Eu te odeio! Com amor, Quinn

6 Capítulo 6 - Golpe de gênio


Notas iniciais
Sei que faz muito tempo e eu não quero perder tempo com explicações. Trabalho, faculdade, frustrações, bloqueio... Acontece. Enfim, assim que der eu respondo os comentários anteriores.

— VOCÊ FEZ O QUE?

— Ora, para de espernear como uma criança, Fabray. Era o que você queria uma chance de se aproximar da Berry. — Mika e eu estávamos atualmente escondidos em uma sala vazia. E enquanto o traidor se mantinha confortavelmente na cadeira do professor com as pernas sobre a mesa, eu tinha quase certeza que faria um buraco no chão se não parece de andar de um lado para o outro.

Meus nervos vão me matar. Onde está a minha valeriane mesmo?

— Não na hora do almoço, Mika. Minhas refeições são sagradas. A última coisa que eu quero é ter que comer com aquela criatura. Ela me dá asco, como espera que eu tenha uma refeição tranquila com ela do outro lado da mesa me olhando com aquela cara de imbecil? Ela parece até a lesma do Hudson.

— Sabe, Fabray, sendo filha do Russel eu achei que fosse alguém controlada e razoável, como ele, mas você tem se mostrado mimada e histérica como toda mulher. Um verdadeiro infortúnio se pedir minha opinião. Se eu soubesse que viraria babá de uma adolescente jamais teria aceitado o pedido de seu pai de ser seu mentor. É uma decepção, Fabray.

Mika se levantou e saiu da sala sem dedicar um segundo olhar para mim.

Filho de uma…

A verdade é que Mika não era só um amigo. Todos de sua família eram grandes mentes. Políticos, mafiosos, gangsteres, assassinos de elite. O tipo de gente com a qual a maioria das pessoas prefere não se envolver.

Eu nem sei se o nome dele é Mika de verdade. Duvido muito.

Mika era um gênio da arte de iludir. Ele, sozinho, foi responsável por golpes milionários que até hoje estão sem solução — e vão ficar assim para sempre. Além de ser um grande conhecedor de lutas e armas.

Meu pai deu abrigo ao pai de Mika em um período difícil em que a família tinha sido traída e alguns membros foram presos. Para cobrar a dívida, ele pediu que Mika fosse meu mentor e ensinasse a mim tudo o que podia. Graças a ele conheço ao menos sete formas de matar uma pessoa sem que jamais se desconfie de um homicídio. Além de muitas outras coisas.

Mika era um artista. Mas isso não o impedia de ser um inglês desgraçado, imbecil, arrogante almofadinha que tinha acabado de estragar o meu dia.

Ele vai ver só a adolescente mimada…

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— Fico feliz que tenha aceitado almoçar conosco, Rachel. Eu quase não a vi nos últimos dias na verdade, está tudo bem?

Mika, Berry e eu estávamos sentados no refeitório, junto aos outros alunos, há alguns minutos. Rachel parecia um coelho assustado e encurralado. Os olhos arregalados de pânico, o rosto pálido como se tivesse visto um fantasma, o corpo tenso como se fosse fugir a qualquer segundo.

Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Eu preciso agradecer ao Mika mais tarde. É o melhor. Almoço. Da minha vida.

— Ah, sim. Está tudo ótimo. É que eu tive muito trabalho, sabe, eu ainda estava em teste, não podia deixar margem para dúvidas quanto a minha capacidade profissional.

Eu tinha que dar o braço a torcer. Apesar do óbvio desconforto, a Berry conseguia se comunicar com um tom de voz firme e descontraído como se estivesse totalmente relaxada.

— Tenho certeza que se saiu muito bem, Rachel. O diretor pode não ser o homem mais respeitado do mundo, mas ele escolhe o corpo docente a dedo. Só os melhores são chamados e, por melhores, não quero dizer os mais rígidos ou com melhores índices de aprovação, quero dizer os mais apaixonados pela profissão.

Como eu disse, Mika era um artista. Se não o conhecesse melhor, teria acreditado nele tanto quanto a Berry. Com a diferença que eu não faria a cara de pateta que ela estava fazendo agora.

E lá se vai o meu breve segundo de respeito por ela.

— Aah, obrigada, Mika. É muito gentil da sua parte.

Mika sorriu de forma tão exagerada que estava parecendo o Coringa.

Esse traidor está tentando flertar com aquela criatura ou é impressão minha?

Ele está pensando o que?

— Sabe Rachel. Lembro que comentou algo sobre fazer parte do coral quando estudava aqui. Eu passei a primeira lição para eles na semana passada e hoje verei se eles pegaram. Será o primeiro treino de fato. Gostaria de saber se poderia ir ao ensaio e me ajudar com a turma. Nunca ensinei antes e ainda não tenho certeza se estou fazendo da maneira correta.

O modo como os olhos da Berry brilharam em expectativa me disseram que eu tinha acertado na mosca.

Eu sou boa, muito boa.

Mika me encarava levemente surpreso.

Eu não sou apenas bonita. Sou inteligente também, idiota.

— É sério? Quer minha ajuda?

— Se puder, é claro.

— Eu adoraria. É depois do último tempo, verdade? O que deu para eles fazerem?

Jesus, alguém deu Prozac para essa mulher? Ela estava quase pulando da cadeira.

— Eu pedi para que fizessem um Mash-up que será à capela. O arranjo do coro vai ser ajustado hoje.

