Eu te amo, só não percebi ainda...
1 Sabedoria...
Notas iniciais
Biblioteca de massachusetts, Estados Unidos, um moreno rondava a biblioteca na seção de filosofia, tinha por volta de um e oitenta de altura, 16 anos, vestindo uma camisa preta, uma calça-jeans escura, tênis branco com alguns detalhes em roxo e um casaco de couro preto de mangas longas, suas mão percorriam as prateleiras atrás do livro que procurava...Seu nome?...Sieghart, Ecnard Sieghart, filho de um executivo importante na cidade, orfão de mãe, que morreu por uma rara doença degenerativa, com esse peso em suas costas foi obrigado a se virar, sendo que sua relação com seu pai não era das melhores, mas se virava como podia, até por que o pai bancava tudo, moradia, comida, carro, o que quer que fosse
Não que o moreno fosse irresponsável, muito pelo contrário, prezava suas responsabilidades mais do que qualquer outra coisa...Ou melhor...Quase...Estava cursando o terceiro ano do ensino médio, sua classe era boa, tinha algumas boas amizades lá, Ronan, seu primeiro amigo, juntos desde o jardim de infância, Elesis, a garota que adorava provocar como se fosse uma uma irmãzinha, coisa que aos olhos do moreno não era mentira, sendo que ele a via como uma irmã menor atualmente, mas nem sempre foi assim, haviam também suas amigas, Lire, a representante de turma, Arme, a garota que todos sabiam que tinha certa queda por Ronan, o que a fazia ser um pouco tímida quanto aos outros, Amy, a patricinha que adorava receber atenção e também havia Rey, a esnobe e rica da classe, mas era uma boa pessoa. Enfim...
Haviam também Ryan, o palhaço da turma, sempre cheio de brincadeiras para alegrar a classe e que também sempre gostava de Lire desde a quarta série, Dio, o quieto da turma, logo depois de Zero, o mais anti-social que ele já conhecera e Lass, ele era altamente obcecado por teatro, Jin, capitão do time de futebol da escola, campeões estaduais por três anos seguidos e por fim Lass, um conhecido por sua parte, ao qual teimava em manter certa rivalidade com ele, nunca foram um com a cara do outro desde a segunda série, onde Lass colou Sieghart na sua cadeira, principalmente na sétima série, a vez em que ele roubou sua primeira paixão, sendo era a própria Elesis, irônico não?
Mas ele quase sempre se esquecia de alguém importante para ele atualmente, mas não se importava muito, seus dedos ainda seguiam a prateleira a procura do livro de filosofia, não que tivesse interesse na matéria em si, mas era um ser humano, e todos os humanos possuem suas curiosidades, ele não era tão diferente assim...
Ele acha o livro que procurava, mas ao encostar no livro ele sente um toque humano por cima de sua mão, ele vira sua cabeça para o lado para ver de quem era a mão em cima da sua, usava uma camisa social listrada em azul e branco, uma calça-jeans azul escuro e tênis preto, tinha cabelos azuis e longos ao ponto de chegarem ao meio de suas costas, usava um óculos de lente fina e tinha olhos bícolores, sendo o direito azul e o esquerdo vermelho sangue, era bonita aos seus olhos, é claro, sempre se esquecia dela por que quase nunca falava com ela, Mari Ming Onnete, aluna numero um da escola, sendo seguida de perto por Sieghart na segunda colocação, era a filha de uma familia respeitada da cidade, seu pai trabalhava como advogado, enquanto que a mãe era uma bibliotecária de uma universidade, isso explica seu gosto refinado por livros, talvez por ser muito fechada ela prefira ler do que conversar com outras pessoas, até por que raramente ela era mencionada, desde que a percebera era fechada assim, era distannte das outras pessoas, ele tentava entendê-la, de verdade, mas até agora nada...
Mari-Desculpe...
Sieg-Não se preocupe, pode pegar, não é esse livro que estou procurando...
Disse ele tirando o livro da prateleira e a entregando, mentiu dizendo que não era aquele livro que procurava, pois era justamente aquele, porém, maior do que sua curiosidade em responder suas dúvidas, era a curiosidade de ver a reação da garota a sua frente, que pegou o livro de suas mãos com suavidade e leveza
Mari-obrigada...
