Evanna - A Outra Potter [HIATUS]

3 As Cartas De Ninguém


Notas iniciais
Eu tentei posta essa bosta QUATRO VEZES, TO DE REVOLTS AGR! AH! E viu agradecer as lindas paz potter, YasminPotterMalfoy e AnnieCullen por favoritarem a fic, a LunaEverdeenChase pelo review e a Hannah Lilian Potter por favoritar e pelo review VCS SÃO DEMAIS!

As cartas de ninguém

A fuga da jiboia brasileira rendeu a Harry e Evanna seus castigos mais longos. Na altura em que lhes permitiram sair do armário, as férias de verão já haviam começado e Duda já quebrara a nova filmadora, acidentara o aeromodelo e, na primeira vez que andara na bicicleta de corrida, derrubara a velha Sra. Figg quando ela atravessou a rua dos Alfeneiros de muleta.

Os irmãos ficaram contentes que as aulas tivessem acabado, mas não conseguiam escapar da turma de Duda, que visitava a casa todo dia. Pedro, Denis, Malcolm e Górdon eram todos grandes e burros, mas como Duda era o maior e mais burro do bando, era o líder. Os demais ficavam bastante felizes de praticar do esporte favorito de Duda: perseguir Harry.

Por esta razão Harry passava a maior parte do tempo possível fora de casa, perambulando com a irmã e conversando sobre o fim das férias, no qual conseguiam vislumbrar um raiozinho de esperança. Quando setembro chegasse eles iriam para a escola secundária e, pela primeira vez na vida, não estariam em companhia de Duda. Duda tinha uma vaga na antiga escola do tio Vernon, Smeltings. Pedro ia para lá também. Harry e Anna, por outro lado, ia para a escola secundária local. Duda achava muita graça nisso.

– Eles metem a cabeça dos garotos no vaso sanitário no primeiro dia de aula – contou ele a Harry com Evanna do lado lendo um livro -, quer ir lá em cima praticar?

– Não, obrigado – respondeu Harry. – O coitado do vaso nunca recebeu nada tão horrível quanto a sua cabeça, é capaz de passar mal. – E correu antes que Duda conseguisse entender o que dissera, mas a irmã já estava rindo que se acabava por trás do livro.

– Que foi que ele disse? — perguntou ele, confuso, à garota que não parava de rir.

– Ah, Dursley, pense um pouco...- falou ela com ar risonho — Use seus neurônios, só não se esforce demais para queimá-los, não precisamos de mais bacon em casa, sim?

Certo dia de julho, tia Petúnia levou Duda a Londres para comprar o uniforme da Smeltings e deixou os gêmeos com a Sra. Figg. A Sra. Figg não estava tão ruim quanto de costume. Afinal, fraturara a perna porque tropeçara em um dos gatos e não parecia gostar tanto deles quanto antes. Deixou Harry e Anna assistirem à televisão e lhes deu um pedaço de bolo de chocolate para cada, que pelo gosto parecia ter muitos anos.

Naquela noite, Duda desfilou para a família reunida na sala de estar vestindo o uniforme novo da Smeltings. Os alunos da Smeltings usavam casaca marrom-avermelhada, calções cor de laranja e chapéus de palha. Carregavam também bengaladas nodosas, que usavam para bater uns nos outros quando os professores não estavam olhando. Isto era considerado um bom treinamento para o futuro.

Ao contemplar Duda nos calções laranja novos, tio Vernon disse com a voz embargada que aquele era o momento de maior orgulho em sua vida. Tia Petúnia rompeu em lágrimas e disse que não podia acreditar que era o seu Dudinha, estava tão bonito e adulto. Enquanto Evanna, por outro lado, ficava fingindo vômito para o irmão, fazendo o mesmo prender o riso. Ambos não confiaram no que podiam dizer. Acharam que duas de suas costelas talvez já tivessem partido só com o esforço para não rir. A noite no armário foi mais engraçada ainda com Evanna fazendo imitações baratas dos Dursley.

Havia um cheiro horrível na cozinha na manhã seguinte quando os irmãos entraram para o café da manhã. Parecia vir de uma grande tina de metal dentro da pia. Eles se aproximaram para espiar. A tina aparentemente estava cheia de trapos sujos que boiavam em água cinzenta.

