Eu te amo guaxinim
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Dedicada à Dani, minha desafiante! Xoxo
(Link para a música: https://www.youtube.com/watch?v=pznApsDZ554)
Guaxinim.
Por que eu fui dizer aquilo?
É claro, eu não podia saber que ele estava atrás de mim. Eu não sabia que ele estava ouvindo, então não é minha culpa, certo?
Eu engulo em seco, ainda encarando o teto do meu quarto. Tenho feito muito isso ultimamente. Encarar o teto. Há uma teia de aranha ali no canto, mas estou com preguiça de tirá-la dali. E também não me importo.
Não. Não importa o quanto eu tente me convencer do contrário, é errado e pronto. Mesmo que ele não tivesse ouvido, mesmo que ele não tivesse ido embora, ainda seria errado. Eu sou um idiota.
O CD acaba e meu velho aparelho de som faz um ruído estranho antes de parar. Qualquer outra pessoa se desesperaria, achando que o disco foi arranhado, mas não eu. Eu já me acostumei. Rolo na cama para deitar de bruços e encaro o estéreo, como se pudesse dar play de novo só com o pensamento. Ele está do outro lado do quarto, e eu não estou com o menor ânimo para ir até lá. É claro, nenhuma música começa a tocar magicamente. Nada acontece assim, do nada. É preciso que você faça algo para que o mundo mude, para que tudo mude.
É você quem faz com que as coisas mudem.
A ausência de música de fundo torna os meus pensamentos mais nítidos, o que é estranho. Sempre gostei de estudar ouvindo música, porque achava que me ajudava a pensar. Talvez eu estivesse errado. Ou talvez seja simplesmente porque o silêncio está aumentando ainda mais a sensação de vazio.
Eu me viro de novo na cama e puxo o travesseiro para cobrir minha cabeça, como se não ver nada pudesse tornar as coisas melhores de alguma forma. Mas logo estou sufocando e jogo o travesseiro longe. Da parede, aquele pôster me encara. Nem sei o nome da garota na foto. Só sei que ela está sorrindo para mim, com uma piscadela que promete mil e uma coisas. Eu não sorrio de volta.
Fecho os olhos e me deixo reviver tudo mais uma vez. Faço isso como uma espécie de autocastigo. Eu sei que vai me fazer mal. E sei também que eu mereço.
Eu estava andando com os caras. Era hora do intervalo e tínhamos acabado de pegar nossas coisas no armário para trocar de sala. Eles estavam falando das pessoas. Nós estávamos falando das pessoas. E rindo, como se fôssemos absolutamente perfeitos, é claro.
— Mais galinha, só se criar pena! — Lucas finalizou, e todos rimos. Rimos alto, como se aquela fosse a piada do ano, e não a coisa mais estúpida que alguém poderia dizer.
— E o Daniel? — Diego emendou, ainda rindo. Nós todos andávamos como bêbados, esbarrando uns nos outros com o ataque de risos. Uma garota do 2º ano sorriu e acenou para mim. Não tenho certeza, mas acho que peguei mês passado. Eu não acenei de volta, enquanto Diego continuou: — Aquele lá sim é esquisitão. Por que diabos ele usa maquiagem? Não basta usar aquelas roupas de mulherzinha, ainda pinta o olho todo de preto.
E foi nesse exato momento que eu fiz. De todas as coisas que eu podia dizer, inclusive nada, eu me saí com aquela:
— Sei lá! Ele parece um guaxinim!
Os caras riram mais ainda do que da galinha, porque guaxinim pelo menos era um bicho novo. Eu comecei a rir da minha própria piada também, mas foi aí que senti alguém me empurrando para o lado com toda a força, tanta que eu quase caí em cima do Lucas.
— Ei! Sai pra lá! — Meu amigo me empurrou de volta, ainda rindo, mas eu não estava prestando atenção. Porque foi o Daniel quem me empurrou. Ele agora corria à toda em direção à grade que fica em volta da escola, de cabeça baixa, olhando para os próprios pés.
