Eutanásia Mental

1 Eutanásia Mental


Irônico e absurdamente realístico

O fogo se espalhando pela memória

Absorvendo o imaginário

Feito um brinquedo de papel

Censurei tantos assassinos

E, hoje, posso ser considerado um

Não enviei chumbo

para dentro de um crânio vazio

Nem saquei uma adaga caçando

Transformei minha imaginação

Em ruínas

Para mim, isso é o mais sórdido

dos assassinatos

Você logo percebe

O quão fraco é tal artificio diante

a realidade

Sucumbindo

Fedendo a sonho, ou a óleo

Um lubrificante de automóvel

Dentro da erudição de um garoto

Sonhando com 36 anos

Com 36 mulheres

Chama-se ferrugem

Ou simplesmente:

A previsão desvanecendo

Dando lugar a uma nobre senhora

O futuro chamado de mutável

Deitado no travesseiro fino

Cheirando a suor com tempero de

lágrimas

Os sonhos pululam, a imaginação voa

Na estrofe anterior, sou eu

Eu

Só

Eu

Numa pacata noite

Confesso que confundi o desejo

com a realidade

Misturei expectativas com previsões

Esqueci que a imaginação trai

É uma bela amiga até altas horas

Mas depois do alto, vem o além

E de lá, querido amigo

O peão é rei

E o seu pensamento cria um futuro fugidio

Pensei em como deveria terminar

Para confortar-te, poema

Digo que não a assassinei por toda

Mas guardei o além com uma besta

FIM

22/01/16

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