Estou passando os dias ouvindo a trilha sonora de Close e sempre que chega na faixa The Acceptance, eu choro.

Ao meu lado, ela disse que Leo estava passando todas as fases do luto e que no final superou a dor. Eu disse a ela que sua tristeza foi tão bem representada que me vi nele, o filme parecia falar da minha depressão.

Não sei se esse filme veio no melhor momento, apesar de ser lindo e de ter se tornado um dos meus favoritos. Mas estou tão frágil atualmente que disse ao meu psiquiatra se tinha como acabar com minha vida de uma forma serena como a eutanásia. Inclusive, disse que se houvesse uma fila pra conseguir uma, eu ficaria na lista de espera. Afinal, toda burocracia há filas.

E eu imaginei que doido seria o SUS disponibilizar a eutanásia pra quem já está cansado de viver e vem empurrando tudo com a barriga. Que doido reservar uma vaga pra isso, que doido meu pensamento chegar tão longe.

As pessoas ao meu redor estão cansadas de me ajudar, não veem progresso e sentem suas energias sugadas por mim. Ela me disse que já não sou mais adolescente pra me odiar. O pânico me domina, porque sinto que não vou ter ajuda nem deles mais.

Hoje acordei e me lembrei de amizades que terminaram por conta do meu jeito e pensei em conversar com eles, pedir desculpas e depois partir.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!