Eudaimonia

1 ♆ Capítulo 01 - Prólogo.


Notas iniciais
OLÁ PESSOINHAS!Resolvi me aventurar com esse Writing Prompt proposto lá no grupo do Nyah. Pretendo fazer algo bem simples, mais voltado para a COMÉDIA e o ROMANCE YAOI. Então, estejam avisados. É a minha PRIMEIRA ORIGINAL POSTADA. Eu pretendia fazer de algum shipp em algum fandom, mas por que não tentar criar meus próprios personagens, né? Como é apenas uma história leve e com a intenção de ser divertida (e ligeiramente romantiquinha), eu resolvi me desafiar. Espero que gostem! CAPÍTULO NÃO BETADO! Terminei de digitar nesse instante e já estou postando, portanto, qualquer erro grotesco me avisem, por favor. Eu sempre deixo passar alguma bobagem :c BOA LEITURA S2

♆ Capítulo 01

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“Eudaimonia: Felicidade. Formado por daimon, espírito ou demônio, e eu, bem, significa estado de contentamento estável no qual se encontra o espírito.”

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Não bastava a cirurgia de ontem ter sido um fracasso. O encontro de hoje precisava ter um desfecho desastroso também. Paulo sabia que não era o melhor cara do mundo para sair num encontro; sabia muito bem que relações interpessoais não estava na sua zona de conforto. Mas, ainda assim, resolveu engatar um lance com a recepcionista do hospital onde trabalha. Era uma moça bonita, longos cachos loiros, um sorriso sempre estampado no rosto, um belo corpo... Perfeita para um relacionamento casual. Mas, justamente hoje, Ellen resolve terminar o que tinham, alegando ter voltado com o ex.

— Desculpe Paulo, não podemos mais continuar saindo. Você sabe como é.... Eu estava nesse lance de saídas casuais por causa do fim do meu namoro, mas... Bem... – Ela sorriu sem graça.

Bah, tudo bem! Não é como se Paulo fosse morrer por causa disso. Após se despedirem, Paulo saiu da cafeteria, ligeiramente cabisbaixo. Não é como se estivesse sendo trocado. Sempre soube que Ellen era problemática, que estava saindo consigo apenas para tentar amenizar a dor do relacionamento rompido. O que era bem irritante, pois as outras quatro garotas anteriores tinham problemas parecidos. Quer dizer... É tão difícil assim arrumar alguém neste mundo que não tenha problemas com relacionamentos passados? Que seja! Sua maior preocupação agora era conseguir um taxi.

Você deve estar se perguntando o porquê de um bom médico não ter seu próprio veículo, certo? De fato. Você também não teria após ser reprovado sete vezes no teste de direção. Assim como você não teria um relacionamento estável se todas as pessoas que te aparecessem fossem problemáticas. E também não estaria com o melhor dos sorrisos na rua se o seu suposto encontro, onde você achava que terminaria em uma noite agradável, tivesse servido para levar um fora. O dia poderia piorar?

O clima subitamente fechado deixa claro que sim, que poderia piorar. Começa a chover.

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— Eu já te falei o porquê de tudo isso! – Nina exclamou enquanto jogava uma toalha na cabeça do patrão.

Paulo revirou os olhos. Aquela mexicana chata sempre vinha com os mesmos sermões quando o seu dia era uma desgraça (o que acontecia quase sempre, diga-se de passagem). Passou a toalha pelos cabelos molhados, pois além do fora de hoje cedo, teve que enfrentar uma chuva torrencial e aguentar algumas ondas de carros mal-educados.

— Urg Nina, não estou com cabeça para ouvir seus puxões de orelha. – Resmungou enquanto sentava-se à mesa, sabendo que de nada adiantaria manda-la calar a boca. Nina, por ser uma empregada “como se fosse da família” sempre fazia questão de deixar clara a sua opinião. Não que isso o incomodasse. O que incomodava é que a mexicana sempre vinha com a mesma ladainha de sempre.

— Eu já falei mais de mil vezes que você tem que ir à igreja, menino! – Bradou enquanto terminava de arrumar os armários da cozinha.

Paulo apenas suspirou cansado. Deu de ombros e até pensou em fazer o que sempre fazia: Resmungar qualquer coisa sobre não acreditar naquela ladainha chata e ignorá-la pelo resto do dia, pois estava quase na hora de ela ir para casa mesmo.

Mas, ao invés disso, ele resolveu fazer algo que nunca fez questão de fazer.

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Lá estava ele, em frente à Catedral, pensando se deveria mesmo ceder àquela perda de tempo; Escutar um velho padre ler as palavras tediosas da bíblia.

— Eu devo estar no fundo do poço. – Paulo resmungou preguiçosamente consigo mesmo.

Deu de ombros mais uma vez e atravessou a rua, seguindo em direção ao templo no qual muitos consideravam como “sagrado”. Ridiculamente sagrado, ao menos era isso que sempre teve em mente, até o momento em que pôs os pés dentro daquela igreja. A missa já havia começado, as pessoas repetiam algum louvor que outrora Paulo consideraria irritante, mas, talvez, só talvez, ao escutar a voz daquele padre, o jovem médico sentiu uma sensação estranha lhe corroer o âmago.

