Notas iniciais
E assim finalizamos mais uma história completamente nonsense. A autora agradece comentários, mas se não os tiver, como sou insistente, vou postar mesmo assim. Abraços. A.A.

Afrodite POV

Quando vi Shaka senti uma vontade enorme de voar sobre o pescoço dele, ou mesmo mandar-lhe uma dúzia de minhas mais letais rosas, mas estava tão entregue e largado deitado no colo de Carlo que não que não queria mais nada. Apenas receber o carinho que ele estava me dando.

Assim que me senti um pouco melhor, comecei a andar pelo templo e quando não estava jogando conversa fora com Marin ou mesmo Mu e Shaka – sim a doença faz isso na gente, se não pode vencê-los, junte-se a eles e ali estava eu a conversar também com eles. Ficava horas a fio olhando para fora do templo por uma das janelas e em um desses dias tive de ser contido por mio amore, pois senti vontade de pular a janela e infectar aquele bichinho de rabo torto que ficava dançando na frente do templo e cantando sua cançãozinha boba de: "Eu não peguei catapora. Posso passear aqui fora!"

— Me deixa amore... Só um abracinho, eu infecto o bichinho e fica tudo bem!

— No... Nem unzinho nem nada. Você ainda está de quarentena.

— Ah! Mas ele... Olha lá.

Milo dançava a macarena estilizada e fazia caretas cantando aquela estúpida música.

— Bichinho se no sair daí juro que Io vou te fazer chegar no inferno mais cedo. Vá caçar o signore Gellato.

Ignorando os pedidos de mio amore, Milo continuava a dançar me provocando, sim pois era comigo a coisa, pois cada vez que eu me desesperava e era contido ele cantava mais alto.

— Milo estou te avisando, vou te mandar uma rosa pi...

— Calma amore, veja quem vem chegando.

Olhei na direção que Carlo me apontava e vi que Camus vinha com os medicamentos que nos faltavam. Mio amore saiu de perto de mim e foi pegar com o aquariano, que também já tivera catapora, o que ele trouxera. Aos meus olhos parecia que o ruivo não gostara de ver seu namorado ali em cima aprontando aquela cena.

O ar frio fez com que o escorpiano parasse no lugar e virasse rapidamente para Camus que sem dizer nada apontou as escadas e esperou até que ele passasse por ele para depois pedir desculpas por aquela cena lastimável.

— Camy você merecia ganhar um beijo!

Pisquei para Carlo que já estava novamente ao meu lado e, pude ver Milo parar no início das escadas e voltar-se para me olhar. Eu o havia provocado... Claro que sim, mas ele não era nem louco para falar alguma coisa e ao ver Camus parado ao seu lado, soube que ele não falaria nada mesmo.

Ri gostosamente ao ver o francês puxando aquele grego maluco pela mão. Carlo me acompanhava gargalhando alto, mas ao ver o dedo mediano de Milo em riste funguei chateado.

— Audácia! Mal educado, não sabe mesmo brincar.

Praguejei sendo arrastado para longe da janela por Carlo. Passei o dia todinho emburrado e só melhorei um pouco quando me rendi aos apelos do canceriano, pois ele queria muito participar do torneio de truco que Mu e Shaka estavam começando a preparar... Também quem resiste àquele homem... Uuuh... Bem, mesmo eu não sabendo jogar muito bem, aceitei fazer parceria com ele. O que ele não me pede rindo que eu não faço chorando.

No primeiro jogo já comecei dando bola fora, digo carta fora. Não entendia os sinais e a cada piscadela e beijinho que mio amore me mandava, eu sentia vontade de pular por sobre a mesa e o agarrar ali mesmo. Como ele fica sexy fazendo isso.

Já estávamos no final do jogo quando não entendi aquele bendito sinal que mio amore me fez e fui logo jogando a manilha na mesa. Precisávamos ganhar para empatarmos o jogo e eu jogava a oportunidade fora.

— Noo Afrodite! Amore essa carta no!

Sorri sem graça mordiscando meu lábio inferior e dei de ombros.

Foi assim que tive de ver Mu e Shaka ganharem o torneio. E não pára por ai não. Eu ainda não entendo os sinais que mio Carlo me faz e por dois anos seguidos tive de aturá-lo com cara de poucos amigos, pois Mu e Shaka ganharam consecutivamente o torneio que nasceu depois de termos ficado doentes.