— O que ele está fazendo agora? — O Roberto me cutucou com o cotovelo e apontou, como se eu já não estivesse olhando para o emo que tinha acabado de alcançar o portão e parecia estar recobrando o fôlego, apoiando-se nele.
— Não sei. — Eu praticamente sussurrei, embora na verdade soubesse muito bem o que ele ia fazer. Porque eu já o tinha visto fazer aquilo milhares de vezes, mas na grade dos fundos da escola, não ali, às vistas de todos.
Enquanto nós observávamos, Daniel agarrou-se à grade e, com uma agilidade que surpreendeu a todos os outros, a escalou e pulou, caindo com os joelhos dobrados do outro lado. Livre, como todos queríamos estar. Ele quase imediatamente se levantou e recomeçou a correr. Nós ficamos olhando, perplexos, até que ele virou a esquina e desapareceu.
Guaxinim.
Por que raios eu tive que dizer aquilo?
Não foi certo, é claro que não.
Porque eu sei. Eu sei de tudo. Eu sei por que ele se veste de preto. Eu sei por que ele joga o cabelo sobre o rosto. Eu sei por que ele pinta os olhos de preto.
Eu sei que é porque o preto lhe faz lembrar o escuro do seu quarto de madrugada e faz com que ele se sinta protegido.
Eu sei que é porque ele tem medo.
Eu sei que é pra esconder que ele chora todas as noites até pegar no sono.
Sim. Eu sou um idiota. Não, não apenas um idiota. Eu sou o maior idiota que já existiu na face da Terra. Um filho da mãe que não merece o ar que respira. E, principalmente, que não merece, que nunca mereceu a amizade de Daniel.
Eu sou a única coisa que ele tem, merda! Seu único amigo. A única pessoa em quem ele achava que podia confiar. E o que eu fiz? Em vez de defendê-lo? Em vez de mandar aqueles idiotas calarem aquelas malditas bocas? O que eu fiz?
...O que eu fiz?
Eu rolo de novo em minha cama. Os números azul-neon do meu despertador marcam 2:06AM. Foi o Dani quem me deu esse despertador, depois que eu disse que se eu chegasse atrasado à escola mais uma vez, ia levar uma suspensão, e dessa vez era sério.
Eu não falo com ele na escola. Lá, eu só ando com os caras da banda. Um bando ruim, de uma banda pior ainda, mas que pelo menos pega todas as garotas que quer. Os populares, que, para variar, são uns idiotas, mas são idolatrados por algum motivo que ninguém realmente sabe qual é. Como num filme americano ruim de Sessão da Tarde. É, eu sou um desses idiotas.
Mas nós costumamos conversar todos os dias, Daniel e eu, desde que ele me passou cola naquela prova de Biologia no 1º ano. Eu não sei por que ele me passou cola. Eu nunca fui legal com ele antes. Aliás, eu nunca tinha falado com ele antes. Aliás, eu nem sabia que ele falava, sempre achei que era mudo. Afinal, ele estava sempre sozinho. Mas, desde então, nós conversamos todos os dias no WhatsApp.
Eu pego o meu celular, acendo a tela e o desbloqueio pela milésima vez. Nada, é claro. Eu teria ouvido se qualquer notificação tivesse chegado. Eu vou acabar com a droga da minha bateria, isso sim.
Largo o celular no criado-mudo, e acabo fazendo barulho demais. Não tô nem aí.
Meu pai ronca alto no outro quarto. Minha mãe provavelmente ainda está na sala assistindo a algum programa sobre decoração que a TV a cabo insiste em transmitir de madrugada. Aposto que só ela assiste.
Às vezes eu e o Daniel saímos juntos. Vamos aos lugares preferidos dele... E os meus também, na verdade. O velho arcade*. Aquele cinema que só passa filmes das décadas de 80 e de 90. Aquela lanchonete temática do Star Wars que serve hambúrgueres banhados em gordura. E o karaokê. Pensar nesse último me faz sorrir. Ele canta bem pra caramba, na verdade. Eu, por outro lado...