– O que é isso? – perguntaram à tia Petúnia. Os lábios dela contraíram como costumavam fazer quando eles se atreviam a fazer uma pergunta.

– Os seus uniformes novos de escola – respondeu.

Eles espiaram por dentro da tina outra vez.

– Ah – comentou Evanna com ar de ironia e riso na voz -, eu não sabia que tinha que ser tão molhado.

– Não seja idiota, garota – respondeu tia Petúnia com rispidez. – Estou tingindo de cinzento umas roupas velhas de Duda para vocês. Vão ficar iguaizinhas às dos outros quando eu terminar.

Harry tinha sérias dúvidas, porém a irmã só deu de ombros, como se já soubesse que ia dar merda, por isso acharam melhor não discutir.

Sentaram-se à mesa e tentaram pensar na aparência que teriam no primeiro dia de aula – como se estivessem usando retalhos de pele de elefante velho, provavelmente.

Duda e tio Vernon entraram ambos com os narizes franzidos por causa do cheiro dos novos uniformes dos gêmeos. Tio Vernon abriu o jornal como sempre fazia e Duda bateu na mesa com a bengala da Smeltings, que ele carregava para todo lado.

Ouviram o clique da portinhola para cartas e o som da correspondência caindo no capacho da porta.

– Apanhe o correio, Duda – disse tio Vernon por trás do jornal.

– Mande o Harry apanhar.

– Apanhe o correio Harry.

– Mande o Duda apanhar.

– Cutuque ele com a bengala da Smeltings, Duda.

Harry se esquivou da bengala da Smeltings e foi apanhar o correio. Havia quatro coisas no capacho: um postal da irmã do tio Vernon, Guida, que estava passando férias na ilha de Wight, um envelope pardo que parecia uma conta e – uma carta para Harry e uma para Evanna.

Harry apanhou-as e ficou olhando, o coração vibrando como um elástico gigante. Ninguém jamais, em toda a sua vida, lhes escrevera. Quem escreveria? Eles não tinham amigos, nem outros parentes – não eram sócio da biblioteca, de modo que jamais receberam sequer os bilhetes grosseiros pedindo a devolução de livros. Contudo, ali estava, duas carta, endereçadas tão claramente que não podia haver engano.

Sr. H. Potter

O Armário sob a Escada

Little Whinging

Surrey

A mesma coisa estava escrita na carta de Evanna, mudando o "H" para "E". Os envelopes eram grossos e pesados, feitos de pergaminhos amarelados e endereçados com tinta verde-esmeralda. Não havia selo.

Quando virou o seu envelope, com a mão trêmula, Harry viu um lacre de cera púrpura com um brasão; um leão, uma águia, um texugo e uma cobra circulando uma grande letra "H".

– Hum, Evanna vem aqui um minutinho? — chamou a irmã, com a voz falhando.

– Já vou! — gritou em resposta lá da cozinha. — E aí, o que houve? — perguntou chegando mais perto de Harry.

– Me diga você. — e entregou a carta de Evanna para a mesma.

– O que que tem, é só uma...- sua voz morreu ao ver que estava endereçada a ela.- Ha-Harry, quem nos ma-mandou isso? — ela disse, todo o seu corpo estava tremendo.

– Eu também não sei! Não foi nenhuma pegadinha sua? — Ele perguntou mexendo nos cabelos, se tem uma coisa que ambos gêmeos compartilham, é a mesma mania quando estão nervosos: mexer no cabelo.

– Não...- disse ela enquanto avaliava a carta. — Mas, eu acho que já vi esse brasão em algum lugar... Você realmente...- Ela foi interrompida pelo tio

– Andem depressa, moleques! – gritou o tio Vernon da cozinha. – Está fazendo o quê, procurando cartas-bombas? – E riu da própria piada, Evanna bufou e puxou Harry pela mão.

Os dois voltara à cozinha, ainda de olhos fixos em suas cartas. Harry entregou a conta e o postal ao tio Vernon, sentou-se ao lado da irmã e começou a abrir lentamente o envelope amarelo junto dela.

Tio Vernon rasgou o envelope da conta, deu um bufo de desdém e virou o postal.

– Guida está doente – informou à tia Petúnia. – Comeu um marisco suspeito...

– Pai! – exclamou Duda de repente. – Pai, os gêmeos receberam cartas!

