No dia do encontro, Taihei acordou cedo para limpar a casa e preparar a comida. À tarde, arrumou-se e, antes de sair de casa, despediu-se da irmã.

— Umaru, estou indo encontrar a Ebina-san. Comporte-se.

— Hmpf! – ela estava muito irritada para olhar ele saindo, queria fingir que ficaria em casa. Mas assim que os visse pela janela, começaria o jogo de espionagem que imaginou em sua cabeça.

Taihei encontrou-se com Ebina na entrada do prédio onde moravam. Ela estava bem nervosa, mas o cumprimentou com um meigo sorriso.

— E-Então vamos, onii-san?

— Vamos, Ebina-san. Tem um ótimo café por aqui.

E os dois foram andando enquanto conversavam e se distraíam. Umaru, assim que o irmão saiu, vestiu uma roupa para se disfarçar e não chamar muita atenção. Então, ficou observando pela janela. Assim que os viu, saiu de casa e começou a seguí-los discretamente. Sabia como fazer, pois já havia zerado vários jogos de espionagem.

Ebina e Taihei chegaram ao café e sentaram-se em uma mesa que, felizmente, tinha uma visão sem barreiras para Umaru, que conseguia vê-los e ouvir à conversa. O encontro corria normalmente. Os dois falavam de coisas bobas e triviais, até que, em certo momento, algo chamou a atenção da imouto.

— Onii-san… V-Você tem namorada ou algo do tipo?

— Hm? Não, não tenho muito tempo para isso, Umaru acaba tomando bastante do meu tempo...

— M-Mas tem vontade?

— Sinceramente, Ebina-san, eu nunca pensei muito a respeito disso, mas… acho que seria legal, sim.

Ebina corou bastante, mas ficou muito feliz ao saber que ele não tinha compromisso com qualquer pessoa. Umaru sentiu vontade de intervir no meio daquela conversa, mas se controlou. “Calma, eles só estão conversando”, pensou. O resto do encontro não teve nada de notável. Quando os dois se levantaram para ir embora e passaram na mesa próxima de Umaru, ela abaixou a cabeça e se escondeu atrás do menu. Esperou alguns segundos e voltou a segui-los.

Quando Ebina e Taihei chegaram na porta do prédio, se entreolharam. A menina fitou o chão, escondendo a face enrubescida. Taihei coçou a cabeça, um pouco sem jeito.

— Então… nos vemos depois, Ebina-san?

— E-Espere, onii-san…!

Ebina deu dois passos à frente e aproximou-se subitamente dele e o abraçou.

— Obrigada pelo encontro! Eu… eu me diverti bastante.

Um pouco sem jeito, Taihei retribuiu ao abraço dela, sorrindo discretamente. Eles se entreolharam e perceberam que os rostos estavam bem próximos. Coraram bastante, mas não se afastaram, pelo contrário. Ebina fitou os lábios do onii-san, aproximando os dela. Ele não se moveu, esperando pelo beijo dela.

Nesse momento Umaru, que via a tudo, não conseguia deixar que aquilo fosse acontecer. Não poderia deixar que seu precioso onii-chan fosse beijado por outra pessoa, e então interviu, correndo em direção a eles.

— Parem! – quando percebeu, já estava parada próximo aos dois, que se afastaram rapidamente e olharam surpresos para Umaru. Ela correu em seguida, subindo as escadas para sua casa.

Taihei e Ebina ficaram bastante confusos. Ele a olhou e fez uma reverência, se desculpando.

— Desculpe por isso tudo, Ebina-san. Eu… eu preciso subir para falar com Umaru. Não fique chateada, por favor.

Ele correu apressadamente atrás da irmã, que já havia entrado em casa. Ele abriu a porta e a encontrou sentada na cama, chateada. Ainda não estava em seu modo preguiçoso.

— Umaru! Por que fez isso? – perguntou, enquanto retomava o fôlego após subir as escadas correndo.

— Eu não sei! – abaixava a cabeça, abraçando o travesseiro de nyankoro.

Taihei estava um pouco irritado, mas tentou ser compreensível com a irmã, pois jamais havia a visto agir dessa forma e ficar chateada desse jeito. Sentou-se na cama, ao lado dela. Respirou fundo e falou calmamente.