— À capela? Isso é o máximo. Eu amo apresentações à capela, será um prazer enorme ajudar você, Fabray. Pode contar comigo.

— Quinn. — Se eu der um choque nela, ela entraria em curto circuito ou apenas iria recarregar as baterias?

— Desculpe? — Rachel finalmente tinha parado de quicar no lugar.

— Me chame de Quinn. Por favor.

— Bem, — oh, certo, o traidor ainda estava lá. — é muito agradável passar um tempo com vocês, meninas, mas eu tenho uma turma daqui a pouco. Tenho que ir. Até a próxima, Rachel. Te vejo mais tarde, Marsh. — Ele disse se levando. Antes de sair Mika deu um beijo em minha bochecha — muito próximo dos meus lábios — e saiu como se nada tivesse acontecido.

Ele enlouqueceu?

— Marsh? — Rachel perguntou com uma careta esquisita.

Veja, eu sou Quinn Fabray, filha de Russel Fabray, e isso significa que, por via de regra, o rubor que senti se espalhando por meu rosto era inaceitável.

Eu vou matar o Mika.

— Er, é, pois é. É um antigo apelido. — De repente esse almoço perdeu toda a graça.

— Jura? Por que ele te chama assim? — Mas que mulher fofoqueira. Será que era pedir demais que ela mudasse de assunto?

— Quando nos conhecemos ele dizia que eu era doce e branca como um marshmallow. — As palavras saíram tão rápido que é difícil saber se ela entendeu. Que se dane, tomara que não. — Escuta, eu tenho que ir. Preciso preparar as coisas para o coral. Vejo você por lá, vai ser no auditório. Até breve.

Saí do refeitório quase que correndo.

Mika tinha razão, eu era uma vergonha para a família. Russel me mataria se descobrisse como eu fugi.

Eu estava furiosa. Com a Berry, comigo, mas, principalmente, o com imbecil estava parado no corredor alguns metros à frente.

— Você ficou maluco? — Mika apenas sorriu quando praticamente cuspi as palavras na cara dele. — Que cena foi aquela no refeitório e que ideia foi essa de me chamar de Marsh na frente dos outros? Na frente da Berry. Será possível que o ar dessa maldita cidade tenha fritado a porcaria do seu perfeito cérebro inglês a tal ponto que tenha te emburrecido permanen-

Mika prendeu meu rosto em suas mãos e atacou meus lábios com os seus me beijando de um modo selvagem como há muito tempo não acontecia. Desde que viemos para Lima para ser honesta.

O beijo terminou de forma tão abrupta quanto começou.

— Desculpe, não resisti. Tenho fetiche por mulheres raivosas como você. — Ele ainda mantinha meu rosto preso, próximo ao dele.

— Se pensa que isso vai me fazer esquecer o dia de hoje fique sabendo que isso não vai acontecer. — Quando mais eu tentava soltar as suas mãos mais ele as apertava. Eu grunhi de frustração.

Droga de força maior que a minha.

— Eu sei, Marsh. Mas quero que saiba que eu falei sério. Você mal começou e já está perdendo o controle por causa daquela garota. Se eu não te conhecesse melhor diria que Rachel Berry está afetando você.

— Se eu não te conhecesse melhor diria que está com ciúmes. Que sorriso foi aquele?

— Só quero que ela confie em mim.

— Para que? — Se ele não tirasse aquele sorriso idiota da cara eu iria acabar batendo nele.

— Você não pode ser tão obtusa assim, Fabray. Quero que ela se sinta segura para me contar tudo o que acontecer entre vocês. Quero saber todos os medos e receios dela contra você para que possa te ajudar a contorná-los.

— Me ajudar uma ova. Você queria entrar nas calças dela.

— Ela não é de se jogar fora.

O tapa foi dado antes que eu pudesse tentar me impedir. Não que eu fosse me esforçar muito.

Mika rosnou antes de me beijar novamente, desta vez me empurrando contra a parede.

— Nunca mais repita isso. — Ele sussurrou ameaçadoramente no meu ouvido antes de morder minha orelha com força.

Até parece que eu tenho medo dele.

— Nunca mais me obrigue a repetir.

O sinal do fim do almoço tocou e rapidamente ele se afastou de mim alisando o terno caro.

— Depois me diga como foi com a Berry no coral. Algo me diz que vai ser um passo importante.

— Não me diga.

— Não seja debochada. Não combina com você, Marsh.

— Vai pro inferno.

Mika saiu com aquele sorriso estúpido e em poucos segundos o corredor se encheu de alunos procurando suas salas.

Sai de lá antes que a Berry pudesse me ver.

Mika e eu tivemos muita sorte por ninguém ter nos flagrado. Seria muito mais complicado conquistar a pequena herdeira se o boato de que temos um caso se espalhasse pela escola.

Estúpido galanteador irresponsável.

Quando finalmente cheguei à sala dos professores fui direto para meu armário e peguei o vidro de valeriane tomando um comprido sem ao menos me preocupar em procurar um copo de água.

Precisava me acalmar ou não teria paciência para aturar os palhaços cantores em alguns minutos. Provavelmente acabaria mantando um deles — talvez o Hudson.

Eu vou matar o Mika...

Notas finais
Valeriane (ou valeriana) é um remédio usado como um calmante mais leve. A flor é usada como calmante natural. Prozac é um medicamento comummente usado para combater a depressão. FONTE: MedicinaNET