Harry e Evanna iam desdobrar as cartas, escritas nos mesmos pergaminhos grossos que os envelopes, quando tio Vernon arrancou-as de suas mãos.

É minha! – disseram os dois juntos, tentando recuperar as cartas.

– Quem iria escrever para vocês? – zombou tio Vernon, sacudindo uma das cartas com uma das mãos para desdobrá-la e percorrendo-a com o olhar. Seu rosto passou de vermelho para verde mais rápido do que um sinal de tráfego. E não parou aí. Segundos depois ficou branco-acinzentado, cor de mingau de aveia velho.

– P-P-Petúnia! – ofegou.

Duda tentou agarrar a carta para lê-la, mas tio Vernon segurou as duas no alto fora do seu alcance. Tia Petúnia apanhou uma carta cheia de curiosidade e leu a primeira linha. Por um instante pareceu que ela talvez fosse desmaiar. Levou as duas mãos à garganta e produziu um ruído engasgo.

– Vernon! Ah, meu Deus, Vernon!

Eles se encararam, parecendo ter esquecido que Harry, Evanna e Duda continuavam na cozinha. Duda não estava acostumado a ser desprezado. Deu uma bengalada na cabeça do pai.

– Quero ler estas cartas – falou alto.

MASOQUE?!?!!?? NEM A PAU JUVENAL! AS ÚNICAS PESSOAS QUE TEM DIREITO DE LER ESTA MERDA SOMOS NÓS!! – Essa foi uma Evanna explosiva, apontando o dedo para ela e Harry — A BALEIA GORDA DE PERUCA NÃO TEM DIREITO DE LER AS CARTAS! NEM VOCÊS! SOMENTE EU E O HARRY!– Terminou ela, com o rosto totalmente vermelho. Um lembrete se você quiser viver: nunca irrite essa morena explosiva, pode ser a última coisa que você vai fazer na vida. Harry concordava com tudo que a irmã disse, igualmente furioso.

– Saiam, os três – ordenou com voz rouca tio Vernon, ignorando por completo o lapso de Evanna, enfiando as cartas nos envelope.

Os irmãos não se mexeram.

QUEREMOS NOSSAS CARTAS – gritaram.

– Me deixe ver! – exigiu Duda.

FORA! – berrou tio Valter, e agarrando os três, Anna, Harry e Duda, pelo cangote atirou-os no corredor e bateu a porta da cozinha. Harry, Evanna e Duda na mesma hora tiveram uma briga furiosa mas, silenciosa, pare saber quem ia escutar à fechadura; Duda ganhou, por isso os gêmeos, ambos óculos pendurados em uma orelha, deitaram-se de barriga no chão para escutar pela fresta entre a porta e o chão.

– Vernon – disse tia Petúnia com voz trêmula -, olhe só o endereço. Como é que eles poderiam saber onde eles dormem? Você acha que estão vigiando a casa?

– Vigiando, espionando, talvez nos seguindo – murmurou tio Vernon enlouquecido.

– Mas o que vamos fazer, Vernon? Vamos responder à carta? Dizer a eles que não queremos...

Anna e Harry viam os sapatos pretos lustrosos do tio Vernon andando para cá e para lá na cozinha.

– Não – disse ele decidido. – Não, vamos ignorá-las. Se não receberem uma resposta... É, é o melhor... não vamos fazer nada...

– Mas...

– Não vou ter dois deles em casa, Petúnia! Nós não juramos quando os recebemos que íamos acabar com aquela bobagem perigosa?

Aquela noite, quando voltou do trabalho, tio Vernon fez uma coisa que nunca fizera antes; visitou os gêmeos no armário.

– Cadê nossas cartas? – perguntaram juntos, no instante em que tio Vernon se espremeu pela porta. – Quem nos escreveu?

– Ninguém. Endereçaram a vocês por engano – disse tio Vernon secamente. – Queimei as cartas.

– Não foi um engano – retrucou Harry com raiva -, tinha o endereço do nosso armário.

CALADO! – gritou tio Vernon e algumas aranhas caíram do teto, Evanna se esquivou delas. Ele inspirou algumas vezes e então fez força para produzir um sorriso que pareceu bem penoso.

– Hum, sim, Harry, Evanna, sobre este armário. Sua tia e eu estivemos pensando... vocês realmente estão ficando grandes demais para ele... achamos que seria bom se vocês se mudassem para o segundo quarto de Duda.

