Eulália
1 Um
Tabita entrou os aposentos do esposo e encontrou-o pensativo. Parou a sua frente sem que este a notasse e analisou-o por breves instantes. Tinha os olhos fundos de alguém que a muito não dorme bem e os cabelos outrora tão brilhantes como os raios do sol estavam desbotados e brancos. Tinha de reconhecer que ele não havia perdido a virilidade de quando se casaram, mas tinha ali um homem muito mais maduro e preocupado. Sorriu e acariciou sua face retirando-o do torpor.
“Divida seus problemas comigo” “O povo não confia mais em mim, posso ver nos olhos deles”. Ela suspirou pesadamente e agachou-se sem desviar a ligação que havia entre eles. Não sabia como ajudá-lo e sentia que parte daquilo era culpa sua por que envelheciam e chegaria o dia que seu amado não estaria mais ali e não haveria um único descendente direto para subir ao trono. Amaldiçoou-se pelo dia em que nasceu sem condições de dar a ele um filho e ele pressentindo a dor que abatia sua esposa, sorriu para acalmá-la. “A culpa não é sua, é um tempo de indecisões, alguns já passam fome embora eu tente remediar aqui e ali, eles sabem e é normal que isso aconteça”. “Se você seguisse o conselho dos duques, meu amado…”. Não pode terminar por que ele levantou-se abrupto a puxando para junto de si. “Por mais que eu goste de você, Tabita, peço novamente que não teste minha paciência e não tome posição. Eu sou o rei e não vou impor aos meus súditos altas taxas de impostos apenas para bancar seu luxo e o dessa corte”. “Esta me recriminando mais uma vez, Edgard? Não digo e nem tomo posições sem fundamentos e sei que o conselho deles é na melhor das intenções. Às vezes é necessário sacrificar alguns para o bem de todos”. O rei ainda a segurava pelos braços e tinha um olhar de asco que a fez encolher-se. “Nunca te recriminei, por mais motivos que eu tivesse. Se eu seguisse todos os conselhos que os nobres duques dão, eu já teria rejeitado-a a muito tempo para casar-me com alguém que me pode me dar herdeiros, mas não o fiz por respeito a você”. E a soltou. A soberana, que não tinha as pernas firmes devido ao choque da revelação, ela foi ao chão com algumas lagrimas escorrendo pela face. Arrependida pelo que disse ao marido, secou as lagrimas e decidiu contar a ele algo que há dias lhe rondava, não sabia se era a melhor hora, mas teria de dizer. “Tenho uma solução” murmurou e ao notar que Edgard prestava atenção, empertigou-se e continuou “Sabe Silvia? Ela é filha de ciganos e não fosse por mim, ela teria sido assassinada. Salvei-a ao implorar ao meu pai que ela fosse minha dama de companhia. Ela sempre disse que me devia por isso e eu pensei em cobrá-la”. “cobrá-la como?” perguntou o rei já muito mais atento ao discurso da esposa, mas sem compreender aonde ela queria chegar e isto estava estampado em seu rosto. “Você pode deitar com ela e ela lhe dará um herdeiro pelo saldo de sua divida comigo” Se ele não estivesse tão chocado com a ideia dela, teria percebido o quanto era complicado para ela pronunciar em voz alta a autorização para que seu marido tivesse um filho com outra. Ele avançou para ela novamente, mas retrocedeu até apoiar-se nas prateleiras da estante. “Saia”.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
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