Enfim, nós vamos a um monte de lugares. Lugares a que os caras nunca iriam. Eles são cool demais para isso. É, até parece.
E às vezes ele vem aqui em casa, também. Meus pais gostam dele. Eu nunca vou à casa dele. Porque seus pais sempre-quase-se-divorciando mal suportam o filho adolescente em casa, imagine se ele levasse um amigo. E eu realmente não entendo, porque o Daniel é tão quieto que é praticamente invisível. Para a maioria das pessoas, ele é invisível.
A não ser que seja para chamá-lo de “guaxinim”, é claro.
Já faz mais de uma semana que ninguém o vê. E o mais insano disso tudo é que os pais deles não se importam. O filho deles sumiu, e eles não estão nem procurando. Caralho! Se dependesse de mim, eu ia na polícia, eu ligava pro exército, pro FBI, para a porra da Interpol, se fosse necessário.
Pensando bem, acho que eu poderia fazer isso. Não ligar pra Interpol, mas ir na polícia. Mas aí...
Eu não falei para ninguém. Nem para os meus pais, porque se não eles eram capazes de baixar lá na casa do Daniel e fazer o maior escândalo. Mas o Dani... O Dani tem uns... Uns “amigos”. Ah, vá, uns conhecidos aí. Ele deve estar com eles. Mas os caras são barra pesada. Nenhum deles têm endereço fixo, que eu saiba. E se tivessem, o Dani não ia me contar. Eu ia pedir para ele não contar, porque essas coisas é melhor não saber.
Dani, Dani... Onde você está?
— Porra, Marcelo! São seis horas, caralho! O que que cê quer?
— Lucas, chama os caras. A gente precisa ensaiar.
— É o quê? Véi, cê tá bêbado? São seis horas da manhã de domingo!
— Eu sei! Mas se a gente não começar agora, não vai dar tempo.
— Não vai dar tempo do quê?
— Tem uma garota aí... Eu explico quando chegar. Liga pros caras. Daqui a dez minutos eu tô aí.
A garagem do pai do Lucas fede a cerveja barata e adubo de esterco, mas pelo menos a gente pode ensaiar aqui na hora que quiser. O velho nunca está em casa, não importa quando a gente venha. Agora não é diferente. Os caras estão me olhando feio, e eu sei que mereço isso também. Eu respiro fundo.
— Seguinte, galera... Tem uma garota... — Todos eles sorriem sarcasticamente para mim, e é assim que eu sei que estou perdoado. Sempre tem uma garota. E se tem uma garota, então tá tudo certo. — Tem uma garota aí que eu tô pegando. E ela meio que terminou comigo. Mas eu não terminei com ela ainda, cês tão sacando? — O Diego ri como se essa fosse a coisa mais engraçada no mundo.
— Seus cabelos lisos e seus olhos castanhos e profundos não são o bastante pra cê se garantir, cara?
— Eu estou falando sério, porra!
— E onde a gente entra nessa?
— Então... Tem o nosso show na quinta, certo? Aquele que vai passar no canal seis.
— A gente sabe, véi!
— Mas falar nunca é demais! — O Lucas sorri.
— Então. Eu tava pensando... Eu compus uma música pra ela, e eu tava pensando que eu podia cantar lá, no dia. A garota não quer falar comigo, mas eu aposto como ela vai ver. E aí... Cê sabe. Ela vai voltar correndo pra mim.
— Pera, calma, para tudo! Deixa eu ver se eu entendi... Você vai cantar? — O Roberto está rindo da minha cara. Típico.
— É. O que é que tem? — Eu tenho absoluta certeza de que estou ficando vermelho.
Todos eles riem. Valeu, amigos!
O Lucas se aproxima e me dá um tapinha nas costas.
— Deixem, caras! Ele tá apaixonado! A gente toca as duas primeiras músicas que a gente tinha combinado, e é capaz de as nossas fãs acharem a coisa mais fofa o guitarrista in love... Vai dar publicidade!
Os outros continuam a tirar sarro, mas eu sei que ganhei essa. Quando o Lucas falou, tá falado.