– Por quê? – perguntaram Anna e Harry.

– Não façam perguntas – disse com rispidez o tio. – Levem essas coisas para cima agora.

A casa dos Dursley tinha quatro quartos: um para tio Vernon e tia Petúnia, um para hóspedes (em geral a irmã de tio Vernon, Guida), um onde Duda dormia e um onde Duda guardava todos os brinquedos e pertences que não cabiam no primeiro quarto. Os irmãos precisaram de apenas uma viagem para mudar tudo o que tinham do armário para o quarto no andar de cima. Sentaram-se em suas camas e deram uma olhada em volta. Quase tudo ali estava quebrado. A filmadora com apenas um mês de uso estava jogada em cima de um pequeno tanque com que certa vez Duda atropelara o cachorro do vizinho; no canto estava o primeiro televisor de Duda, no qual ele enfiara o pé quando seu programa favorito fora cancelado; havia uma grande gaiola de pássaros, antigamente habitada por um papagaio que Duda trocara na escola por uma espingarda de ar de verdade, e que estava guardada numa prateleira com a ponta dobrada porque Duda sentara em cima dela. Outras prateleiras estavam cheias de livros, Evanna olhava para elas com os olhos brilhando. Eram as únicas coisas no quarto que pareciam nunca ter sido tocadas.

No momento os gêmeos estavam discutindo o porquê de estarem ali:

– Quero dizer, por que agora? O que mudou? — questionava Harry à irmã. — Porque o nosso tamanho é que não foi.

– Eu, também não sei, Harry — falava Evanna pensativa. — Mas... você acha que...

A garota foi interrompida. Pela segunda vez. No dia. Evanna estava se irritando. E vocês já viram o que acontece quando ela se irrita.

Lá de baixo veio o barulho de gritando com a mãe:

– Eu não quero eles lá... eu preciso daquele quarto... mande eles saírem.

Evanna bufou de raiva e falou num tom que só Harry ouviu:

– Precisa nada, sua baleia gorda jr. com gastrite, energúmeno abestado, bola de queijo mofada, porco de peruca que deu errado, futricado... — Harry já não se aguentava de tanto rir.

– O que é futricado? — disse em meio aos risos.

Você não precisa saber, só saiba que é algo nojento e ilegal. — isso aumentou os risos de Harry, fazendo Evanna rir junto.

"Deus tá vendo essa zuera, viu?" – Harry citou o que a irmã disse noutro dia, no zoo. — Olha que ele tá de olho, hein? — falou prolongando o primeiro 'o' de 'olho', fazendo os dois rirem mais ainda.

– Eu sei, pequeno pimpolho, eu sei...- disse Evanna, fazendo com que a crise de risos voltasse.

– Pequeno pimpolho? — perguntou Harry parando de rir aos poucos.

– Aham, porque como você mesmo sabe, eu manjo dos paranauê de apelido, maninho. — E eles caíram na gargalhada depois dessa.

Na manhã seguinte, no café, todos estavam muito quietos. Duda estava em estado de choque. Berrara, batera no pai com a bengala, vomitara de propósito, dera pontapés na mãe e atirara sua tartaruga pelo teto da estufa de plantas e nem assim conseguira o quarto de volta. Harry e Anna pensavam no dia anterior àquela hora., desejando com amargura que tivessem aberto as cartas no hall. Tio Vernon e tia Petúnia se entreolhavam, ameaçadores.

Quando o correio chegou, tio Vernon, que parecia estar tentando ser agradável com os gêmeos, fez Duda ir buscá-lo. Eles o ouviram bater nas coisas do corredor com a bengala da Smeltings. Então ele gritou:

– Chegou outra! Sr. H e Sra. E. Potter, O Menor Quarto da Casa, Rua dos Alfeneiros 4...

Com um grito sufocado tio Vernon saltou da cadeira e saiu correndo pelo corredor, os irmãos se olharam e foram logo atrás dele. Tio Vernon teve que lutar e derrubar Duda no chão para lhe tirar a carta, o que foi dificultado por Harry e Anna que agarraram o pescoço e a perna do tio Vernon. Depois de um minuto confuso de luta, em que todos levaram várias bengaladas, tio Vernon se endireitou, ofegante, com a carta dos gêmeos apertadas nas mãos.

