Eu valho a pena ?

1 Vale a pena, Steve ?


Guerra Civil, foi como apelidaram o nosso confronto, mas era muito mais que uma guerra para nós, ou melhor para mim naquele momento.

Bucky era minha prioridade, muito maior do que assinar ou não o tratado de Sokóvia, muito mais do que ter que seguir regras e especificações de como me comportar para salvar civis, de quando e como eu deveria salvar alguém de quando era a vez de abrir mão de uma cidade para salvar a outra. Tony havia ficado tocado por ter sido confrontado pela mãe do jovem que morrera naquela cidade como tantos outros e por isso e também no fundo por Pepper, assinou alegando que talvez fosse melhor se fossemos controlados por regras superiores a nós, e eu sabia que ele realmente acreditava nisso, assim como Natasha e Visão, mas eu tinha meus ideias também e esse tipo de controle não estava nem mesmo de longe relacionados com o que eu acreditava.

Mas as coisas foram pioradas por terem envolvido Bucky em meio a tudo isso, e ele soando como culpado, eu não queria saber. Eu o defenderia como pudesse assim como ele havia feito tantas vezes comigo nos becos escuros do Brooklyn, mesmo que não se lembrasse de mim, mesmo que nem mesmo se recordasse das ruas do Brooklyn, de nossas piadas e tudo mais.

Resgatá-lo, ou melhor, ajudá-lo a fugir me condenava a fugitivo ainda mais porque eu estava agredindo gravemente os policiais locais, mas eu não poderia deixar que tocassem nele. Céus, não pude deixar de perceber o quanto ele era um bom agente de campo. Eramos como nos velhos tempos, trabalhando em defesa própria e ao mesmo tempo, ambos com o mesmo objetivo.

Sempre serei muito grato ao Falcão por me ajudar a escapar com Bucky depois de tudo isso, mesmo não tendo sido fácil.

Não pude deixar de respirar aliviado quando ele começou a dizer aquelas coisas que livros de história ou museu algum saberiam, coisas como quando eu entregava jornais nas calçadas. Aquele era o meu amigo de sempre e não aquele ser controlado pela Rússia.

Sim, eu estava virando as costas para tudo que era certo, para os meus amigos e companheiros de combate por Bucky e se fosse preciso fazer isso muito mais que uma vez, eu faria.

— O que vai acontecer com seus amigos ? — Ele perguntou chamando minha atenção. Eu sentia a necessidade de segurar o controle do avião, mesmo sem necessidade. Evitava olhar nos olhos de Bucky porque eu estava a beira de desandar em todos os sentimentos que eu havia segurado por todos aqueles anos, aliás somos da época e da religião em que dois homens juntos era sinal de depravação e pecado.

— Independente do que aconteça, terei de lidar ! — Respondi apenas.

— Não sei se mereço isso tudo, Steve ! — Ele disse e mesmo que eu não o encarasse, sabia que seus olhos estavam perdidos e seu rosto em uma quase expressão de raiva. Seu comportamento demoraria muito para mudar.

Virei meu rosto na direção do seu, e não pude deixar de sorrir. Eu seria capaz de tudo por ele.

— O que fez todos esses anos, não foi você ! — Falei olhando para ele de relance — Você não tinha escolha !

— Eu sei, mas ainda assim fiz ! — Disse ele e sua voz era cansada e eu sabia que não era pelo esforço das brigas de pouco antes entre meus amigos e nós, mas sim por toda aquela situação somados a uma tristeza que não era dele.

Eu me virei para a frente sem saber o que dizer.

— Eu faria isso mil vezes mais se fosse preciso ! — Resolvi falar, verificando que o avião estava mesmo no piloto automático.

— Steve, me entrega pra eles e tudo se resolve. Não quero complicar a sua vida ! — Disse ele, e nem mesmo de longe parecia aquele Bucky feliz e presunçoso que eu conheci, mas nem por isso menos amigo e companheiro. Aquela tristeza me machucava porque eu não tinha como curá-la.