— Umaru… fale comigo. Por que fez aquilo?

— Eu já disse… não sei! Agi por impulso e quando me dei conta… eu corri – apertava um pouco mais seu travesseiro – você… está bravo, onii-chan?

— Um pouco, sim. Você sabe que errou… Venha, vamos pedir desculpas a Ebina-san e eu não ficarei mais bravo, está bem? Aí voltamos para casa e eu te faço algo para comer – pegou em uma das mãos da irmã, a ajudando a levantar.

— N-Não… – tentou puxar a mão, mas não fez muita força – você queria que ela te beijasse…? – disse em um tom triste, mas sem entender completamente o motivo da tristeza. ‘’Será que tenho tanto medo assim de perder meu onii-chan?’’ pensava.

— Eu não sei… Acho que, sim, pelo menos naquele momento… – corou um pouco, lembrando-se da cena. Segurou firmemente na mão dela, sem deixar que ela escapasse – Vamos, Umaru. Quando pedir desculpas a ela, podemos conversar sobre isso.

— Tudo bem… – fez um biquinho, pois não queria pedir desculpas, não se sentia culpada – vamos logo, então.

Os irmãos desceram as escadas, com Taihei levando Umaru pela mão, e tocaram a campainha de Ebina, que não demorou muito a atender a porta.

— Q-Quem é? – Ebina perguntou baixinho.

— Taihei e Umaru – respondeu o irmão.

Ebina abriu a porta, envergonhada.

— Podem entrar… – abriu a porta completamente, para que entrassem.

— Não queremos incomodar, é rápido – afirmou, enquanto Umaru se escondia um pouco, apoiando a mão livre nas costas do irmão – Umaru tem uma coisa para te dizer.

Umaru sentiu que o irmão deu uma leve apertada em sua mão, para que falasse logo. A garota saiu um pouco de trás do irmão, olhando para a amiga.

— Desculpa, Ebina… – dizia, com seus doces olhos e voz meiga, fazendo uma carinha de arrependida.

— T-Tudo bem, Umaru-chan, já passou – deu um sorriso tímido, pois sentia muita vergonha do ocorrido – não querem mesmo entrar?

— Não, obrigado, Ebina-san. Já estamos de saída, Umaru só veio pedir desculpas. Tenha uma boa noite! – deu um sorrisinho meio sem jeito.

— B-Boa noite, onii-san, Umaru-chan – disse, enquanto fechava a porta e observava os dois saindo. Umaru ainda segurava na mão de Taihei, que a levou até em casa.

Quando chegaram, ele a guiou até a cama, onde se sentaram e finalmente a soltou.

— Umaru, você fez aquilo por achar que eu não sou bom o bastante para sua amiga? Ou… porque não quer ver seu irmão com outra pessoa?

Umaru ficou em silêncio por algum tempo, mas resolveu que seria sincera. Ela só não queria perder seu amado onii-chan, não havia problema algum nisso.

— Onii-chan… eu tenho medo de te perder para outra pessoa. Tenho medo que você não me dê mais atenção e eu acabe sendo deixada de lado… – disse, sem olhar para ele, em um tom triste.

Apesar de não demonstrar, Taihei sentiu-se feliz pela resposta. Feliz por saber que era tão amado por sua adorável imouto. Então, novamente ele segurou em uma das mãos dela.

— Mulher ou pessoa nenhuma vai fazer com que eu te deixe de lado, Umaru. Você é a minha única e querida irmã – falou com convicção, querendo deixar claro que, de fato, jamais trocaria a imouto por outra pessoa.

— Promete que não vai me deixar de lado? – olhou para ele, finalmente – promete que sempre vai comprar Cola e salgadinhos e os meus jogos? E que não vai se irritar comigo quando eu não fizer as coisas? – Umaru começou a querer se aproveitar um pouco da situação.

Ele riu, achando graça no jeito da irmã. Apenas ela conseguiria falar algo assim no meio de uma conversa dessas. E era isso o que fazia ela ser tão especial para ele.

— Prometo – olhou diretamente nos olhos dela – Afinal, é por você ser desse jeito que gosto de você.