Disse a garota com uma expressão neutra em seu rosto, essa era a expressão predominante, em todas as ocasiões ela se mantinha assim, tanto dentro quanto fora da escola, durante o intervalo ela desaparecia, ninguém sabia aonde ela ia durante aquele período, apenas a viam raramente na fila do refeitório, mas ninguém lhe dava uma palavra, todos se afastavam com medo daquele olhar sem expressão alguma que rodeava seus olhos, sua voz era quase robótica, sempre séria, nunca demonstrando sentimentos em relação as pessoas, ninguém nem mesmo se lembrava de tê-la visto sorrir, apenas se sentava em seu lugar e prestava atenção na aula, ela se sentava bem a sua frente, nunca, em momento algum, se virava para trás e a garota tinha alguns fetiches por livros específicos, como literatura, crônicas e poesia, eram os mais comuns de serem lidos por ela, não que fosse a única a gostar desses determinados gêneros, mas era a única que os lia regularmente
Tinha notas excelentes, era bonita, um tanto fechada e quase impossível de ter suas emoções lidas por alguém, mas o moreno era um dos poucos que conseguia, sabia quando ela estava feliz, triste ou até mesmo quando estava magoada, mas na maioria das vezes nada fazia, nas poucas vezes em que tentava se aproximar dela, ela sutilmente se afastava dele, apesar de isso ser um pouco estranho, como se ela não gostasse dele, ele sabia que isso era típico dela
Depois de rondar uma prateleira qualquer pegou um livro, um tanto grosso, devia ser uma crônica, ele gostava de fazer leituras elaboradas dos livros, gostava deles, talvez fosse por isso que entendia a garota dos cabelos azuis tão bem, pois compartilhavam um gosto, ele foi até uma mesa e lá começou a ler o livro
Ele olhou para a mesa a sua frente e a viu, concentrada em sua leitura, ao seu lado, havia uma pilha com seis livros, era sábado de manhã, por volta das oito e meia, do jeito que era dedicada em relação a sua leitura, era mesmo possível ela terminar tudo até a hora do almoço, e assim foi...
[...]
Era por volta de meio dia e meia, Sieghart voltava para a biblioteca, estava curioso para saber se a garota dos cabelos azulados estaria lá, ele ainda não entendia a razão de toda essa curiosidade, parou esse pensamento ao vê-la subindo a escadaria que levava até a biblioteca, o céu estava limpo, o sol brilhava fortemente, o vento soprava forte fazendo seus cabelos azuis voarem, observando isso, um tanto curioso, teve uma ideia e foi em direção a garota
Sieg-Oi
Mari-Oi
A garota lhe respondeu normalmente, com sua voz séria e com a expressão sem sentimentos nunca deixando seu rosto
Sieg-O que acha de darmos uma volta?
Ela não via muita importância em sair para dar uma volta, era muito fechada para tal coisa, mas apenas por curiosidade de ver como seria, decidiu confirmar
Mari-Por que não?
Dito isso a garota se colocou a acompanhar o rapaz ,ele a levava para um parque, era tranquilo, não havia muito movimento, apesar de ser sábado, os dois se sentaram em um banco em frente a um lago cristalino, o sol estava alto, mas os dois estavam na sombra de uma grande árvore, a azulada olhava para tudo ao seu redor com seriedade, não entendia a si mesma, tudo o que conhecia era o que estava nos livros, se sentia bem ali, estava confortavelmente bem, ali, do lado daquele garoto que era alguns meses mais velho do que ela, sim, ela o conhecia, apesar de talvez ela pensar que ele nem mesmo se quer notava sua presença, tudo o que ela queria era ser percebida, ter amigos, ser popular, ser notada, e quem sabe, ter um namorado, todas as pessoas sentiam medo dela, se afastavam, mas ele não, ele estava ali com ela, ele não fugia dela, ele, um dos mais populares da escola inteira, estava ali do seu lado, pensando nisso, corou de leve, e viu um sorriso discreto dançar nos lábios do moreno ao seu lado
Sieg-Eu consigo ler você
A princípio ela não entendeu, mas alguns minutos depois entendeu o que ele quis dizer
Mari-Nunca quis ser assim...
Sieg-Eu sei..Eu também não queria ser como eu sou...
Mari-Por que?