— Eu não posso te entregar pra eles, Bucky ! — Falei me virando ainda mais em sua direção, fazendo assim com que ele me fitasse no rosto. Aqueles malditos olhos brilhantes não brilhavam mais e eu precisava muito trazer luz para dentro deles — Não posso te perder de novo !

— Eu não entendo ! — Disse ele.

Mesmo tendo minha mão ainda enluvada devido a estar com meu uniforme eu a levei de encontro aos dedos metálicos dele. Não senti frio realmente, mas meu corpo se arrepiou todo.

Bucky voltou seus olhos para nossas mãos, aquilo era apenas um carinho de dedo, mas para nós era muito mais do que um beijo. Seus olhos se voltaram para os meus e eu senti medo de que ele afastasse sua mão e começasse a me rejeitar ou me bater, mas senti seus dedos de metal apertarem os meus dentro da palma de sua mão.

— Desde quando ? — ele questionou.

— Acho que desde sempre ! — Respondi e sabia que estava vermelho como um tomate, ou como a armadura de Tony e pensar nele me deu uma pontada dentro do peito porque eu sabia que se Tony soubesse da verdade e descobrisse que eu sabia, nunca me perdoaria, mas eu nunca o deixaria tocar naquele que eu amava.

— Mas e a Peggy ? — Questionou apertando melhor meus dedos, mas sem me machucar.

— Nossa época era cheia de coisas, e eu achava que você nunca me olharia ! — Falei sorrindo triste, mas sem desviar meus olhos dos dele.

Ficamos em silêncio e eu me assustei quando sua outra mão tocou em um carinho a minha bochecha esquerda, em formato de concha e era incrível como sua mão era fria e se encaixava perfeitamente em meu rosto.

— Pequeno Steve ! — Disse ele sorrindo e suspirando ao mesmo tempo — Se você soubesse o quanto eu esperei por um sinal seu, um mínimo que fosse !

— Você ...

— Eu sempre te quis, moleque ! — Disse ele sorrindo grande e eu sorri de volta porque ele estava sorrindo de novo e seus olhos estavam brilhando para mim outra vez.

— Eu não sou mais um moleque, Bucky. Temos uns cem anos ! — Respondi e senti uma lágrima escorrer no lado esquerdo de meu rosto.

— Você sempre vai ser o moleque magrelo do Brooklyn pra mim ! — Disse ele e ele estava se aproximando demais.

EU prendi a minha respiração e por mais que tivesse crescido muito com a ajuda do soro, que eu estivesse agora totalmente diferente, sempre acharia ele mais bonito que eu, sempre mais forte e eu me sentia como realmente era, um virgem prestes a beijar a pessoa que amava.

Bucky parou tão perto de minha boca que eu sentia sua respiração batendo em meu rosto junto a seu cheiro e eu suspirei, não percebi que estava ofegante.

— Posso te beijar, jovem rapaz ? — Questionou roçando seus lábios nos meus e eu agradeci mentalmente o fato de estar sentado ou meus joelhos falhariam.

— Agora e sempre ! — Respondi rouco.

Bucky segurou meu rosto um pouco melhor e ainda segurava a minha mão quando esfregou seu queixo no meu fazendo com que sua barba por fazer me arranhasse e eu gemesse manhoso e foi então que ele uniu nossos lábios. Primeiro apenas a junção para que nos sentíssemos e logo o beijo foi aprofundado. Eu nunca havia me sentido tão bem e forte quanto naquele momento.

Eu havia esperado toda a minha vida por aquele momento e por isso, eu não pude deixar de levar minha mão livre aos seus cabelos para beijá-lo com força.

— Estamos juntos até o fim, ok ? — Questionou colando sua testa a minha quando precisamos encerrar o beijo — Sempre fomos nós dois e sempre vai ser assim !

— Eu enfrentaria o mundo por você ! — Falei.

— Então é o que vamos fazer porque eu nunca mais vou te deixar sozinho, Steve ! — Disse ele antes de me beijar novamente.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!