– Vão para o seu armário, quero dizer, para o seu quarto – chiou para os irmãos. – Duda, saia, saia logo.

Harry e Evanna deram voltas e mais voltas no novo quarto, sem terem tempo de se olharem. Alguém sabia que eles se mudaram do armário e parecia saber que eles não receberam a primeira carta. Isto significava com certeza que ia tentar outra vez? E desta vez eles tomariam providências para que desse certo. Tinham um plano.

O despertador consertado tocou às seis horas da manhã seguinte. Harry desligou-o depressa, chamou Evanna e se vestiram em silêncio. Não podiam acordar os Dursley. Desceram as escadas sorrateiros sem acender nenhuma luz.

Iam esperar pelo carteiro na esquina dos Alfeneiros e receberem primeiro as cartas endereçadas ao número quatro. Seus corações batiam com força quando atravessaram sem ruído o corredor escuro até a porta de entrada.

AAAAARRREE!

Harry deu um salto no ar com a irmã atrás – Harry pisara em alguma coisa grande e mole no capacho – uma coisa viva!

As luzes se acenderam no primeiro andar e, para o horror de ambos irmãos, eles perceberam que a coisa grande e mole tinha a cara do tio. Tio Vernon estava dormindo junto à porta de entrada em um saco de dormir para impedir que os gêmeos fizessem exatamente o que estavam tentando fazer.

MÁ QUE PORRA É ESSA?!!??!?!?– Deu pra perceber que essa foi Evanna, não? Pois é, eu disse pra não irritar a morena.

Tio Vernon gritou com Harry e Evanna quase meia hora depois e lhes disse para irem preparar uma xícara de chá. Os dois foram para a cozinha arrastando os pés, infelizes, e quando conseguiram voltar o correio tinha sido entregue, bem no colo de tio Vernon. Os gêmeos viram seis cartas endereçadas com tinta verde.

– Quero... – começaram, mas tio Vernon estava rasgando as cartas em pedacinhos bem diante dos seus olhos.

Tio Vernon não foi trabalhar naquele dia. Ficou em casa e pregou a portinhola para cartas.

– Entende – explicou à tia Petúnia por entre os lábios cheios de pregos –, se eles não puderem entregar então terão de desistir.

– Não tenho muita certeza de que isto vai dar certo, Vernon.

– Ah, a cabeça dessa gente funciona de maneira estranha, Petúnia, eles não são como você e eu – disse tio Vernon tentando bater um prego com um pedaço de bolo de frutas que tia Petúnia acabara de lhe trazer.

Na sexta-feira chegaram nada menos de vinte e quatro cartas para Anna e Harry. Como não passavam pela portinhola de correspondência tinham sido empurradas por baixo da porta, metidas pelos lados e algumas até forçadas pela janelinha do banheiro no térreo.

Tio Vernon ficou em casa de novo. Depois de queimar todas as cartas, apanhou martelo e pregos e fechou com tábuas as fretas em volta das portas da frente e dos fundos, de modo que ninguém pudesse sair. Cantarolou "Pé ante pé no canto de tulipas" enquanto trabalhava, e se assustava com qualquer ruído.

No sábado as coisas começaram a fugir ao seu controle. Quarenta e oito cartas acabaram entrando em casa, enroladas e escondidas nas duas dúzias de ovos que o leiteiro, muito confuso, entregara à tia Petúnia pela janela da sala de estar. Enquanto tio Vernon dava telefonemas furiosos para o correio e a leiteria tentando encontrar alguém a quem se queixar, tia Petúnia picava as cartas no processador de alimentos.

– Mas quem é que quer falar tanto assim com vocês? — Duda perguntou espantado aos gêmeos.

Na manhã do domingo, tio Vernon sentou-se à mesa do café parecendo cansado e um tanto doente, mas feliz.

– Não tem correio aos domingos — lembrou a todos, contente, passando geleia nos jornais –, nada de cartas idiotas hoje...

Alguma coisa desceu chiando pela chaminé do fogão enquanto ele falava e bateu com força em sua nuca. No instante seguinte, trinta ou quarenta cartas saíram velozes da lareira como se fossem tiros.

– Eu não to creno no que eu to veno. — Evanna, estava realmente chocada.

Os Dursley se abaixaram, mas os irmãos deram um salto no ar para apanhar uma...