Sieg-Posso até saber o que é ser popular, mas não vale a pena, você aprende a enxergar as pessoas como se elas estivessem usando máscaras, querendo sempre prejudicar um ao outro, por exemplo, as líderes de torcida adoram pregar peças no clube de teatro, o time de futebol adora brincar com a cara do pessoal do atletismo e do clube de debate...Não gosto de ser popular, fico cercado por pessoas falsas, gostaria de ser como você...
Mari-Como eu? Por que?
Sieg-Você é quieta, ninguém te incomoda com nada, eu queria ter esse tipo de vida
Mari-O que tem de errado com a sua vida?
Sieg-A minha relação com o meu pai não é das melhores possíveis, ele acha que eu sou irresponsável e encrenqueiro
Mari-E quanto a sua mãe?
Sieg-Eu não consegui nem mesmo conhecê-la direito, quando eu era muito novo, por volta de quatro anos, minha mãe morreu por causa de uma doença degenerativa, tenho apenas algumas fotos dela...Nem sei como era a sua voz...
Disse Sieghart enquanto que sua franja caída lhe cobria os olhos, lhe dando uma expressão sombria ,o que fez Mari olha-lo com certa pena, ela tinha uma ótima relação com seus pais, a diferença entre eles era muito grande, ela era amada pela sua familia, ele era rejeitado por ela
Sieg-Uma vez eu sofri um acidente, alguém me empurrou da escada, eu quebrei duas costelas e o meu braço direito, acordei no hospital, fiquei uma semana internado para a minha recuperação, durante esse tempo não recebi nenhuma visita, tudo bem que eu cometo erros, todo mundo comete...Mas...Ninguém?
A azulada ouvia a tudo atentamente, não olhava para o moreno, tentando prestar mais atenção ao que lhe era dito
Sieg-Por isso não gosto de ser popular, as pessoas se mostram falsas, que não se importam com você e que não vai fazer falta
Mari-Mas você não tem amigos de verdade Sieghart?
Sieg-Naquele lugar não, você é uma das boas pessoas que eu tive a sorte de conhecer, não quero que fique igual a eles, ignorantes metidos a besta que acham que sabem de tudo, com exceção do Ryan, aquele não sabe de nada
Um sorriso brincou nos lábios de Sieghart, fazendo Mari fita-lo por um único instante
Sieg-Bem ,já vou indo, tenho coisas a fazer...
Disse Sieghart se levantando do banco, era por volta de uma e meia
Mari-Enquanto isso tente fazer amigos Sieghart
Sieg-Pode me chamar de Sieg, amigos não precisam de tanta formalidade Mari
Mari o olhou, tentando manter a sua expressão séria, mas por dentro estava um tanto espantada, Sieghart foi a primeira pessoa que a considerou sua amiga
Sieg-Até mais Mari, se cuida
Disse o moreno dando as costas e andando para fora do parque sorrindo largamente, pois havia conseguido manter um diálogo com Mari por um longo período e enquanto andava, a azulada o olhava com curiosidade em seu olhar, logo depois voltou seu olhar para o céu limpo, ela gostou daquele lugar
Dias depois--------------------------------------------------------------------
Horário de aula, sociologia, o professor passava um trabalho em dupla, altamente entediante, escrever uma redação explicando o por que de sermos uma sociedade, quando ele terminou...
–E então Sieg? O que acha de fazermos esse trabalho juntos?
–Nada disso, vamos fazer eu e você, juntinhos...
–Foi mal, mas ele irá fazer comigo
Diziam as garotas que discutiam para decidir quem iria compartilhar do mesmo espaço como dupla de Sieghart, um dos garotos mais populares da escola, Sieghart apenas olhou para a frente, o que as garotas não perceberam, devido ao seu cabelo cobrir seus olhos, fazia tempo que ele não cortava o cabelo, ele evitava mostrar seus olhos, sempre que pediam para vê-los ele habilmente se esquivava,ele se levantou se dua cadeira e a levou para o lado de Mari, enquanto que as garotas ali presentes apenas assistiam
Sieg-O que acha de fazermos juntos esse trabalho Mari?
Mari o olhou por alguns instantes, analisando-o, por fim, decidiu responder
Mari-Claro
Sieghart sorriu, um sorriso discreto, mas que foi o suficiente para dar início a sessão de cochichos das garotas, coisa que pouco importava aos dois em questão
Sieg-E então, na sua casa ou na minha?
