanna e Harry na caixa e embrulhou-as em papel pardo, ainda resmungando:

– Curioso... Curioso...

– Desculpe, senhor — disse Evanna. -, mas o que é curioso?

O Sr. Olivaras a encarou, logo depois encarando o Harry com aqueles olhos claros.

– Lembro-me de cada varinha que vendi, Srta. Potter. De cada uma. Acontece que a fênix cuja pena está em sua varinha e de seu irmão produziu mais uma pena, apenas mais uma. É muito curioso que os senhores tenham sido destinados para estas varinhas porque a irmã delas, ora, a irmã delas produziu a cicatriz de vocês.

Harry engoliu em seco.

– TAN TAN TAAAAAAAN — disse Evanna de um jeito comicamente sombrio.

– É, tinha trinta e quatro centímetros. Puxa. É realmente curioso como essas coisas acontecem. A varinha escolhe o bruxo, lembrem-se... Acho que podemos esperar grandes feitos dos senhores, Sr. e Srta. Potter... Afinal, Aquele-Que-Não-Deve-Se-Nomear realizou grandes feitos, terríveis, sim, mas grandes.

Harry estremeceu porém Evanna sorriu. Gostara do Sr. Olivaras, já Harry, nem sabia. Pagaram sete galeões pelas varinhas e o Sr. Olivaras curvou-se à saída deles.

O sol de fim de tarde quase chegara ao horizonte quando Evanna, Harry e Hagrid refizeram o caminho para sair do Beco Diagonal, atravessar a parede e passar novamente pelo Caldeirão Furado, agora vazio. Os gêmeos não disseram uma palavra enquanto caminhavam pela rua, somente as vezes trocando olhares e conversando por eles; nem ao menos repararam quantas pessoas se boquiabriam para eles no metrô, carregados que estavam com todos aqueles pacotes de formatos esquisitos, a coruja branca adormecida no colo de Evanna. Subiram a escada rolante para a estação de Paddington; Os irmãos só perceberam onde estavam quando Hagrid bateu em seus ombros.

– Temos tempo para comer alguma coisa antes de o trem sair — falou.

Comprou dois hambúrgueres, um para Harry e outro para Evanna, e se sentaram em bancos de plástico para comê-los. Harry não parava de olhar a toda volta, a ponto de deixar a irmã com vontade de dar um tapa em seu rosto.

– Vocês estão bem? Estão muito calados — comentou Hagrid. Os gêmeos se olharam com a certeza de estarem pensando na mesma coisa.

– Todos acham que somos especiais — disse Harry finalmente. — Todas aquelas pessoas no Caldeirão Furado, o Prof. Quirrell, o Sr. Olivaras...

– Mas nós não conhecemos nadinha de mágica. — continuou Evanna. — Como podem esperar grandes feitos de nós? Somos famosos e nem ao menos nos lembramos o porquê.

– Não sabemos o que aconteceu quando Vol...desculpe...quero dizer, na noite em que nossos pais morreram. — disse Harry retomando a palavra.

Hagrid se debruçou sobre a mesa. Por trás da barba e das sombrancelhas desgrenhadas tinha um sorriso bondoso.

– Não se preocupem, gêmeos. Vocês vão aprender bem depressa. Todos começam pelo começo em Hogwarts, vocês vão se dar bem. Sejam vocês mesmos. Sei que é difícil. Vocês serão discriminados e isso é muito duro. Mas vão se divertir a valer em Hogwarts. Eu me diverti; e ainda me divirto, para dizer a verdade.

Hagrid ajudou Harry e Evanna a embarcarem no trem que os levaria de volta aos Dursley, então lhes entregou um envelope para cada um.

– As suas passagens para Hogwarts. Primeiro de setembro, na estação de King's Cross, está tudo na passagem. Qualquer problema com os Dursley, me mandem uma carta pela coruja, ela saberá onde me encontrar... Vejo vocês em breve.

O trem parou na estação. Anna e Harry queriam ficar espiando Hagrid até ele desaparecer de vista; levantaram-se, espremeram o nariz contra o vidro da janela, mas quando piscaram os olhos Hagrid tinha desaparecido. Sentaram um ao lado do outro.

– Tudo vai mudar agora, não é? — perguntou Evanna para o irmão.

– Assim eu espero, Anna, assim eu espero. — e a garota deitou a cabeça no ombro do irmão.

Notas finais
se quiserem me falar alguma coisa me chamem no twitter @meadwes, ah! eu fiz algumas mudanças no prólogo, se vocês quiserem ver... kisses