— Só espero que ela seja boa de cama, pra valer a pena. — Ele pisca para mim, e se afasta para arrumar os amplificadores.
É agora. Lucas está me anunciando. Ele está vindo me passar o microfone. Fudeu.
— Essa... — Caralho! Estão todos olhando pra mim! Dani, é melhor que você esteja vendo isso! — E-essa é uma música que eu compus para alguém m-muito especial para mim. — Para de gaguejar, Marcelo! Seja homem! — E.. E-eu já vou me desculpando logo, porque eu canto mal pra caralho. — Isso! Eles estão rindo! Boa! — M-Mas... — Respira, você consegue! — Mas eu espero que você esteja me vendo agora.
Ok, os caras estão tocando. O microfone tá na minha frente. A hora é agora.
Eu te amo, guaxinim
Cê é tão legal, tão bom pra mim...!
Acho que vi os caras se entreolhando. Deve ser porque nos ensaios eu cantei “minha gatinha”, não “guaxinim”. E “boa”, não “bom”, obviamente. Ou talvez seja só porque eu dei uma desafinada agora que doeu até a alma. Sei lá.
Queria que você soubesse
Que eu lembro da gente
Cantando contente
É tão bom... É bom demais!
Ok, melhor parar de olhar pro público, pra banda, pra apresentadora, pra tudo. Deixa rolar.
Já faz um tempo,
Eu não me lembro ao certo
Como tudo chegou ao fim
Eu que me achava esperto
Hoje não sei ao certo
O que te faz feliz
Difícil acreditar que eu pude te perder
(Eu não sei o motivo)
Difícil de explicar que eu não consigo ser
(Só mais um amigo seu,
E tudo que aconteceu
Não pode ser assim,
Precisa ter um fim!)
E hoje eu sei que não está mais
No mesmo lugar que eu te encontrei
Cadê os seus amigos?
Queria estar contigo
Mas por ondes andas eu não sei
É, bom. Estão aplaudindo. Os caras estão me abraçando e dizendo “Porra, cê canta mal mesmo, véi!” Certo, isso é bom. Mas não são os aplausos que eu quero.
Já faz três dias. E eu não aguento mais cantar “Eu te amo guaxinim”. É claro, a música foi um sucesso. É claro, estão chovendo garotas, não só em cima de mim, mas em cima da banda inteira. Os caras estão mais felizes que pinto no lixo. E eu...
Eu estou aqui, nessa praça de skate velha que ninguém frequenta mais. Daniel e eu costumávamos vir aqui às vezes. Só pra conversar. Às vezes ele me ajudava com o dever de Matemática, e as folhas do fichário dele saíam voando. Não sei o que acontece nesse lugar, mas sempre venta muito aqui. Sempre. É como se o vento tivesse morada permanente aqui.
Eu enterro o rosto nas mãos. Estou cansado. Muito cansado. De shows. De olhar o celular novecentas e oitenta e sete vezes por dia e de quase morrer do coração cada vez que chega uma notificação. De esperar. De não esperar. De mim mesmo. Da minha idiotice. Da vida.
Podiam pelo menos parar de pedir pra eu cantar e me deixar voltar pra guitarra em paz. Eu já disse que canto mal pra caralho?
— Realmente... Vou te falar, cara, você canta mal pra caramba!
Um fato sobre mim: eu às vezes xingo quando estou irritado ou nervoso.
Um fato sobre Daniel: ele nunca xinga.
Eu levanto a cabeça de uma vez, arregalando os olhos, e lá está ele. Eu pisco duas vezes para ter certeza de que ele não vai desaparecer, mas ele continua ali, olhando sério para mim. Com o olho que não está coberto pela franja, quero dizer. Ele parece ter passado mais lápis do que o normal hoje.
— Dani!! — Eu me levanto e dou quatro passos grandes e rápidos para atravessar a praça e chegar até ele. Eu quero abraçá-lo, mas me contenho. Seus olhos azuis lembram gelo. Eles me congelam, e eu não sei o que fazer. Ele apenas me olha sem expressão. Então eu começo a falar: — Dani, por favor, me perdoa! Eu sou um idiota, eu não devia ter dito aquilo, eu tinha que ter te defendido! Eu sou um merda! Eu não...