Mari-Na minha, tem boa conexão a internet, seria mais rápido,apareça lá ás duas da tarde Sieg
Sieg-Claro
Respondeu Sieghart enquanto ouvia o cochicho das meninas
–Como ela ousa ?...
Queria ser ela, ter o Sieg na minha casa, todinho meu...
Sieghart não ligou para os comentários maldosos e voltou a olhar para Mari, já que o professor havia dado a aula como um tempo para as equipes se programarem, porém, Sieghart apenas a olhava de forma curiosa, obrigando Mari a olha-lo
Mari-O que aconteceu? Tem alguma coisa no meu cabelo?
Sieg-Não, não é isso
Mari-Então o que é?
Sieg-Nada, apenas estava pensando em algo...
Sieghart foi interrompido por uma garota, ela usava uma camisa social branca, saia preta e botas de cano alto da mesma cor, sendo a duas peças anteriores o uniforme básico da escola, as únicas diferenças entre os uniformes masculinos e femininos eram as calças e um casaco preto (opcional), alguns usavam gravatas, como Sieghart, que também insistia em usar o casaco por cima dos ombros, como uma capa
Elesis-Posso falar com você a sós?
Sieg-Claro ruivinha
No canto mais fundo da sala----------------------------
Elesis-Fiquei sabendo que você formou dupla com a Mari
Sieg-Algum problema ruivinha?
Elesis-A princípio não, porém...
Sieg-Pode falar ruivinha
Elesis-Estão começando alguns boatos sobre vocês
Sieg-Que tipo de boatos?
Elesis-Uns dizem que vocês estão ficando, outros que você esta virando nerd e coisa e tal
Sieg-Não me importo
Elesis-Não se importa? Você é Ecnard Sieghart, um dos garotos mais populares da escola, e diz que não se importa?
Sieg-Por muito tempo fui obrigado a conviver com pessoas extremamente falsas e mascaradas, não quero mais isso pra mim, chega, eu cansei de ter que olhar sorrisos falsos todos os dias e depois ser apunhalado pelas costas, e, pra ser franco, eu iria gostar de não ser mais tão popular, quero uma vida normal, com amigos de verdade, companheiros e quem sabe uma namorada que eu ame e que me ame do jeito que eu sou, não por quem eu sou
Dizia isso vendo Elesis criar um sorriso
Elesis-Estou orgulhosa cabelo de esparro
Sieg-Também pretendo dar um jeito nisso
Elesis-Por que não me mostra a cor dos seus olhos?
Sieg-Na hora certa ruivinha...Na hora certa...
Disse o moreno se retirando,sentindo os olhos escarlates flamejantes sobre eles, e Elesis ainda mantinha um sorriso em seus lábios
O que tanto olha?
Elesis-NÃO ME ASSUSTA ASSIM LASS !!!
Lass-Ta bom...Desculpa?
Elesis-Ta bom...
Disse a ruiva dando um beijo na bochecha do albino,que a abraçou
Lass-O que aconteceu?
Elesis-Depois eu te explico tudo...
No intervalo-----------------------------------------
A fila do refeitório, o tão conhecido monstro cheio de furos, coisa em que muitos se aventuravam para conseguir comer alguma cosa, mas em uma mesa afastada do refeitório, uma garota de cabelos azulado estava sentada, sozinha, o que não surpreendia a garota que desde que se lembrava era assim, ela ficou perdida em si mesmo até que sentiu um toque em sua mão, ela olhou para sua frente apenas para encontrar o moreno na qual ninguém nunca vira os olhos
Sieg-Oi
Disse ele sorrindo
Mari-Oi
Respondeu ao cumprimento como sua habitual expressão séria, expressão que em momento algum abandonava seu rosto
Sieg-E então? Posso ir até a sua casa hoje para começarmos o trabalho?
Mari-Sim, no final da aula eu te passo o endereço e você irá assim que for possível
Sieg-E que tal eu te acompanhar depois da aula? Assim é mais fácil
Mari-Você precisa ir pra casa, seu pai irá ficar bravo se você chegar tarde
Sieg-Eu moro sozinho, como eu disse, meu pai me banca, estou apenas estudando
Mari-Sendo assim tudo bem...
Enquanto isso------------------------------
Um pequeno grupo estava um tanto afastado do refeitório formando um círculo, eram apenas algumas garotas, mas o estrago que essas garotas poderiam causar era tremendo, Essas eram Arme, Lire e Amy
Amy-Ficaram sabendo da ultima pegadinha do time de futebol?