FORA! FORA!

Tio Vernon agarrou Harry e Anna pela cintura e atirou-os no corredor. Depois que tia Petúnia e Duda tinham corrido para fora protegendo o rosto com os braços, tio Vernon bateu a porta. Eles podiam ouvir as cartas disparando para dentro da cozinha, ricocheteando nas paredes e no chão.

– Já chega – disse tio Vernon, tentando falar com calma mas, ao mesmo tempo, arrancando tufos de pelos dos bigodes. – Quero vocês aqui de volta em cinco minutos prontos para sair. Vamos viajar. Ponham apenas algumas roupas nas malas. Não quero discussão!

Ele parecia tão perigoso com metade dos bigodes arrancados que ninguém se atreveu a discutir. Dez minutos depois eles tinham retirado as tábuas para passar nas portas e estavam no carro, correndo em direção à estrada. Duda fungava no banco traseiro; o pai tinha lhe dado um tapa na cabeça por atrasá-lo tentando empacotar a televisão, o vídeo e o computador na mochila esportiva.

Eles viajaram no carro. E viajaram. Nem tia Petúnia se atrevia a perguntar aonde iam. De vez em quando tio Vernon fazia uma curva fechada e seguia na direção oposta por algum tempo.

– Para despistá-los... despistá-los – resmungava sempre que fazia isso.

Não pararam para comer nem beber o dia inteiro. Quando a noite caiu Duda estava uivando. Nunca tivera um dia tão ruim na vida. Estava com fome, sentia falta dos cinco programas de televisão que queria assistir e nunca levara tanto tempo sem explodir um alienígena no computador.

Tio Vernon parou finalmente à porta de um hotel de aspecto sombrio na periferia de uma grande cidade. Duda, Harry e Evanna dividiram um quarto com duas camas iguais e lençóis úmidos que cheiravam mofo. Duda roncou mas os irmãos ficaram acordados conversando sobre tudo o que estava acontecendo com eles.

– Quem será que está nos mandando tantas cartas, Harry? — ela perguntou com a cabeça encostada no ombro do irmão enquanto o mesmo passava a mão nos cabelos dela.

– Eu queria dizer que sei, mas não sei, Anna... Só queria ver o que tem nessas cartas...

Comeram cereal velho e torradas com tomates enlatados frios no café da manhã do dia seguinte. Tinham acabado de comer quando a proprietária do hotel aproximou-se da mesa.

– Com licença, mas um dos senhores e senhoras são os Sr. H. e Sra. E. Potter? É que tenho umas cem dessas na recepção.

E ergueu duas cartas para eles poderem ler o endereço em tinta verde:

Sr. H. Potter

Quarto 17

Railview Hotel

Cakeworth

A mesma coisa estava escrita na de Evanna, mudando apenas as iniciais. Anna e Harry tentaram pegar as cartas mas tio Vernon afastou suas mãos. A mulher ficou olhando.

– Eu recebo as cartas – disse tio Vernon, levantando-se depressa e seguindo a mulher que se retirava do salão de refeições.

– Não seria melhor simplesmente irmos para casa, querido? – tia Petúnia sugeriu timidamente horas depois, mas tio Vernon não parecia ouvi-la. Exatamente o que andava procurando ninguém sabia. Ele os levou até o meio de uma floresta, desceu do carro, espiou à volta, sacudiu a cabeça, tornou a embarcar no carro e partiram outra vez. A mesma coisa aconteceu no meio de um campo arado, no meio de uma ponte pênsil e no alto de um edifício garagem.

– Papai enlouqueceu, não foi? – Duda perguntou, cansado, à tia Petúnia no fim daquela tarde. Tio Vernon estacionara no litoral, passara a chave no carro com todos dentro e desaparecera.

Começou a chover. Grandes gotas batiam no teto do carro. Duda choramingou.

– É segunda-feira – falou à mãe. – O Grande Humberto vai se apresentar hoje à noite. Quero estar em algum lugar que tenha televisão.

Segunda-feira. Isto lembrou a Harry e Evanna uma coisa. Se era segunda-feira – e em geral podia-se confirmar que Duda soubesse os dias da semana, por causa da televisão – então o dia seguinte, terça-feira, era o décimo primeiro aniversário dos gêmeos, que se olharam brevemente. Naturalmente seus aniversários não eram lá muito divertidos – no ano anterior, os Dursley tinham-lhes dado um cabide e um par de meias velhas para cada do tio Vernon. Ainda assim, não se fazia onze anos todos os dias.