Ele, sem dúvidas, entendia qualquer coisa relacionada ao corpo humano. Era capaz de descrever qualquer coisa, biologicamente falando. Mas não aquilo. Não aquela sensação de relaxamento que, de alguma forma, saía da sua noção de corpo e chocava-se com sua alma. Todavia, a sensação não durou mais que o choque ao ver que o tal padre não era, de fato, um velho caquético lendo um livro fantasioso. Era um jovem; um jovem muito conhecido por si, aliás.

Tsc, aquela sensação de plenitude no peito talvez fosse isso! Talvez fosse apenas uma reação psicossomática de ver alguém conhecido de seu passado. É claro que era!

Paulo não soube quanto tempo permaneceu parado na porta da igreja, fitando o jovem padre. Apenas resolveu sair dali quando ouviu que era a hora da “paz de Cristo”, ou sei lá o quê. Ali, definitivamente, não era seu lugar. Não era uma pessoa religiosa, nunca teve saco para essas coisas espirituais. Sempre considerou tais assuntos um tédio sem fim.

Seus passos rápidos o levaram para fora daquele ambiente. Ainda sentia-se trêmulo, não queria e não devia estar ali. Atravessou a rua com pressa atrás de algum taxi; a pressa tomando conta de seus pensamentos.

— Aff, eu não acredito que você resolveu mesmo vir até esse antro de chatices! – Resmungou um rapaz que, aparentemente, estava logo atrás de si.

O médico parou de andar e ergueu uma sobrancelha ao fitar o estranho, que era jovem de cabelos pretos e repicados. Permaneceu com sua característica cara de tédio e olhou para os lados, constatando que ele só poderia estar falando consigo.

— Está falando comigo?

— Claro que estou! Você nunca vai para igrejas; por que resolveu vir a uma hoje? Isso é tão tedioso... – O rapaz respondeu num muxoxo, cruzando os braços e fazendo uma careta que poderia ser considerada engraçada, se não fosse a situação esquisita.

Ele era um completo estranho lhe dando sermão porque resolveu ir para a igreja. Sério isso?!

— O que? Como você sabe que eu nunca vou para a igreja? – Essa dúvida fez a cara típica de tédio e sono que Paulo sempre carregava sumir um pouco. Olhou para o rapaz dos pés à cabeça, constatando que deveria ser um maluco mesmo, a julgar pela forma que ele se vestia. Blusa preta de manga, cheia de detalhes quase góticos, uma calça igualmente preta bastante colada e coturnos. Que tipo de garoto alternativo era aquele?

— Porque você nunca vai, ué! – Ele deu de ombros, continuando com a careta engraçada no rosto, até que do nada, ele simplesmente abre a boca, numa expressão de total surpresa: — ESPERA! – O jovem rapaz gritou, como quem percebe alguma coisa muito séria, ou como quem lembra que deixou uma panela no fogo.

Paulo apenas ergueu a sobrancelha direita. O garoto falava esquisito. Será que ele era mesmo espanhol? Tinha um sotaque forte e estranho. Talvez fosse apenas um estrangeiro maluco.

— Você está me vendo?! – Ele perguntou com aquele espanhol arrastado e forasteiro.

— Eu não tenho tempo para isto, garoto. – Paulo resolveu ignorar o maluco, voltando sua atenção para a rua e torcendo para que um taxi aparecesse de uma vez.

Mas o rapaz de vestimentas toscas pareceu não desistir. Correu até a frente de Paulo, parando á centímetros do mesmo, aparentemente animado.

— Você está me vendo, não está? — Insistiu.

— Do que você está falando, garoto? – Revirou os olhos pela milésima vez naquela noite.

— Se você está me vendo, é porque acredita em mim. Ou melhor, porque agora você acredita, no mínimo, em alguma coisa! – O suposto estrangeiro exclamou, deveras animado.

Aparentemente a missa já havia terminado, pois as pessoas já saiam de dentro da igreja. As que passavam pelos dois, observavam a cena estranha de ambos os rapazes muito próximos, além das roupas esquisitas do garoto estranho. Aquilo deixou Paulo desconfortável, fazendo-o recuar dois passos.

— Do que você está falando? Quem é você, afinal?! – Perguntou irritado. Queria apenas sair de perto daquela fatídica igreja.

— Oras, eu sou o Hyle. Seu demônio guardião, ué.

É, talvez o dia pudesse ficar pior...

[Continua...]

Notas finais
Esse foi apenas o prólogo. Achei o capítulo meio "apressado", mas espero fazer os demais fluírem melhor. Esse capítulo foi todo escrito na sala de espera em uma clinica hospitalar,não sei se consegui fazer muito bem, haha! Enfim, me digam o que acharam, como posso melhorar. O que acharam do Paulo até agora? E o que esperam do Hyle? Por que o Paulo ficou tão conturbado ao ver o tal Padre? Não perca amanhã, no Globo repórter -QQQ Espero postar o cap seguinte próxima semana! Beijos e queijos! Pale Moon. (05/12/2017)
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.