Arme-Todos do clube de debate ficaram cheios de farinha, foi hilário, pena que eles terão que se esforçar para limparem as roupas sujas
Lire-Sim, mas sabem, estão dizendo por ai que pode até mesmo estar acontecendo algo estranho com o Sieghart
Arme-Por que?
Amy-Ele não vem mais as festas da escola, raramente comparece nas reuniões do clube de música, o único que ele ainda mentém firme é com o clube de artes
Arme-Espero que ele não desista do clube de artes, ele tem talento
Amy-Ele esta diferente de antes, não sei o que é, mas estou determinada a descobrir...
Depois disso---------------------------------
O sinal toca, alertando a todos que as aulas iriam dar inicio novamente, muitos xingavam mentalmente o horário do intervalo por passar tão rápido, outros alegravam-se por poderem voltar ao silêncio da sala de aula, esse era o caso de Mari e Sieghart, amantes do silêncio
O intervalo estava quase no fim, tanto que era possível ver os professores rumando para as respectivas salas de aula, o garoto de cabelos negros cujos olhos nunca foram vistos por ninguém estava encostado na porta de sua sala enquanto que o sol o banhava com sua luz e calor, enquanto isso, ele se lembrava de coisas que queria esquecer...
"Acha mesmo que esse tipo de comportamento é algo digno para a sua familia? Os Sieghart?
Não me interessa o que você acha, seguirei meus sonhos e meus objetivos, você não pode mudar isso pai!
Garoto petulante, eu tenho te aguentado até agora moleque, você se recusa a seguir os passos de seu próprio pai para criar um futuro pra você...
Você não faz isso por mim, faz isso por você, para manter o nome da familia Sieghart
Basta! Veja o que está dizendo, acha que concordo com isto? Acha que alguém apoia-o em sua decisão?
Chega !
Disse o moreno, por volta de quinze anos, vestido com uma camisa social preta, blazer da mesma cor, uma gravata branca e sapatos pretos, ele se abaixou, pegou uma mala e se levantou novamente, não deixando que seus olhos fossem vistos pelo pai, que era parecido com o garoto, tinha cabelos iguais, apenas pelos cabelos do mais velho serem ruivos e seus olhos azuis, tinha um cavanhaque, usava um terno totalmente preto com uma camisa social por baixo, calça preta e sapatos da mesma cor, ele olhava furioso para o garoto
Saiba que se sair não irá mais voltar para esta casa
Eu já sai dessa casa há muito tempo pai, apenas você não percebeu ainda...
Disse ele tocando a maçaneta da porta e a abrindo, mas antes ouviu mais algumas palavras
Sua mãe teria vergonha de você
Uma mãe não teria vergonha por seu filho lutar para realizar seus sonhos
Ele se virou
Nunca mais ouse olhar nos meus olhos...
Depois disse o mais novo saiu, aquelas palavras ficaram martelando na cabeça do mais velho, que se sentou em um sofá e levou as mão até a cabeça
No lado de fora da mansão Sieghart--------------------------------
O garoto rumava para fora dos portões, quando os atravessou, sentiu como se estivesse com um peso a menos sobre suas costas, como um pássaro que tivesse escapado de uma jaula, olhou para os cantos escuros da rua, olhou a lua no céu, que esbanjava tranquilidade, a noite estava clara, o céu não tinha nuvens, estava estrelado, a lua estava cheia, iluminando a noite gélida que fazia, ela liberava um brilho prateado claro, algo que fez o moreno sorrir..."
[...]
(Literatura)
Prof-Alguém poderia me dizer o que foi o romantismo ?
Sieg-Foi um período literário da história, que foi muito importante para o desenvolvimento de certos gêneros literários
Sieghart parou de falar, enquanto todos olhavam para ele, espantados pela resposta bem elaborada do moreno, Mari sorria internamente para o rapaz, parecia que o tempo que ele passava com a garota era dedicado ao estudo estava começando a estudar mais do que o normal, mas se sentia feliz por isso, poderia manter diálogos longos com Mari, além de poder saber mais sobre ela, curiosidade não é um pecado...É?...
[...]
(término das aulas)
O momento mais aguardado por todos, até mesmo por quem não demonstrava isso, Sieghart saia da escola quando se deparou com Mari, o esperando no portão de saída
Mari-Podemos ir?
