Eu te amo
1 Sumindo aos poucos
Notas iniciais
(...)
Finalmente Jack saiu do seu trabalho, não aguentava mais ficar pendurada na janela esperando ele passar, aliás nos últimos dias ele estava demorando demais á sair. Geralmente ele era o primeiro de tudo que se referisse a "ir embora", lembro perfeitamente de quando éramos colegas de escola, cinco minutos antes de a sineta tocar ele já começava a guardar seus materiais, aquela mesa dele era sempre tão bagunçada.
Lembro perfeitamente de tudo que se refere a ele. Aqueles belos olhos verdes, o cabelo castanho, e quando ele me olhava eu me sentia tão linda, mas foi tudo em um piscar de olhos que acabou...
Faltava apenas um dia para as férias de inverno terminarem, e eu receber o meu diagnóstico. Já eram 19 horas e estava ficando aflita, pois não queria voltar para a escola, afinal, acho que ninguém nunca quer.
Aliás, eu nem me apresentei. O meu nome é Ashley, moro em uma pequena cidadena Inglaterra. É engraçado eu dizer uma pequena cidade, porque geralmente quando fala-se de Inglaterra vem logo em sua cabeça que tudo é lindo, maravilhoso, não? Mas por aqui não é bem assim não, eu sei.
Quando eu era criança e mal sabia o que era sexo ouvi meus pais falarem no quarto que eu poderia estar com uma doença, eu não dei muita corda pois pensei que era gripe somente, ou algo assim, afinal eu tinha apenas 7 anos de idade.
Foi então logo depois do meu aniversário de 15 anos que minha mãe entrou no meu quarto chorando, fiquei preocupada pensando que poderia ser algo com ela, ou com algum outro parente e logo perguntei:
-Mãe, o que houve?
Ela começou a explicar:
-Ás vezes as vidas nos pregam uma peça, e está tudo tão dificil..
-Mãe, eu perguntei a você o que aconteceu, eu sei como é o mundo lá fora, eu tenho 15 anos, já sou crescida, vou entender, vocês não precisam esconder absolutamente nada de mim. -Ousei atrapalhá-la
Ela ficou caladadurante algum tempo, logo percebi que nada de bom estava acontecer, foi nesse dia que percebi que não há nada mais dolorido do que ver uma mãe chorar.
Ela apenas me abraçou e disse:
-Não se preocupe, vai passar eu sei.
Virou as costas, enxugou as lágrimas e desceu para a cozinha.
Minha mãe sempre foi uma mulher independente, carregava que para tudo sempre havia uma solução, até mesmo para a morte. Acreditava que a morte era algum tipo de doença psicológica, onde a pessoa ficava pensando que iria morrer e morria. Nunca acreditei nas besteiras que ela falava, mas me preocupava muito.
Fui para o meu banho, ainda pensando no Jack, eu não deveria ter mudado de escola, me perguntava sempre sobre como eu conseguia me manter sem um sorriso dele, sem aquele olhar que simplesmente me enlouquecia sempre.
Eu sempre demorei muito no banho, pensava geralmente no que eu iria escrever no meu diário. Passado 15 minutos eu sai (desta vez nem demorei muito), e enquanto passava pelo quarto da minha mãe ouvi ela chorar baixinho novamente, eu me preocupei claro, mas preferi acreditar que iria passar, ela sempre me dizia que tudo passava e realmente sempre passou.
Peguei o meu celular, jogado na cama, analisei o horário. Já eram 20 horas eu precisava escrever algo no diário, mas não sabia direito o que escreveria, pois ultimamente nada de bom me estava acontecendo.
Olhei de um lado ao outro, resolvi ligar o computador e desci para buscar algo para comer, foi quando vi meu pai abraçado em minha mãe na sala. Eles estavam sentados, olhando filme. Dei um beijo de boa noite neles e resolvi subir.
Peguei o meu diário e decidi escrever algo sobre mim.
dia 2 de agosto de 2014 — 20:45
Eu sei que sou pesada, triste, dramática, neurótica, louca, insatisfeita, mimada, carente, temperamental, idiota, criança. Mas você se esqueceu da minha maior qualidade: eu sou como você, sou humana, erro, possuo as mesmas coisas que você, (claro que de um modo diferente), e eu continuo sozinha, me iludindo, quando te vejo como minha família, mas você me deixa só com duas ou três opções de suco para uma ou duas opções de pão.
Fechei o diário e me olhei no espelho bem profundamente para enxergar minhas raízes e ganhar força, chorei algumas vezes, fui até o banheiro, fiquei sentada no chão, para ver se meu corpo esquentava um pouco ou porque estava mesmo me sentindo um lixo. O ar-condicionado hoje está insuportável, mas eu não acho que mude alguma coisa desligá-lo. Estar sozinha não muda nada, conheço bem esse estado e, de verdade, sei lidar até melhor com ele.
Sempre me senti melhor enquanto estava sozinha, e a coisa que eu mais odiava era que alguém conversasse comigo logo pela manhã. Vesti meu pijama, olhei as horas. Já estava tarde, e como pude? Eu havia jurado não gastar meu tempo pensando em você, mas, ah Jack, Jack, Jack, meu Jack...
Foi com esses pensamentos perambulando em minha cabeça que finalmente adormeci.
Continua...
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