— Cala a boca.
Isso dói como um tapa na cara. Dani nunca me mandou calar a boca. Aliás, ele nunca fez ou disse nada nem levemente agressivo para mim. Por um instante, eu fico sem palavras. Mas então recomeço o falatório, por puro desespero:
— Mas Dani...! Você tem que me escutar, por favor! Eu sei que eu... Eu sei que... Por favor, não vai embora de novo! Por favor, eu...
Ele faz um movimento rápido com a cabeça, jogando a franja, que deixa de cobrir seu olho. Ele me encara por meio segundo, e depois dá um pequeno passo para a frente, agarrando a frente da minha camisa com as duas mãos:
— Eu já te disse pra calar a boca, porra!
Antes que eu tenha tempo de registrar que um palavrão acabou de sair da boca de Daniel, ele está me beijando. Eu sinto meus olhos se fechando automaticamente e retribuo. Eu nunca tinha me dado conta do quanto eu tinha esperado por esse beijo. Nossos lábios se movimentam sofregamente, desesperadamente, e nenhum de nós parece querer parar. Eu sei que eu não quero.
Quando enfim nos separamos para respirar, eu ainda estou desesperado:
— Dani! Dani, eu sou um idiota! Eu realmente sinto muito! — Agora que estou percebendo: em algum momento durante o beijo, eu comecei a chorar. — Eu não podia... Eu não devia... Eu não tinha o direito...
— Shh... — Daniel está segurando meu rosto entre as mãos. Ele limpa uma de minhas lágrimas com o polegar. Os olhos dele brilham. — Shh... Eu sei. Está tudo bem.
— Eu... Eu tive tanto... Eu não sabia como... — Eu estou começando a soluçar, mas não consigo conter as lágrimas. Elas são mais fortes que eu. — Eu estou com tanto medo...
Dani me abraça e começa a fazer carinho nos meus cabelos. Eu aperto os olhos, tentando desembaçar minha visão.
— Meus pais... Meus amigos... Os seus pais... Eles... Eles não... A sociedade, todo mundo... Eles... — Eu tento engolir, mas minha garganta parece fechada. Não consigo respirar direito. — Eu estou com medo, Dani.
— Shh... Eu sei, eu sei... — Ele de afasta um pouco para olhar para mim, e seus olhos estão sorrindo. Daquele jeito que só sorriem para mim. Daniel fica na ponta dos pés para me dar um beijo na testa. Ele sempre foi mais baixo que eu. — Mas está tudo bem. Vai ficar tudo bem. Nós vamos conseguir. Juntos.
— Dani...
Ele fecha os olhos, roçando o nariz no meu de levinho:
— Eu vou proteger você.
Eu me afasto para olhar para ele. Meu coração está batendo rápido como nunca na vida. Eu sou pelo menos uma cabeça mais alto que ele e, bom, pelo menos eu tenho algum músculo.
— Você? — pergunto, erguendo uma sobrancelha.
— Eu. — Ele passa os dedos pelo meu cabelo, olhando nos meus olhos. — Afinal... Eu sou seu guaxinim.
Meu coração falha uma batida, e depois acelera ainda mais.
— Você... O quê?
Ele dá língua pra mim, depois ri de leve. O som faz borboletas dançarem no meu estômago.
Desta vez sou eu quem agarro a camiseta dele, puxando-o com tanta força que ele parece se assustar um pouco e precisa ficar na ponta dos pés com seus All Star pretos. Ele olha para mim, ansioso. Eu o encaro sério por um instante, depois sorrio para ele:
— Eu te amo tanto!
E agora sou eu quem o beijo apaixonadamente. Apesar do susto, ele logo retribui, colocando as mãos em meu pescoço. Eu não quis assustá-lo, é claro. Mas é bom que ele saiba desde já quem é o macho da relação, hnm!
Notas finais
#LoveWins
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