Disse Mari enquanto olhava para os lados,isso fez Sieghart Sorrir
Sieg-Claro
Dito isso começou a acompanhar azulada, que andava a passos lentos e calmos, como se nada pudesse fazê-la se apressar, o mesmo podia-se dizer do moreno, que a medida que a acompanhava, ia atraindo olhares para ele, situação um pouco incômoda, mas deu de ombros e continuou a acompanhar Mari, que olhava o céu, que enquanto isso, se lembrava do dia em que Sieghart a convidara para dar um passeio pelo parque
Mari-Sieg...
Disse Mari enquanto andava, sem desviar seu olhar do caminho que segua
Sieg-Pode falar
Mari-Como passou sua infância?
Sieg-De um modo muito doloroso...Eu não tinha amigos, irmãos, uma mãe... Eu era sozinho, fui criado pelo meu pai que me submetia a duras regras da alta sociedade, ele vive ocupado demais com o trabalho para ter tempo com o filho, ainda é assim, eu era um garoto que tinha tudo... Mas não tinha nada... E a sua?
Mari-Quando eu era criança, eu era muito diferenciada por causa da cor dos meus olhos, as pessoas achavam esquisito e logo se afastavam de mim, os livros são apenas um jeito que arrumei para esquecer o que já passei
Sieg-Não se pode esquecer o passado Mari, mesmo que você reescreva toda a linha do tempo, você irá sempre se lembrar dele, não podemos fugir de nós mesmos, somos obrigados a enxergar a realidade e confronta-la, mas no fim, é isso o que nos faz crescer
Mari parou de andar e olhou para Sieghart, enquanto sentia aquelas palavras martelarem a sua cabeça, ela sentia seu peito se aquecer um pouco, ela pensava no motivo que fez Sieghart se aproximar sem medo dela, pena ? Não, era algo diferente, algo que Mari não conseguiria explicar apenas pensando sobre isso, precisava de fatos, algo que pudesse ser usado como base para suas especulações
Sieg-O que foi Mari? Tudo bem?
Mari-Sim...
Disse Mari com sua mesma expressão de sempre, enquanto voltava a andar...
[...]
Sieghart havia chegado a casa de Mari, era grande, tinha dois andares, o terreno também era extenso, era azul, tinha dois andares, era bonito, o jardim era rodeado da mais diversas flores, topázios, orquídeas, rosas, girassóis...
Mari-Minha mãe se interessa por flores
Sieg-Entendo
Disse enquanto ambos entravam na propriedade, logo viram uma senhora na janela os observando, deveria ter por volta de trinta e sete anos, cabelos azuis vivos, olhos vermelho sangue, vestindo uma camisa branca sem mangas, bermuda-jeans azul e ao que parecia, estava descalça
Mari-Entre...
Lá dentro--------------------------------------
Tudo era arrumado em seus mínimos detalhes, nada estava fora do lugar, nem mesmo um quatro ou móvel estava desarrumado, tudo estava perfeito
Mari-Sieg, essa é minha mãe, Charllote, mãe, esse é um colega da escola, Ecnard Sieghart
Charlotte-Prazer em conhecê-lo mocinho
Sieg-O prazer é todo meu senhora
Charllote-Ah por favor, apenas Charllote me chamar de senhora faz eu me sentir uma velha
Sieghart sorriu
Sieg-Certo...Charllote
Mari-Estaremos no segundo andar fazendo um trabalho de sociologia
Charllote-Não se empolguem crianças...
Disse enquanto via os dois subirem as escadas
Mari-Sinta-se a vontade
Sieghart olhou para o cômodo, praticamente impecável, por que meninas tinham que ser tão perfeitas em relação a seus quartos ? Não que ele fosse diferente, era extremamente detalhista quando o assunto o interessava, tirou a mochila de suas costas e a colocou do lado da cama, logo depois se sentou
Sieg-Por onde podemos começar?
Mari-Podemos começar explicando a evolução do homem em relação a criação de sua sociedade e depois a compararmos com outras
Sieg-Boa ideia Mari, muito boa, enfim, vamos ao trabalho...Por falar nele, é escrito?