Mu POV

Essa doença coletiva no Santuário foi mais uma das coisas inusitadas que aconteceram neste lugar. No começo eu tive problemas sérios com Shaka, mas parece que o "homem mais perto de Deus" precisava aprender que ele era o "mais próximo" e não Deus. Funcionou.

A quarentena foi um caso à parte. De início a hostilidade de Afrodite chegava as raias da comicidade. Mas o passar do tempo e o tédio fizeram com que ele revisse conceitos e resolvesse conversar conosco. Essas conversas coletivas colocaram alguns pingos nos "is". A guerra contra Hades ainda estava muito presente entre nós e entre o relacionamento social dos cavaleiros de Athena.

A dancinha de Milo foi outro ponto a ser ressaltado. Ele sabia exatamente como irritar um ser humano e elegeu o já irritado Afrodite para ser sua vítima. A intervenção de Camus e Máscara da Morte foi providencial para evitar uma guerra dos mil anos. O que mais chamou a minha atenção neste episódio foi a gargalhada franca de Shaka. Nunca o vira rir, pelo menos não daquela forma incontida.

O tempo continuou a passar, as bolinhas secavam mas ainda não estávamos bons o suficientes para sermos liberados da "quarentena" e fui novamente surpreendido pelo pedido de Shaka: contrabandear um baralho. Quantas vezes mais o virginiano me causaria espanto? Certamente seria um enorme prazer permanecer ao lado dele e descobrir cada nova faceta daquela personalidade complexa.

Passamos o resto de nossa convalescença num animado jogo de truco.

Shaka POV

Quando recebemos a ordem de Saori para nos mudar para o décimo terceiro templo até que ficássemos curados, não entendi grandes coisas, mas quando lá cheguei e vi metade dos cavaleiros nas mesmas condições que eu, tive um acesso de riso.

Até os meus vírus são os mais fortes do Santuário. Afrodite só não me linchou porque não tinha forças para tal, afinal eu, ou melhor a minha doença, maculara a sua linda pele.

Depois dos ataques de criança mimada e do meu orgulho ferido, eu não mais me importava com nada, pois aprendera, com uma simples catapora, uma das mais importantes lições da minha vida. Confiar no amor e na verdade. Principalmente no amor que Mu sentia por mim. Ele sorria ao meu lado, sem saber exatamente o que se passava por minha cabeça, mas sabia que eu estava mudado. Teríamos muito tempo para conversar ali confinados em "quarentena", mas agora eu queria apenas passar o tempo ao lado dele.

— Mu, que tal jogarmos baralho para passar o tempo?

— Jogar? Você nunca gostou de jogar... além do mais não temos baralho.

— Oras... quem é o cavaleiro que domina telecinese aqui? E, quanto a não gostar... bem, não é que eu não gostasse, apenas não achava digno, mas percebi que era besteira minha, fora isso, o que mais temos para fazer aqui?

Ele riu e "importou" um baralho de sua casa. Nossa convalescença virou um animado torneio de truco.

Epílogo

Agora, todos os anos, na mesma época do surto de catapora o calendário social do Santuário tem o "Torneio Catapora de Truco". A parceria Mu e Shaka já tem dois troféus. Máscara da Morte continua tentando ensinar a "sua flor" a jogar sem ser bem sucedido. Afrodite definitivamente não tinha talento para o jogo. Aiória e Marin formavam uma boa dupla, mas eram melhores em fazer filhos. Camus e Milo foram admitidos no jogo, mas o escorpião é terminantemente proibido de executar qualquer dancinha esdrúxula sob pena de serem banidos "ad eternum" do torneio. Ele ficou um tanto revoltado com a regra, mas foi convencido por Camus a aceitá-la. Athena só voltou ao Santuário depois que todos estavam bem e hoje é uma bem-humorada juíza do torneio, apontando os pontos e controlando a tabela de jogos.

— Não sei porque permito tamanho desparate... – Zeus comentava emburrado com a Deusa da Beleza.

— Oras... se bem o conheço, no fundo, você se diverte horrores com eles.

Zeus olhou de cara feia para Afrodite, o que deu a Deusa da Beleza a certeza de que acertara em seu diagnóstico.

— Você me conhece bem demais...

E o mundo segue seu rumo, em paz, até o próximo surto.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!