Tio Vernon voltou sorrindo. Carregava um pacote comprido e fino e não respondeu à tia Petúnia quando ela perguntou o que comprara.

– Encontrei o lugar perfeito! – falou. – Vamos! Saiam todos!

Fazia muito frio do lado de fora do carro. Tio Vernon apontou para o que parecia ser um grande rochedo no meio do mar. Encarrapitado no alto do rochedo havia um casebre mais miserável que se pode imaginar. Uma coisa era certa, ali não havia televisão. Harry e Evanna se entreolharam demonstrando no olhar que pensaram a mesma coisa: o tio enlouquecera de vez.

– Estão anunciando uma tempestade para hoje! – disse tio Vernon alegre, batendo palmas. – E este senhor teve a bondade de concordar em nos emprestar seu barco!

Um homem desdentado vinha descansadamente em direção a eles, e apontava com um sorriso muito maldoso para um barco a remos velho que subia e descia nas águas cinza-grafite lá embaixo.

– Já comprei algumas rações para nós – disse tio Vernon -, portanto, todos a bordo!

Fazia um frio no barco. Salpicos de água gelada do mar escorriam pelos pescoços deles e um vento cortante fustigava seus rostos. Depois do que pareceram horas eles chegaram ao rochedo, onde tio Vernon, escorregando, levou-os até a casa em ruínas.

O interior era horrível; cheirava a algas marinhas, o vento assobiava pelas frestas nas paredes de tábuas e a lareira estava úmida e vazia. Havia apenas dois quartos.

Afinal as rações de tio Vernon eram uma embalagem de cereal para cada um e quatro bananas. Ele tentou acender a lareira mas a embalagem de cereal apenas fumegou e carbonizou.

– Aquelas cartas viriam a calhar agora, hein? – disse ele animado.

Estava de muito bom humor. Obviamente achava que ninguém teria chance de alcança-lo ali, durante uma tempestade, para entregar cartas. Evanna e Harry concordavam intimamente, embora este pensamento não os animasse nenhum um pouco.

Quando a noite caiu, a tempestade prometida desabou ao redor deles. A espuma das altas ondas chapinhava nas paredes do casebre e um vento ameaçador sacudia as janelas imundas. Tia Petúnia encontrou uns cobertores mofados no segundo quarto e preparou uma cama para Duda no sofá comido pelas traças. Ela e tio Vernon foram se deitar na cama cheia de calombos ao lado e deixaram Harry e Anna procurarem a parte mais macia do soalho e se enrolar no cobertor mais rasgado e ralo.

A tempestade rugia cada vez com maior ferocidade à medida que a noite avançava. Os irmãos não conseguiam dormir. Tremiam e reviravam, tentando encontrar uma posição confortável, seus estômagos roncando de fome. Os roncos de Duda eram abafados pela trovoada que começou por volta da meia-noite. O mostrador luminoso do relógio de Duda, que estava pendurado para fora do sofá em seu pulso gordo, informava aos gêmeos que dentro de dez minutos eles completariam onze anos. Deitados, eles viram seus aniversários se aproximarem, perguntando-se se os Dursley se lembrariam, perguntando-se onde estaria o remetente das cartas agora.

Faltavam cinco minutos. Harry e Anna ouviram alguma coisa estalar lá fora. Desejaram que o teto não caísse, embora quem sabe conseguissem se esquentar se isto acontecesse. Quatro minutos. Talvez a casa na rua dos Alfeneiros estivesse tão abarrotada de cartas que quando voltassem eles pudessem surrupiar uma.

Três minutos. Seria o mar batendo tão forte na rocha? E (faltando dois minutos) que barulho esquisito de trituração era aquele? Será que a rocha estava se desintegrando no mar?

Mais um minuto e eles completariam onze anos. Trinta segundos... vinte... dez – nove – talvez acordassem Duda, só para aborrece-lo – três – dois – um...

BUM.

O casebre todo estremeceu e os dois sentaram-se retos, arregalando os olhos para a porta. Havia alguém lá fora, que batia, querendo entrar.

Notas finais
Vejo vcs no próximo cap. kisses do Sirius