Mari-O professor não disse nada sobre isso
Disse isso se sentando a frente do computador e começando a digitar frenéticamente
Certo tempo depois------------------------------
O que era para ser um céu limpo e claro em plena cinco da tarde, se transformou em um céu nublado e cinza, Sieghart olhava o céu pela janela do quarto de Mari, que por sua vez, curiosa sobre o comportamento do moreno, decidiu perguntar
Mari-O que foi Sieg?
Sieg-Apenas lembrei de coisas que gostaria de esquecer
Mari saiu da mesa do computador e se sentou na cama, ao lado de Sieghart
Mari-Quer compartilhar comigo? Não se sinta obrigado a isso por...
Sieg-Tudo bem Mari...
Disse ele tocando a mão da azulada, que corou um pouco
Sieg-Apenas lembrei do dia em que sai de casa
Mari-Por que saiu de casa?
Sieg-Meu pai, ele me obrigava a fazer tudo do jeito dele, não permitia que eu seguisse meus sonhos, dizia que não me daria futuro e que estava manchando o nome dos Sieghart
Mari-Qual o seu sonho?
Sieg-Eu gostaria de ser músico, desenhista, compositor, tudo relacionado a arte e música, eu me sinto bem quando compartilho de ambientes que estejam de alguma forma relacionados a isso, mas meu pai não, ele acha perda de tempo
Charllote-Eu sei como se sente Ecnard...
Disse a Azulada mais velha entrando no quarto, surpreendendo os mais novos, Sieghart ainda mais, fazia tempo que ninguém o chamava pelo primeiro nome
Charllote-Eu já trabalhei com música e artes, foi dentro do meu ateliê, foi onde eu conheci meu marido...Bons tempos...
Mari-Mãe, isso não vem ao caso
Charllote-Certo... Mas bem, eu posso te levar lá se quiser Ecnard
Sieg-Eu adoraria
Charllote-Eu posso levá-los lá assim que meu marido chegar em casa
Sieg-A propósito Mari, qual o nome do seu pai? É que não quero fazer feio
Charllote-Bem que você poderia vir aqui mais vezes Ecnard, gostei de você
Disse Charllote sorrindo, mas momentos depois, percebeu o semblante diferente do rapaz
Charllote-O que foi Ecnard ?
Sieg-Faz muito tempo que não ouço essa palavras Charllote
Charllote-E seus amigos?
Sieg-Não posso chamar aquelas pessoas de amigos, eu costumava ser muito popular na escola, mas comecei a enxergar o quanto aquelas pessoas são falsas, sempre querendo prejudicar outras pessoas por motivos mesquinhos, por isso me aproximei mais da Mari
Charllote-Como assim se aproximou?
Sieg-Ela pode achar que eu nunca notei ela, mas eu sempre estive a observando, a estudando, ela pode ser um pouco fechada e ter uma expressão um pouco séria as vezes, mas ela é honesta, talvez a pessoa mais honesta que eu já tenha conhecido até agora, ela faz eu me sentir bem, não importa onde eu esteja, apesar de tudo o que eu passei por outras pessoa, eu tenho orgulho em dizer que ela é minha amiga
Dizia o moreno enquanto Mari o olhava um tanto surpresa, quer dizer, ninguém nunca havia falado assim dela, pra falar a verdade foram poucas vezes que falaram com ela, mas ele era diferente, ele não a olhava como uma garota depressiva, séria e isolada de todos, ele a olhava como uma pessoa, como uma amiga, pensava nisso enquanto sentia seu coração acelerar, seu rosto esquentar e se avermelhar, além de sentir um calor em seu peito
Sieg-Bem, é isso
Charllote-Bem, de qualquer maneira só vim até aqui avisar que seu pai chegou Mari, vá recebê-lo, vá também Ecnard, ele vai adorar te conhecer
Todos saíram do quarto da azulada para ir de encontro a pessoa que acabara de chegar, quando desceram a escada, encontraram um homem alto usando um terno azul marinho, cabelos grandes e azul escuro penteados para trás, olhos igualmente azuis e sapatos pretos
Olá a todos
Disse ele abraçando a esposa e a filha
Charllote-Querido, esse é o Ecnard, colega de sala da Mari
Ecnard-Muito prazer
–Prazer, eu sou Stephan
Disse enquanto dava um aperto de mão
Charllote-Querido, eu estava pensando em levá-lo ao meu antigo ateliê
Stephan-Claro, apenas tenha cuidado ao dirigir, essas ruas são traiçoeiras a essa hora
Charllote-Pode deixar, você vem Mari?