— Gosta mesmo? Então… se gosta mesmo de mim, pode jogar comigo até depois do horário de dormir? – ainda o olhava. Ela queria jogar com ele não porque queria jogar até tarde, mas por se divertir muito mais jogando com seu irmão, que sempre perdia.

— Hai, hai, podemos – ele se levantou e foi até a cozinha – Farei algo para comermos, e então podemos fazer o que você quiser hoje.

Após jantarem, os irmãos ficaram jogando um jogo de zumbis, (igual no desenho) onde Umaru sempre reclamava que o irmão não prestava atenção e morria. Taihei reparou que ela ainda não tinha voltado para sua forma preguiçosa desde o encontro.

— Onii-chan! Você tem que prestar atenção, não pode morrer sempre! – fazia um biquinho, um pouco brava.

— Você me pediu para jogar sabendo que não sou muito bom, Umaru..

— Eu sei! Por isso que é divertido, hehehe~– sorria para ele, de forma fofa.

— Umaru, sei que falei que poderíamos fazer o que quiser… mas estou um pouco cansado. Vamos jogar mais amanhã, é domingo – bocejou.

— Onii-chaaan! – protestou, fazendo um pouco de birra.

— Prometo que amanhã a gente brinca mais, está bem? – desligou a televisão.

— Nhuuuu! Só se fizer hambúrguer de novo – cruzava os braços e fechava os olhos, emburrada.

— Eu faço, não se preocupe – levantou-se e desligou a luz. Em seguida, deitou-se em seu futon – Boa noite, Umaru.

— Yay! – arrumou-se em sua cama – Boa noite, onii-chan.

Umaru não sentia sono ainda, e não queria ficar acordada sozinha. Não demorou muito tempo para que ela chamasse seu irmão novamente.

— Onii-chan – disse baixinho – dormiu?

— O que foi, Umaru? – respondeu com uma voz sonolenta.

— Eu… posso dormir com você? – disse, já descendo de sua cama e deitando no futon do irmão.

Sem que tivesse tempo para responder, Taihei apenas chegou para o lado, dando espaço para Umaru, que se enfiou dentro da coberta do irmão. Eles estavam deitados um de frente para o outro, próximos a ponto de sentirem as respirações. O onii-chan corou levemente, mas isso era imperceptível devido à escuridão. As bochechas de Umaru também ficaram um pouco avermelhadas. Enfim, o irmão fez menção de se virar, mas foi impedido por Umaru, que o segurou no braço.

— Onii-chan, não… – a proximidade era tanta que Taihei sentia o hálito quente da irmã.

Ele acatou ao pedido da irmã, continuando de frente a ela. Eles não conseguiam se ver nitidamente, mas sabiam que estavam acordados, um olhando para o outro. Umaru aproximou o corpo um pouco mais ao do irmão, que a abraçou instintivamente.

— Umaru… Você quer ficar para sempre comigo? – perguntou, sussurrando.

— Quero, onii-chan… se quiser, posso te prometer não dar atenção só para os jogos… – sussurrou também.

Ele sorriu timidamente e aproximou o rosto ao de Umaru, fazendo com que suas testas se tocassem.

— Então, seja mais do que apenas minha irmã.

Umaru o abraçou firmemente, em resposta. Sentiu que não precisava dizer nada naquele momento, diminuindo mais ainda a distância dos lábios, que quase se tocavam. Ela parou ali, por alguns segundos que pareceram horas, sentindo a respiração um pouco mais pesada de seu onii-chan. Então, Taihei encostou seus lábios nos dela, dando um selinho bem curto. Umaru retribuiu e deu mais um beijo nos lábios de seu irmão.

Eles se abraçaram carinhosamente e trocaram mais alguns beijos. O irmão acariciou a face de Umaru, que fez o mesmo na dele. Naquele momento, eles pouco se importavam com o fato de serem irmãos. Apenas o amor que sentiam um pelo outro falava ali. Eles se beijaram mais algumas vezes, até que Umaru virou-se de costas, ainda bem juntinha ao corpo do irmão, que a abraçou pela cintura.

— Hoje eu quero dormir assim, onii-chan…

— Se quiser, podemos dormir assim todos os dias… – deu um beijo em sua nuca.

Ela sorriu, sentindo um arrepio percorrer-lhe o corpo após ser beijada ali. Ambos fecharam os olhos e adormeceram.