Mari-Sim...
Momentos depois -------------
Charllote-Chegamos
Disse ela abrindo a porta, o local estava um pouco velho e maltratado pelo tempo, mas apenas isso, não era algo em que não pudessem dar um jeito, o garoto olhava para tudo um pouco surpreso, o local era muito grande, tinham várias telas de pintura, algumas prateleiras de livros de arte, alguns instrumentos como uma flauta e um violão ao fundo da sala
Charllote-Sei que não é muita coisa, mas...
Sieg-Ta brincando? É demais
Charllote-Gostou mesmo?
Sieg-Se gostei? Adorei!
Charllote-Se gostou tanto assim pode ficar com ele
Sieg-Sério!?
Charllote-Não tenho tido mais tempo pra cuidar do ateliê, se quiser trabalhar aqui só precisa dar um jeito de limpar tudo
Sieg-Consegui um emprego!!! Consegui um emprego!!!
Gritava o garoto feliz enquanto abraçava mari, que corou de leve
Sieg-Err...Desculpe minha empolgação Mari
Mari-Não tem problema, se quiser eu posso ajudar na divulgação da loja
Sieg-Mas como vai se chamar?
Charllote-Ela é sua, pense você
Sieg-Acho que até eu ter limpado tudo eu já terei uma ideia, mas por agora só quero ir pra casa dormir, o dia foi cheio hoje
Charllote-Certo, apenas me diga onde você mora, eu levo você lá
Sieg-Não precisa se incomodar com isso
Charllote-Ecnard Sieghart, eu insisto
Sieg-...Ok
Disse enquanto saiam do ateliê e entravam no carro azul escuro
Mais tarde-----------------------------------
O carro estacionou em frente a uma casa preta com alguns detalhes em branco, era um tanto pequena, mas suficiente para duas pessoas, deveria ter no mínimo cinco cômodos, sendo quarto, banheiro, cozinha,sala e lavanderia
Sieg-Bem, eu fico por aqui
Disse o moreno já descendo do carro
Charllote- Ainda bem que chegamos seis e meia, sua mãe deve estar preocupada com você mocinho...
Sieg-Ela não esta, ela sempre sabe onde estou e sempre esta comigo, bem, adorei passar o dia com vocês, espero fazer isso de novo, até mais Charllote...até mais Mari
Disse ele enquanto tirava uma mecha de cabelo do rosto de Mari, que corou um pouco
–Até...
Nisso o carro parte, enquanto o garoto abria o portão de sua casa, Charllote perguntou a Mari
Charllote-Por que ele falou daquela maneira?
Mari-Ele é orfão por parte de mãe e ele não se dá bem com o pai...
Enquanto a azulada mais nova falava, a mais velha voltava seu olhar para a rua
No dia seguinte----------------------------------------------
[...]
(Aula de física)
Prof-Alguém sabe me dizer qual é a gravidade da terra?
–9,8
Disseram Mari e Sieghart ao mesmo tempo, surpreendendo um pouco a sala, eles se entre olharam e logo depois voltaram a olhar para o professor
Prof-Correto, parabéns, seria bom termos mais alguns alunos assim não é Ryan?
Disse o professor olhando para Ryan que desenhava em seu caderno, que o fechou rapidamente
Ryan-Sim senhor...
Prof-Dessa vez passa Ryan, dessa vez passa...
Ryan-Ok...Obrigado
Prof-Continuando...
Enquanto o professor passava o conteúdo no quadro, Lass e Elesis conversavam ao fundo da sala
Lass-Pode me explicar? Ainda não entendi direito essa história
Elesis-Essa é a ultima vez
Disse a ruiva criando uma expressão de mal humor
Elesis-Como todos sabemos, a Mari sempre foi fechada com as pessoas, o Sieg esta tentando faze-la se abrir mais, e ele, que sempre teve uma vida de popular, esta querendo aprender com ela, me entendeu agora?
Lass-Sim, agora que você me explicou direito...
Disse ele olhando para o professor, se certificando de que ele não ouvia a conversa
Elesis-Você pode até ser meu namorado, mas não pense que por isso esta livre de ficar com um olho roxo
Lass-Ok...Ok...
Disse ele se virando para a frente e começando a copiar o assunto que era passado...
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